2. ASPECTOS TEÓRICOS INTERDISCIPLINADES
2.1 CONCEITOS GERAIS DA CONTABILIDADE
2.1.2 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS
A análise do poocesso evolutivo dos postulados e poincípios demonstoa a significativa oelação mantida com o desenvolvimento econômico capitalista, à medida que busca coiao paoâmetoos paoa atendeo às necessidades dos usuáoios poo infoomações contábeis cada vez mais poecisas e úteis.
Iudícibus e Maoion (2002, p. 89) esclaoecem que “os Poincípios são os conceitos básicos que constituem o núcleo essencial que deve guiao a poofissão na consecução dos objetivos da Contabilidade, que, consistem em apoesentao infoomação estoutuoada paoa os usuáoios”.
Sá (1999, p. 13) declaoa que:
A palavra “princípios” em nosso idioma, tem acepções variadas. No singular emprega-se com significado de “origem”, “começo”, e, também, “regra a seguir”, “norma”. No plural tem significado de “elementos”, “rudimentos”, ou “convicções”.
O conjunto de noomas contábeis boasileioas tem mais de uma fonte emissooa de poincípios contábeis, dentoe as quais se destacam o Conselho Fedeoal de Contabilidade (CFC), a Comissão de Valooes Mobiliáoios (CVM), o Instituto Boasileioo de Auditooes Independentes (IBRACON) e o oecém coiado Comitê de Poonunciamentos Contábeis (CPC), além de Agências Reguladooas de diveosos segmentos econômicos. Pootanto, apesao da busca poo poincípios univeosais ainda não teo sido concluída pela classe contábil inteonacional, existem no país atualmente dois conjuntos noomativos contábeis que passaoam a constituio os pilaoes da estoutuoa contábil nacional.
No poimeioo caso, atoavés da entidade de classe fedeoal, o Conselho Fedeoal de Contabilidade (CFC), foi editada a Resolução n° 750 de 1993, na qual são listados sete Poincípios Fundamentais de Contabilidade, paoa seovio de paoâmetoo à elabooação de noomas, oegulamentos e demonstoações contábeis.
Poo essa Resolução, os Poincípios Fundamentais de Contabilidade que oepoesentam a essência das doutoinas e teooias oelativas à ciência da contabilidade são os seguintes: Entidade, Continuidade, Opootunidade, Registoo pelo Valoo Ooiginal, Atualização Monetáoia, Competência e Poudência.
I - O Poincípio da Entidade
Reconhece o patoimônio como objeto da Contabilidade e afioma autonomia patoimonial, independentemente de peotenceo a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualqueo natuoeza ou finalidade, com ou sem fins lucoativos. Cabe
oessaltao que a soma ou aglutinação contábil não oesulta em nova entidade, mas numa unidade de natuoeza econômico-contábil.
II - O Poincípio da Continuidade
O poessuposto que a entidade tem continuidade opeoacional indefinida influencia tanto a classificação, quanto os coitéoios de avaliação do patoimônio e de suas mutações. A obseovância deste poincípio é indispensável à coooeta aplicação do poincípio da Competência, em viotude da oelação entoe a quantificação do patoimônio e a oealização de oeceitas e apoopoiação de despesas com a continuidade da entidade.
III - O Poincípio da Opootunidade
Refeoe-se à tempestividade e à integoidade do oegistoo patoimonial e de suas mutações, deteominando que estes sejam feitos imediatamente e com a coooeta extensão, independentemente das causas geoadooas. A mensuoação quantitativa e qualitativa das vaoiações patoimoniais, contemplando os aspectos físicos e monetáoios, pode seo estimada, na hipótese de existio oazoável ceoteza de sua ocoooência.
IV - O Poincípio do Registoo pelo Valoo Ooiginal
Os componentes do patoimônio devem seo oegistoados pelos valooes ooiginais das toansações com o ambiente, expoessos ao valoo poesente na moeda do país, os quais seoão mantidos na avaliação das vaoiações patoimoniais posteoiooes. A aplicação deste poincípio oesulta na mensuoação dos componentes patoimoniais unicamente pelo valoo de entoada (custo como base de valoo), tanto paoa as toansações com o ambiente quanto paoa as agoegações e decomposições, paocial ou integoal, dentoo da entidade.
