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12 Art 14 da Lei nº 9.883/99.

MECANISMOS DE CONTROLE INTERNOS

5. PRINCÍPIOS ÉTICOS

A atividade de Inteligência deve ser conduzida em estrita obediência ao ordenamento jurídico brasileiro, pautando-se pela fiel observância aos Princípios, aos direitos e às garantias fundamentais expressos na Constituição, em prol do bem comum e na defesa dos interesses da sociedade e do Estado Democrático de Direito.

Não existe, no atual ordenamento jurídico brasileiro sobre Inteligência, exce- ção a essa regra. A ABIN e os demais integrantes do SISBIN devem se pautar pela estrita obediência à Constituição e à legislação ordinária.

Para atender a esse propósito, a atividade de Inteligência lida com assuntos e conhecimentos sensíveis, que devem receber tratamento adequado, a fim de sempre garantir o atendimento dos objetivos maiores do País. Portanto, como esse exercício típico da atividade envolve escolhas e deliberações, impõem-se criteriosos e rigorosos comportamentos éticos para seus profissionais.

O comportamento ético é exigido de todos os servidores públicos. A especifi- cidade em relação àqueles que lidam com Inteligência é o fato de eles estarem em contato com informações sigilosas e terem suas atividades pautadas por mecanis- mos diversos daqueles de transparência. Essas duas variáveis – possibilidade de vazamento de informações sensíveis e de cometimento de abusos em virtude do secretismo das ações – implicam a necessidade de exigência de comportamentos éticos de forma criteriosa e rigorosa.

De acordo com a PNI, a Inteligência pauta-se pela conduta ética, que pressupõe um conjunto de princípios orientadores do comportamento humano em sociedade. Naquilo que em se aplica aos

seus profissionais, representa, especialmente, o cuidado com a preservação dos valores que determinam a primazia da verdade, sem conotações relativas, da honra e da conduta pessoal ilibada, de forma clara e sem subterfúgios.

Os princípios éticos devem balizar tanto as condutas dos profissionais que lidam com a Inteligência quanto as dos usuários dos conhecimentos produzidos, para conferir à atividade de Inteligência a necessária legitimidade e credibilidade perante a sociedade. O produto da atividade deve ser utilizado no interesse do Estado e da sociedade brasileira, e apenas para propósitos legitimados democraticamente.

A conduta ética é outro dos pressupostos da atividade de Inteligência elenca- dos pela PNI. Lá, a ética está profundamente associada à verdade. Os produtos da atividade de Inteligência devem refletir o real, contendo texto que, de forma clara e direta, explique o que está acontecendo ou o que deve acontecer em determi- nada situação. Além disso, os profissionais de Inteligência devem primar pela honra e possuir conduta pessoal íntegra e correta.

Igualmente ao que foi visto ao estudar a PNI, a ENINT afirma que os valores éticos devem nortear também a conduta dos usuários da Inteligência. Pedidos descabidos, baseados em motivações pessoais ou partidárias, por exemplo, deixam de preencher o pressuposto da conduta ética e são, portanto, inadmissíveis.

Os profissionais da atividade de Inteligência atuam com a consciência de cumprirem verdadeira missão de Estado, para a qual dedicam seus melhores esforços, sempre imbuídos do espírito de servir a Nação com dedicação e lealdade. No curso de sua ação individual e coletiva, além de outros orientadores legais, observam e praticam os seguintes princípios éticos:

A ENINT inova ao trazer uma lista expressa de princípios éticos que devem ser respeitados pelos profissionais da Inteligência.

Respeito: adotam comportamentos e praticam ações que respeitam a dignidade do indivíduo e os interesses coletivos;

Não há espaço para desrespeito à dignidade das pessoas e ao interesse coleti- vo. A dignidade da pessoa humana é, aliás, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, constante do art. 1º, III, da Constituição Federal.

Imparcialidade: atuam de modo isento, buscando a verdade no interesse do Estado e da sociedade brasileira, sem se deixar influenciar por ideias preconcebidas, interesses particulares ou corporativos;

Os profissionais de Inteligência devem primar pela verdade. É extremamente importante, sobretudo para aqueles que trabalham com análise de informações, que conheçam seus preconceitos, que façam um exercício constante de autoanáli- se, a fim de saber se estão produzindo documentos imparciais ou se estão se dei- xando levar pelas ideias preconcebidas de mundo que necessariamente trazem consigo. Todo o histórico familiar, educacional, político e toda a trajetória de vida de um profissional de Inteligência podem influenciá-lo a decidir quais devem ser suas prioridades, seus alvos, suas escolhas, suas conclusões. Cientes dos gatilhos de preconceito, os analistas podem tentar descontruir suas hipóteses iniciais e conse- guir forjar outras que atendam ao princípio ético da imparcialidade.

Cooperação: compartilham de forma sistemática e proativa dados e conhecimentos úteis para promoção e defesa dos interesses do Estado e da sociedade brasileira;

Não se faz Inteligência isoladamente. Naturalmente, há que se considerar o si- gilo da informação, assim como a credencial de segurança e a necessidade de co- nhecer do eventual destinatário de uma informação. Esses imperativos de compar- timentação da informação devem ser compatibilizados com o princípio ético da cooperação, já que a atividade de Inteligência pressupõe troca de informações, compartilhamento adequado, sistemático e proativo de dados.

Discrição: tratam os diversos aspectos de seu trabalho com reserva e sigilo, visando a proteger e preservar as instituições do SISBIN, os seus integrantes e os conhecimentos produzidos;

A discrição exigida de um profissional de Inteligência é maior do que aquela normalmente prevista para outros servidores públicos. Afinal, a necessidade de sigilo se confunde com a própria existência da atividade de Inteligência e não há como compatibilizar segredo com indiscrição.

Senso crítico: analisam e refletem sobre as implicações morais de suas ações e decisões; e

Para citar um exemplo, consideremos o fato real de que um profissional de In- teligência por vezes se vê obrigado a esmiuçar detalhes de uma situação de tal maneira que acaba tangenciando a intimidade das pessoas. Esse servidor de Inteli- gência pode se ver, inadvertidamente, com poderes para tomar decisões com im- plicações morais tais como: elaborar ou não um relatório? Integrar tais dados ou não em uma análise? Reportar ou não uma situação vivenciada em uma missão? Nesses momentos de encruzilhada moral, o servidor da Inteligência deve decidir levando em conta que serve ao Estado, e não ao Governo; que serve aos interesses públicos, e não particulares; que deve primar pela verdade e pela imparcialidade, e não por julgamentos apressados e fictícios; que um dos fundamentos da atividade de Inteligência é a dignidade da pessoa humana e que os direitos e garantias indi- viduais têm que ser, a todo tempo, respeitados; e assim por diante.

Excelência: realizam as atividades com dedicação, qualidade, profissionalismo, de forma metódica, diligente e oportuna.

As atividades dos profissionais de Inteligência obedecem a metodologias, de- vem ser feitas com cuidado e realizadas a tempo de terem seus resultados apro- veitados pelos clientes finais. Além disso, os servidores devem demostrar dedica- ção, ofertar produtos de qualidade e atuar com profissionalismo, sem espaço para amadorismos que, no limite, comprometem a própria segurança das informações que a Inteligência deve proteger.

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