5.2.1 – Introdução
Na literatura muitos são os trabalhos que se concentram na definição de procedi
seja soluções, para a formação/organização de uma empresa virtual. Não nos esqueçamos porém que após a empresa formada é necessário encetar um conjunto de acções de planeamento e coordenação que permitam originar o motivo para o qual a empresa foi formada: produzir bens e/ou serviços. É nesse campo de actuação que este trabalho pretende incidir, contribuindo, na nossa opinião, para a clarificação de ideias relativas à coordenação dos vários integrantes da empresa virtual, bem como para o estabelecimento de uma abordagem que irá permitir planear e controlar a produção, neste tipo de empresa.
Globalmente, o grupo de trabalho do departamento de produção e sistemas da Universidade do Minho no qual se insere esta tese, pretende definir os passos que vão desde a identificação de uma oportunidade de negócio emergente até à formação, operação e dissolução de uma empresa virtual. O estabelecimento exaustivo e consistente dos procedimentos e pressupostos que permitirão criar e encetar o funcionamento efectivo de uma empresa virtual (neste caso baseada em SPA), são objectivos a atingir. A investigação foi conduzida sempre com a preocupação de definir sistemas que sejam passíveis de ser realmente implementados, suportando-se necessariamente na assumpção de alguns pressupostos. Na nossa perspectiva, o ciclo de vida de uma empresa virtual é composto por três fases principais. A Formação, a Operação e a Dissolução. Refira-se ainda a existência de uma fase algo diluída (não sendo considerada por nós como uma fase principal – mais adiante se justificará porquê) e que se designa por reconfiguração. Embora tendo a preocupação de em todo o momento se fornecer informação, de uma forma exaustiva e pormenorizada, sobre todas as entidades e estruturas que suportarão todo o ciclo de vida da empresa virtual, o trabalho desenvolvido e apresentado nesta tese resulta, maioritariamente, das investigações focalizadas na
fase de Operação.
Neste trabalho considera-se que a Operação da empresa virtual vai ter início com os parceiros que a integram perfeitamente definidos e com cada um ciente do seu papel ou seja apto a
desempenhar a sua competência principal uma vez que lhe seja solicitado pela entidade que vai
coordenar o funcionamento da empresa virtual. Os parceiros escolhidos terão ao seu dispor todos os mecanismos necessários à integração na empresa virtual, via MSPA.
Como nota dominante na bibliografia, encontra-se referência a empresas virtuais que se mantêm em actividade por períodos de tempo muito curtos indo de poucas horas até poucos dias. Nesta tese considera-se que a actividade da EV poderá ser mantida por um período de tempo mais alargado17, considerando-se algumas semanas ou mesmo meses. Esse tempo será sucessivamente alargado ou não, mediante a existência de encomendas que em CA sejam consideradas em volume suficiente para manter a viabilidade económica da EV. Refira-se ainda que em função do carácter regenerativo da EV, em função das alterações do mercado, é possível que esta opere durante vários
17 Embora esta referência já tenha sido realizada no capítulo1, relembra-se que na literatura se considera que
a operação de uma empresa virtual tem uma duração muito limitada devido ao carácter fugaz da oportunidade de negócio. Nesta tese considera-se que a empresa virtual se manterá a operar enquanto o seu funcionamento for considerado lucrativo. No decurso desta tese, quando se verificar a necessidade de utilização deste conceito, usa-se a expressão “operação por um período de tempo mais alargado”.
meses mediante uma alteração constante de parceiros que permitam a EV adaptar-se às alterações a vontade dos clientes.
5.2.2 – Considerações sobre o planeamento e controlo da produção
d
O sistema de planeamento e controlo da produção deve ir de encontro às necessidades da empresa. Determinadas empresas necessitarã
e controlo da produção enquanto o
caso o planeamento das necessidades de materiais pode ser de extrema importância e complexidade
ara a empresa virtual deve ser idealizado um sistema que sustente um processo de subdivisão de
empresa virtual. Este rocedimento baseia-se em vários pressupostos. Considera-se que a autonomia de cada parceiro na
a rápida em função de mitam reagir a essas pela alteração da onstituição da empresa virtual mediante a entrada e saída de parceiros. Assim, se for configurado m sistema de planeamento e controlo da produção que se adapte aos sistemas de planeamento e ontrolo da produção dos SPA, e que não interfira neles internamente, também será realizada uma o de dar mais ênfase a um determinado aspecto do planeamento
utras empresas darão mais ênfase a outros. Num determinado enquanto que noutro caso o maior problema pode-se encontrar no controlo fabril. Daí que cada empresa deva encontrar o sistema que melhor responde às suas necessidades.
P
ordens em sub-ordens a serem executadas via actividades assíncronas e coordenação de parceiros. A estrutura em que as empresas virtuais se baseiam, nomeadamente para períodos de colaboração curtos deverá ser leve e flexível. A gestão da empresa virtual deverá concentrar-se na gestão global das sub-ordens deixando para os parceiros a sua gestão interna (Martinez et al., 2001).
