DIREITO CONSTITUCIONAL
Texto de apoio correspondente às aulas leccionadas ao 1º Ano da Faculdade de Direito da Universidade do Porto com última revisão em Agosto de 2005
Luísa Neto
Nota Prévia
Os elementos de estudo que ora se apresentam visam apenas fornecer mais um apoio para os alunos do 1º Ano.
Estes alunos, recém-entrados na Faculdade, sentem-se não raras vezes perdidos, depois de um empenhado e longo processo de candidatura.
De facto, são confrontados com um tipo de ensino distinto daquele a que vêm habituados do Ensino Secundário, em termos de exigências, de vastidão dos programas, de estilo de exposição e modo de leccionação, e daí decorrem inevitáveis dificuldades.
Que estas dificuldades devem contar, sempre, com o apoio dos docentes, e mormente daqueles que têm a seu cargo disciplinas do 1º Ano, parece evidente e não merece aqui referência de maior.
Mas umas das dificuldades mais recorrente está porventura relacionada com a triagem que é suposto fazerem, da bibliografia indicada.
Isto é tanto mais verdade no que tange ao Direito Constitucional, disciplina que convoca exigentes competências técnicas mas que apela de modo incondicional a um enquadramento cultural mais profundo.
O objectivo que aqui se tenta cumprir é tão só o de fornecer um roteiro consistente das aulas, onde possam os alunos buscar arrimo seguro para as leituras dos manuais, monografias e outras fontes indicadas, que obviamente estes elementos não substituem ou minimizam, e que antes devem fazer parte de um caminho de busca, investigação e crítica pessoal que deve ser fomentada desde os primeiros instantes da vida universitária.
Assim, estes elementos correspondem a uma versão muito simplificada – e que tem merecido scessivas revisões – das aulas por mim leccionadas ao 1º Ano da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Precisamente por isso se apresentam em estilo muito próximo do da linguagem coloquial, opção que aqui se assume e que corresponde não só aos objectivos enunciados como também ao tempo de que se dispôs para a sua apresentação. Apresenta-se igualmente uma bibliografia desenvolvida da disciplina bem como sugestões jurisprudenciais que permitem colorir e integrar os conhecimentos teóricos.
Cumpre-me agradecer – e faço-o com gosto -, a três pessoas. À Dra Anabela Leão, que enquanto monitora da disciplina me auxiliou na organização da bibliografia e sugestões de jurisprudência, e que, enquanto docente da disciplina, se encarregou da primeira revisão do texto. À também já licenciada Mariana Tavares de Oliveira, que enquanto aluna, me fez o favor de me facultar o acesso aos seus apontamentos, para que os cruzasse com os meus.
E ao Sr. Miguel Coelho, que teve a paciência – e, mais importante, o cuidado! – de dar uma primeira forma informatizada aos elementos que ora se apresentam.
Que este trabalho conjunto possa servir os seus propósitos, são os meus votos.
Porto e FDUP, Agosto de 2005
Luísa Neto
DIREITO CONSTITUCIONAL Programa da disciplina
Parte I – O Estado e a experiência constitucional...4 Título I – O Estado na História
Capítulo I – Localização histórica do Estado
Capítulo II – O Direito Público moderno e o Estado de tipo europeu
Título II – Sistemas e famílias constitucionais...27
Capítulo I – Sistemas e famílias constitucionais em geral Capítulo II – As diversas famílias constitucionais
Capítulo III – Os sistemas constitucionais do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa
Título III – As constituições portuguesas...56
Capítulo I – As constituições portuguesas em geral Capítulo II- As constituições liberais
Capítulo III – A Constituição de 1933 Capítulo IV – A Constituição de 1976
Parte II– Teoria da Constituição...77 Título I – A constituição como fenómeno jurídico
Capítulo I – Conceito de Constituição Capítulo II – Formação da Constituição
Capítulo III – Modificações e subsistência da Constituição
Título II – Normas Constitucionais... 86
Capítulo I – Estrutura das normas constitucionais Capítulo II – Interpretação, integração e aplicação
Parte III – A Actividade constitucional do Estado ...93 Título I – Funções, órgãos e actos em geral
Capítulo I – Funções do Estado Capítulo II – Órgãos do Estado
Título II – Actos legislativos...107
Capítulo I – A lei em geral
Capítulo II – As leis da Assembleia da República
Capítulo III - Autorizações legislativas e apreciações parlamentares Capítulo IV – Relações entre actos legislativos
Parte IV – Inconstitucionalidade e garantia da Constituição ...124 Título I – Inconstitucionalidade e garantia em geral
Capítulo I – Inconstitucionalidade e legalidade Capítulo II – Garantia da constitucionalidade
Título II – Sistemas de fiscalização da constitucionalidade ...132
Capítulo I – Relance comparativo e histórico Capítulo II – O regime português actual
Bibliografia...144 Sugestões jurisprudenciais ...157
Parte I – O Estado e a experiência constitucional Título I – O Estado na História
Capítulo I – Localização histórica do Estado
Capítulo II – O Direito Público moderno e o Estado de tipo europeu
O fenómeno político é, genericamente entendido, o objecto de disciplinas como a Teoria Geral do Estado, a Teoria Geral do Direito Público, a Ciência Política, o Direito Constitucional, a História do Direito Constitucional, o Direito Constitucional Comparado, ou a História do Direito Constitucional Comparado. É um objecto que pode, no entanto, ser apreciado quer sob uma perspectiva de facto (ou de “ser”) – v.g. no caso da Ciência Política -, quer sob uma perspectiva normativa ( ou de “dever ser”) – como no caso do Direito Constitucional.
O objecto do Direito Constitucional é a Constituição, que cria estruturas para que o Estado realize as suas tarefas.
O Direito Constitucional = Direito Político (Polis = Cidade, Estado) é então um Direito da Organização, que respeita ao modo de criação do Estado, visto que este é a única forma de sociedade política que tem Constituição.
No entanto, encontramos já alguns fenómenos de paraconstitucionalização: fenómenos de aproximação ao Estado por parte de organizações supra-estaduais (ex.: UE, com marcas de estadualidade como o Parlamento Europeu, Euro, política económica comum, Carta da ONU que prevalece sobre todos os demais tratados internacionais).
Ao contrário dos vários grupos humanos (ex. associação académica), o Estado é uma sociedade de fins gerais (que se dedica a uma pluralidade de fins), e que visa a realização temporal das necessidades colectivas. Até agora apenas o Estado tem poder coercitivo. A ONU pode ter esse poder coercitivo através do Conselho de Segurança, mas apenas sobre os Estados em geral (numa decisão dependente da vontade dos membros efectivos).
Rege fins gerais da ordem do Estado. Contém os grandes princípios da ordem jurídica do Estado
Constituição
Estabelece o modo de relacionamento do Estado com outros Estados
O Direito Constitucional distingue-se de outros ramos do Direito na medida em que corresponde ao tronco do ordenamento jurídico.
Estado Estado / Comunidade – exerce poder para a realização de fins comuns.
Estado / Poder – regulamentação das relações. O Estado:
• é uma das formas de sociedade política;
• é objecto de estudo da ciência do Direito Constitucional;
• é abalado e/ou condicionado por factores internos e externos.
De facto, quando falamos em fenómeno estadual, referimo-nos a organizações que estão em mutação e em transformação. No entanto, e apesar dessas mutações, a soberania do Estado prevalece e ele é ainda a principal referência de estruturação política no tempo e no espaço.
