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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 IRREGULARIDADE LONGITUDINAL DOS PAVIMENTOS

2.1.5 Valores de referência para o parâmetro irregularidade longitudinal

numericamente a condição do pavimento com o conforto ao rolamento, de modo que, o IRI e o conforto ao rolamento são inversamente proporcionais. Quanto menor o índice IRI, maior é o conforto percebido pelo usuário.

A condição da rodovia em função da irregularidade no Brasil, em termos de rodovias federais, é apresentada na Tabela 3. No que se refere às rodovias pavimentadas, os valores de IRI variam desde 1,0 m/km, para pavimentos excelentes e valores superiores a 4,6 m/km para pavimentos em condições péssimas. Já para rodovias não pavimentadas têm-se valores compreendidos entre 3,0 m/km, para condições muito boas, até valores acima de 15,0 m/km em condições ruins.

O parâmetro IRI, se trata de um critério internacional, sendo assim, possível correlacionar e compreendê-lo em todos os países do mundo. No entanto, cada país estabelece o seu limite de aceitabilidade, considerando suas condições particulares. Assim, cada país apresenta uma tolerância em relação ao limite de aceitabilidade da irregularidade para diferentes classes de rodovias e também para decisão de intervenções reparadoras em rodovias recém-construídas ou restauradas (FARIAS e SOUSA, 2002).

Tabela 3 – Classificação de rodovias pavimentadas em função da irregularidade longitudinal

CONDIÇÃO IRI (m/km) QI (cont/km)

Excelente 1 a ≤ 1,9 13 a ≤ 25

Bom >1,9 e ≤ 2,7 >25 e ≤ 35

Regular >2,7 e ≤ 3,5 >35 e ≤ 45

Ruim >3,5 e ≤ 4,6 >45 e ≤ 60

Péssimo > 4,6 > 60

Fonte: Adaptado de DNIT (2006).

Na Tabela 4 são apresentadas as faixas de classificação dos pavimentos quanto à irregularidade longitudinal, em IRI, em função da qualidade do rolamento, para diversos países (adaptado de FARIAS e SOUZA, 2002).

Tabela 4 – Variação da classificação das condições de rodovias, segundo os valores de IRI em alguns países

País Classificação e escala Fonte

EUA Funcional Muito bom Bom Regular Ruim AASHTO (1999)

IRI 0–0,95 0,95–1,5 1,5–2,7 >2,7

Brasil

Funcional Excelente Bom Regular Ruim Péssimo Pinto e Preussler (2001) / DNIT (2006) IRI 1≤1,9 >1,9≤2,7 >2,7≤3,5 >3,5≤4,6 >4,6

Espanha Funcional Excelente Aceitável Regular

Não

aceitável Rios

(1997)

IRI 0–1,5 1,5–2,5 2,5–4 >4

Chile Funcional - Bom Regular Ruim Patiño e Anguas

(1998)

IRI - 0–3 3–4 >4

Uruguai Funcional Muito bom Bom Regular Ruim Patiño e Anguas

(1998)

IRI 0–3,2 3,2–3,9 4–4,6 >4,6

Fonte: Adaptado de Farias e Souza (2002).

As normas brasileiras correspondentes ao parâmetro irregularidade longitudinal dos pavimentos são desenvolvidas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT, antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem DNER). Em termos de normas que abordam o tema e padronizam procedimentos para mensurar e calibrar os sistemas de medição de irregularidade, tem-se as seguintes:

a) DNER-ES-173/86: Método de nível e mira para calibração de sistemas medidores de irregularidade tipo-resposta. Esta norma tem por objetivo definir procedimentos para a execução de nivelamento detalhado de rodovias, visando obter a irregularidade da superfície para calibração de sistemas medidores do tipo resposta.

b) DNER-PRO-164/85: Calibração e controle de sistemas medidores de irregularidade, sistemas integradores IPR/USP e Maysmeter (tipo resposta). Esta norma estabelece as condições para a calibração dos equipamentos medidores tipo resposta de irregularidade dos pavimentos.

c) DNER-PRO-182/94: Medição da irregularidade de superfície de rodovias com sistemas integradores IPR/USP e Maysmeter (tipo resposta). Esta norma fixa as condições exigíveis na realização de medições de irregularidade de rodovias com medidores tipo resposta.

d) DNER-PRO-229/94: Manutenção de sistemas medidores de irregularidade de superfície de pavimento. Integrador IPR/USP e Maysmeter (tipo resposta).