SPA01 SPA02 SPA0n PPC EV Novas Tecnologias (Internet - www, ftp) PPC PPC PPC
Figura 5.1 – Relacionamento entre o sistema PPC dos SPA e da empresa virtual.
Neste trabalho realiza-se uma distinção clara relativamente há existência de um sistema de planeamento e controlo da produção da empresa virtual e um sistema de planeamento e controlo da produção de cada um dos parceiros que a integram (figura 5.1). O sistema de planeamento e controlo da produção de cada um dos parceiros é da responsabilidade de cada um deles e não é alterado directamente pelo sistema de planeamento e controlo da produção da
p
condução dos seus sistemas internos se mantém mais funcional se não for perturbada por influências exteriores. Uma vez que um SPA é autónomo e tendo presente que essa autonomia foi alcançada também com base num funcionamento eficiente (ver capítulo 4), considera-se desejável não alterar a sua harmonia interna de funcionamento mediante interferências por parte do sistema de planeamento e controlo da produção da empresa virtual. Deve-se também compreender que pelo facto de uma empresa virtual estar associada a um mecanismo de respost
lterações no mercado é de todo importante dotá-la de sistemas que per a
alterações com o mínimo de custo e no menor tempo possível. Essa reacção passa c
u c
integração mais ágil parte das empresas
presa virtual (falta de confiança, falta de maturidade de mercado virtual).
interligação entre o sistema de planeamento e controlo da produção dos parceiros e o sistema de planeamento e controlo da produção da empresa virtual será alvo de contratualização durante a fase de formação da empresa virtual. Em termos de relacionamento entre os dois níveis de planeamento
de mais longo prazo o sistema de planeamento e controlo da rodução auxilia na definição dos recursos necessários à realização da produção. São exemplos
de novas unidades à empresa virtual. Registe-se ainda a propensão que a maior (ainda) tem para não disponibilizar certo tipo de informação aos demais integrantes da em
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e controlo da produção, o cenário mais desejável e adoptado ao longo desta dissertação é a existência de um elemento operacional de ligação em cada um dos parceiros que vá alimentando o sistema global com informação de progressão periódica, bem como todo o tipo de acções resultantes das exigências do sistema que introduzimos. Como se viu no capítulo 3 as funções que se pretendem para um sistema de planeamento e controlo da produção podem ser avaliadas em função do nível de agregação em que se esta a funcionar. A intervenção destes sistemas pode centrar-se em acções de planeamento estratégico, operativo ou de controlo. Na vertente estratégica normalmente associada a acções
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dessa postura o auxílio na definição do número de horas/homem, capacidade/máquina ou espaço de armazenamento. Ao nível operativo ou de controlo o sistema de planeamento e controlo da produção auxilia em tarefas de definição de planeamento de materiais e capacidade e controlo que permitam o integral cumprimento de prazos e quantidades. Tendo em conta esta postura e as características desejadas para o sistema de planeamento e controlo da produção, é possível adiantar-se que o sistema proposto neste trabalho sofre influência das diferentes fases identificadas para o ciclo de vida da empresa virtual. Pode-se mesmo referir que algumas das suas funcionalidades se encontram distribuídas, ou são controladas em cada uma dessas fases. Por exemplo, questões que tenham a ver com o planeamento de recursos e capacidades de forma a conseguir-se realizar o tipo de produção adoptado e a cumprir os níveis de produção assumidos em função do estudo da oportunidade de negócio, são enquadradas na fase de formação da empresa virtual. Na formação serão definidos planos que permitirão governar a actuação da empresa virtual e constituídas entidades que auxiliarão a sua operação. Na fase de operação, fundamentalmente, vão estar incluídas as actividades que irão possibilitar o cumprimento dos níveis de produção e prazos estabelecidos.
5.2.3 – A confiança entre parceiros
O debate sobre a confiança no relacionamento entre partes que realizam negócios é um tema sensível e sempre actual, sobre o qual já nos debruçamos, de uma forma genérica, no capítulo 2.
induzida por um correcto cumprimento de prazos, provimento de materiais ou serviços dentro das especificações, datas ou níveis de qualidade estabelecidos.