Não apenas os indivíduos, mas também as demais instituições que exercem autoridade pública, devem obediência ao Estado. Não há ideia de poder sem ideia de Direito (mudando a concepção de um, muda a concepção do outro). O Direito Constitucional é a parcela da ordem jurídica que rege o próprio Estado enquanto comunidade e enquanto poder.
Sociedade em geral
Sociedades políticas
Estado
Estado Moderno
Desde séculos XV e XVI Estado Constitucional Representativo e de Direito desde século XVIII
O Estado é tanto objecto de estudo da Ciência Política como do Direito Constitucional. Ora uma
É determinada pelo objecto; Ciência
Mas também resulta do método e perspectiva de análise. Assim, enquanto o Direito Constitucional estuda o Estado enquanto realidade sujeita a normas (dever ser), a Ciência Política estuda o Estado enquanto facto ou realidade (ser).
Por Estado podemos entender:
• comunidade de pessoas relação comunidade/poder
• instituição de um poder
• regulamenta as relações que se estabelecem entre pessoas e poder.
A raiz etimológica da palavra Estado resulta do verbo latino “sto, stas, are, aui, statum” (permanecer). De facto, o Estado dura no tempo. Mudam os governantes, os titulares, mas o Estado é a realidade política que permanece.
Característica da Institucionalização - Maurice Hauriou define a instituição = ideia de obra ou empreendimento que vive e perdura no meio social (ex.: Estado, Família, Propriedade Privada...).
Ou seja, o Estado é aqui uma instituição que corresponde a uma realidade histórica e que existe apesar das mutações históricas.
No Séc. XVI Maquiavel, em “O Príncipe“, ao escrever que “todos os Estados são
Monarquias ou Repúblicas”, veio generalizar / solidificar o sentido de Estado.
O Estado passa então por dois fenómenos:
- Acesso à independência política das colónias (ascensão de vários partidos;
igualdade política...);
- Expansão do modelo europeu de Estado (homogeneidade espacial do Estado, ou
seja, exportação de um mesmo modelo político).
Como características básicas de qualquer Estado encontramos:
1- Complexidade de organização e actuação uma centralização do poder
corresponde a multiplicação de funções.
O Estado é uma sociedade de fins gerais. Abanca com a totalidade de fins gerais para satisfazer as necessidades colectivas. O Estado é complexo; os grupos ou associações regem-se por fins particulares, mas o Estado tem uma multiplicidade de fins que tem que prever e abarcar e tem uma grande diferenciação de órgãos e serviços.
2- Autonomia do poder político.
O Estado é composto por uma comunidade de pessoas sujeita a um poder que se destaca. Fala-se em “soberania do Estado”, se bem que haja uma separação entre a comunidade civil e o poder político instituído.
Mesmo sem ser absoluto ou totalitário, o Estado determina a sua mística de poder e justifica as suas acções em nome de objectivos próprios.
3- Coercibilidade - susceptibilidade ou possibilidade de o direito estadual ser imposto pela força.
Ao Estado cabe a administração da justiça entre as pessoas, por isso tem de lhe caber também o monopólio da força física. O Estado promove a integração, a direcção, a defesa da sociedade, a própria sobrevivência como um fim em si, a segurança quer interna, quer externa. Não é o Estado que se impõe pela força, mas sim o Direito do Estado com as suas leis e normas jurídicas.
Importa pois perceber que é preferível falar em coercibilidade e não em coacção ou coerção para melhor acentuar a ideia de mera susceptibilidade ou possibilidade de vindicação normativa pela força
4- Institucionalização – duração, permanência do poder, para além da mudança dos titulares. Corresponde a uma ideia de permanência, fixação, e enraizamento do Estado como realidade transtemporal, e imbrinca com permanência dos fins gerais a que o Estado se propõe,
- na esfera externa – O Estado mantém relações com outros Estados internacionais.
- na esfera interna – a institucionalização manifesta-se e o Estado permanece mesmo aquando da mudança de governo, de poderes, de leis.
Esta institucionalização e permanência verifica-se também ao nível da Constituição. Também os princípios gerais da constituição permanecem. Há, porém, excepções, pois existem governos que não assumem as normas jurídicas de governos anteriores.
O objecto de uma Constituição material diz respeito aos princípios gerais do Estado (regras de ocupação do poder político e regras de cidadão e de Estado). O artigo 16º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão referia que uma Constituição, para o ser, não poderia prescindir de regular os direitos das pessoas e a separação de poderes, o que ainda hoje podemos dizer que corresponde ao conteúdo mínimo essencial de uma Constituição.
A Constituição formal (escrita) surge das revoluções liberais do séc. XVIII. Com elas surge um diferente tipo de Estado, precisamente chamado de “Constitucional”.
5- Territorialidade ou sedentariedade:
Correspnde à necessidade de um espaço físico para que o Estado realize o seu poder (espaço físico de actuação).
São hoje considerados elementos do Estado o poder político, o povo e o território. Já não existem hoje sociedades nómadas e a cada Estado corresponde um território, que se revela indispensável para o Estado como referência da comunidade.
Em 1900, Jellinek , na sua Teoria Geral do Estado apresenta a categorização de tipos fundamentais de Estado – formas de organização do Estado em determinado tempo e espaço para realizar os seus fins.
É a seguinte a classificação proposta por Jellinek: 1- Estado Oriental
2- Estado Grego 3- Estado Romano 4- Estado Medieval
5- Estado Moderno – sécs. XIV e XV
Ao contrário de Jellinek, Jorge Miranda considera uma classificação de tipos históricos de Estado e não de tipos fundamentais, já que estes tipos não coexistem realmente. Seguindo esta classificação, será também mais correcto falar-se de uma organização de tipo medieval e não de um Estado medieval, já que aí não se verificaria uma identificação do poder estadual como poder supremo nem a
característica da coercibilidade, antes existindo uma fragmentação do poder político decorrente da organização feudal da sociedade.
Se os primeiros tipos de Estado têm localizações espacio-temporais bem definidas, já o Estado Moderno:
• pode surgir no séc. XIV [Inglaterra e Portugal ];
• surge essencialmente nos sécs. XV e XVI com o Renascimento e com os
Descobrimentos;
• resulta de uma centralização do poder por reacção à fase anterior.
Podem identificar-se três características do Estado Moderno que marcam a ruptura com as outras formas anteriores de Estado:
1- Poder político = ideia de soberania 2- Estado = Nação
3- Estado laico
1 – Poder político = Soberania
A actual teorização da soberania pode dizer-se ter sido realizada por Jean Bodin (Les six livres de la République), numa altura em que o aparecimento de fronteiras territoriais exíguas fazem da centralização do poder uma condição “sine qua non” para a existência e sobrevivência do próprio Estado. O poder político centralizado evita a desagregação do Estado em pequenas unidades territoriais e é o garante da unidade política estadual, surgindo:
♦ como uma necessidade de afirmação para com outros Estados europeus;
♦ como uma necessidade de comunicação com Estados mais longínquos
(Como nota marginal refira-se por exemplo que cessa de ser utilizada a expressão “povo bárbaro” que passa a ser substituída pela de “povo estrangeiro”).
Atendendo à ideia de soberania o poder político pode ser apreciado:
- esfera interna – como poder supremo: na esfera interna não há poderes acima do poder político/há um plano de subordinação de todos os poderes em relação ao poder político.
