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Princípios Facilitadores de uma Aprendizagem Significativa

II. PROJETO PEDAGÓGICO INSTITUCIONAL (PPI)

2.2 Princípios Facilitadores de uma Aprendizagem Significativa

Para uma prática pedagógica eficaz elegem-se alguns princípios facilitadores de uma aprendizagem significativa, objetivo para o qual se voltam docentes e demais agentes educacionais:

a) Uma organização curricular flexível, reflexo da atenção ao contexto do trabalho e das empresas, às demandas sociais e às necessidades dos alunos, requer o tratamento interdisciplinar de conhecimentos e práticas profissionais. A interdisciplinaridade se caracteriza pela abordagem integrada de campos de conhecimentos afins, possibilitando o diálogo entre eles. Assume-se o conhecimento como socialmente construído e historicamente situado. Tem caráter global, tanto nas situações profissionais como nas situações de vida. O recorte de conhecimentos em estratos específicos atende a aspectos de funcionalidade, porém sabe-se que as situações com as quais o aluno se depara solicitam arregimentação de competências, de forma integrada.

b) Descobre-se, na perspectiva da interdisciplinaridade, o caráter global do fenômeno em estudo, rompendo-se a visão fragmentada e estanque. Esse aspecto traz implicações para a prática pedagógica, que poderá se enriquecer com o desenvolvimento de projetos integradores, de pesquisas, de resolução de situações- problema e de desafios.

c) Contextualização: outro princípio orientador de práticas pedagógicas fortalece a aprendizagem significativa e por isso mais duradoura. Contextualizar implica conferir significado a fatos, fenômenos, conhecimentos e práticas, a partir das percepções, conhecimentos e experiências aportados pelos alunos, enfim, às representações sociais que eles trazem. Os conhecimentos prévios são as estruturas de acolhimento de novos conceitos e, por isso, devem ser cuidadosamente investigados pelo professor e levados em conta no momento de construir atividades de aprendizagem.

d) Desenvolvimento das capacidades que sustentam competências: sabe-se que as capacidades são transversais, manifestando-se em uma ou mais

capacidades. Trata-se, pois, de avançar para além do desempenho aparente expresso em tarefas e práticas prescritas, descobrindo e estimulando o desenvolvimento de capacidades que permeiam transversalmente as competências, sabendo-se que elas se aprimoram ao longo da vida.

e) Privilegiar o aprender a aprender, através do estímulo à resolução de problemas novos, à aceitação da dúvida como propulsora do pensar.

f) Aprender significa mais do que reproduzir a realidade, repetir o já estabelecido. A descoberta de novas perspectivas, de soluções ainda não pensadas, a visão inusitada, a atribuição de significados próprios ao que é ensinado indicam que a verdadeira aprendizagem está em curso, pois o conhecimento não deve gerar respostas definitivas, mas questionamentos da realidade.

g) Aproximar a formação ao mundo real, ao trabalho e às práticas sociais através do desenvolvimento de tarefas autênticas que possuem utilidade e significado para o trabalho e para a vida. Tal aspecto poderá se constituir em facilitador da inserção profissional e da manutenção do trabalhador em atividade produtiva, reforçando a sua laboralidade e empregabilidade.

h) Integrar teoria e prática: sabe-se que a prática constitui e organiza o currículo, o que evidencia a centralidade desse aspecto. Por meio de uma visão ampliada do que seja prática profissional e pela oportunidade de colocar em ação o aprendizado, percebe-se a importância de tratar os fundamentos técnicos e científicos e as bases tecnológicas a partir de situações que reflitam os contextos de cada profissão. Cabe ressaltar, igualmente, que integrar teoria e prática não se esgota nas relações que se estabelecem entre as duas dimensões. É necessário ir mais além, através da capacidade que permita ao aluno ter um olhar atento sobre os seus próprios processos de raciocínio. Isso o habilitará a explicitar e avaliar caminhos e alternativas pelos quais optou na resolução de problemas.

i) Avaliação da aprendizagem: vista sob a ótica de função reguladora, diagnóstica, formativa e promotora da melhora contínua, no âmbito do ensino e da aprendizagem.

j) Por fim, deseja-se que a prática pedagógica tenha também presente o valor da afetividade, como condição para uma aprendizagem significativa. Assim, ao lado da seriedade e da atenção que o estudo exige, resguarda-se o espaço da alegria, da convivência, da empatia e da solidariedade no ambiente escolar. Isso

remete, em essência, ao papel fundamental da educação: apoiar a realização de cada um e de todos, através do desenvolvimento da meta competência.

Complementando os dois eixos aqui abordados – formação docente e concepção educacional e metodológica –, destaca-se a importância do ambiente de aprendizagem. As metodologias de ensino e aprendizagem não existem num vazio. Para que produzam os efeitos desejados, requerem um ambiente compatível.

Assim, quando se busca uma aprendizagem significativa, que considere as diferenças individuais, que reflita contextos reais, que privilegie o fazer e o porquê de se fazer de determinada forma, que estimula a criatividade e a autonomia, então se faz necessário que os ambientes escolares correspondam a esses objetivos.

É importante lembrar que, quando se fala em ambiente de aprendizagem, não se está focalizando unicamente a sala de aula convencional, a oficina pedagógica. Múltiplas são as oportunidades de aprender e múltiplos são os espaços de aprendizagem. Pode-se aprender tanto na escola como fora dela, desde que a aprendizagem seja pautada de intencionalidade educativa.

Potencializar o uso dessas diversas possibilidades, recorrendo a outros ambientes, como bibliotecas, espaços da comunidade e das empresas, ambientes naturais, entre outros, alarga horizontes e enriquece a formação.

Algumas características se mostram desejáveis nos ambientes de aprendizagem com os recursos nele presentes:

a) Possibilitar a expressão de diferentes modos de aprender.

b) Flexibilizar o atendimento a demandas e a necessidades individuais de aprendizagem.

c) Expressar, sempre que possível, a complexidade do mundo real empresarial e social.

d) Possibilitar a integração funcional no sentido de que os diversos atores que interagem no processo formativo, em especial os docentes, possam se articular, discutir questões comuns, afinar entendimentos, o que fortalecerá a ação coletiva, quando necessária, e a gestão compartilhada.

Os recursos de diversas ordens presentes nesses ambientes precisam estar sintonizados com as concepções que animam a comunidade escolar, propiciando o desenvolvimento de competências e a formação de cidadãos atuantes, protagonistas de sua história, construtores de um país mais justo.