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A Análise do comportamento ó uma abordagem psicológica que busca compreender o ser humano a partir de sua interação com seu ambiente, sendo que, ambiente, refere-se ao mundo físico (as coisas materiais), ao mundo social (interação com as outras pessoas), à história de vida de cada um e á interação do indivíduo com ele mesmo (Moreira e Medeiros, 2007).

Para Skinnor (1981), o comportamento não é agressivo devido, simplesmonto, á sua topografia, mas devido ao efeito do comportamento, pois o comportamento só pode ser considerado agressivo se fizer mal aos outros ou ameaçar fazê-lo.

De acordo com Bussab (2000), a agressividade deve ser vista de forma diferente daquela que é veiculada pela cultura, ou seja, deve deixar de ter a conotação de desajustada em si mesma e ser avaliada sempre em relação às situações em que ela se manifesta. Por exemplo, há ocasiões em que sentir raiva por percepção de ameaça e ter comportamento de luta podo ser uma forma apropriada para garantir a segurança, constituindo-se numa forma funcional e necessária para a resolução de problemas.

Na análise do comportamento, parece consenso que o padrão comportamental agressivo na infância é idiossincrático e aprendido. Na Psicologia da Aprendizagem, os determinantes do comportamento antissocial são analisados com o foco nas técnicas educativas, na estrutura familiar e, considerando o grupo social, no processo de socialização, nos maus tratos ou negligência e na influência da cultura. A Psicologia da Aprendizagem atém-se aos efeitos que os distúrbios de aprendizagem, gerados no e pelo sistema educacional, possam vir a ter sobre o desenvolvimento dos referidos comportamentos. As variáveis responsáveis pela origem dos comportamentos antissociais comumente estão associadas ao rebaixamento da autoestima (Gomide, 2001).

As práticas familiares podem ser consideradas como determinantes primários do desenvolvimento do comportamento antissocial. No caso da criança, sugere-se que o principal determinante desse processo é a disciplina parental não efetiva, e no caso do adolescente, esse componente é somado à falta de monitoramento parental (Patterson et al, 1992; Barkley, 1987; Forehand & Wierson, 1993).

A análise de centenas de casos clínicos estudados indicou que os membros familiares, inadvertidamente, provêem contingências reforçadoras para o comportamento infantil coercitivo e falham em prover suporte para os comportamentos pró-sociais. À medida que o problema torna-se mais frequente e mais extremo, generaliza-se para outros ambientes, como a escola e a vizinhança (Patterson, 1986; Patterson, De Baryshe & Ramsey 1989, Patterson, Reid & Dishion, 1992).

O inicio do processo ocorre com uma falta na efetividade parental em disciplinar o filho, favorecendo um incremento nas trocas coercitivas entre criança e demais membros da família. Esta prática leva a criança a descobrir que comportamentos aversivos, tais como choramingar, lamuriar-se, gritar, agredir ou ter acessos de raiva são eficientes para cessar os comportamentos aversivos dos outros membros da família, podendo, além disso, produzir reforço positivo (Patterson, 1986; Patterson, De Baryshe & Ramsey 1989; Patterson, Reid & Dishion, 1992). .

Conte (1996) afirma que o comportamento coercitivo da criança, em alguns ambientes, é reforçado positivamente pelos adultos, uma vez que estes a expõe a uma estimulação aversiva que cessa quando cedem. Por outro lado, o próprio comportamento coercitivo pode retirar a criança da condição de estimulação aversiva à qual está exposta. Muitos jovens com comportamento antissocial foram expostos a pais muito punitivos, negligentes ou muito permissivos, o que pode ter contribuído para modelar o comportamento em questão.

Ainda, no que se refere à família, tem-se hipotetizado que a falta de habilidades dos pais põe em movimento um processo que leva a criança a ser rejeitada por pares, a fracassar academicamente e a ter baixa autoestima. Práticas de disciplina explosivas, nas quais os pais mostram grande irritação, podem interagir com outros fatores para a formação de condutas antissociais. Há uma correlação direta entre o comportamento social dos avós e dos netos, sendo as variáveis mediadoras, neste caso, as práticas de disciplina dos pais. (Patterson, 1986.Patterson, De Baryshe e Ramsey 1989; Patterson, Reid & Dishion, 1992).

Em uma análise mais ampla, problemas econômicos, desemprego, violência familiar e separações favorecem o estresse dos membros da família o podem contribuir para o desenvolvimento de comportamentos antissociais. É sabido que os pais, quando submetidos ao estresse, tendem a ser menos responsivos e mais punitivos com seus filhos (Shaw & Wlnslow, 1997; Patterson, De Baryshe & Ramsey 1989).

Conte (1996) afirma que o estresse vivenciado pelos pais também favorece a disciplina disruptiva, que desencadeia o comportamento antissocial em crianças e afeta mais os indivíduos quo têm dificuldade de manter estilos de paternidade eficiente (por exemplo, se tiveram modelos e vivenciaram interações inaproprladas com seus pais). A pobreza intensifica a probabilidade desta reação em cadeia.

