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3. Proposta de Um Modelo de Análise

3.1 Primeiro Conceito: Enquadramento Institucional

O conceito de enquadramento institucional refere-se aos aspetos de natureza institucional relacionados com o uso das TCSA. Este conceito pode ser analisado através

de várias dimensões institucionais, como a estratégia ou os recursos e as políticas para o uso das TCSA.

As dimensões do conceito de enquadramento institucional consideradas neste modelo de análise são as seguintes:

A. A caracterização das instituições: esta dimensão contribui para este modelo de análise na medida em que permite perceber melhor as características das instituições que fazem parte deste estudo. Para isso, consideram-se os seguintes indicadores:

Designação: a designação oficial de cada IESPP, que permitirá identificar quais são aquelas cujos docentes e RI contribuem com dados para este estudo;

Tipo de IESPP: no âmbito do ensino superior público português consideram-se as instituições de ensino universitário, as instituições de ensino politécnico e as instituições de ensino militar e policial (DGES, 2010b). Este indicador permite, assim, caracterizar a natureza das instituições cujos docentes e RI contribuem com dados para este estudo;

Localização: a localização da sede das instituições, identificada a partir da sua designação, permite perceber a distribuição geográfica das IESPP cujos docentes e RI contribuem com dados para este estudo.

Este conjunto de indicadores permitiu, assim, obter uma caracterização das IESPP que contribuíram com dados para este estudo. Deste modo, foi possível conhecer as IESPP em que houve participantes, qual a sua natureza e a sua distribuição geográfica. O

Quadro 1 resume os indicadores da caracterização institucional, mostrando também o contributo desses indicadores para a resposta à questão geral de investigação.

Quadro 1 – Modelo de análise: indicadores relativos à caracterização das instituições Conceito: Enquadramento Institucional

Dimensão Componente Indicador

Contributo para as questões de investigação Geral a) b) c) d) e) f) A. Caracterização Designação X

Tipo de IESPP X

Localização X

B. A estratégia institucional: a estratégia institucional está muito ligada com a respetiva visão institucional. Segundo Fritz, e tal como referido por Bates:

“a vision is a set of concrete scenarios reflecting exactly what we would really like to be doing in the future” (BATES, 2000, p. 45, FRITZ, 1989).

Nesta linha de pensamento, o desenvolvimento de uma visão pode ser a mais importante das estratégias (BATES, 2000, p. 44). O conceito de estratégia não é, no entanto, consensual. Têm sido propostas muitas abordagens, tendo Mintzberg et al. apresentado uma visão de conjunto ao descrever dez escolas de pensamento sobre estratégia, que refletem “diferentes ângulos, orientações, tendências” (MINTZBERG et al., 1998, p. 8), e que agruparam em três conjuntos: as escolas prescritivas, cuja preocupação é a forma como as estratégias são formuladas; as escolas descritivas, que procuram descrever como as estratégias se concretizam; e a escola de configuração, que procura integrar vários elementos das outras escolas numa perspetiva de formação estratégica como um processo de transformação (MINTZBERG et al., 1998, p. 5). Para melhor entender o conceito de estratégia, Mintzberg argumenta que é preferível enunciar não uma mas sim cinco definições (MINTZBERG, 1987, MINTZBERG et al., 1998, p. 9), no que designou como os cinco Ps da estratégia. Essas cinco definições de estratégia são:

“As a plan, strategy deals with how leaders try to establish direction for organizations, to set them on predetermined courses of action. (…).

As a ploy, strategy takes us into the realm of direct competition, where threats and feints and various other maneuvers are employed to gain advantage. (…)

As pattern, strategy focuses on action, reminding us that the concept is an empty one if it does not take behavior into account. (…)

As position, strategy encourages us to look at organizations in context, specifically in their competitive environments (…)

And finally as perspective, strategy raises intriguing questions about intention and behavior in a collective context” (MINTZBERG, 1987, p. 20)