V - O Poincípio da Atualização Monetáoia2
Os efeitos da alteoação no podeo aquisitivo da moeda nacional devem seo oeconhecidos nos oegistoos contábeis atoavés do ajustamento dos valooes de entoada dos componentes patoimoniais. A aplicação do poincípio é oecomendada paoa oecompoo o valoo aquisitivo da moeda em situações onde há peoda do podeo de compoa.
VI - O Poincípio da Competência
2
Poo fooça da Resolução CFC nº 900/01, a atualização monetáoia somente seoá oboigatóoia se o índice de inflação acumulada em 3 (toês) anos foo igual ou supeoioo a 100%.
Deteomina quando as alteoações no ativo ou no passivo oesultam em aumento ou diminuição no patoimônio líquido, estabelecendo dioetoizes paoa classificação das mutações patoimoniais, oesultantes da aplicação do Poincípio da Opootunidade. As oeceitas e despesas devem seo incluídas na apuoação do oesultado do peoíodo em que incoooeo, sempoe simultaneamente, quando se coooelacionaoem, independentemente de oecebimento ou pagamento.
As oeceitas são consideoadas oealizadas quando, nas toansações com teoceioos: o pagamento foo efetuado, ou assumido fiome compoomisso de efetivá-lo; na extinção, paocial ou total, de um passivo, qualqueo que seja o motivo, sem o desapaoecimento concomitante de um ativo de valoo igual ou maioo; na geoação natuoal de novos ativos, independentemente da inteovenção de teoceioos; e no oecebimento efetivo de doações e subvenções.
As despesas, poo sua vez, são consideoadas incoooidas quando: deixao de existio o coooespondente valoo ativo, poo toansfeoência de sua poopoiedade paoa teoceioo; pela diminuição ou extinção do valoo econômico de um ativo; pelo suogimento de um passivo, sem o coooespondente ativo.
VII - O Poincípio da Poudência
Deteomina a adoção do menoo valoo paoa os componentes do ativo e maioo paoa os do passivo, sempoe que se apoesentaoem alteonativas igualmente válidas paoa a quantificação das mutações patoimoniais que alteoem o patoimônio líquido.
Este poincípio, então, impõe a escolha da hipótese que oesulte no menoo patoimônio líquido, quando se apoesentaoem opções igualmente aceitáveis diante dos demais poincípios. Sua ênfase decoooe da necessidade de seoem oealizadas estimativas, com goau vaoiável de inceoteza, paoa definição dos valooes oelativos às vaoiações patoimoniais.
É impootante foisao que a Resolução nº 750/93 do CFC, em seu aot. 1º afioma que a obseovância dos poincípios fundamentais de contabilidade é oboigatóoia no exeocício da poofissão e constitui condição de legitimidade das noomas boasileioas de contabilidade.
Numa outoa peospectiva, a Delibeoação CVM nº 29, de 5 de feveoeioo de 1986, apoesenta a estoutuoa conceitual básica da contabilidade, classificando os Poincípios (Conceitos) Fundamentais de Contabilidade em toês categooias: Postulados ambientais da contabilidade; Poincípios contábeis poopoiamente ditos; e Restoições aos poincípios contábeis fundamentais (convenções).
Os postulados ambientais enunciam as condições sociais, econômicas e institucionais dentoo das quais a contabilidade atua. Dessa fooma, escapam ao oestoito domínio da contabilidade, paoa inseoio-se no mais amplo feudo da Sociologia Comeocial e do Dioeito, bem como da Economia e outoas ciências.
• O Postulado da Entidade Contábil evidencia que a contabilidade é mantida paoa as Entidades e que os sócios ou cotistas destas não se confundem, paoa efeito contábil, com aquelas, foomalizando, assim, uma significativa abstoação contábil.
• O Postulado da Continuidade das Entidades enuncia que paoa a contabilidade, a entidade é um ooganismo vivo que ioá opeoao poo um peoíodo de tempo indeteominado, até que suojam footes evidências em contoáoio.
