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Presidente da República – artigos 120º e segs

No documento Sebenta Direito Constitucional (páginas 102-108)

Título I – A constituição como fenómeno jurídico Capítulo I – Conceito de Constituição

CLASSIFICAÇÃO DE NORMAS CONSTITUCIONAIS: Quanto ao

1- Presidente da República – artigos 120º e segs

• representa a unidade da comunidade nacional (independência).

• representante jurídico do Estado perante a comunidade internacional (cfr artigo 135º - nomeação de embaixadores e declaração de paz e guerra).

A CRP (acontecia noutras Constituições portuguesas e acontece em Constituições Estrangeiras) utiliza sempre a designação PR e não Chefe de Estado.

O PR resulta de sufrágio directo, pelo que é um órgão autónomo legitimado pela popularidade e tem poderes mais alargados do que um Chefe de Estado legitimado por sufrágio indirecto. Ou seja, resulta da sua modalidade de designação (sufrágio directo) o aumento dos seus poderes próprios.

Para Benjamin Constant o Chefe de Estado deteria um poder neutro e supremo (soma total das autoridades de Estado), em termos defendidos por este autor e por outros durante muito tempo.

Poderes do PR

1. poderes próprios – artigo 133º CRP

• alínea e) + artigo 172º

• alínea f) + artigo 196º

• alínea g) + artigo 195º

• alínea h)

3. poderes de direcção política – pode ser discutível a sua existência, parecem estar mitigados – artigos 133º, 134º e 190º CRP.

4. poderes de controlo – nomeadamente, de aferição dos actos legislativos –

artigos 136º / 278º.

A substituição do PR cabe ao PR interino, nos termos e com os poderes definidos nos artigos 132º e 139º da CRP.

Como órgão auxiliar do PR surge o Conselho de Estado (artigo 141º e segs.)

Cfr.

• composição – 142º

• competência – 145º

2. - A Assembleia da República vem prevista nos artigos 147º e segs.

Rege-se pela CRP, mas também pelo seu Regimento [artigo 175º a)], o que

corresponde a um poder de auto - organização.

• Tem um carácter permanente enquanto órgão representativo de todos os

cidadãos portugueses (ideia de continuidade da actividade parlamentar ≠

primórdios da actividade parlamentar em que as Cortes funcionavam apenas por solicitação do monarca).

Isto não significa que haja diariamente plenário – artigo 174º -, mas que por exemplo fora do período normal de funcionamento funciona a Comissão permanente – nº3 do artigo 179º (apesar de tudo com competências diminuídas em relação às da Assembleia da República)

• Vigora entre nós o mandato representativo – artigo 152º, n.º 2 -, por oposição

ao mandato imperativo

• É um parlamento unicameral (na história do Constitucionalismo Português,

• Pode funcionar em Plenário

Comissões (artigo 178º, n.º 2 – todos os deputados pertencem a uma comissão)

Comissões eventuais criadas a propósito de uma determinada matéria (ad

hoc).

• As legislaturas têm a duração de quatro sessões legislativas e cada uma das

sessões legislativas corresponde aproximadamente a um ano – cfr. artigos 174º CRP.

Aparecem como órgãos auxiliares:

presidente AR [artigo 175º b)]

• comissões parlamentares

• grupos parlamentares (artigo 180º)

• funcionários especialistas da AR (artigo 181º)

As funções da AR podem ser:

• electiva / criação de órgãos (Veja-se o artigo 163º, mas também pode ser lei

ordinária a determiná-la)

• legislativa (artigos 164º / 165º/167º

Na revisão de 97 os cidadãos passam a poder apresentar propostas de lei, para além do Governo e das Assembleias Legislativas das regiões autónomas

• de controlo do Governo /art. 190º - a AR pode promover inquéritos, discutir

votos de confiança e moções de censura, etc.

• de fiscalização (artigo 162º)

• autorizante (artigos 161º/165º)

• representativa (artigo 147º - autonomizada por exemplo por Gomes

3. - O Governo encontra previsão constitucional nos artigos 182º e segs. • órgão colegial

• órgão complexo

• para alguns autores o 1º Ministro seria também um órgão autónomo dentro

do Governo

• órgão solidário – artigo 189º

órgão organizado em termos hierárquicos - artigo 201º, n.º 1 a)

• composição do Governo – artigo 183º

• composição do Conselho de Ministros – artigo 184º

Cabe-lhe ainda um poder de auto–regulação – nº2 do artigo 198º / nº3 do artigo 183º – no que diz respeito à sua própria organização e funcionamento (paralelo do poder da AR de fazer o regimento, o que constitui aliás poder comum aos órgãos colegiais). É aliás a matéria correspondente à sua única reserva legislativa exclusiva.

Quanto às funções que desempenha: • política – artigo 197º

administrativa – artigo 199º c)

• legislativa – artigo 198º

- n.º 1 – Governo pode legislar, em matéria concorrencial, autorizado pela AR em

matéria de reserva relativa ou desenvolvendo leis de bases. - n.º 2 – reserva exclusiva do Governo

A demissão do Governo prevista no artigo 195º não deve ser confundida com o acto de exoneração, que consiste no acto do PR que faz terminar as funções do Governo. A causa de demissão pode ser qualquer uma das previstas no nº1 do artigo 195º, que opera a demissão automática, e a que se segue o acto formal de exoneração.

As causas previstas nas alíneas d), e) e f) do nº1 do artigo 195º justificam-se tendo em conta que o Governo é responsável também perante a AR.

No que se refere ao n.º 2 confundem–se os dois momentos, ou seja, o PR por sua iniciativa demite o Governo (ouvindo o Conselho de Estado).

• causas invocadas: irregular funcionamento das instituições democráticas

Ex.: Governo é minoritário e não tem apoio da AR; Governo manda tropas combater num determinado país sem autorização do PR, Governo resulta de uma coligação – os membros rompem a coligação e não apresentam o pedido de demissão.

Nesta última situação devem pois estar preenchidos dois requisitos:

- material – situação de perturbação do regular funcionamento das instituições democráticas.

- formal - audição do Conselho de Estado (parecer obrigatório mas não vinculativo).

4. - Quanto aos Tribunais e estatuto dos juízes vejam-se os artigos 202º, n.º 1 e 215º

e segs.

Como características fundamentais encontramos:

- independência

-interna – dentro da função jurisdicional

-externa – face a outros órgãos e a outros poderes - imparcialidade

Só há hierarquia dentro da função jurisdicional para efeitos de recurso, já que não vigora a regra do precedente ao contrário do que acontece em países como os EUA.

De acordo com a CRP encontramos:

- Tribunal Constitucional – 221º e segs.

- Tribunais:

• Civis – Supremo Tribunal de Justiça

- 2ª instância - 1ª instância

• Administrativo – Supremo Tribunal Administrativo

- Tribunais Centrais Administrativos

- Tribunais Administrativos e Fiscais

• Militares – artigo 213º - A Revisão de 1997 alterou substancialmente a redacção deste artigo (tanto mais que se tem questionado se num verdadeiro Estado de Direito faz sentido a existência destes tribunais).

Outros órgãos constitucionais: (auxiliares dos tribunais na sua tarefa de administrar a justiça em nome do Povo):

• Ministério Público – artigo 219º

• Conselho Superior do Ministério Público – 220º, n.º 2

Parte III – A actividade constitucional do Estado

No documento Sebenta Direito Constitucional (páginas 102-108)