Assim, o conceito de estratégia é apresentado através de um conjunto de definições, cada uma das quais mostra um ponto de vista sobre o conceito, permitindo entendê-lo melhor. Mintzberg et al. explicam algumas relações entre os cinco Ps (MINTZBERG et al., 1998, p. 9). Relacionam a estratégia como um plano (plan) com a estratégia como um padrão (pattern): a estratégia como plano revela intencionalidade, enquanto a estratégia como padrão revela o que é realizado, em termos de um padrão de “comportamento consistente ao longo do tempo” (MINTZBERG et al., 1998, p. 9). Também relacionam a estratégia como um posicionamento (position) com a estratégia como uma perspetiva (perspective): a estratégia como posicionamento revela um olhar externo, sobre as suas opções fundamentais no mercado, enquanto a estratégia como perspetiva revela um olhar interno, sobre as opções internas da

organização. Por exemplo, uma IES pode revelar um posicionamento estratégico ao optar pelo ensino a distância (o seu posicionamento no mercado) escolhendo formas específicas de concretizar esse posicionamento como, por exemplo, a disponibilização de conteúdos e plataformas de gestão de aprendizagem (LMS42/VLE43) específicos para esse fim (a sua perspetiva).

O conceito de estratégia não é novo no âmbito genérico das IES e, tradicionalmente, tem estado bastante associado à escola de planeamento estratégico (BATES, 2000, KELLER, 1983, ROWLEY et al., 1997). No âmbito mais específico do uso das TCSA também tem havido preocupações estratégicas (BATES, 2000, BOEZEROOIJ, 2006, JISC, 2006, LÖFSTRÖM et al., 2007, WENDE et al., 1999). Por exemplo, o JISC destaca a importância do planeamento estratégico ao referir que “strategic planning practices in ICT related areas are diverse, particularly in higher education, and are apparently under almost continuous review as factors such as technology change and pedagogical developments present new and different challenges” (JISC, 2006, p. 3). Outros mencionam a estratégia institucional em relação a aspetos específicos. Por exemplo, Orr et al. indicam que os esforços institucionais no domínio do ensino online “should fit within the strategic framework for the institution” (ORR et al., 2009, p. 266). Acrescentam ainda que a clarificação e explicitação das estratégias institucionais servem de mensagem às respetivas comunidades, clarificando a importância dos seus objetivos.

Assim, a dimensão da estratégia institucional deverá permitir perceber se as instituições têm estratégias para o uso das TCSA, se essas estratégias estão formalizadas e se são percebidas pelos seus agentes, e que fatores é que influenciam essas estratégias. Parece também importante perceber outros fatores como, por exemplo, saber se as estratégias são explicitadas pelas instituições e saber se as estratégias para o uso das TCSA estão integradas em estratégias mais gerais para o uso das tecnologias de informação e comunicação. De uma forma geral, pretende-se saber se as instituições têm planos estratégicos para o uso das TCSA, quer eles estejam explicitados ou não. No âmbito do uso das TCSA, os indicadores considerados relativamente à dimensão da estratégia são:

Existência de estratégia institucional: por vezes, as instituições seguem uma estratégia que pode ser percecionada pelos seus docentes e RI, ou até pelos seus alunos, mesmo que não se identifiquem documentos que a exprimam explicitamente. Através deste indicador pretende-se saber qual é a perceção que

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LMS: Learning management system.

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os agentes têm da existência de estratégias institucionais para o uso das TCSA, independentemente de serem explícitas ou implícitas;

Existência de estratégia institucional explícita: pretende-se saber se os agentes percecionam a existência de estratégias institucionais explícitas para o uso das TCSA, nomeadamente através da existência de documentos (por exemplo, planos estratégicos) que as exprimam;

Integração da estratégia de uso das TCSA nas restantes estratégias institucionais: existem tecnologias da comunicação específicas para suporte à aprendizagem, como acontece com os LMS/VLE44. No entanto, muitas das tecnologias usadas para suporte à aprendizagem são tecnologias usadas também para outros fins mais gerais como acontece, por exemplo, com o correio eletrónico ou com os blogues. Assim, parece importante saber se a estratégia para o uso das TCSA faz parte das estratégias institucionais para o uso das tecnologias da informação e comunicação; e se a estratégia para o uso das TCSA faz parte da estratégia geral da instituição (JISC, 2006, p. 18, SANGRA, 2008);

Existência de fatores que influenciam a estratégia para o uso das TCSA: existem inúmeros fatores que podem influenciar a estratégia institucional para o uso das TCSA (JISC, 2006, p. 32). Alguns desses fatores são a concorrência entre instituições, os recursos financeiros disponíveis e a atitude dos docentes;