- esfera externa – como poder independente: na esfera externa o Estado não recebe directrizes de outros Estados / há uma coordenação com os restantes Estados .
2- Estado = Nação
Noutros tipos anteriores de Estados, o factor de união entre determinado número de pessoas havia sido por exemplo o factor religioso (Estado Oriental, Grego e Romano). No Estado Moderno o factor de coesão é a Nação, que corresponde a um vínculo objectivo / emocional que resulta de vivências históricas e que promove a coesão de determinadas comunidades humanas.
Podemos encontrar num Estado uma só Nação ou várias Nações, assim como podemos encontrar uma Nação dividida em vários Estados. Mas no Estado Moderno a um Estado corresponde tendencialmente uma Nação, e a Nação define-se por relação e em relação com o Estado.
3- Estado laico
O Estado Moderno de tipo europeu é um Estado que deixa de prosseguir fins religiosos. Mesmo que não tenha sido imediata a separação em termos jurídicos (ex: em Portugal só ocorre com a Constituição de 1911), havia uma separação no plano dos princípios entre fins religiosos e fins políticos.
O Estado laico radica no fundo ainda no Cristianismo e no brocardo“ Dai a César o
Estas três características do Estado Moderno devem considerar-se como aglutinadas às cinco características gerais do Estado.
Fases do Estado Moderno de tipo Europeu:
1ªfase - Estado Estamental – sécs XIV /XV /XVI
Determinados Estados com processo acelerado de evolução (Inglaterra)
Monarquia de Direito Divino – Séc. XVII
2ªfase - Estado absoluto
Despotismo esclarecido – Séc. XVIII 3ª fase - Estado Constitucional, Representativo e de Direito
- Estado liberal – Século XIX
- Estado social de Direito – Do Século XX em diante (a partir da 1ª GG)
Acentue-se que esta correspondência temporal é meramente tendencial e que a Inglaterra não segue esta evolução, já que parece passar directamente da fase do Estado Estamental para a do Estado Constitucional representativo e de Direito.
Caracterização das fases do Estado Moderno de tipo Europeu: - Estado Estamental (Ständenstaat):
• O poder político encontra-se limitado por ordens representativas/há uma
representação dos estratos da sociedade através de assembleias consultivas ou deliberativas (ex.: Cortes em Portugal; Estados Gerais em França; Parlamento em Inglaterra).
• Surge numa fase de transição – tem ainda elementos do período de organização medieval e elementos do Estado Moderno de tipo europeu, como a centralização do poder e a correspondência entre ideias de poder político e soberania.
• Em Portugal o Estado Estamental entra em declínio no reinado de D. Afonso V e termina em D. João II, com qual se inicia no nosso país, o Estado absoluto.
- Estado absoluto:
• Há uma progressiva centralização do poder durante a fase do Estado Estamental, até que deixa de haver limitação das ordens representativas por haver uma centralização total do poder na figura do monarca.
• Monarquia de Direito Divino – Séc. XVII
• Justificação divina para a centralização e exercício do poder político: o Rei é
a personificação de um mandato divino para governar (Luís XIV – “L’État c’est
moi” – glorificação e deificação do poder político).
• Se a classificação do exercício do poder político da Antiguidade clássica distinguia Monarquia, Aristocracia e Democracia, Maquiavel considera apenas duas classificações do exercício do poder político:
• Monarquia – exercício do poder político por um órgão singular por via
hereditária ou electiva;
• República – o poder executivo cabe ou a um órgão colectivo ou a um
órgão singular desde que este esteja limitado por uma assembleia.
• Despotismo esclarecido – Séc. XVIII
• A justificação do exercício do poder político é a razão – deificada e mitificada
(na esteira aliás dos ideais iluministas).
- Estado Constitucional, Representativo e de Direito – Sécs. XIX, XX, XXI
• Melhor do que nos guiarmos pela razão de um é guiarmo-nos pela razão
• Cumula as três características (alguns autores referem-se apenas à expressão “Estado de Direito”, mas parte-se do pressuposto da verificação das outras duas características).
Por Estado Constitucional se pretende significar a explosão do movimento constitucionalista – qualquer Estado para o ser tem que ter Constituição (conjunto de princípios fundamentais que constituem a sua estrutura) mas esta poderá ou não ser escrita. No séc. XVIII aumentam exponencialmente as constituições formais.
• 1822- 1ª Constituição formal portuguesa (mas já as leis gerais do Reino são
constituições materiais.)
• 1776 – Declaração dos Direitos do Estado da Virgínia.
• Declaração da Independência dos EUA.
•1787- Constituição Americana - 1ª Constituição escrita formal (ainda em vigor).
• 1789- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em França – determina
de modo essencial o sistema Francês e mantém-se em vigor, por expressa referência dos preâmbulos das Constituições francesas seguintes.
Por Estado Representativo falamos da forma como o poder é exercido.
• Por via das revoluções liberais a soberania pertence ao povo. Por ser impossível o exercício directo do poder por todo o povo e injusto o exercício apenas pelo monarca, encontra-se uma via média: todo o povo elege representantes seus que exercem poder em seu nome.
• Kant dizia que a monarquia favorece as guerras porque as decisões são tomadas independentemente de afectarem o povo ou não.
• Para Carlos XII (no fim do séc. XVII) a guerra era o “desporto preferido de
qualquer rei” já que não o afectava directamente.
• Com a ideia de Estado Representativo surge uma nova forma de encarar a
sujeitos a um poder participam/ têm poder de intervenção
não têm qualquer tipo de escolha ou participação
Por Estado de Direito se quer fazer expressar que o único critério de actuação possível é o critério legal, o critério do Direito, a Lei. Em termos incipientes esta ideia vem desde a Antiguidade Clássica (e já Platão referia que melhor que um governo de homens será um governo de leis, porque estas estabelecerem normas de conduta que pautam a sociedade).
Estado de legalidade ≠ Estado de Direito (mais exigente)
- cumpre-se a lei seja ela qual for; - considera a ideia de Direito que está
em causa;
- é mais do que um estado de legalidade;
- considera os valores subjacentes a determinada lei;
Esta ideia de Direito implica:
• separação de poderes – para Montesquieu;
• limitação recíproca dos poderes – fiscalização de uns poderes em relação
aos outros;
• respeito pelos Direitos Fundamentais;
• cumprimento da legalidade (entendida em termos latos).
Fases do Estado Constitucional, Representativo e de Direito:
1. Estado Liberal (Estado negativo)- corresponde ao séc.XIX e ao Estado não intervencionista, e abstencionista do “laissez faire, laissez passer”.
2. Estado Social de Direito – surge no fim da 1ª Guerra e acentua questões sociais que reclamam intervenção do Estado, o que acontece.
Apesar de tudo, refiram-se hoje algumas correntes neo-liberais.
Estado de polícia ≠ Estado polícia ≠ Estado policial
- Estado absoluto - Estado liberal (século
XIX)
- A polícia enquanto instituição é utilizada para manter a ordem em
termos totalitários
(exercício ditatorial do poder).
Paralelamente ao Estado Social de Direito encontramos ainda hoje:
- Estados Fascistas (Indonésia, provavelmente) - Estados Socialistas
- Estados Sociais – as preocupações sociais não são inseridas num enquadramento de Direito.
