CAPÍTULO II – AUDITORIA E CONTINUIDADE EMPRESARIAL
2.4. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
É essencial que as DF’s englobem toda a informação relevante para que os utilizadores dessas DF’s possam fazer os seus próprios julgamentos. O órgão de gestão deve fazer divulgação sobre os riscos assumidos e a sua monitorização e controlo para assegurar que os diferentes elementos das DF foram mensurados de forma apropriada e correta, bem como a divulgação da sua própria avaliação sobre as objetos que possam comprometer a continuidade das operações.
O impacto das questões relativas à continuidade na opinião do revisor/auditor é relevante para evitar uma reação extemporânea que ponha em causa o restauro da confiança. Assim, os auditores devem
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59 assegurar-se de que consideraram a avaliação de todos os elementos mais subjetivos das DF’s dos seus clientes, bem com a avaliação das questões relativas à capacidade de a entidade se manter em continuidade.
Uma entidade é geralmente vista como estando em continuidade no futuro próximo, quando não há intensão nem necessidade de a liquidar, ou de terminar as suas atividades e negócios, ou quando não está em processo de insolvência. A responsabilidade de avaliação da capacidade de uma entidade se manter em continuidade, é do órgão de gestão. O auditor tem como responsabilidade a avaliação do uso apropriado deste pressuposto.
Newsletter n.º 1/09, de março de 2009 da OROC, diz-nos que “A situação de crise atual não significa
necessariamente que existe uma incerteza material sobre a capacidade de uma entidade em continuar as suas operações, nem justifica que o revisor/ auditor modifique o seu relatório e tomar a atenção para esse
facto”. Por outro lado, não é por serem feitas divulgações extensivas que, por si só, há indícios da existência
de dúvidas relevantes sobre a capacidade de uma entidade continuar a operar.
Nem o órgão de gestão nem os revisores/auditores podem prevenir acontecimentos ou condições no futuro que possam causar a uma entidade a descontinuidade das suas operações tal como aconteceu com a inesperada rapidez da crise atual e suas consequências. Por estas razões a ISA 570 – Continuidade estabelece
que “a ausência de referências quanto à incerteza sobre a continuidade tanto nas DF’s como na opinião do
revisor/auditor não podem ser vistas como uma garantia de que futuros acontecimentos ou condições não provocarão que as operações de uma entidade sejam descontinuadas.”
A ISA 570 descreve alguns fatores que podem ser relevantes para a avaliação do pressuposto da continuidade e dá exemplos de acontecimentos ou condições que podem pôr em dúvida esse pressuposto incluindo acontecimentos de natureza financeira, tais como:
Empréstimos com datas de vencimento próximas e sem perspetivas realistas de ser
pagos ou renovados;
Indicações de retirada ou suspensão de suporte financeiro dos credores;
Incapacidade para cumprir com as cláusulas contratuais de empréstimos;
Perda de um mercado, de uma licença ou de uma representação relevantes ou de
um fornecedor significativo ou único;
Não cumprimento de requisitos estatutários ou requisitos legais.
Quando estes princípios, acontecimentos ou situações são identificados deve o auditor executar procedimentos de auditoria adicionais para obter evidência de auditoria apropriada e, consequentemente confirmar ou não se tal incerteza fundamental existe. Estes pontos nem sempre significam uma incerteza fundamental, mas pode pôr em dúvida o pressuposto da continuidade, não só a natureza e a materialidade dos
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60 acontecimento ou condições que estão na base da incerteza, mas também a capacidade de a entidade atenuar a incerteza através da adoção de estratégias alternativas realistas, que espera-se que resolvam os problemas previsíveis e que seja provável que sejam executados eficazmente.
Relativamente a este propósito, a ISA 570 clarifica e vem dizer-nos que existe uma incerteza fundamental quando a magnitude do seu impacto potencial e a probabilidade da sua ocorrência são tais que, na opinião do revisor/auditor, é necessária uma divulgação da natureza e implicações da incerteza para que as DF´s estejam apresentadas apropriadamente.
