• Nenhum resultado encontrado

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 IRREGULARIDADE LONGITUDINAL DOS PAVIMENTOS

2.1.3 Principais impactos econômicos da irregularidade longitudinal do

irregularidade, alguns equipamentos foram desenvolvidos e outros aperfeiçoados, desde equipamentos simples até outros mais complexos. Logo, a escolha do equipamento remete então, à disponibilidade financeira, às distâncias a serem medidas, além da precisão e desempenho exigido.

2.1.3 Principais impactos econômicos da irregularidade longitudinal do pavimento

Os pavimentos podem apresentar uma série variada de defeitos, causados por diversas razões que, por sua vez, afetam a serventia, características funcionais e estruturais dos pavimentos, gerando desconforto e interferindo na segurança de tráfego dos usuários (SHRP, 1993). O clima, a solicitação do tráfego, as características dos materiais e os processos construtivos, são alguns dos fatores que podem atuar de forma isolada ou simultânea e causar esses defeitos.

A irregularidade longitudinal é caracterizada como um defeito de classe funcional e está associado à qualidade de rolamento e à segurança do pavimento.

Haas et al., (1994), citam que a harmoniosa dinâmica dos veículos é afetada pelas variadas distorções da superfície, causando desgaste acelerado do veículo e do pavimento, acréscimos no tempo de viagem, além do acréscimo nos custos de combustível e manutenção. Os movimentos e esforços indesejáveis gerados sobre os veículos, como consequência da irregularidade longitudinal, levam também a uma condição de rolamento desconfortável, insegura e antieconômica.

Além de afetar o conforto e a segurança dos ocupantes dos veículos, a irregularidade longitudinal compromete a vida útil do pavimento, uma vez que o efeito dinâmico causado pelos veículos que trafegam sobre a via cresce em valores de irregularidade maiores, acelerando a deterioração da estrutura (BISCONSINI et al., 2015). Esse processo se reflete em custos para as concessionárias e órgãos públicos que administram as rodovias, devido às técnicas de manutenção e reabilitação que precisam ser aplicadas aos pavimentos, de modo a manter a irregularidade longitudinal em níveis aceitáveis de acordo com a classe da via (SAYERS;

KARAMIHAS, 1998). Para a manutenção da irregularidade em níveis aceitáveis, é necessária uma atividade continuada de intervenções

Diante destes fatores que sofrem influência da ação degradante da irregularidade longitudinal, faz-se necessário o levantamento de tal parâmetro no intuito de avaliar as condições superficiais de rolagem do pavimento e indicar medidas na fase de projeto, fiscalização, concepção e posteriormente, na manutenção da rodovia.

Segundo Pinto e Preussler (2002) e Barella (2008), os valores oriundos das medições de irregularidade longitudinal podem ser aplicados como forma de: visualizar, de forma sucinta, a condição da superfície de rolamento; auxiliar na seleção do tipo de intervenção que pode ser empregada para determinada correção de irregularidade; obter, indiretamente, a opinião dos usuários a respeito das condições de rolamento daquele pavimento – estimativa de serventia; servir de parâmetro contratual em concessões de rodovias, obras de construção e de restauração de pavimentos; fiscalizar o cumprimento de um contrato e permitir a aplicação de multas ou bônus, conforme estabelecido entre as partes; subsidiar o cálculo de custos de operação de veículos; ter indícios da condição da drenagem superficial; atualizar e realimentar modelos de previsão de desempenho dos pavimentos; auxiliar na priorização de segmentos a serem alvos de intervenções em face de restrições orçamentárias; e permitir o cálculo de índices específicos que relacionam as características do perfil longitudinal do pavimento com o conforto sentido por ocupantes de caminhões, o custo operacional de caminhões e também com as cargas dinâmicas aplicadas pelo tráfego de caminhões nos pavimentos.

Em síntese, a necessidade do levantamento de dados de irregularidade longitudinal vai ao encontro das demandas de monitoramento da condição superficial para ações gerenciais, avaliação qualitativa das execuções e restaurações dos pavimentos. Pode-se observar ainda, que independente dos objetivos de mensurar o parâmetro de irregularidade, todos remetem de alguma forma ao fator econômico, seja esse incidente diretamente sobre os usuários ou aos gestores públicos e privados da via.