Como manifestação das características do Estado Social de Direito podem-se apontar:
• 1917 - Constituição Mexicana
•1919 - Constituição de Weimar (apesar de não ser a primeira, é emblemática
desta nova fase)
• 1947 - Constituição Italiana
• 1949 - Constituição de Bona
• 1988 - Constituição Brasileira
Podemos encontrar teses várias sobre estrutura do Estado: Contratualistas (Kant, Rousseau)
- A essência do Estado corresponderia a uma associação de pessoas que se
visa organizar: este suposto acordo não implica que tenha havido verificação histórica do mesmo, mas antes pretende arvorar-se em justificação filosófica e jurídica.
- Nas primeiras Constituições Portuguesas, como na de 1822, lê-se por exemplo que o Reino de Portugal consiste na associação de todos os portugueses.
- Marsílio de Pádua distingue dois momentos:
1º Pactum unionis – os cidadãos forma o Estado (união).
2º Pactum subjectionis – os cidadãos atribuem o poder político a determinada entidade.
• Os autores podem-se dividir consoante admitam ou não a soberania como
alienável.
• Para Rousseau e a sua ideia de contrato social há uma associação dos elementos que transferem o poder para uma entidade, a soberania é alienável, e portanto de algum modo transferível (interpretação que pode dar origem a regimes totalitários).
• Locke defende que independentemente da associação não há uma
transferência da titularidade do poder político. Positivistas (Kelsen, Jellinek, Carré de Malberg):
O Estado rege-se pela lei que é emanação da sua vontade e tudo é considerado em termos de pirâmide normativa.
Jusnaturalistas / Filosofia dos Valores
Há princípios, nomeadamente de Direito Natural, que devem ser sempre tidos em atenção e que condicionam a actuação e organização estadual.
Historicistas (De Maistre, von Gierke)
O Estado é resultado de uma evolução histórica.
Sociológicas (La Valle, Smend)
A criação do Estado resulta de uma articulação das forças vivas da sociedade que levam à formação do Estado; tudo depende das vivências reais da sociedade (tese que se aproxima da contratualista).
Marxistas
A supraestrutura do Estado é determinado pela infraestrutura económica, e a alternância decorre da articulação que se verifica entre os modos sociais de produção.
Institucionalistas ( M. Hauriou, Georges Burdeau, Constantino Mortati)
O Estado é uma ideia de obra ou empreendimento, que vive e perdura no meio social.
Decisionistas / Ordinalista concreta (Carl Schmitt)
O Estado resulta de uma decisão, ordem concreta que é dada. É possível fazer-se de algum modo uma síntese:
- Hoje não podemos prescindir de uma ideia de consenso / não falamos de contrato, mas antes de base consensual (Contratualistas).
- A ideia de Estado existe em toda a sociedade (Institucionalistas).
- Interessa um Estado que incorpore princípios gerais e imutáveis que fazem parte da filosofia dos valores (Jusnaturalistas).
Na doutrina portuguesa, para Marcello Caetano a Constituição é uma forma de limitação do poder, enquanto para Rogério Soares a Constituição é o garante do bem comum e é o elo, a ponte entre o passado e o futuro.
Os elementos do Estado que Jellinek identifica são:
• elemento humano – povo
• elemento físico – território (Alguns autores entende que o território não deve
estar ao mesmo nível dos outros dois)
• elemento institucional – poder político Soberania
Podem ser entendidos enquanto elementos que se aglutinam ou os elementos correspondem a condições essenciais da existência do Estado ou o Estado não corresponde apenas ao somatório das condições, que podem ser mais.
Elemento humano – povo Expressões afins:
- População – Atende-se a um ponto de vista sócio-económico / estatístico. - Pátria / Nação – Vínculos de natureza histórica e emocional.
- República – Durante muito tempo foi entendido como sinónimo de povo; a partir do momento em que Maquiavel trabalha este conceito, deixa de haver correspondência entre os dois termos .
- Grei- Expressão arcaica em desuso.
O Povo corresponde à comunidade de cidadãos ligada entre si por um vínculo jurídico, e consiste pois no conjunto de pessoas permanentemente ligadas a um Estado através de um vínculo jurídico e que em democracia podem participar na gestão da vida pública.
A cidadania é o vínculo jurídico que une uma pessoa ao Estado (a palavra nacionalidade é muitas vezes utilizada como sinónimo, mas não o é verdadeiramente). O povo titular do poder político e destinatário das normas jurídicas da ordem jurídica estadual pode então incluir pessoas que estão fora do território
português assim o elemento humano é, de algum modo, mais condicionante do que o elemento físico do território.
Concepções de povo
1ª Para uma concepção democrático – liberal o que interessa é o vínculo jurídico. 2ª Para uma concepção Marxista o povo equivale ao povo trabalhador – ex.: URSS 3ª Para uma concepção próxima do Nacional-Socialismo /Fascismo, o povo terá a ver com raça ou com as noções de Pátria e Nação.
4ª Para uma concepção próxima do fundamentalismo islâmico o factor de identificação de povo é de ordem religiosa.
Na CRP de 1976 não houve adopção de uma perspectiva definida e não há consagração constitucional da noção de povo.
Lei ordinária – Lei 25/94, de 19 de Agosto
A Declaração Universal dos Direitos do Homem proíbe uma situação de apatridia (artigo 15º), o que implica a necessidade de resolver:
- conflitos positivos de cidadania – Pluricidadania – um mesmo cidadão tem várias cidadanias (merece protecção de dois ou mais Estados).
- conflitos negativos de cidadania – Apatridia – uma pessoa não é cidadão de nenhum Estado.
Critérios de aquisição de cidadania :
• ius sanguinis (direito que vem do sangue) - adquirem a cidadania aqueles
que forem filhos de pai ou mãe cidadãos desse Estado, independentemente do sítio onde nasceram.
• ius soli (direito do solo) – adquire a cidadania aquele que nascer em território desse Estado.
Critérios de aquisição de cidadania no direito português:
• Constituição 1822 – ius sanguinis
• Constituição 1826 – ius soli
• Constituição 1838 – ius sanguinis
• Em 1867 o primeiro Código Civil Português regula a matéria em lei ordinária
• Hoje a regra geral – apesar de algumas evoluções no sentido da relevância
do ius soli – ainda continua a ser a do ius sanguinis.
A aquisição da cidadania pode ser:
• originária - nascimento ou
• derivada ou superveniente, por atribuição – casamento
ou naturalização
- Vejam-se os artigos 14º e 15º da CRP, respectivamente em relação às situações dos emigrantes e dos apátridas.
- Vejam-se ainda os casos especiais de Macau e Timor.
Elemento institucional - Poder político
No Estado Moderno de tipo Europeu corresponde à ideia de soberania.
Só pela subordinação do poder político ao Direito é que se encontra organização estadual (vejam-se exemplificativamente os artigos 1º e 3º CRP). Esta soberania implica coordenação na ordem externa e subordinação na ordem interna.
O que caracteriza o Estado enquanto poder político soberano?
• na ordem externa:
- tradicionalmente e desde 1648 e do Tratado de Westefalia:
- ius tractum (direito de celebrar tratados / convenções).
- ius legationis (direito de ter representações diplomáticas noutros Estados).
- ius belli (direito de fazer a guerra).
Os ius tractum e ius legationis mantêm-se, mas o ius belli desaparece e é substituído pelo direito de utilizar a força apenas em legítima defesa.
Hoje ainda se acrescentam:
- o direito de fazer parte de organizações internacionais. - o direito de reclamação internacional.
Será que faz sentido falar-se em soberania na ordem externa?