Existência de estratégias específicas, estratagemas: podem ser identificadas muitas ações ou estratagemas para fazer com que uma organização possa realizar a sua visão. Algumas dessas ações são relativamente tipificáveis e encontram-se ao longo deste modelo de análise como acontece, por exemplo, com os recursos e as políticas institucionais relativas ao uso das TCSA. No entanto, as IESPP podem procurar identificar e implementar outras abordagens com o intuito de obter vantagens (MINTZBERG, 1987), desejavelmente vantagens competitivas (PORTER, 1985, p. xvi);

Existência de liderança estratégica: é relevante saber se nas IESPP existe liderança estratégica específica para o uso das TCSA, ou seja, saber se existe alguém ou algum serviço/unidade responsável por esse tipo de estratégia (BATES, 2000, p. 42). Como refere Sangra, “The findings prove the need for a strong leadership in higher education institutions in order to be able to face ICT integration with possibilities of success” (SANGRA, 2008, p. 464). Sangra encontrou casos em que “leadership was insufficient or inexistent, other cases

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where it was decisive and others where it was excessive”, mas reconhece que, em todos esses casos, a liderança era fundamental (SANGRA, 2008, p. 464).

Este conjunto de indicadores contribui para a resposta à questão específica de investigação a), ou seja, contribui para saber se são reconhecíveis estratégias institucionais para o uso das tecnologias da comunicação no suporte à aprendizagem. Os indicadores considerados permitem verificar se essas estratégias são ou não percebidas e se são ou não formalizadas, se essas estratégias são lideradas e se são integradas noutras estratégias institucionais, e ainda verificar a perceção dos fatores que as influenciam. Parece interessante verificar aqui a dualidade entre os pontos de vista dos docentes e dos responsáveis institucionais. O Quadro 2 resume os indicadores sobre a estratégia institucional para o uso das TCSA, mostrando também o contributo desses indicadores para a resposta às questões de investigação.

Quadro 2 – Modelo de análise: indicadores relativos à estratégia das instituições Conceito: Enquadramento Institucional

Dimensão Componente Indicador

Contributo para as questões de investigação Geral a) b) c) d) e) f) B. Estratégia Existência de estratégia institucional X X Existência de estratégia institucional explícita X X Integração da estratégia de

uso das TCSA nas restantes

estratégias institucionais X X

Existência de fatores que influenciam a estratégia para o

uso das TCSA X X

Existência de estratégias específicas, estratagemas X X Existência de liderança estratégica X X

C. Recursos e políticas institucionais: os recursos e as políticas institucionais para o uso das TCSA são os meios e os planos de ação que permitem concretizar as estratégias e que, eventualmente, permitem observar se as estratégias institucionais são ou não implementadas. Dada a sua complexidade, esta dimensão é dividida em algumas componentes:

C.1 Finanças: em geral, a questão dos recursos financeiros está presente quando se pretendem implementar ações que concretizem estratégias. Tal acontece também, em particular, quando essas estratégias estão relacionadas com o uso das TCSA, sendo frequentemente apontados constrangimentos financeiros (LÖFSTRÖM et al., 2007, p. 322, ORR et al., 2009, p. 259). Por exemplo, Löfström e Nevgi destacam o

facto de os responsáveis institucionais atribuírem importância aos recursos financeiros, quando referem que: “Lack of resources was considered by teachers and students as a minor obstacle, whereas heads of Departments regarded the lack of money, time, competence and support resources as the major obstacle” (LÖFSTRÖM et al., 2007, p. 322). Assim, é importante saber se as IESPP dedicam recursos financeiros dos seus orçamentos à implementação das suas estratégias para o uso das TCSA e qual a tendência de evolução desses recursos. Os indicadores para esta componente são:

Existência de orçamento institucional para as TCSA: pretende-se saber se as instituições dedicam uma parte do seu orçamento às TCSA;

Tendência de evolução do orçamento institucional para as TCSA: pretende-se saber qual a tendência de evolução do orçamento que as instituições dedicam às TCSA. Em particular, importa saber se essa tendência é, ou não é, crescente. C.2 Tecnologia: para usar tecnologias da comunicação, em geral, e para as usar no suporte à aprendizagem, em particular, são necessários recursos tecnológicos. É necessário que exista uma infraestrutura (COLLIS et al., 2002b, p. 35) para esse efeito, dotada de recursos humanos adequados, quer em quantidade, quer em termos da sua preparação. Assim, nesta componente consideram-se os seguintes indicadores:

Adequação da infraestrutura de suporte ao uso das TCSA: este indicador pode ser verificado através de vários aspetos, como a existência de uma unidade dotada de recursos humanos e tecnológicos adequados para suportar o uso das TCSA;

Existência de observatório tecnológico relativo às TCSA: a evolução das tecnologias da comunicação tem sido muito rápida nos últimos anos, e não se conhece evidência de que o sentido dessa evolução se inverta brevemente. Por exemplo, num estudo da JISC refere-se mesmo que é necessário observar e tratar o planeamento estratégico das TIC partindo da “assumption that nothing may look the same in two or three years” (JISC, 2006, p. 5). O facto de se publicarem relatórios prospetivos45 sobre o uso de tecnologias emergentes também é um sinal de que a evolução das TC é muito rápida e deve ser acompanhada. Algumas IES revelam a necessidade de acompanhar a evolução das TC através de um observatório tecnológico. Por exemplo, no âmbito da sua própria iniciativa sobre o uso da Web 2.0, a Universidade de Edimburgo

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recomenda que seja mantido um observatório tecnológico para a tecnologia da Web 2.0: “IS46 should mantain an active engagement with innovative Web 2.0 developments and virtual environments such as Second Life, with a view to supporting staff in the development of innovative pedagogies in their teaching” (EKMEKÇIOĞLU et al., 2007, p. 23). Assim, é relevante observar a evolução das TC e atuar, institucionalmente, em conformidade. O que este indicador deve revelar é se realmente as instituições acompanham e incorporam a evolução das TCSA, sendo que a forma como o fazem pode ser muito diversa.

C.3 Treino e formação de docentes: o enquadramento institucional do treino e formação dos docentes para o uso das TCSA é abordado com frequência (BATES, 2000, p. 98, 2005, p. 223, COLLIS et al., 2002b, HEIKKILÄ et al., 2005, LÖFSTRÖM et al., 2007, p. 320, ORR et al., 2009). Trata-se de um aspeto bastante relevante na medida em que uma preparação menos adequada dos docentes pode condicionar o uso que fazem, ou não fazem, das TCSA. Como refere Ajjan et al., a propósito das tecnologias da Web 2.0, “The lack of experience with most Web 2.0 technologies examined in this study could drive faculty members to avoid their adoption, although they realize that this adoption would provide their students with many important benefits” (AJJAN et al., 2008, p. 77). De um ponto de vista mais positivo, uma formação adequada e suportada institucionalmente pode potenciar o uso das TC com vista a atingir plenamente os objetivos de aprendizagem perseguidos. A formação pode ser realizada sobre vários aspetos como, por exemplo, sobre o uso das próprias tecnologias da comunicação, mas também sobre aspetos como abordagens pedagógicas adequadas ao uso das TC ou a aspetos relacionados com conteúdos (direitos de autor ou preservação de conteúdos, por exemplo). Também é relevante saber se as instituições possuem infraestruturas adequadas ao treino e à formação dos docentes, se têm planos de formação com esse fim e se os docentes têm acesso a formação externa à instituição. Outro aspeto relevante, complementar ao treino e formação de docentes, é o de saber se são produzidos e disseminados guias de uso das TCSA (SANGRA, 2008, p. 470). Os indicadores considerados para esta componente são:

Existência de treino e formação sobre o uso das TCSA: é relevante saber se as instituições realizam ações de treino e formação de docentes relativamente ao uso das TCSA, nomeadamente nos aspetos técnicos, pedagógicos e relativamente aos conteúdos digitais;

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IS refere-se, no texto original, aos serviços de informação (Information Services) da Universidade de Edinburgo.