Assim, o revisor/auditor terá de avaliar os meios através dos quais o órgão de gestão considera ser apropriado preparar as DF’s no pressuposto da continuidade; Concluir se concordam ou não com a avaliação do órgão de gestão; avaliar se as DF’s contêm ou não divulgações adequadas e relevantes sobre a questão da continuidade que sejam facilmente compreendidas pelos utilizadores.
Depois desta análise o revisor/auditor determina as implicações no seu relatório:
Se as divulgações não forem adequadas, o revisor/auditor deverá emitir uma opinião com
reservas ou uma opinião adversa por referência à existência de incerteza fundamental; Se existir uma incerteza fundamental que ponha em dúvida a capacidade da entidade em
continuar as suas operações e tal incerteza está adequadamente divulgada nas DF´s, o revisor/auditor deve incluir no seu relatório um parágrafo de ênfase.
A problemática da continuidade contribui para a volatilidade do meio envolvente, bem como, para a viabilidade da empresa e, consequentemente, o público em geral questiona-se sobre a figura do auditor e suas competências e responsabilidades. Pois ficaram públicos os escândalos de empresas auditadas que puseram em causa o trabalho do auditor ao se pronunciar sobre a continuidade das mesmas empresas.
Um auditor não tem obrigatoriedade de se prenunciar quanto à continuidade de uma entidade no mercado de trabalho exceto quando se evidencie sintomas de que é clara a derrogação de tal princípio, ou seja, mesmo que um relatório de auditoria sem reservas seja uma opinião que enfatize a imagem de DF’s limpas, não garante a viabilidade da empresa e, consequentemente, o auditor deve planear e auditar mantendo-se sempre atento a situações que possam pôr em causa o princípio da continuidade. No entanto, por vezes a continuidade das empresas depende de terceiros e, como tal, torna-se difícil prever tal cenário. Esta é a principal razão pela qual os auditores se mostram relutantes a prenunciarem-se sobre o princípio da continuidade mas, também as continuas mudanças no mundo dos negócios, a determinação do espaço temporal durante a qual a opinião deve ser válida e o quadro de referência de responsabilidade pela emissão dos documentos previsionais.
Uma questão não menos importante que se prende ao princípio da continuidade é o facto de se apurar até que ponto é que a opinião do auditor pode acelerar o processo de falência da empresa. Pois, na verdade ao
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61 relatar a sua opinião vai ter consequências negativas para a empresa, nomeadamente, quanto à obtenção de créditos e atração a investidores, bem como, a garantia de que os fornecedores irão ver cumpridos os compromissos atempadamente. Este agravamento de desconfianças desencadeia um ciclo vicioso e leva a empresa a uma falência precoce. No entanto, também existem empresas que mesmo tendo um abale público
das suas contas conseguiram se manter ativos no mercado. “Na falta de provas em contrário, a empresa deve
ser considerada como operando indefinidamente. No caso de existirem provas de que a empresa tem vida limitada, não se deverá considerar que continuará a realizar as suas operações por tempo indefinido” Moonitz (1961, p. 39).
Desta forma, recaí sobre o auditor uma decisão muito difícil, mas que carece de sensatez e profissionalismo com ética. Mesmo assim, há quem defenda que a ocorrência de tal falência não evidência uma relação causa-efeito em relação à opinião do auditor mas, sim a constatação de que as provas evidenciavam uma situação real.
Elementos que podem por em causa a continuidade da empresa, segundo Almeida (2005, p. 100) que refere Carmichael (1972):
Problemas financeiros (dificuldade no cumprimento das suas obrigações):
# Escassez de fundos;
# Não cumprimento das dívidas;
Problemas operacionais (aparente falta de sucesso operacional):
# Perdas operacionais;
# Reduzido controlo sobre as operações; # Rendimentos futuros em causa.
Assim sendo, para poder emitir opinião acerca da continuidade da empresa o auditor utiliza as designadas “técnicas preditivas do fracasso empresarial” que se baseia em rácios. Mas, nunca esquecendo que estes rácios devem ser encarados com certa relatividade, pois não garantem certezas absolutas.
