3. A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL INTELECTUAL NA PERFORMANCE
6.1. ANÁLISE DOS DADOS
6.1.2. PRESSUPOSTOS E AJUSTAMENTO DO MODELO UTILIZADO
6.1.2. PRESSUPOSTOS E AJUSTAMENTO DO MODELO UTILIZADO
Não é demais relembrar que a investigação tem como principal objetivo averiguar o impacto
do Capital Intelectual no desempenho organizacional. Ora então, para avançar com o estudo
recorreu-se a seis hipóteses de investigação tendo como propósito a verificação de relações de
causalidade. Este é um argumento que dita a análise estatística a utilizar. De acordo com
Collares (2011), uma análise fatorial é uma técnica estatística utilizada para reduzir o número
de variáveis de uma base de dados. A ideia consiste em descrever, se possível, a estrutura de
covariâncias para que se possa reduzir uma grande quantidade de variáveis observáveis num
número menor de fatores
55. Para Kim e Mueller (1978), a análise fatorial baseia-se no
pressuposto de que alguns fatores subjacentes, em menor número que as variáveis observadas,
são responsáveis pela covariação entre as variáveis.
Persistem dois tipos de análise fatorial: a exploratória e a confirmatória. A análise fatorial
exploratória é realizada quando pouco se sabe sobre as relações subjacentes entre os conjuntos
de dados (Cohen, Zambaldi & Aranha, 2004), já a análise fatorial confirmatória é utilizada
quando se pretende testar hipóteses relativas à estrutura de um conjunto de dados. Em modo
simples, a análise fatorial exploratória analisa as relações existentes entre as variáveis e utiliza
essas relações para agrupar e identificar novas variáveis (fatores). Estabelecem-se novas
dimensões. A análise fatorial confirmatória parte da ideia que já existe uma teoria sobre quais
variáveis medem quais fatores e o que interessa é confirmar o grau de ajustamento dos dados
observados às hipóteses estabelecidas (Collares, 2011). As componentes do Capital Intelectual
já estão salvaguardadas e devidamente fundamentados por diversos estudos (Bontis, 1998;
Cabrita, 2005; Martins, 2005; Lee, Wu & Chao, 2015) por isso, assumimos que existe
interligação entre as componentes e as dimensões já estão devidamente definidas (não
queremos obter novos fatores, novas dimensões) como tal, necessitamos mais de uma análise
fatorial confirmatória do que uma análise fatorial exploratória. Assim, a análise fatorial
confirmatória pode ser vista como uma possível utilização do MEE (Método de Equações
Estruturais)
56(Brei & Neto, 2006). Método este escolhido para dar resposta ao nosso
problema de investigação: “O investimento em Capital Intelectual conduz a desempenho
superior nas atuais empresas portuguesas?”. Um modelo de análise de equações estruturais
realizado tendo em vista as hipóteses que foram enunciadas
57.
55 “Combinação linear das variáveis (estatísticas) originais. (…) Representam as dimensões latentes (constructos) que resumem
ou explicam o conjunto de variáveis observadas“ (Figueiredo Filho, D. & Silva Júnior, 2010).
56 É uma técnica muito mais confirmatória do que exploratória, o pesquisador a usará para determinar se dado modelo teórico
é válido, perante os dados reais observados (Cohen, Zambaldi & Aranha, 2004).
57MEE é uma tecnica de modelagem generalizada, utilizada para testar a validade de modelos teóricos que definem relações
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MEE resume-se a modelos de regressão em que as variáveis latentes são utilizadas para tentar
descrever uma provável relação “causa-efeito”
58(Hojo & Mingoti, 2004). Numa compilação
literária, o MEE combina técnicas de análise fatorial com técnicas de regressão; possui um
caráter confirmatório; incorpora variáveis que não são mensuradas diretamente; é utilizado
quando existe interdependência entre variáveis e acima de tudo, representa a interpretação de
uma série de relações hipotéticas de causa-efeito (Cohen, Zambaldi & Aranha, 2004; Pilati &
Laros, 2007). Em modo geral é o método que melhor se implementa com a investigação.
Diferencia-se dos restantes métodos tradicionais de estatística por deparar-se com variáveis
não diretamente observáveis
59. Tem a teoria como o melhor motor da análise de equações
estruturais (Marôco, 2010). No MEE a teoria está no centro do processo de análise, enquanto,
nos modelos tradicionais estatísticos são os dados que se encontram no centro.