Objectivamente, o sucesso de relacionamentos virtuais dependerá largamente da construção e manutenção de confiança entre os intervenientes. A confiança foi identificada como a componente mais importante para um funcionamento com sucesso de equipas virtuais, alianças estratégicas e redes de pequenas empresas (Ishaya e Macaulay, 1999). Normalmente a confiança advém de um comportamento leal acumulado ao longo de uma relação entre entidades. Ou seja, se entre dois quaisquer parceiros existir um histórico de bom relacionamento mútuo então provavelmente entre esses dois parceiros existirá confiança. Se o comportamento for idóneo, quanto maior o tempo de relacionamento maior é a confiança. Na área em estudo nesta dissertação, a idoneidade pode ser
Paralelamente ao descrito atrás, um outro meio de se obter alguma confiança é mediante o suporte jurídico sob a forma de contratos. Durante a formação e reconfiguração da empresa virtual, vão ser estabelecidos contratos entre os vários parceiros (ao nível do Conselho de Administração), para que exista consistência jurídica dentro da empresa virtual. Dessa forma cada parceiro saberá
exactamente quais as suas obrigações e direitos dentro da empresa virtual (Hoffner et al., 2001) definem todo o ciclo de vida de uma empresa virtual com base no estabelecimento de contratos). O esempenho final de cada parceiro será expresso em relatório a enviar à entidade certificadora para efinição do seu perfil (criação e actualização do histórico de intervenção de cada SPA). Assim será mais fác
se ainda que ao longo de várias participações em empresa virtual, se um determinado SPA tiver d
d
il avaliar o parceiro numa eventual futura participação numa empresa virtual. Refira- vários relatórios insatisfatórios sucessivos, a entidade certificadora (Mercado de Sistemas Produtivos Autónomos) poderá propor a expulsão do membro em causa.
5.2.4 – A Empresa Virtual neste trabalho
Tendo presente o conceito de empresa virtual e as diferentes interpretações existentes na bibliografia (ver capítulo 2). Considerando ainda o expresso atrás neste capítulo, define-se nesta tese a empresa virtual como sendo uma rede de Sistemas Produtivos Autónomos, que cooperam
durante um determinado período de tempo de forma a retirarem proveito de uma oportunidade de negócio. Indo de encontro à definição de Sistema Produtivo Autónomo (SPA),
stes poderão ser empresas ou partes de empresas. Os SPAs serão seleccionados e orga e
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nizados de rma a ocuparem todas as funções necessárias ao bom desempenho da empresa virtual. Na organização que propomos, não se fala em hierarquias mas sim em níveis de responsabilidade. Assim nesta tese será possível encontrar-se um conselho de administração da empresa virtual, um gestor da empresa virtual, um broker e uma entidade iniciadora, como as entidades envolvidas de maior relevo. A existência de um mercado de SPAs, como infra-estrutura de suporte ao ciclo de vida da empresa virtual, é tida como fundamental, para o funcionamento de uma empresa virtual com base nas funcionalidades propostas nesta abordagem. Sucintamente, este mercado servirá como escaparate a possíveis intervenientes em empresas virtuais, para o estabelecimento de regras e normalização de procedimentos integrados no ciclo de vida da empresa virtual, bem como para o facilitar de ferramentas de suporte a esse mesmo ciclo de vida.
Os sistemas de planeamento e controlo da produção baseados no cálculo de necessidades de materiais, inicialmente designados por sistemas MRP, passando posteriormente a uma designação mais abrangente (MRP II), têm sido os sistemas com maior implementação desde 1970 para cá (Browne
so necessidade de
et al., 1996; Courtois et al., 1997)(ver capítulo 3). Com as alterações ocorridas ao nível
cial, económico e tecnológico surgiu o conceito de empresa virtual e com ele a
alterações ou mesmo do desenvolvimento de novos sistemas de planeamento e controlo da produção. As abordagens existentes, mostravam-se inadequadas para satisfazer as necessidades de operação, numa sociedade onde predominam alterações constantes nas vontades do consumidor, predominando uma postura produtiva de produção por encomenda18. Relativamente a este ponto importa referir que se por um lado uma empresa que siga a postura de produzir-por-encomenda (PPE) tende a produzir produtos de acordo com a vontade do cliente, por outro lado deve-se ter em linha de conta que é necessário auxiliar o despertar da fértil imaginação do cliente. Num debate sobre este tema entraria todo o conteúdo de uma disciplina de gestão da procura, que também não é pretensão desta tese. Obviando esta questão, assume-se que no âmbito deste trabalho, tendo presente a natureza da empresa virtual considerada, a postura de produzir-por-encomenda se traduz
18 Refira-se que o conceito de PPE é associado a diversas perspectivas. A este conceito pode ser associado
todo o processo que vai desde a especificação do produto por parte do cliente, passando pela implementação de uma estrutura que permita produzir o produto e finalmente a produção do referido produto. Este conjunto de actividades é também designado na literatura por engenharia-por-encomenda (EPE). Nesta tese tudo o que tenha a ver com a engenharia do produto, planeamento e selecção de recursos é associado à fase de formação da EV. As acções de planeamento e controlo que possibilitem a satisfação de encomendas com base na coordenação dos recursos existentes são realizadas na fase de operação.
na existência de uma estrutura previamente montada, que permitirá produzir produtos catalogados, cuja produção será iniciada em função da entrada de uma encomenda por parte do cliente. Esta encomenda provocará um conjunto de actividades coordenadas pelo gestor da empresa virtual, que everão resultar na satisfação da necessidade do cliente, dentro das condições estabelecidas (prazo, d
quantidade, qualidade, entre outras).
Nas próximas linhas far-se-á a caracterização de cada uma das entidades e estruturas de suporte envolvidas.