Desde logo se distinga entre Organizações internacionais (ONU) que resultam de uma associação e Organizações supranacionais que têm como objectivo a integração dos Estados.
• Por exemplo, no âmbito da UE haveria uma “maior perda de soberania” (não
será inteiramente correcto falar-se de perda de soberania visto que há uma auto-limitação do Estado – i.e., a integração em organizações supranacionais implica escolha e vontade própria de Estado).
Em termos processuais, tendencialmente :
• nas organizações internacionais as decisões são tomadas por unanimidade
(o que garante mais a posição dos Estados).
• nas organizações supranacionais as decisões são tomadas por maioria.
Como sujeitos no Direito Internacional encontramos o Estado, as organizações internacionais, e também o próprio indivíduo (v.g. desde os protocolos 9º e 11º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem que permitem ao indivíduo recorrer directamente ao Tribunal Europeu).
Mas como é que uma organização ou Estado pode interferir no funcionamento de outro Estado sem o consentimento deste? Se há problemas relativamente à questão de soberania interna poderá invocar-se hoje um direito de ingerência por razões humanitárias, que teve como precursora a teoria Brejnev, considerando admissível perda de soberania desde que em causa estivessem determinados ideais e valores (origem da Primavera de Praga – invasão da Checoslováquia.)
As formas de Estado consistem precisamente no modo de articular os três elementos do Estado (povo, poder político, território), mas têm consequências importantes ao nível do exercício da soberania externa.
Estados soberanos:
•Estados unitários
integralmente regionais
1. Regionais parcialmente regionais –
Portugal (artigo 6º CRP) 2. Não Regionais
Nos estados unitários há um único centro de impulsão do poder. Quando falamos em estados soberanos unitários regionais e não regionais falamos de regiões políticas e não administrativas, ou seja, estão em causa regiões que contam com órgãos do governo próprio (e em grande medida é o poder legislativo aqui a pedra de toque essencial).
Significa isto que Portugal é um Estado soberano unitário e parcialmente regional e que mesmo que se tivesse realizado a regionalização prevista na CRP e recentemente submetida a referendo, continuariamos a ser um Estado soberano unitário e parcialmente regional.
• Estados compostos
Há várias unidades com poder dentro do Estado.
• Confederação – Associação de vários estados que se associam entre si,
formando um Estado composto, mas apenas em termos de uma partilha horizontal de poderes.
- Estados confederados – são estados semi-soberanos que fazem parte da confederação.
• Federação – Associação de vários estados que se associam, mas criando
uma terceira entidade à qual dão poder – há uma partilha horizontal e vertical dos poderes (União).
- Estados federados – são estados não soberanos que fazem parte da federação.
• União Pessoal– união casual na mesma pessoa da titularidade de dois cargos distintos em dois Estados (ex.: monarca de dois Estados por via de linhas sucessórias).
• União Real
Verifica-se normalmente uma evolução: da confederação à federação, da união pessoal à união real.
Estados semi-soberanos:
• Confederados – compõem a confederação.
- Têm pouca autonomia na esfera internacional.
• Exíguos – Estados com território reduzido que por si só não têm soberania externa completa e têm necessidade de associação a um outro Estado numa ordem externa (ex.: Andorra, Mónaco, Liechtenstein).
• Vassalos – ex.: séc. XIX, Egipto – Turquia; principados medievais; reinos do Oriente em relação a Portugal na época dos Descobrimentos).
• Protegidos – protectora dos coloniais (ex.: Commonwealth, Gronelândia,
Dinamarca)
Estados não soberanos:
• Federados – fazem parte da federação.
Federação
Partilha vertical dos poderes
• Estados federados • partilha horizontal dos poderes
A distinção entre os Estados semi-soberanos e os Estados não soberanos é também uma diferença de grau.
Na ordem interna a soberania caracteriza-se por:
1. Originariedade - Estado tem poder originário que vem de si próprio e não é
um poder delegado por uma entidade externa.
2. Supremacia - não há poder superior ao do Estado, o que vem na sequência do que defendia Jean Bodin.
Esta é uma característica rejeitada por autores como Marcelo Rebelo de Sousa que a considera como não fundamental.
Para estes autores: Regiões Autónomas ≠ Estado
- poder não originário e não supremo. - poder originário e que pode ou
não ser supremo.
3. Poder constituinte – O Estado faz para si próprio uma constituição (ou seja, autodota-se de uma Constituição). Mesmo os Estados federados (não soberanos na ordem externa) têm poder constituinte.
4. Estado detém todos os poderes – político, executivo, jurisdicional e legislativo.
5. Possibilidade de delegação de poderes por:
- desconcentração – o Estado atribui poderes a outras entidades, mas elas existem dentro da pessoa colectiva Estado.
- descentralização – o Estado atribui poderes, mas cria outras / novas pessoas colectivas.
Esta descentralização pode ser • Administrativa :
– territorial – dá origem às autarquias locais: Freguesias, Municípios, Regiões Administrativas.
- Institucional – dá origem a institutos públicos.
• Política – dá origem a regiões políticas – órgãos de governo próprio,
poder legislativo (Açores, Madeira).
Quanto ao que identifica verdadeiramente os Estados, para além destas cinco notas, têm os autores discutido se é:
• o poder fazer leis – Locke / Rousseau
• o poder fazer executar coercitivamente essas leis – Thomas
• a possibilidade de exercício de poderes muito alargados em Estados de excepção – Os estados de sítio e de emergência escapam à normalidade constitucional e permitem a suspensão de Direitos de liberdades e garantias (ver art. 19º CRP).
Parte I – O Estado e a experiência constitucional Título II – Sistemas e famílias constitucionais
Capítulo I – Sistemas e famílias constitucionais em geral Capítulo II – As diversas famílias constitucionais
Capítulo III – Os sistemas constitucionais do Brasil e dos países africanos de língua portuguesa
N.B. Consultar “Ciência Política”, de Jorge Miranda, obra citada na Bibliografia, no que respeita a sistemas eleitorais e de partidos.
Famílias Constitucionais:
• Antes de 1914 o grande modelo de Estado é o Estado liberal.
• Duas excepções no panorama europeu Rússia
Turquia
• Entre as duas Grandes Guerras há uma alteração acelerada que leva à fragmentação dos modelos de Estado.
• Também entre 85 e 89 há novamente transformações internacionais.
• Maurice Duverger (Les instituitions politiques) refere uma tendencial
aproximação entre o modelo liberal e soviético. Há de facto uma efectiva aproximação mas por mutação interna do modelo soviético e não por cedência mútua dos dois modelos.
Critérios e razões de identificação de famílias:
• britânica - sistema de governo parlamentar, bipartidarismo, 1º Estado com reconhecimento de liberdades públicas.
•norte-americana – sistema de governo presidencialista, federalismo, mecanismo de fiscalização da constitucionalidade.
• francesa – ruptura com o Estado Absoluto, certidão de nascimento do Estado
Constitucional, Representativo e de Direito, marca o início do constitucionalismo directo, berço do sistema de governo semi-presidencial, grande instabilidade ao longo da linha cronológica.
• soviética (ex. soviética) – diferença fundamental de todos os outros modelos
e famílias.
Encontramos ainda Estados que não se enquadram em nenhuma destas famílias, por seguirem vias completamente originais (Argélia, Tanzânia), ou por apresentarem características específicas que mereçam o seu tratamento autonomizado, como o caso da Alemanha, Suíça, Áustria.