Existência de infraestrutura de treino e formação sobre o uso das TCSA: é relevante averiguar a existência de infraestruturas institucionais vocacionadas para o treino e formação de docentes, o que se pode verificar através do reconhecimento da existência de pessoas ou entidades com responsabilidades nesse tipo de formação, assim como através da existência de planos de formação com o mesmo fim;

Participação dos docentes em formação sobre o uso das TCSA: o facto de eventualmente existirem ações de treino e formação de docentes para o uso das TCSA não significa necessariamente que eles as frequentem ou que adiram a essas iniciativas. Assim, com este indicador procura-se aferir o grau de participação dos docentes nas ações de treino e formação promovidas institucionalmente;

Produção e disseminação de guias de uso das TCSA: são conhecidos casos de instituições que produzem e disseminam guias de uso das TCSA (GRODECKA et al., 2009, LOWENTHAL et al., 2009, SIEMENS et al., 2009), e parece relevante saber o que está a acontecer nas IESPP a esse respeito;

C.4 Políticas institucionais de segurança: as políticas de uma instituição podem ser consideradas como sendo, essencialmente, planos de ação que permitem concretizar a estratégia estabelecida para concretizar a sua missão. Assim, e neste contexto, as políticas podem ser reveladas através de ações e procedimentos, como os relativos a regras e condições de utilização das tecnologias da comunicação ou os relativos a segurança e controlo do uso. Algumas IES reconhecem explicitamente os riscos relativos à segurança no uso das TC, como acontece, por exemplo, com a Universidade de St. Andrews: “The University is committed to ensuring that the information it manages is appropriately secured to protect against the consequences of breaches of confidentiality, failures of integrity or interruptions to the availability of that information” (UNIVERSITY OF ST ANDREWS, 2008, p. 12). Os indicadores considerados na componente das políticas institucionais de segurança relativas ao uso das tecnologias da comunicação são:

Existência de regras e condições de uso das TC: ao estabelecer regras e condições de uso das TC, uma instituição mostra aos seus utilizadores quais são os limites desse uso e que usos são ou não aceitáveis. Estas regras são por vezes referidas como “acceptable use policy” (CRIDDLE, EKMEKÇIOĞLU et al., 2007, FRANKLIN et al., 2007, UNIVERSITY OF MANITOBA, 2005). Parece

relevante saber se as instituições adotam regras onde sejam estabelecidas condições de uso das tecnologias da comunicação;

Existência de procedimentos relativos a segurança e controlo no uso das TCSA: a evolução das tecnologias da comunicação tem sido sempre acompanhada de questões importantes sobre segurança e controlo. Em particular, quando são usadas tecnologias disponibilizadas publicamente, em vez das tecnologias disponibilizadas institucionalmente, verifica-se falta de controlo institucional sobre a continuidade do serviço, sobre a sua fiabilidade ou sobre a sua manutenção. Minocha refere a questão da segurança no uso das redes de comunicação, em particular no uso do software social, como sendo um desafio institucional (MINOCHA, 2009b, p. 46): preocupa-se com a falta de controlo sobre o uso de serviços externos, destacando que “the service to students cannot be guaranteed unless formal agreements are set up with external providers”; com a inexistência, que constatou, de políticas de uso de aplicações de “social software”, referindo que “we did not come across any formal policies that an organisation had set up about how these tools should be used and what were the expected norms – even when the students’ contributions were being made in public groups (for example, on Flickr or on Facebook)”; e com os riscos do uso de aplicações de domínio público, argumentando que o uso das aplicações de domínio público “may require altering the firewal mechanisms. The security risks to the institution’s network systems are of concern to the organisations” (MINOCHA, 2009b, p. 46).

Algumas questões de segurança não são novas como acontece, por exemplo, com o spam, os vírus informáticos ou a necessidade de autenticar o acesso ao uso das TC. Outras questões são mais recentes e estão a ser potenciadas pela generalização do uso da Internet e pelo desenvolvimento de tecnologias como as redes sociais, sendo já referidas, no âmbito do ensino superior, preocupações com questões como cyber-bullying, intimidação ou mesmo terrorismo (ARMSTRONG et al., 2008, p. 23, GORGE, 2007, REDECKER, 2008, p. 37). Por exemplo, Armstrong e Franklin referem que espaços como o Facebook têm sido usados em ambiente formal de aprendizagem, e que aí têm sido encontrados casos de “bullying and intimidation both of other students and of staff” (ARMSTRONG et al., 2008, p. 23). Num outro exemplo, em que a Open University do Reino Unido usa o Facebook para a comunicação entre os alunos

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