NOTA DO EDITOR INGLÊS
PREFACE TO AICHHORN’S VERW AHRLOSTE JUGEND (a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1925 Em August Aichhorn, Verwahrloste Jugend, 5-6, Leipzig, Viena e Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag. (1931, 2ª ed.)
1928 G.S., 11, 267-9. 1948 G.W., 14, 565-7.
(b) TRADUÇÕES INGLESAS:
1935 Em Aichhorn, Wayward Youth, v-vii, Nova Iorque: Viking Press. (Reimpresso em 1936, Londres: Putnam.) (Trad. não especificada.)
1950 C.P., 5, 98-100. (Sob o título ‘Psycho-Analysis and Delinquency’.) (Trad. de James Strachey.)
1951 Em Aichhorn, Wayward Youth, vii-ix, Londres: Imago Publisching Co. (Reimpressão revista da edição de 1935, mas com o Prefácio de Freud traduzido por James Strachey.)
A presente tradução inglesa constitui versão muito ligeiramente corrigida da publicada em 1950.
Um estudo biográfico de August Aichhorn (1878-1949), da autoria do Dr. K. R. Eissler, aparece na edição de 1951 da tradução inglesa de Wayward Youth. O livro de Aichhorn foi publicado pela primeira vez em julho de 1925. Freud fez outra breve referência a ele em uma nota de rodapé ao Capítulo VII de O Mal-Estar na Civilização (1930a).
Um estudo mais amplo das relações entre a psicanálise e a educação foi realizado por Freud em uma longa passagem no meio da Conferência XXXIV de suas New Introductory Lectures (1933a).
PREFÁCIO A JUVENTUDE DESORIENTADA, DE AICHHORN
Nenhuma das aplicações da psicanálise excitou tanto interesse e despertou tantas esperanças, e nenhuma, por conseguinte, atraiu tantos colaboradores capazes, quanto seu emprego na teoria e prática da educação. É fácil compreender por quê, de vez que as crianças se tornaram o tema principal da pesquisa psicanalítica e substituíram, assim, em importância, os neuróticos com os quais ela iniciou seus estudos. A análise demonstrou como a criança continua a viver, quase inalterada, no doente, bem como naquele que sonha e no artista; lançou luz sobre as forças motivadoras e tendências que estampam seu selo característico sobre a natureza infantil e traçou os estádios através dos quais a criança chega à maturidade. Não é de admirar, portanto, que tenha surgido a expectativa de que o interesse psicanalítico nas crianças beneficiaria o trabalho da educação, cujo objetivo é orientar e assistir as crianças em seu caminho para diante e protegê-las de se extraviarem.
Minha cota pessoal nessa aplicação da psicanálise foi muito leve. Em um primeiro estádio, aceitei o bon mot que estabelece existirem três profissões impossíveis - educar, curar e governar -, e eu já estava inteiramente ocupado com a segunda delas. Isto, contudo, não significa que desprezo o alto valor social do trabalho realizado por aqueles de meus amigos que se empenham na educação.
O presente volume da autoria de August Aichhorn interessa-se por um setor do grande problema: a influenciação educacional de delinqüentes juvenis. O autor trabalhou por muitos anos em posição oficial da competência como diretor de instituições municipais para delinqüentes, antes de ter-se familiarizado com a psicanálise. Sua atitude para com seus encargos originam-se de uma cálida simpatia com a sorte desses infelizes e foi corretamente guiada por uma percepção intuitiva de suas necessidades mentais. A psicanálise praticamente pouco pôde ensinar-lhe algo que fosse novo, porém lhe trouxe uma clara compreensão interna (insight) teórica da justificativa de seu modo de agir e colocou-o em posição de explicar seu fundamento a outras pessoas.
Não devemos presumir que esse dom de compreensão intuitiva seja encontrado em todos aqueles que se interessaram pela educação de crianças. Segundo me parece, duas lições se pode derivar da experiência e do sucesso de August Aichhorn. Uma é que toda pessoa desse tipo deveria receber uma formação psicanalítica, de vez que sem esta as crianças, o objeto de seus esforços, permanecerão sendo um problema inacessível para ela. Uma formação desse gênero é mais bem executada se a própria pessoa se submete auma análise e a experimenta em si mesma; a instrução teórica na análise fracassa em penetrar bastante fundo e não traz convicção.
A segunda lição tem uma aura um tanto conservadora. Afirma-se no sentido de que o trabalho da educação é algo sui generis: não deve ser confundido com a influência psicanalítica e não pode ser substituído por ela. A psicanálise pode ser convocada pela educação como meio
auxiliar de lidar com uma criança, porém não constitui um substituto apropriado para a educação. Tal substituição não só é impossível em fundamentos práticos, como também deve ser desaconselhada por razões teóricas. A relação entre a educação e o tratamento psicanalítico provavelmente logo será o tema de uma investigação pormenorizada. Fornecerei aqui apenas algumas sugestões. Não devemos deixar-nos desorientar pela afirmação - incidentalmente uma afirmação perfeitamente verídica - de que a psicanálise de um neurótico adulto é equivalente a uma pós-educação. Uma criança, mesmo uma criança desorientada e delinqüente, ainda não é um neurótico, e a pós-educação é algo inteiramente diferente da educação dos imaturos. A possibilidade de influência analítica repousa em precondições bastante definidas, que podem ser resumidas sob a expressão ‘situação analítica’; ela exige o desenvolvimento de determinadas estruturas psíquicas e de uma atitude específica para com o analista. Onde estas faltam - como no caso de crianças, delinqüentes juvenis e, via de regra, criminosos impulsivos - algo diferente da análise tem de ser utilizado, embora algo que seja uníssono com a análise em seu intuito. Os capítulos teóricos do presente volume fornecerão ao leitor uma apreensão preliminar da multiplicidade das decisões envolvidas.
Encerrarei com outra inferência, desta vez uma inferência importante não para a teoria da educação, mas para a condição daqueles que estão empenhados na educação. Se um deles aprendeu a análise por experimentá-la em sua própria pessoa, e está em posição de poder empregá-la em casos fronteiriços e mistos, a fim de auxiliá-lo em seu trabalho, obviamente deverá ter o direito de praticar a análise; e não se deve permitir que motivos mesquinhos tentem colocar obstáculos em seu caminho.