Para Gomide (1996), os ambientes pauperizados e excessivamente povoados, onde as necessidades da população não são satisfeitas convenientemente, são aversivos, em principio. Nesse sentido, esses ambientes seriam fontes produtoras e mantenedoras de comportamentos agressivos, tais como a violência em situações de resolução de conflitos, ospancamentos em crianças e mulheres, brigas violentas entre membros da comunidade, entre outros. Guerra, Tolan, Huesman, Van Acker & Eron (1995) realizaram estudos que demonstram que há uma maior reação de agressividade em crianças pobres, quando comparadas às demais.

Gomide (2001) aponta, também, que o abuso físico, caracterizado por maus tratos, aumenta fortemente as chances de a criança desenvolver repertório agressivo ou antissocial. Este tipo de punição violenta e extremada é, em geral, acompanhado por raiva, com ausência de explicações a respeito da especificidade da punição por parte do agonto punidor.

Para a mesma autora, esta “prática educativa" permite que a criança se perceba um ser ruim e a impossibilita de ter consciência das regras de conduta que deveriam ser seguidas para evitar tal consequência. A partir desta autopercepção, seus comportamentos inadequados agressivos e antissociais podem se tornar manifestos, ou seja, elas aprendem que “seres maus apresentam comportamentos maus".

As conclusões de Conte (1996) são que eventuais atos pró-sociais das crianças, nestas famílias, tendem a ser ignorados. Assim, elas somariam dois problemas: a presença de comportamentos antissociais e a falta de habilidades sociais, ambos limitadores do seu desenvolvimento. A aprendizagem também pode ocorrer em função da exposição a centenas de episódios antissociais, em casa, na escola ou no bairro onde a criança age como observadora ou como um dos personagens envolvidos. Atualmente, a exposição muito longa à violência e à agressão divulgada pelos programas televisivos tem, indubitavelmente, Influenciado na extensão desta aprendizagem. (Eron, 1997; Huesmann, Moise & Podolski, 1997; Patterson, Reid, Dishion, 1992). Segundo o estudo de Gomide (2000), jovens que acabaram de assistir a um filme violento, poderão, resolver seus conflitos familiares, com amigos e na rua, com níveis de violência bem superiores a outros jovens que não estiveram expostos a estes filmes. Assim, a autora sugere que pais, educadores, autoridades e todos aqueles que se preocupam com a violência social devam contribuir com o controle de uma das variáveis responsáveis por esto quadro Sendo assim, a autora alerta que escritores e intelectuais, responsáveis pela programação de TV, conheçam os efeitos que estes filmes causam sobre aqueles que os assistem. Eron (1997) atenta para o fato de que estas aprendizagens podem iniciar-se por observação do modelo e das recompensas recebidas por estos, entretanto, a manutenção destes comportamentos dependerá dos reforçadores recebidos pela emissão do referido comportamento.

Vínculos sociais fortes com pares desviantes também parecem exercer influência no desenvolvimento do comportamento antissocial. Os resultados de estudos longitudinais apontam para a relação entre comportamento antissocial e a variável acima citada (Erickson, Crosnoe & Dorbush, 2000).

Num certo sentido, todas as crianças aprendem sobre comportamento

antissocial. O importante é tentar compreender porque algumas delas emitem comportamentos antissociais com maior froquéncia que outras (Patterson, Reid. Dishion, 1992).

Para Prust e Gomide (2007) a frequência com que são noticiados os envolvimentos de adolescentes em atos antissociais justifica a relevância de pesquisas que visam reconhecer, de forma mais aprofundada, os fatores que influenciam adolescentes a comportarem-se de maneira inadequada.

Considerações finais

Os estudos sugerem uma gradual progressão do comportamento antissocial. Estes comportamentos iniciam-se na primeira infância e vão se agravando com o pas­ sar dos anos. Alóm de o comportamento agressivo adquirir formas mais complexas de manifestações, este pode associar-se a outros comportamentos antissociais mais graves, aumentando em frequência, intensidade e complexidade ao longo do tempo. O comportamento agressivo ó aversivo para as outras pessoas, que, por sua vez, frequen­ temente respondem a ele também com aversividade, gerando uma cadeia autoperpetuadora de controle coercitivo. Sob a perspectiva do comportamento operante, os comportamentos antissociais são aprendidos e selecionados ao longo da história de vida da pessoa. Um requisito básico para prevenir o desenvolvimento de comporta­ mentos antissociais ó o desenvolvimento de um método para identificação do crianças que estejam sob risco de se tornarem adolescentes antissociais crônicos.

A partir da análise da literatura revisada conclui-se que são muitos os fatores que contribuem para a determinação e manutenção dos comportamentos infantis desviantes, assim como sâo muitas as suas manifestações. Para que haja uma atuação adequada diante destes problemas ó necessário definir os comportamentos com os quais se deseja trabalhar e, a partir dal, procurar efetivar o controle sobre as variáveis neles implicadas.

A ausência de regras e valores morais norteadores de vida leva a criança e o jovem a acreditarem que seu desejo precisa ser atendido, mesmo que isso venha a prejudicar o próximo. A aprendizagem e o desenvolvimento de virtudes como justiça, compaixão, generosidade e tolerância são consequências das nossas relações soci­ ais desenvolvidas em nosso ambiente social. Portanto, ações articuladas envolvendo família, escola, igreja e governo são as que, de fato, podem ser efetivas para a aprendi­ zagem dessas referidas virtudes, pois entende-se que, possivelmente, nenhuma ação isolada será totalmente bem-sucedida.

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---Capítulo 15

Práticas culturais envolvendo a criança

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