A partir do levantamento realizado das normas nacionais ligadas à irregularidade longitudinal dos pavimentos, constatou-se que: as normas padronizam apenas procedimentos com equipamentos do tipo resposta com preferência pelos sistemas integradores IPR/USP e Maysmeter. São normas antigas, das décadas de 80 e 90, sendo que muitos avanços ocorreram no sentido de mensurar e avaliar tal parâmetro.

Com relação às condições da superfície do pavimento, as normas com especificações de serviços apenas remetem ao valor máximo de 2,7m/km ou 35 cont./km para aceitação. O parâmetro irregularidade longitudinal é abordado de forma breve e superficial na norma DNIT-031/2006 – ES Pavimentos flexíveis - Concreto asfáltico e a norma DNIT 049/2013 – ES Pavimento rígido – Execução de pavimento rígido com equipamento de fôrmas deslizantes.

Tanto a DNIT-031/2006 como a DNIT 049/2013 – ES estabelecem que o acabamento longitudinal da superfície deve ser verificado por aparelhos medidores de irregularidade tipo resposta devidamente calibrados (DNER-PRO 164 e DNER-PRO 182) ou outro dispositivo equivalente para esta finalidade. Ainda, apenas indicam que para a aceitação do serviço, o Quociente de Irregularidade – QI deve apresentar valor inferior ou igual a 35 contagens/km (IRI ≤ 2,7m/Km).

Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que fiscaliza rodovias que se encontram sob concessão privada, determina em sua maioria dos editais de concessão, que se após o período inicial de recuperação da rodovia (aproximadamente 5 anos) o pavimento vier a apresentar o parâmetro IRI superior a 2,7 m/km, é necessário que seja realizada uma intervenção no segmento, caso contrário a empresa responsável pela concessão será multada. Na Tabela 5 por exemplo, são apresentados os valores estipulados no edital da concessão da BR- 101/RJ: trecho Acesso à Ponte Presidente Costa e Silva (Niterói) – Entr. RJ-071 (Linha Vermelha) (Ponte Rio-Niterói) de 2015.

Tabela 5 – Limites estabelecidos de IRI pela ANTT para rodovia BR-101/RJ

FASE Quando Limites de IRI Observações

Inicial Fim do 1º ano IRI≤4,0m/km Para segmentos com IRI>4,0m/km, intervenção imediata.

Recuperação

Fim do 2º ano 35% da rodovia com IRI≤2,7m/km No mínimo 35% Fim do 3º ano 60% da rodovia com IRI≤2,7m/km No mínimo 60% Fim do 4º ano 80% da rodovia com IRI≤2,7m/km No mínimo 80% Fim do 5º ano 100% da rodovia com IRI≤2,7m/km 100%

Manutenção/

Conservação Até o fim da concessão 100% da rodovia com IRI≤2,7m/km

Monitoramento realizado anualmente. Caso do não atendimento, estipulado prazo para atendimento e adequação de acordo com limite estabelecido. Caso do não

cumprimento, aplicação de multa.

Fonte: Adaptado de ANTT (2015).

Analisando os valores determinados pela ANTT e os valores aceitáveis pelo DNIT, conclui-se que para rodovias federais os valores aceitáveis são os limites para que ocorra uma intervenção em rodovias sob concessão, tal fato indica a necessidade do DNIT rever os parâmetros de aceitação de serviço de pavimentação quanto à irregularidade longitudinal.