Por outro lado, merecerá ainda referência especial o caso do Brasil e dos PALOPs.
Família constitucional de matriz britânica:
Grã-Bretanha Inglaterra + Gales (1283-Anexação)
- Reino Unido Escócia (1602 – União Pessoal, 1707
– União Real)
Irlanda do Norte (com estatuto de autonomia 1922/ 1969) Não encontramos aqui uma constituição britânica formal ou um texto escrito em que se incorporem os princípios básicos. A Grã-Bretanha tem uma Constituição consuetudinária – com base no costume (consuetudo = costume) -, apesar de hoje encontrarmos um movimento de compilação e codificação de determinadas normas. E existem ainda assim vários textos que podem servir de fonte para identificação desses princípios básicos:
- 1215 – Magna Carta (constitui sem dúvida um embrião da Constituição, onde pela primeira vez um monarca aceita auto-limitar-se).
- 1628 – Petition of Rights – pedido ao rei para o reconhecimento de certos direitos. - 1689 – Como resposta à Petition of Rights surge a Bill of Rights.
- 1679 – Lei sobre o Habeas Corpus – forma de garantia contra detenções ilegais. - 1701 – Act of Settlement – lei que estabelece a forma de organização do
Parlamento, completado em 1901. 1911 – Estatuto de Westminster
Divisão da História Constitucional Britânica: 1. 1215 – 1689 Bill of Rights
• Magna Carta [fase Monárquica (Rei)]
2. 1689 – 1832 alargamento do sufrágio
• Fase Aristocrática (Câmara dos Lordes)
3. 1832 – actualidade
• Fase Democrática (Câmara dos Comuns)
Instituições britânicas:
- Rei C. Comuns – constituída por representantes e
eleitos pelo povo. - Parlamento bicameral
C. Lordes – constituída por pessoas que ganham o direito por via hereditária (Lordes consagrados em Lei própria) . Em 27 de Outubro de 1999 foi aprovada a lei que retira o
direito de voto hereditário a alguns membros desta Câmara.
- Governo
A este órgão se dá no sistema britânico o nome de “Gabinete” (e portanto “sistema de Gabinete”), por razões históricas, já que resulta de um órgão que existia para aconselhar o rei. No Reino Unido o Primeiro-Ministro tem normalmente uma pasta a seu cargo e tem ainda funções de coordenação dos restantes membros do Governo.
O Sistema do Governo na Grã-Bretanha é Parlamentar, o que se identifica por: 1. O Governo ser emanação do Parlamento / o Governo “sai” do Parlamento
(não há eleições para os membros do Governo, há eleições legislativas e todos os membros do governo têm que ter sido candidatos às eleições legislativas).
2. O Governo ser responsável única e exclusivamente perante o Parlamento (só o Parlamento pode destituir o Governo).
O sistema britânico assenta num sistema eleitoral de círculos uninominais (por cada círculo é eleito um deputado). Por outro lado, não há representação proporcional, mas sim maioritária, ou seja, o partido que tiver maioria dos votos no círculo elege o representante para o Parlamento (o que implica que não há representação de pequenas maiorias).
Este sistema maioritário a uma volta – “the first past the post” leva à existência e funcionamento de dois partidos (Bipartidário), de forte ideologia.
Hoje o Rei tem apenas poder simbólico de representação do Estado e do poder – “the Queen reigns but does not rule”.
A Câmara dos Lordes tem um poder diminuto: é um forum de discussão e funciona como Tribunal de Recurso de algumas decisões jurisdicionais.
A Câmara dos Comuns (Parlamento) constitui o grande centro da vida política britânica.
Família constitucional de matriz norte-americana:
A formação dos EUA identifica-se de modo estreito com o movimento constitucionalista. Em 1787 é aí que encontramos a 1ª Constituição escrita, que vem na continuidade da Declaração dos Direitos da Virgínia e da Declaração de Independência dos EUA (1776) (e que curiosamente consagra o direito de procurar a felicidade).
escrita
Constituição histórica
elástica – na versão original tem sete artigos e estes foram sofrendo um trabalho de interpretação e actualização por parte dos órgãos jurisdicionais.
É também uma constituição rígida e não flexível, na medida em que está previsto um modo de alterar a constituição que difere do procedimento legislativo ordinário.
No seio da Constituição dos EUA há lugar para a teoria dos poderes implícitos, importante em termos de interpretação e de relacionamento entre as competências da Federação e dos Estados Federados.
A fiscalização da constitucionalidade é feita por todos os órgãos jurisdicionais – todo e qualquer tribunal pode fiscalizar a constitucionalidade - , pelo que se trata de uma fiscalização jurisdicional difusa.
A forma de Estado é a do Federalismo, garantindo a Constituição formas de intervenção dos estados federados ao nível de funcionamento das instituições:
Senado – dois senadores de cada estado federado / representação igualitária dos Estados.
Congresso Câmara dos Representantes – a representação tem em conta a dimensão populacional de cada Estado.
Expressão da repartição de competências entre Federação e Estados Federados:
- Na forma de revisão da Constituição é garantida e obrigatória a intervenção dos vários estados federados
- Eleição do Chefe de Estado (Presidente da União).
- Cada um dos Estados federados goza de poder constituinte – o que significa que os cidadãos estão sujeitos à Constituição do seu Estado e à da União. - Estados federados têm competências próprias (não só delegadas pela União). - Constituição diz quais as matérias reservadas ao Estado federal – em termos legislativos.
- Tudo o que não estiver reservado à União ou Estado Federal pode ser objecto de intervenção legislativa dos estados federados.
Nos EUA há então lugar para a verdadeira separação de poderes advogada por Montesquieu, não esquecendo que este autor defendia que para além de uma repartição deveria existir também uma fiscalização e coordenação recíproca dos vários órgãos e poderes.
Esta separação de poderes manifesta-se ao nível:
- Chefe de Estado (CFA) - executivo - órgãos - Congresso - legislativo
Separação de - Tribunais – jurisdicional
poderes - sociedade
- grupos sociais que se articulam com o Estado - sistema federalista
O Sistema de Governo é o Presidencialista: não há Governo enquanto órgão autónomo, mas apenas um conjunto de secretários que auxiliam o Chefe de Estado que é também Chefe do executivo. Fala-se a propósito de um casamento sem divórcio já que não há possibilidade do Congresso destituir o Presidente e vice-versa. As comissões de inquérito de responsabilidade criminal são a única possibilidade de destituir o Presidente .
As facultés de statuer et d’empecher de que fala Montesquieu transformam o sistema dos EUA num sistema de checks and balances (ou de freios e contrapesos), onde se estabelecem meios de fiscalização recíprocos:
Chefe de Estado / Congresso - poder executivo. - pode sugerir determinadas iniciativas legislativas (através de mensagens).
- pode vetar as leis.
- faz leis
- é aí que funcionam as comissões de inquérito.
- responsabilidade criminal de Secretários de Estado ou do próprio Chefe de Estado.
- poder legislativo.
- expresso - Veto
- de bolso / de gaveta (não é tomada nenhuma atitude) Tribunais / Chefe de Estado
- poder jurisdicional - nomeação de juízes
- concessão de indultos .
No que respeita ao sistema jurisdicional funciona a regra do precedente judicial: as decisões jurisdicionais devem obediência a uma decisão que tenha sido tomada perante casos análogos anteriormente.