Separadamente avançamos com uma possível análise dos dados mediante o método e as
técnicas utilizadas.
A primeira etapa de aplicação do MEE revê-se na construção de um diagrama
60de caminhos
de relações causais (Hair, Tatham & Black, 1998). No nosso caso as relações explicativas entre
as variáveis são descritas por setas unidirecionais que representam uma relação causal direta de
um indicador em relação a outro, ou seja, indicam que uma variável exerce influência sobre a
outra. De forma a averiguar tal facto, o programa AMOS
61foi utilizado, o diagrama e os
coeficientes estandardizados de regressão revelados.
F
IGURA7:C
OEFICIENTES ESTANDARDIZADOS DOS MODELOS DE REGRESSÃO LINEAR
58As variáveis latentes são representadas através de um esquema de relacionamentos de causas e efeitos, formando ligações
diretas e indiretas entre essas variáveis, normalmente chamadas de caminhos. Cada variável direta pode ser traduzida através de uma equação.
59Apenas os seus efeitos, ou manifestações, são observáveis(Marôco, 2010).
60Trata-se de um resumo das hipóteses que pretendemos validar. Designa-se como uma representação gráfica dos modelos
estruturais.
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Da figura 7, ressalta a existência de somente coeficientes de regressão positivos. Constituem-se
os mais adequados para apresentar em gráfico, uma vez que apresentam todos a mesma
variação (variam entre -1 e 1). Os e1, e2, e3 são os termos referentes aos erros, fazem parte da
equação, e indicam que são variáveis exógenas (que são explicadas). O capital relacional, o
capital estrutural e o desempenho organizacional encontram-se com esses termos o que
significa que são variáveis explicativas do modelo.
Para prosseguir com a obtenção de um MEE uma série de pressupostos têm de ser
cumpridos. Aquele que se realça é o pressuposto da normalidade que assegura a qualidade do
modelo de análise. Para tal recorreu-se ao método da máxima verosimilhança
62. Uma técnica
de estimação possível apenas quando não existe problemas de normalidade.
T
ABELA8:A
NÁLISE DO PRESSUPOSTO DA NORMALIDADEVariável Mínimo Máximo Skew c.r. Kurtosis c.r.
Capital_humano 1,929 4,786 -,681 -2,834 ,766 1,595
Capital_estrutural 2,125 4,875 -,778 -3,237 1,235 2,572
Capital_relacional 2,833 5,000 ,082 ,341 -,213 -,442
Desempenho_organizacional 2,250 5,000 -,338 -1,409 0,51 ,106
Multivariada 5,311 3,909
A tabela 8 indica isso mesmo, ou seja, não existe problemas de normalidade. O pressuposto
foi verificado e os valores presentes na tabela 8 são indicativos de uma normalidade adequada.
De acordo com Marôco (2010), não temos valor de Skewness superiores a 2 em termos
absolutos. Não existe violação do pressuposto da normalidade. Não foram detetados outliers
63.
Uma vez provada a normalidade do modelo de equações estruturais temos de avaliar a
plausibilidade do mesmo, e para isso obteve-se índices de ajustamento também eles aceitáveis:
χ2 = 6,227, p <0,05; n = 104; χ2/df = 6,227; CFI = 0,980; GFI = 0,972; RMSEA = 0,655.
De um modo geral o modelo apresenta um bom ajustamento, inclusive no valor de RMSEA
(Root Mean Square Error of Approximation) em que segundo Byrne (1998) são admissíveis valores
superiores a 0,6. No entanto, os outros dois índices de qualidade, CFI (Comparative Fit Index)
e GFI (Goodness of Fit Index), também indicam um bom ajustamento do modelo, uma vez
que, esperam-se valores próximos de 1. No nosso caso é o que acontece (CFI = 0,980; GFI =
0,972). Estes índices de ajustamento dão informação sobre a qualidade do modelo hipotético
em relação aos dados amostrais. A retirada de indicadores não foi necessária porque, como
62Método iterativo que estima os parâmetros que maximizam a verosimilhança. É o método mais usado em análise de
equações estruturais e produz estimativas centradas e consistentes.
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