Após se verificarem situações de falência ou de colapso financeiro inerente, é curioso que o princípio da continuidade seja invocado pelos vários utilizadores da informação financeira. Tal como refere Almeida (2005), pode ser um sinal de que os utilizadores da informação financeira o façam como pretexto para terem um alerta para conseguirem antecipar eventuais dificuldades financeiras com que a empresa se possa deparar num futuro próximo. É questionável esta responsabilidade acrescida aos auditores, uma vez que existe uma clara divergência com as responsabilidades dos auditores.
A norma Internacional de Auditoria 570 – Continuidade, indica que o auditor deve executar e planear tendo em atenção a adequação ao princípio da continuidade. Ou seja, o auditor tem a responsabilidade de
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62 constatar a adequação de utilização do pressuposto da continuidade pela gerência, na preparação das DF’s. Salienta ainda que não é responsabilidade do auditor prever actos futuros que possam levar a que o pressuposto da continuidade seja posto em causa.
Assim, a menção da continuidade da empresa não representa uma garantia de que a empresa continuará a funcionar. Porém, caso o auditor detete que a continuidade possa estar em causa, deve proceder da seguinte forma:
- Rever os planos da gerência para ações futuras na sua avaliação da continuidade;
- Recolher provas suficientes que confirmem ou neguem a existência de uma incerteza materialmente relevante por meio de procedimentos adequados que incluem os planos de gerência e outros fatores mitigantes;
- Procurar esclarecimentos escritos da gerência no que concerne a ações futuras.
Segundo a norma 200 do IFAC, a opinião do auditor contribui para dar credibilidade às DF’s. Porém, o utilizador não deve assumir que a opinião do ROC seja uma garantia quanto a futura viabilidade da entidade nem uma opinião quanto à eficácia com que a gerência conduziu os negócios da empresa.
2.4.1. AOP IN IÃO DO AUD ITOR S OB R E CON T IN U ID ADE
Como já referimos anteriormente, a emissão de uma opinião sobre continuidade é algo de extrema importância e de enorme dificuldade, pois estamos a avisar os utilizadores para a possibilidade de num prazo de um ano a empresa poder entrar em insolvência, o que poderá afastar investidores, financiadores e clientes.
De acordo com a ética, deontologia e normativos legais a que o auditor está sujeito, não podemos esperar que este tome a posição de defensor da empresa, no entanto como estamos a falar de uma decisão que pode influenciar o comportamento dos stakeholders e necessita de ser muito ponderada por parte do auditor.
Contudo, existe uma nuance que diz respeito ao pagamento dos honorários ao auditor que é feito por parte da empresa, e daqui existir alguma influência por parte da gestão/administração da empresa na opinião do auditor. Isto porque, existe uma relação entre cliente e prestador de serviços, em que o interesse do auditor em manter o seu cliente pode sobrepor-se à da responsabilidade e ao cumprimento dos deveres e obrigações a que está sujeito. Neste sentido existem comissões de controlo que averiguam estas situações, tais como o controlo de qualidade da OROC, de modo a minimizar estas situações e a responsabilizar os infratores, imputando-lhes as próprias sanções.
De acordo com Carcello et al (2000) existem interações entre a dimensão do cliente e o auditor na tomada de decisões sobre as incertezas de continuidade. Caso o auditor esteja preocupado com a potencial perda do cliente, pode o julgamento do auditor ser afetado.
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63 Existem diferenças nos padrões de qualidade entre as pequenas e as grandes empresas de auditoria, pois as grandes empresas de auditoria têm padrões de qualidade mais elevados do que as pequenas. Assim, as empresas de grande dimensão têm mais propensão para a deteção de riscos e maior independência, levando a que estas emitam opiniões mais conservadoras no que respeita à continuidade, conforme refere (Payne, 2002).