No que toca ao sistema partidário, encontramos tendencialmente um bipartidarismo, apesar da fraca ideologia de partidos que se organizam em volta de pessoas e não um projecto político. A influência dos partidos verifica-se mais ao nível dos estados federados do que ao nível da União.
Quanto à eleição para o Chefe de Estado, a importância dos partidos reside nas primárias que têm como objectivo a confrontação de várias pessoas dentro do partido para saber quem são os candidatos às presidenciais.
Nos EUA ao lado dos partidos aparecem “lobbys” e grupos de pressão com grande importância.
- visam exercer o poder - sistema fulanizado.
- pretendem influenciar o poder.
É um sistema fulanizado, que se encontra também essencialmente nos países da América Latina que adoptaram (e adaptaram) o sistema americano.
Expansão do Sistema Norte-Americano:
• Modelo Presidencialista – América de Sul e Latina (nalguns casos não é o
sistema perfeito, mas obedece-se aos contornos gerais).
• Fiscalização jurisdicional difusa da Constitucionalidade
- Suíça - Grécia
- Portugal (na Constituição de 1911 e hoje no âmbito de um sistema misto)
- Japão
- Países escandinavos
• Forma federalista de Estado:
- Continente Americano – Brasil - Europa – Alemanha, Suíça
Família constitucional de matriz francesa:
PERÍODOS Nº CONSTITUIÇÕES DATAS DAS
CONSTITUIÇÕES Revolução 1789 a 1799 3 Constituições 1791 1793 1795 Consulado – 1799 1º Império – 1804 3 Constituições 1799 1802 1804 Restauração – 1814 2 Constituições 1814 1830 2ª República – 1848 2º Império – 1851 - Luís Napoleão 3 Constituições 1848 1852 1870 3ª República – 1870 4ª República – 1940 - 2ª Guerra Mundial 5ª República – 1958 - Conflito na Argélia 3 Constituições 1875 1946 1958 (62)
O Sistema Francês tem origem na Revolução Francesa que marca o início do constitucionalismo Moderno (1789)
não traz imediatamente um sistema estável que chegue até à actualidade porque
- é de tal modo radical o corte com os princípios do Ancien Régime que, é impossível uma estabilidade e pacificação imediatas (internamente).
- quando ocorre provoca reacções internacionais de Estados com Monarquias Absolutas (externamente) que tentam abafar e tumultuar a ordem interna francesa.
Traços constantes no Sistema Francês até 1958:
• importância de uma Constituição formal escrita que se distingue das restantes normas parlamentares (leis) num nível superior.
• importância dada à garantia dos Direitos do Homem.
• apesar de numerosos sistemas de Governo, até 1958 o mais “seguido” é o
parlamentar (muito diferente do Britânico). 1. Não há bipartidarismo.
2. Não é maioritário, mas antes proporcional, o que leva ao pluripartidarismo (maior instabilidade).
• papel da lei vista como sinónimo de razão, que é instrumento racional que
exprime a vontade geral (doutrinas iluministas e jusracionalistas) e que está ligada ao princípio democrático – é o Parlamento que elabora as leis.
Sistema Constitucional Francês
Sistema Anglo-Saxónico
- Reino Unido - EUA)
- papel fundamental da lei como fonte do direito).
- dá-se mais importância ao Costume.
- Jurisprudência como fonte de direito.
- recusa a fiscalização jurisdicional da constitucionalidade; quem faz as leis
fiscaliza-as (o poder legislativo e político auto-fiscaliza-se politicamente)
- órgão legislativo ou político
(Na linha de Montesquieu e da sua “coordenação recíproca” de poderes)
- Em 1958 a última Constituição francesa buscou uma tentativa de síntese de vários sistemas de Governo, esta constituição surge num momento de grande instabilidade político–parlamentar.
• poderes do Chefe de Estado ≠ poderes do Chefe de Estado no Sistema Parlamentar
- poderes efectivos (influência do sistema napoleónico).
- tem apenas função simbólica
A esta ideia se pretendeu aglutinar:
- o apelo à participação democrática dos cidadãos através de referendos (influência da democracia jacobina).
- a manutenção da instituição parlamentar, mas acrescentando como órgãos de poder efectivo o Governo e o Chefe de Estado.
Como resultado:
• reforço dos poderes do Presidente da República.
• apelo à participação democrática.
• três órgãos activos de poder
Sistema Semi-Presidencial :
• A principal característica é a de o Governo ser duplamente responsável perante o Parlamento e o Presidente da República ou Chefe de Estado, o que significa que o Governo pode ser destituído por estes dois órgãos.
- ultrapassa-se a instabilidade do sistema parlamentar puro através de uma via média, sem cair no extremo oposto do Presidencialismo norte-americano.
O sistema Semi-Presidencial é um Sistema triárquico / trialista, de que é obreiro o General de Gaulle
- resulta da constituição de 1958 - três órgãos activos no sistema de
governo - Parlamento
- Parlamentarismo 2 órgãos activos
- Governo
- Chefe de Estado
- Presidencialismo - Parlamento 2 órgãos activos
Quando se fala de reforço de poderes do Presidente da República no Sistema Semi-Presidencial, deve-se atentar no facto de:
- o Chefe de Estado ser eleito sempre por sufrágio universal directo, retirando
daí a sua legitimidade;
- o Presidente da República poder demitir o Governo e dissolver o Parlamento;
- ser o Presidente da República quem preside ao Conselho de Ministros.
- segundo a Constituição francesa, o Presidente da República ser
originariamente eleito por 7 anos, apesar de se ter alterado duração do mandato para 5 anos (cfr. artigo 128.º da nossa CRP, que prevê para o mandato do PR a duração de 5 anos).
Este sistema, conjugado com factores de ciência política e combinações partidárias, está a um passo do sistema presidencialista, e na prática francesa não se verificou o sistema semi-presidencial antes de 1986, apesar de este estar previsto na Constituição de 1958. É que, pelas tais razões de ciência política, é desejável uma não coincidência entre as maiorias que sustentam o Chefe de Estado e a Assembleia, para se verificar o verdadeiro semi-presidencialismo. Aquilo que aconteceu até 1986 foi que houve uma coincidência de maiorias.
- Maiorias de Direita Maiorias de esquerda
• De Gaulle • François Miterrand
• Pompidou
• Giscard d’ Estaing
(nesta altura também a maioria (mudam as duas maiorias) era de direita).
A partir de 1986 verifica-se na prática o semi-presidencialismo, pois as maiorias não coincidem
- Chama-se a esta não coincidência uma situação de coabitação.
- O Sistema semi–presidencial foi transposto para a Constituição portuguesa de 1982 (1ª revisão constitucional da CRP de 1976).
Em Portugal, entre 1976 e 1982 havia no sistema órgãos alheios aos modelos tradicionais, como por exemplo o Conselho de Revolução. Em Portugal, houve sempre uma coabitação apenas interrompida em 1995 com a eleição de Jorge Sampaio para a Presidência da República. Alguns autores consideram mesmo que uma não coabitação pode neste sistema originar um super presidencialismo.
Sistemas similares ao Francês:
• Espanha, Itália – partem da matriz francesa, têm características similares e
verificam-se os aspectos importantes do sistema francês. Família constitucional de matriz soviética
Corresponde à ex-URSS.
Em 1917 – a revolução traz ao poder o partido bolchevista – leninista. A doutrina do marxismo – leninismo:
- visava a igualdade total entre membros de uma sociedade.
- pauta-se por uma atitude negativa, uma atitude de rejeição do sistema capitalista.
