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Prada Flagship Strore NY.2006 Rem Koolhaas 4 Red Light District, Amesterdão4.

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Estes fenómenos de intercâmbio constituem o verdadeiro centro da arquitetura mediada. Assim, na sociedade de consumo, a atividade produtiva está dependente das formas de intercâmbio que organizam as relações entre arquitetura, mediação e consumo. O encontro com o produto necessita de um espaço, um cenário, onde se realize a representação daquilo que é o mercado. No entanto, não se pretende referir aqui um mercado que se restringe apenas a produtos essenciais, tendo em conta a dificuldade de determinar o essencial numa sociedade de consumo e com crescentes vontades individuais, mas antes um sistema complexo que se centra no desejo. A arquitetura do movimento moderno construiu um discurso sobre os princípios da realidade de mercado e sobre a ritualização do consumo – consumo de obje- tos, de cultura, de espetáculo, de informação – tornando em objeto, ou produto, as necessidades e desejos individuais. Estas considerações levaram Walter Benjamin a definir os espaços comerciais como os novos espaços de rituais e fetichistas da sociedade moderna.

Neste seguimento é possível identificar quais as características destes cenários onde os rituais de consumo se produzem, onde a difusão do produto encontra a receção das audiências. Propomos, então, a categoria de contentor para definir estes espaços. Esta definição é utilizada à partida, no sentido de lugar onde se desenvolve o proces- so de intercâmbio atrás descrito, lugar privilegiado da progressiva democratização da arte e da cultura de massas, da difusão da cultura e da informação. No sentido de provocar funcionalmente o processo entre produção, mediação e consumo, atribuiu- se a designação de contentor aos espaços onde este processo de mediação ocorre. Na atualidade, estes contentores para a mediação, lugares de arquitetura mediada, podem aparecer sob a forma de museus, galerias expositivas ou centros culturais. Assim, avançou-se para a definição de contentor através da noção do arquiteto es- panhol Josep Maria Montaner4, onde o autor se refere a contentores como a con-

strução de lugares que já não são interpretados como recipientes existenciais per- manentes, mas, entendidos como focos de acontecimentos, como concentração de dinâmicas, como caudais de fluxos de circulação, como cenários de feitos efémeros, como momentos energéticos. A caracterização desta realidade espacial permite a 4 Cit por GURREIRO, Filipa (2000) Uma reflexão sobre um sistema expositivo para a FAUP, p.17

5. Theatres Series.2003 - Hiroshi Sugimoto 6. WorkNo200:1/2 “the air in a given space”.1998 - Mar-

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identificação de vários fenómenos, entre os quais, aqueles que o autor identifica como espaços mediáticos, nos quais já não é predominante o espaço físico, trans- formando a arquitetura num contentor neutro, e por vezes transparente, com siste- mas de objetos, técnicas e de imagens que garantem uma configuração dinâmica e modificável.

Já o psicólogo alemão Rudolf Arnheim5, no seu livro “A Dinâmica da Forma Ar-

quitetónica”, identifica o contentor como espaço existente mesmo que completa- mente vazio. O autor propõe o contentor como base absoluta de referência, na qual, todas as distâncias, velocidades ou dimensões possuem dimensões igualmente abso- lutas. De certa forma esta definição identifica-se com um sistema cartesiano de co- ordenadas, no qual é possível estabelecer a posição ou os movimentos num espaço. O contentor é aqui um espaço dotado de forma que pode ser preenchido e moldado ininterruptamente. O espaço não existe por si só, necessita de um invólucro mais ou menos definido, mas que o contém, definindo os seus limites. Esta noção permite passar do contentor como embalagem para a de contentor como invólucro referen- cial do espaço que contém.

No entanto é a definição do arquiteto Ignasi Solá-Morales que mais se aproxima da noção de separação generalizada proposta por Guy Debord6 no seu texto “Socie-

dade do Espetáculo”. Solá-Morales refere os contentores como lugares “nem sempre públicos, nem exatamente privados, nos quais se produz o intercâmbio, a despesa, a distribuição dos presentes que constituem o consumo múltiplo das nossas sociedades altamente ritualizadas.” 7Assim, segundo este autor, um museu, um estádio, um cen-

tro comercial, um teatro, uma ópera, um parque temático, um centro turístico, são contentores.

Estes espaços propõem sempre uma separação da realidade para criar com toda a evidência um espaço de representação. Uma separação física para não permitir a permeabilidade, a transparência ou a transitividade. Produzem, ainda, artificiali- dade através de um recinto fechado, protegido, vigiado. Artificialidade do clima, da organização e do controlo. Artificialidade do espaço interior, sempre interior mes- mo que seja ao ar livre, produzida por vários meios arquitetónicos, mas que estão sempre fechados pelo invólucro do contentor.

5 Cit por GURREIRO, Filipa (2000) ) Uma reflexão sobre um sistema expositivo para a FAUP, p.18

6 DEBORD, Guy (2012) A sociedade do espectáculo, Antígona, Lisboa. p.9 7 SOLÁ-MORALES, Ignasi (2003) Territórios. Gustavo Gili, Barcelona. p.99

7./8. Architecture Series.2003 - Hiroshi Sugimoto

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O autor acrescenta ainda que “há uma unificação do espaço que é prévia a todo o processo de diversificação artificial e que procede à condição essencial de separação que referimos. Nada tão mutável como uma coleção ou uma exposição dentro de um museu e, porém, nada tao rígido, tao controlado, separado, seletivo e homogéneo como estes templos de consumo que representam um dos fenómenos arquitetónicos mais po- derosos e determinados dos últimos vinte anos.”8 Os museus entendidos como con- tentores apresentam-se ao mesmo tempo como parte da sociedade e como instru- mento de unificação, como forma de separação e de homogeneidade.

A partir desta análise é possível identificar o processo de funcionamento dos museus enquanto difusores culturais, enquanto contentores, como cenários da ritualização do consumo. Desta forma, através da separação e homogeneidade acima referidas, os museus, com um discurso interno de ofertas culturais – exposições permanentes e temporárias, conferencias, reproduções, catálogos, mershandising - ficam aprisio- nados em toda a sua variedade de oferta pela distância intransponível que se cria entre mundo exterior e o mundo da representação cultural e dos dispositivos de difusão e consumo.

Estas realidades apresentam-se mais pelos seus aspetos rituais do que de funciona- mento, mais pela sua opacidade do que pela transparência, mas que se revelam pre- ponderantes ferramentas difusoras da cultura, sempre de uma forma indissociável das lógicas do sistema de consumo e da sociedade a que pertencem.

8 SOLÁ-MORALES, Ignasi (2003) Territórios. Gustavo Gili, Barcelona. p.100