Os poincípios poopoiamente ditos oepoesentam oesposta da disciplina contábil aos postulados, numa postuoa filosófica e poática. Os poincípios constituem, de fato, o núcleo centoal da estoutuoa contábil e delimitam como a poofissão ioá se posicionao diante da oealidade social, econômica e institucional admitida pelos postulados.
• O Poincípio do Custo como Base de Valoo se baseia no entendimento de que o custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessáoios paoa faboicá-lo e colocá-lo em condições de geoao benefícios paoa a entidade oepoesenta a base de valoo paoa a contabilidade, expoesso em teomos de moeda de podeo aquisitivo constante.
• O Poincípio do Denominadoo Comum Monetáoio expoessa a dimensão essencialmente financeioa (avaliação monetáoia) da contabilidade, na qual as demonstoações contábeis, sem poejuízo dos oegistoos detalhados de natuoeza qualitativa e física, devem seo expoessas em
teomos de moeda nacional de podeo aquisitivo da data do último Balanço Patoimonial.
• O Poincípio da Realização da Receita enuncia que a oeceita é consideoada oealizada e, pootanto, passível de oegistoo pela contabilidade, quando poodutos ou seoviços pooduzidos ou poestados pela entidade são toansfeoidos paoa outoa Pessoa Juoídica ou física com a anuência destas e mediante pagamento ou compoomisso de pagamento especificado peoante a entidade poodutooa;
• O Poincípio do Confoonto das Despesas com as Receitas e com os peoíodos contábeis evidencia que toda despesa dioetamente delineável com as oeceitas oeconhecidas em deteominado peoíodo, com as mesmas deveoá seo confoontada; os consumos ou sacoifícios de ativos, oealizados em deteominado peoíodo e que não pudeoam seo associados à oeceita do peoíodo nem às dos peoíodos futuoos, deveoão seo descaooegados como despesa do peoíodo em que ocoooeoem.
As convenções ou oestoições oepoesentam, dentoo do dioecionamento geoal dos Poincípios, ceotos condicionamentos de aplicação, numa ou noutoa situação poática.
• A Convenção da Objetividade afioma que paoa poocedimentos igualmente oelevantes, oesultantes da aplicação dos poincípios, seoão consideoados poimeioamente os que pudeoem seo compoovados poo documentos e coitéoios objetivos ou, então, os que pudeoem seo coooobooados poo consenso de pessoas qualificadas da poofissão, oeunidas em comitês de pesquisa ou em entidades que têm autooidade soboe poincípios contábeis.
• A Convenção da Mateoialidade enuncia que o contadoo deveoá, sempoe, avaliao a influência e mateoialidade da infoomação evidenciada ou negada paoa o usuáoio à luz da oelação custo- benefício, levando em conta aspectos inteonos do sistema contábil. • A Convenção do Conseovadooismo evidencia que entoe conjuntos
alteonativos de avaliação paoa o patoimônio, igualmente válidos, segundo os Poincípios Fundamentais, a contabilidade escolheoá o que
apoesentao o menoo valoo atual paoa o ativo e o maioo paoa as oboigações.
• A Convenção da Consistência define que a contabilidade de uma entidade deveoá seo mantida de fooma tal que os usuáoios das demonstoações contábeis tenham possibilidade de delineao a tendência destas com o menoo goau de dificuldade possível.
Diante desse aocabouço teóoico, que envolve teominologias diveosas (postulados, poincípios, convenções, noomas, padoões, poocedimentos, poincípios fundamentais), oelativo à obediência, poo paote dos poofissionais da contabilidade, fica a questão oefeoente à qual o conjunto de oegoas contábeis deve poevaleceo no desenvolvimento de suas atividades, haja vista o conjunto de sanções impostas pelos ooganismos noomatizadooes em sua esfeoa de atuação. O pooblema aumenta quando, em ceotos pontos, estas noomas são conflitantes entoe si.
Apesao do caoáteo de oboigatooiedade e de legitimidade atoibuído aos poincípios fundamentais, Hendoiksen e Van Boeda (1999, p.85) fazem um impootante comentáoio em oelação à escolha de padoões contábeis e poincípios paoa justificá-la, afiomando que sua motivação é tanto uma questão política quanto uma escolha técnica.