Serra (2007), referencia que as consequências de uma eventual iniciativa injustificada19, de insolvência, não são de pouca valor, sobretudo quando se tem presente que a mera abertura do processo pode ser fonte de graves prejuízos para o bom nome, para a honra e para a credibilidade do devedor, o que pode acabar por transformar o que não passava de uma mera crise passageira em situação de verdadeira insolvência.
O insucesso dos processos de insolvência deve-se, em grande parte, ao arrastamento da crise e à ausência de reação do devedor e dos credores, o CIRE tenta promover o início atempado do processo de insolvência, estimulando a diligência processual, tanto de um como de outros.
Almeida (2010) diz que “o não cumprimento dos seus deveres por parte do ROC, poderá implicar
uma responsabilidade civil solidária”. O não cumprimento do art. 35º, trata-se de um crime público, que
deve ser comunicado pelo ROC ao Ministério Público tal como é estipulado no art. 158º do Estatuto da OROC, caso a administração não tenha alertado os acionistas/sócios da perda de metade do capital. Aqui está em causa a continuidade da atividade da sociedade, bem como, todo o capital investido por parte dos seus detentores.
O ROC está ainda obrigado à aplicação e verificação do que é competência do auditor (conforme ISA 570, § 9), ou seja, a obtenção de prova de auditoria suficiente e apropriada acerca da adequação do uso pela gerência do pressuposto da continuidade.
A mesma ISA refere ainda no seu §A2 alguns acontecimentos a verificar pelo auditor na avaliação do pressuposto de continuidade nos quais consta:
a dependência excessiva de empréstimos de curto prazo;
a falta de financiamento por parte dos credores;
perdas operacionais ou deterioração do valor dos ativos;
incumprimento de acordos;
alterações legislativas, regulamentação ou política governativa;
aparecimento de concorrência com grande sucesso.
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64 Considera-se ainda que existe uma incerteza material se a probabilidade de ocorrência de determinado facto e o seu potencial impacto for elevado, sendo necessário a sua divulgação no relatório de auditoria.
Aqui refletem-se algumas consequências na emissão de opinião, de acordo como será colocada em causa a continuidade da empresa. Neste caso o auditor irá emitir diferentes opiniões, verificando-se:
o uso apropriado do pressuposto de continuidade, mas existindo uma incerteza material, o
que significa que o auditor deverá verificar se as DF’s refletem apropriadamente este facto, e em caso afirmativo deverá fazer expressar uma opinião não modificada e colocar uma ênfase a dizer que existe uma incerteza material e esta pode colocar em causa a continuidade da empresa e informar que as DF’s refletem esse facto. Caso a gerência/administração não divulgar o facto, deve o auditor emitir uma opinião com reservas ou adversa, e justificar com a incerteza material sobre a continuidade da empresa.
uso não apropriado do pressuposto, que consiste no julgamento do auditor na utilização por
parte da gerência/administração numa inadequada referência ao pressuposto nas DF’s e assim, deve ser expressa uma opinião adversa, de acordo com a ISA 570, §21)
relutância da gerência em fazer alargar uma análise mais detalhada e sendo esta solicitada
pelo auditor, deve de acordo com a ISA 570, §22 colocar às DF’s uma opinião adversa, ou escusa de opinião, atendendo à gravidade da situação em causa;
comunicação aos encarregados da governação da sociedade no caso de estes não estarem
diretamente envolvidos na gestão da empresa, na qual de acordo com a ISA 570 §23 deve relatar “acontecimentos ou condições que constituem a incerteza material, se o pressuposto da continuidade é apropriado na preparação e apresentação das DF’s e, a adequação das respetivas divulgações nas DF’s”;
atraso significativo na aprovação das DF’s e aqui o auditor deverá desenvolver os procedimentos adicionais necessários, no que respeita a acontecimentos e condições que poderão influenciar a capacidade de continuidade da sociedade e avaliar quais as implicações que se podem verificar na emissão da sua opinião, podendo assim emitir uma opinião modificada, adversa ou até escusa de opinião (ISA 570 §24).
