3. BALANCED SCORECARD
3.7. PRINCIPAIS CRITICAS AO BSC
Apesar da popularidade e da aceitação do BSC no meio empresarial e acadêmico e sua crescente utilização pelas organizações com diversas finalidades, desde a sua criação, o BSC não está imune a críticas, principalmente, da comunidade acadêmica.
A primeira crítica refere-se ao caráter inovador do BSC, bastante questionado, já que as principais ideias utilizadas na sua elaboração estavam presentes em outros sistemas de gestão, como a Administração por Objetivos, de Peter Drucker (1954), no Sistema de Gestão de Desempenho, elaborado pela GE na década de 50, no Sistema de Planejamento e Controle de Gestão, de Anthony (1960) e, principalmente, no sistema francês ―tableau de bord‖, desenvolvido na década de 1930 por engenheiros franceses. Estes tinham ideias semelhantes às do BSC, entre elas, a premissa do uso de medidas financeiras e não-financeiras (BOURGUIGNON, MALLERET; NØRREKLIT 2004; BESSINE; BARKER, 2005).
Essa reivindicação foi aceita por um dos autores, ao afirmar que o BSC foi desenvolvido para fornecer um novo componente de gestão, fazendo ponte entre as diversas teorias existentes na literatura aparentemente conflitantes desenvolvidas de forma isolada (KAPLAN, 2010).
Outra crítica sobre o BSC foi realizada por Nørreklit (2003), ao creditar o sucesso do BSC ao uso da retórica persuasiva e promocional dos seus criadores – David Norton, um conceituado consultor da região de Boston, e Robert Kaplan, professor da Harvard Business School, uma das mais importantes escolas de negócios do mundo –, em vez de sua capacidade inovadora ou consistência teórica.
A descrição da organização realizada no BSC é baseada em uma visão mecanicista que considera o processo de implementação do BSC uma forma linear seguindo as instruções pré- definidas. Porém, como as empresas são sistemas sociais formados por pessoas, a execução das atividades dificilmente será cumprida de acordo com as instruções; por isso, muitas vezes, o processo de implementação e a utilização do BSC não atingem os objetivos definidos.
Nørreklit (2000) chama atenção para a flexibilidade do BSC em relação à inclusão de novas perspectivas, e a não exclusão da possibilidade de utilizar menos perspectivas do modelo. Apesar de os criadores discutirem essa possibilidade, eles não descrevem como deve ser esse processo de inclusão dessas novas perspectivas e nem explicam como serão as relações de causa e efeito entre as medidas com as novas perspectivas.
A falta de sustentação teórica do BSC é uma crítica comum realizada pela comunidade acadêmica alegando a falta de rigor teórico na construção do arcabouço do BSC FREZATTI et al., 2009).
Uma das críticas mais contundentes ao BSC refere-se à existência de uma relação de causa e efeito entre as perspectivas do BSC. Laitinen (1996) (Nørreklit (2000), consideram essa relação problemática e imperfeita e chamam atenção para inexistência de validade empírica que confirma a relação de causalidade existente entre as perspectivas do BSC, por exemplo, entre a satisfação de clientes e resultados financeiros. Para Otley (1999), existem poucas orientações de como construir as relações de causa e efeito entre as perspectivas, gerando simplificações da realidade.
De acordo com Pace e Basso (2001), as relações de causa e efeito propostas por Kaplan e Norton não são determinísticas, por isso, não podem ser rotulado como causais e sim probabilísticas. Uma relação de causalidade deve construir uma relação de assimetria, por
exemplo, a capacitação dos funcionários pode melhorar o índice de refugo, mas o índice de refugo não tem reflexo direto nas horas de treinamento.
Diante das criticas sobre os sistemas de avaliação de desempenho alicerçados apenas em indicadores financeiros de curto prazo e baseado em dados históricos, foram desenvolvidos vários sistemas de avaliação de desempenho, como BSC, Performance Pyramide o Performance Prism,
O BSC é a inovação organizacional desenvolvido para avaliação de desempenho e gestão estratégica mais difundida entre as organizações, consultores e acadêmicos apesar das outras inovações citadas terem os mesmos objetivos e as mesmas caraterísticas.
Nesse sentido, o trabalho utiliza a teoria de difusão de inovação de Rogers (1983, 1995) para analisar o processo de adoção e implementação do BSC em algumas grandes organizações brasileiras selecionadas bem como as consequências da inovação par as organizações estudadas.
O foco na profundidade de implementação da inovação organizacional deve-se aos estudos sobre o processo de adoção e difusão da inovação organizacional dedicar a taxa de inovação de uma organização medidos através do número de inovação adotado pela organização em um determinado período ou na velocidade da adoção da inovação entre as organizações. (DAMANPOUR e GOPALAKRISHNAN, 1998, KIMBERLY e EVANISKO, 1981).
Os estudos em profundidade sobre a implementação de inovações tem sido realizados em inovações tecnológicas e utilizam o número de usuários como medidas para avaliar a profundidade de adoção da inovação.
Os atributos da inovação, as caraterísticas organizacionais, os canais de comunicação utilizada o tipo de decisão o papel dos agentes promotores de mudança e as características internas da organização são utilizadas para analisar o processo de adoção implementação e utilização do BSC nas organizações.
4. METODOLOGIA
O objetivo principal deste capítulo é descrever e fundamentar a abordagem metodológica utilizada no desenvolvimento desta tese. Demo (2001) define metodologia como uma preocupação instrumental, uma das formas de se fazer ciência. Aborda os procedimentos, as ferramentas e os caminhos. A metodologia de pesquisa relaciona-se aos objetivos e à finalidade da pesquisa. Neste capítulo, são apresentadas a classificação da pesquisa, a estratégia de pesquisa, os procedimentos de coleta e a análise de dados.
A adoção de inovação, tema desta pesquisa, tem sido objeto de estudo em várias áreas de conhecimento como: agricultura, geografia, marketing, sociologia, saúde, tecnologia de informação, produção etc. com diferentes abordagens de pesquisas, realizadas tanto de forma qualitativa como quantitativa, utilizando-se de estratégias que incluem pesquisas do tipo exploratórias, estudos de casos (único e múltiplo), pesquisa histórica etc.