- dialéctica marxista opõe infra- estrutura e supra – estrutura.
- evolução dos modos de produção - todo o sistema social e jurídico de
regulação.
- visa-se fazer florescer o proletariado e o operariado no lugar da burguesia.
- o exercício do poder cabe ao proletariado, ou melhor, é feito em nome dele (ditadura do proletariado).
- a influência do sistema arrasta-se para países e Estados pouco desenvolvidos em termos industriais.
- Soviete – conselho, assembleia representativa de determinados cidadãos e determinados interesses.
Importância e influência de Rousseau para a definição de um Sistema Convencional / de Convenção, com concentração de poderes, que estão todos atribuídos a uma assembleia (no Sistema Francês tal verificou-se entre 1792 – 1795)
- sistema de convenção francês entre 1792 e 1795 ≠ sistema de convenção soviético
- concentração de poderes que não é centrada no mesmo partido.
- concentração de poderes num Estado de Partido Único.
- Constituições do Sistema Soviético:
• 1918 – 1ª Constituição Russa – feita apenas para a Rússia e não para a União Soviética (pois esta ainda não existia enquanto Estado composto). É também a primeira Constituição escrita formal que não se inspira no modelo liberal.
• 1924 – 2ª Constituição – estabelece uma estrutura federalista
O Federalismo da ex – URSS é no entanto muito distinto do dos EUA, por exemplo:
Repúblicas
Repúblicas Autónomas 1. Complexo Regiões
Circunscrições Os Estados federados não são todos iguais
2. Fictício – a Federação não parte dos Estados, não há uma vontade expressa por parte deles para formar a federação, a decisão é, pelo contrário, tomada unilateralmente pelos órgãos centrais para a formação da federação (decisão tomada de cima para baixo); não há a possibilidade de abandonar a Federação / não há secessão ou desvinculação em relação à Federação.
3. Inegualitário – as entidades que constituem a Federação não estão no mesmo plano.
- de facto – a Rússia não tem órgãos diferentes da Federação - internamente
- de direito – são vários os escalões de entidades que compõem a Federação
- externamente – a representação externa não é feita apenas pela a Federação, mas também pela Bielorússia e Rússia, que lado a lado com a Federação têm poderes de representação externa.
4.Centralizado – há um partido único que controla os poderes.
Estas duas Constituições, de 1918 e 1924, têm entre si características comuns:
• estabelecem uma estrutura do poder em pirâmides (verticais).
•estabelecem o sufrágio de classe (≠ sufrágio universal – apenas tem direito a
voto o povo trabalhador).
• 1936 – 3ª Constituição – estabelece uma colectivização rígida no Estado Soviético, correspondendo ao apogeu da direcção para uma sociedade comunista, cujo mentor é Estaline. É no entanto a constituição que mais se assemelha formalmente às que vigoravam na altura na Europa, apesar de corporizar um outro ideal.
• 1977 – 4ª Constituição – Vem na sequência directa da Constituição de 1936, dando importância em termos formais aos direitos fundamentais e manifestando alguma abertura à coexistência pacífica.
• 1988 – 1ª Revisão da Constituição de 1977
• 1994 – 2ª Revisão da Constituição de 1977
No início dos anos 80 há uma tentativa de reforma interna na União Soviética, aproximando-se o modelo socialista do modelo liberal. Para esta reforma contribuíram:
• factores económicos;
• aceleração da difusão de ideias / maior rapidez de transmissão de ideias a nível internacional.
• factor pessoal - Gorbatchev
Em vez de uma ruptura ≠ encontramos uma reforma / transição
- corte total com o passado - as mudanças vêm numa linha de
continuidade com o passado.
Para o Estado Soviético:
• A ideia de Constituição é diferente da do Estado Constitucional Representativo e de Direito, já que tem um duplo papel:
- balanço do caminho que a sociedade empreendeu até então, - apresentação do programa para os passos que falta dar.
• A ideia de lei e do princípio de legalidade é também diferente da do Estado
Constitucional Representativo e de Direito. Para este está em causa uma ideia formal da lei – os actos têm que ser legais. Para o Estado Soviético o princípio de legalidade vem referido no artigo 4º da Constituição, sendo considerado enquanto princípio integrador: os actos são legais quando e enquanto contribuem para uma sociedade socialista.
- ideia diferente de Constituição – a Constituição é antes de mais um meio para atingir o Estado Socialista / funciona mais no sentido de manifesto ou de programa político.
Concentração de - ideia diferente de lei e princípio de legalidade. poderes * - federalismo fictício, complexo, inegualitário
Constituição.
* justificada pelo facto de ser essencial para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade.
- 1977 / 1988 – Sovietes + Praesidium – sistema directorial / chefia de Estado Colegial
– 1988 – Presidente – Chefe de Estado singular, mas eleito por sufrágio indirecto. - 1994 – Chefe de Estado, que é singular, é eleito por sufrágio universal.
Expansão do sistema:
- Chefe de Estado Colegial – sistema directorial da Suíça - China - 1949
- Mongólia – 1922 difusão do sistema soviético
- Vietname
Sistemas Austríaco e Alemão
• Estes sistemas são analisados sistematicamente em termos paralelos,
porque em termos de evolução cronológica têm um percurso análogo, sofrendo alterações idênticas e paralelas.
•São também sistemas com a mesma língua, ou seja, têm uma cultura
organizacional idêntica. Quer isto dizer, também mais explicitamente, que têm o mesmo tipo de instituições políticas, sociais, culturais e económicas.
•A Áustria e a Alemanha encontram-se unificadas até ao período de Napoleão
(divisão territorial e estatal). A União entre a Áustria e a Alemanha era o estado da Prússia.
• 1871 – há uma articulação entre a Áustria e a Alemanha sob domínio imperial
•Durante os séculos XVIII e XIX, ao contrário de outros estados europeus, a Prússia não sofre revoluções.
• A Alemanha tem uma construção de tal modo autónoma da francesa, que se
fala de uma tradição francesa e de uma tradição germânica.
• As constituições alemãs de 1849, 1871 estabelecem formas de monarquia
limitada, não absoluta, mas uma monarquia que se auto–limita (i.e., estabelecem uma monarquia constitucional).
Esta Monarquia Constitucional está limitada pelo Parlamento, e pelas posições de garantias dos direitos fundamentais.
A Constituição de 1871 institui a Monarquia Imperial.
Com o fim da 1ª Guerra Mundial os Impérios centrais da Europa desagregaram-se. Isto dará origem à Constituição Alemã de 1919 e a Austríaca de 1920. Como semelhanças entre estas constituições podemos apontar o facto de ambas
1. terem um grande rigor técnico – os conceitos são tratados de uma forma precisa.
2. preverem formas federativas de Estado.
3. preverem sistemas semi-presidenciais ou sistemas parlamentares racionalizados, ou seja, com uma base que assenta no parlamentarismo puro, mas introduzindo adições que nada têm a ver com ele.
A Constituição de 1919 de Weimar é a primeira Constituição alemã Republicana e é também a primeira a estabelecer formalmente o Estado Social de Direito no âmbito europeu. Garante, assim, os direitos dos particulares, mas aponta ao Estado obrigatoriedade de intervenção para a garantia desses mesmos direitos.
Distingam-se assim duas gerações de Direitos Fundamentais:
• A 1ª Geração dos Direitos Fundamentais refere e estabelece direitos, liberdades e garantias.