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Principais dificuldades enfrentadas pela gestão do Mesa Brasil

5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

5.1 Pesquisa qualitativa

5.1.7 Principais dificuldades enfrentadas pela gestão do Mesa Brasil

A seguir estão enumeradas em ordem de importância as principais dificuldades na percepção da nutricionista e da coordenadora.

Com base na percepção da nutricionista e da coordenadora, enumeraram-se no quadro 8 as principais dificuldades encontradas no Programa Mesa Brasil. Foi utilizado uma ordem de importância que considera o número 1(um) como o problema mais grave e o 6(seis) como o menos relevante:

Quadro 7 - Dificuldades do banco de alimentos em ordem de importância

Principais Dificuldades Nutricionista Coordenadora

Equipamentos de movimentação para a

operacionalização do Banco 2 3

Espaço para armazenagem dos alimentos doados 3 2

Pessoal para a operação do programa 1 1

Recursos financeiros para operar o programa 4 4

Sensibilização dos doadores 5 5

Restrições Legais 6 6

Fonte: Elaboração da autora.

Pode ser observado que há uma semelhança na ordem de prioridade que cada funcionária deu para as dificuldades elencadas. Somente em dois itens houve uma prioridade diferente: a nutricionista considerou mais importante os equipamentos de movimentação do que o espaço para a armazenagem. Já a coordenadora considerou o oposto, ou seja, o espaço de armazenagem mais importante.

Tanto a coordenadora quanto a nutricionista acreditam que a maior dificuldade que o Banco de Alimentos enfrenta é a falta de funcionários, principalmente os operacionais. A seguir será discutida a opinião de cada uma delas:

a) equipamentos de movimentação para a operacionalização do Banco

Conforme a coordenadora o Banco de Alimento em Iparana5 terá uma câmera frigorificada e também conseguiram trocar os freezers. Afirmou ainda, que será necessário ter mais carrinhos para a movimentação interno dos alimentos. Já a nutricionista também

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mencionou os carrinhos, entretanto, acrescentou a importância de se obter uma patinha, porque além de diminuir o tempo de descarregamento do caminhão poderia reduzir o custo com recursos humanos.

b) espaço para armazenagem dos alimentos

Para a coordenadora, o espaço de armazenagem dos alimentos não é apropriado para o volume de doações recebidas. Ou seja, quando recebem uma doação em grande quantidade, o Mesa Brasil de Fortaleza tem que solicitar apoio a outras unidades do SESC, geralmente ao SESC de Iparana, onde é disponibilizado um galpão para o armazenamento dos alimentos.

A nutricionista também comentou que a estrutura do Banco de Alimentos não é adequada, enfatizando que o espaço de armazenamento deve ser amplo para que os equipamentos de movimentação, como uma empilhadeira, possam ser usados da melhor forma.

c) pessoal para operação do programa

A coordenação comentou sobre a meta do Programa que se caracteriza por ser crescente. Dessa forma cada ano precisaria de mais colaboradores e que atualmente o Mesa Brasil está trabalhando com uma equipe mínima. Exemplificando, a equipe operacional (sem incluir os motoristas) do Banco de Alimentos deveria ter um total de 18 funcionários. No entanto, só há 9 auxiliares operacionais no Mesa Brasil de Fortaleza.

A coordenadora também mencionou as limitações que o caminhão de grande porte apresenta, já que não é possível transitar em todas as ruas (ela explicou que em alguns casos tem o caminhão disponível, por exemplo, para coletar as doações extras, mas acaba não dando certo utilizá-lo por causa dessa restrição). Dessa forma precisaria de mais um caminhão de pequeno porte e mais um motorista, contribuindo com os cincos que já trabalham no programa, para atender às rotas extras que não são previstas, sem prejudicar as rotas predeterminadas. Por outro lado, a coordenadora alertou para a desvantagem do caminhão de pequeno porte nos casos de uma carga grande a ser recebida dos doadores.

A portaria nº08/2010 da AMC dispõe medida que caminhões com cargas acima de duas e meia toneladas não podem trafegar em determinadas vias de Fortaleza, como algumas ruas do Centro, Aldeota e Meireles, entre as 6h e 20h de segunda a sexta-feira.

A nutricionista comentou sobre a importância de se ter mais funcionários para o melhor funcionamento do banco e destacou que deveria ter mais uma nutricionista no

programa para que uma respondesse pela demanda do trabalho interno (operacionalização do Banco de Alimentos) e a outra na realização do trabalho externo (visitas aos doadores e às associações).

d) recursos financeiros

A coordenadora explicou que a metade dos recursos financeiros do Mesa Brasil é financiada pelo Departamento Nacional e a outra metade pelo Departamento Regional do SESC. Esses recursos são previstos por ano, não tendo como aumentá-los. Ela e a nutricionista comentaram que os recursos destinados ao programa são significativos, porém não tem recursos para contratar a quantidade ideal de funcionários que deveria fazer parte do Banco de Alimentos. Apesar disso, a coordenadora não diria que o Mesa Brasil tem problemas financeiros, já que, exemplificando, quando algum equipamento quebra ou quando não tem dinheiro para a compra de material necessário para a realização de uma oficina, esses problemas são resolvidos pelo SESC.

e) sensibilização dos doadores

A coordenadora explicou que não adianta somente sensibilizar os donos das empresas doadoras, mas também se torna imprescindível sensibilizar os funcionários operacionais dessas empresas que ajudam no repasse dos alimentos para o Mesa Brasil. Afirmando ainda que, devido às inúmeras atividades realizadas pelos funcionários do Banco de Alimentos acabam não priorizando esse trabalho de sensibilização dos doadores dentro das empresas. Concluindo, comentou que se tivesse um funcionário responsável só por essa atividade seria o ideal.

A nutricionista colocou que por mais que o Mesa Brasil não seja fiel ao seu doador, ou melhor dizendo, no sentido de não conseguirem passar em todos os doadores da rota predeterminada, fazer uma visita ao doador e explicar os motivos disso acontecer já resolveria, na maioria dos casos, os problemas ocasionados por essa situação.

f) restrições legais

Para a coordenadora há sim algumas restrições por não existir uma lei no Brasil que ampare o doador. Se existisse a lei, poderia estimular a parceria de mais empresas. Porém, em sua opinião, pelo fato do doador constatar que o trabalho do Banco de Alimentos é bem realizado, aumenta a segurança e a confiança dele em relação ao Programa.

Divergindo um pouco da coordenadora, a nutricionista afirmou que não acredita que as restrições legais desestimulem as empresas a doarem alimentos ou a se tornarem parceiras do Mesa Brasil, porque para ela à medida que o Mesa Brasil recolhe os alimentos nas empresas parceiras, a responsabilidade pela qualidade e pela integridade dos alimentos, que serão repassados para as associações cadastradas, fica sendo do Programa, não mais da empresa que doou.