Segundo Barella (2008) as correlações entre a irregularidade do pavimento e o custo operacional dos veículos são mais antigas que as correlações entre a irregularidade e a vida útil do pavimento.

A manutenção dos valores de irregularidade longitudinal dentro de limites aceitáveis pelos usuários está diretamente relacionada com o aumento da economia em termos de custos operacionais, obedecendo a relação direta entre aumento de irregularidade com aumento de custo.

Além dos custos diretos como a manutenção da infraestrutura, pode-se elencar também os custos indiretos, relacionados à diminuição da competitividade do país e elevação dos desperdícios gerados com o aumento desnecessário do custo operacional dos veículos, tais como: suspensão, pneus, manutenção geral, consumo de combustível, velocidade de deslocamento e acidentes decorrentes e influenciados pela qualidade do pavimento (BARELLA, 2008).

Ainda na pesquisa de Barella (2008), um fator contributivo do aumento do custo de manutenção da infraestrutura e dos veículos, é ação das cargas dinâmicas. Uma explicação simples para este efeito é que ao se deslocar sobre uma superfície plana e livre de irregularidades um determinado veículo de carga causa um certo dano sobre a estrutura do pavimento, proporcional à carga aplicada por cada um dos seus pneus. Se esta via possuir irregularidades, o dano causado pela carga será maior na medida em que a suspensão do veículo passa a trabalhar e consequentemente aplica sobre alguns segmentos do pavimento uma carga superior àquela anterior, causando um desgaste maior da estrutura do pavimento e com isso diminuindo sua vida útil, conforme afirma Saleh et al. (2000).

Watanatada et al., (1987), apresentam um estudo brasileiro com dados de custos operacionais relacionados à irregularidade. Para o modelo em questão, foi utilizado como referência um caminhão grande com meia-carga, onde foram avaliados os seguintes fatores:

a) Em relação à velocidade média desenvolvida pelo veículo em um trecho pavimentado em nível e tangente, o modelo prevê uma redução devido à irregularidade de 70 km/h para 50 km/h, para um aumento da irregularidade (QI) de 25 cont/km para 125 cont/km;

b) O aumento no consumo de pneus para a mesma variação de irregularidade chega próximo a 15%;

c) O aumento no consumo de combustível para trechos em nível e em tangente não é muito significativo, porém, para trechos em curva, o valor atinge a faixa em torno de 5%;

d) O aumento no custo de peças usadas na manutenção para a mesma variação de irregularidade é de 150%. O percentual de aumento no tempo de mão de obra necessário à manutenção do veículo também aumenta aproximadamente no mesmo percentual. A depreciação do veículo aumenta em 22%, para as mesmas condições.

Ainda sobre o aumento dos custos operacionais, Paterson (1987) estima um aumento aproximado de 2 a 4% no custo operacional de veículos para cada unidade de IRI acrescentada. O custo operacional, segundo ele, sofre um aumento de aproximadamente 15% entre um pavimento muito bom e um pavimento em situação muito ruim em termos de irregularidade superficial.

Com relação aos acidentes, embora não se tenha uma análise em termos de custos, existem trabalhos como Bester (2003) que indicam que as condições de rolamento de um pavimento podem causar um aumento da ordem de 70% no índice de acidentes rodoviários. Também um estudo divulgado no ano de 2008 pela Southeastern Transportation Center University of Tennessee, em Tennessee no relatório “Effects of Asphalt Pavement Conditions on Traffic Accidents in Tennessee Utilizing Pavement Management System (PMS)” apresenta algumas relações entre a quantidade de acidentes e as condições de irregularidade. O estudo foi fundamentado nas estatísticas de acidentes em uma extensão de 176 km, onde as conclusões foram de que quando se incrementa o IRI de 1,56 m/km para um nível de 1,61 a 3,20 m/km a frequência de acidentes se incrementa em 1,65 vezes.

Uma importante ferramenta de gestão da malha rodoviária, é o HDM-4 (Highway Development and Management Toll), desenvolvido pelo Banco Mundial que possibilita o cálculo da progressão da irregularidade anualmente e realiza avaliações econômicas que relacionam irregularidade longitudinal com os custos operacionais dos usuários da rodovia.

Os dados indicam que além da irregularidade afetar financeiramente as agências de transportes, os efeitos incidem sensivelmente também nos custos dos usuários, dados em termos de custos operacionais dos veículos (peças e combustível).