Ainda no âmbito da mesma ISA, o Livro Verde da Comissão Europeia, citado por Almeida (2000), refere que “os utilizadores das demonstrações financeiras esperam que o auditor… lhes forneça, entre outras, garantias relativas quanto ao rigor das contas, à continuidade de exploração/solvência…”.
Acerca do pressuposto de continuidade, Geiger e Rama (2006) refere que a Statement Auditing
Standard n.º 59 exige que “os auditores avaliem a continuidade de cada cliente para um período de um ano
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65 capacidade do cliente continuar, então, o parecer da auditoria deve ser modificado de forma a refletir essa incerteza”.
Na opinião de Lennox (1997), pp. 759 “A eficácia das decisões de investimento depende da precisão
das informações disponíveis para os investidores. Sendo a auditoria um meio para garantir qua as demonstrações financeiras das empresas fornecem informações precisas, o papel do auditor é alertar os
investidores quando uma empresa enfrenta uma forte possibilidade de falência”. Chen e Church (1996), no
estudo que realizaram para verificar se existe relação entre os pareceres do auditor sobre a continuidade e a reação do mercado aos pedidos de falência, concluíram que os pareceres alterados dos auditores que alertavam para os problemas da continuidade das empresas, fizeram reduzir a surpresa associada à falência. Se bem que as normas de auditoria referem que o auditor deve prever problemas financeiros iminentes e não efetuar previsões de insolvências.
A gerência/administração deve, à priori definir se as DF’s são elaboradas tendo em consideração a continuidade da empresa, ou se a empresa já se encontra ou se irá encontrar numa base de liquidação do seu património e, assim derrogar à sua continuidade.
A Estrutura Conceptual do SNC §23 diz que, “As DF’s são normalmente preparadas no pressuposto
de que uma entidade é uma entidade em continuidade e de que continuará a operar no futuro previsível. Daqui que seja assumido que a entidade não tem nem a intensão nem a necessidade de liquidar ou de reduzir drasticamente o nível das suas operações; se existir tal intensão ou necessidade, as DF’s podem ter que ser preparadas segundo um regime diferente e, se assim for, o regime usado deve ser divulgado.”
Assim o auditor delineará o seu trabalho ao longo do ano, de forma a que possa dar a sua opinião. Pois trata-se de um dos momentos mais delicados no que respeita à continuidade da empresa, e a tomada de posição por parte do auditor influenciará toda atividade da empresa, com especial relevo para os
stakeholders.
Assim devemos estudar os efeitos da opinião do auditor para os diversos utilizadores:
Efeito da opinião do auditor com incertezas de continuidade para a tomada de decisão – este tipo de utilizadores estará preocupado com o facto de a empresa se encontrar ou não em perigo de insolvência conforme refere Rodgers et al. (2009);
Efeito para os investidores – estes estão atentos à continuidade da empresa, pois a rendibilidade da empresa é que garante-lhes o capital investido, caso a situação de continuidade venha a ser alterada, o seu investimento torna-se pouco ou nada lucrativo.
De acordo com Menon et al. (2010), muitos dos relatórios de auditoria com incertezas de continuidade referem-se a problemas financeiros, mas a reação dos investidores é mais adversa se o auditor emitir uma opinião com incertezas de continuidade relativa a dificuldades de obtenção de financiamento.
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66 Não sabemos o momento exato em que um investidor toma conhecimento de uma opinião com incertezas de continuidade, normalmente é quando a informação financeira é publicada, exceto se existir informação privilegiada. Sabemos sim, que existe uma reação por parte dos investidores, quase imediata na cotação das ações, logo após a publicação da incerteza expressada pelo auditor, de acordo com estudos (O’Reilly, 2010). Mas refere ainda que, a opinião do auditor só tem utilidade quando conduz algo diferente daquilo que era expetável.
Efeito para as entidades financeiras – estas recebem o relatório do auditor como uma fonte
adicional da situação atual da empresa. (Blay, et al., 2011). Assim estes olham para os relatórios de auditoria com incertezas de continuidade de uma forma negativa, pois presumem que existe um aumento do risco de