5. O IVA em Portugal
5.2 Principais regimes legislativos do IVA em Portugal
Atualmente, o IVA no sistema fiscal português tem-se mantido como um grande sucesso, estando em vigor há pelo menos 34 anos. Com a exceção das quotizações da Segurança Social, é considerada a maior fonte de arrecadação de receitas do Estado, durante tanto tempo em vigor já passou por diversas modificações legislativas. Hoje regido pela Diretiva 2006/112/CE, de 28 de novembro, transposta para o ordenamento jurídico Português pelo Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de dezembro, o chamado CIVA, é o diploma principal deste imposto em Portugal. Existe também o regime do IVA nas Transações Intracomunitárias de Bens, o chamado RITI, aprovado pelo DL n.º 290/92, de
54 Basto, José Xavier, “A adoção do IVA – a experiência portuguesa; “30.º Aniversário da entrada em vigor do IVA em Portugal Lisboa, 26 de setembro de 2016”
55 Pelo “Relatório Milka Casanegra, James Duignan (FMI, março de 1982)”.
35 28 dezembro. Este surge como consequência da abolição das fronteiras fiscais entre os países da UE, foram igualmente criadas legislações especiais, nas quais passamos a citar apenas as de maior relevância para não se tornar fastidioso:
Tributação de desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis ( art.º 2.º n.º 1, alínea i, 19.º n.º 1., alínea c, 29.º n.º 15., 36.º n.º 13 do CIVA, Lei n.º 33/2006, de 28 de julho, Ofício-Circulado n.º 30098/2006, de 11 de agosto, Decreto-Lei n.º 178/2006, de 5 de setembro, regime geral da gestão de resíduos, art.º 3.º Anexo E),estava na base desta a aplicação das medidas de proteção para o meio ambiente e o combate à fraude e evasão fiscal.
Regime especial de isenção (art.º 53.º ao 59 º do CIVA);
Regime forfetário para a agricultura, (art.º 59.º a 59.º E do CIVA);
Regime dos pequenos retalhistas (art.º 60.º ao 68.º do CIVA);
Regime de tributação dos combustíveis líquidos aplicável também aos revendedores (art.º 69.º ao 75.º do CIVA);
legislação especial aplicável às transmissões de bens em segunda mão, objetos de arte, de coleção e antiguidades (consta do Decreto-Lei n.º 199/96, de 18 de outubro, transposto da Diretiva n.º 94/5/CE, do Conselho, de 14 de fevereiro de 1994);
Regime aplicável às Agências de Viagens e operadores de circuitos turísticos (consta do Decreto-Lei n.º 221/85, de 3 de julho)
Regime particular do tabaco (consta do Decreto-Lei n.º 346/85, de 23 de agosto);
Regime de IVA de caixa (RIC), este regime veio revogar o regime de IVA de caixa para as entregas nas cooperativas agrícolas, para os transportadores rodoviários de mercadorias e para as empreitadas públicas.
Permite que as empresas entreguem o IVA ao Estado após o recebimento dos valores faturados e não no momento da emissão da fatura, (consta do DL n.º 71/2013, de 30 de maio);
Regime especial do ouro para investimento (consta do Anexo ao Decreto-Lei n.º 362/99, de 16 de setembro);
Regime de renúncia à isenção nas operações imobiliárias (Decreto-Lei n.º 21/2007, de 29 de janeiro).
36 5.3 Uma visão geral sobre o IVA em Portugal
Em Portugal, estão sujeitas ao IVA as transmissões de bens e as prestações de serviços, efetuadas no território nacional a título oneroso por um sujeito passivo agindo como tal, as operações intracomunitárias e as importações de bens56. Estas são tributadas quando localizadas em território português e executadas a titulo oneroso, o artigo 6.º do CIVA considera localizada em território nacional português as transmissões de bens que ao início da operação se encontrem neste território, seja no início da expedição ou do transporte, ou ainda no momento em que se encontre a disposição do adquirente do bem57, já as prestações de serviços são tributadas em Portugal quando a sede, estabelecimento estável ou o domicílio se encontre em território nacional58, estas regras de localização acarretam as devidas exceções.
Existem, entretanto, nestas operações a possibilidade de serem isentas59 em alguns casos, devidamente especificados na lei podendo ser Isenções simples ou incompletas (por não conferirem o direito à dedução do IVA suportado) e as isenções totais ou completas (por conferirem direito à dedução do IVA suportado)60.
São consideradas isenções incompletas por exemplo as transmissões e arrendamento de bens imóveis, as de serviço médico e de ensino, algumas operações financeiras, os serviços de alimentação e bebidas fornecidos pela entidade patronal aos seus empregados, operações de seguro e de resseguro (com as suas exceções)61, as quotas dos organismos sem fins lucrativos, entre outras, estas por sua vez põe em risco a principal característica do imposto, a sua neutralidade.
56 art.º 1 do CIVA,
57 art.º 6.º, n.º 1 do CIVA,
58 art.º 6.º n 6, al. A) e B) do CIVA
59 Palma, Clotilde Celorico, “Introdução ao Imposto sobre o valor acrescentado”; 6.ª edição, 2006, pag.92- 100;
60 art.9.º e 53 do CIVA
61 art.º 20.º, n.º 1, al. B), IV do CIVA,
37 Temos também as isenções totais ou completas (por conferirem o direito à dedução do IVA suportado)62 e agregam o seguinte leque, as transições de bens destinados a ser colocados em entrepostos aduaneiros e fiscais e enquanto bens estiverem sobre o regime suspensivo, as transmissões intracomunitárias de bens, as exportações, operações assimiladas a exportações e transportes internacionais, entre outras.
O CIVA permite que alguns sujeitos passivos ou entidades que desenvolvem operações isentas no âmbito de determinadas atividades, o direito de renúncia à isenção63, sendo que, uma vez exercido tal direito, devem os renunciantes permanecer no regime de tributação, num período mínimo de cinco anos64.
Relevante será referir que os regimes da isenção do IVA seaplicam, quer a pequenas remessas provenientes de países terceiros, quer a mercadorias contidas na bagagem pessoal dos viajantes, desde que se configurem como importações sem carácter comercial, este abrange apenas os cidadãos não pertencentes à UE, e que apenas visitam o país, obtendo assim um reembolso, com as suas devidas especificações, regime este exposto no art. 14.º n.º 1, al B) do CIVA. O regime interno das isenções em sede de IVA, encontram-se no art.º 9.º do CIVA, já o art.º 53.º e seguintes do mesmo diploma, expressa as isenções especiais deste, nele são enumerados diversos requisitos para a sua aplicabilidade65.
O IVA em Portugal dá a possibilidade de dedução do valor do imposto.
Este direito é um grande marco neste imposto pois expressa a neutralidade do mesmo, o direito a dedução surge no momento da exigibilidade do imposto como a parte recuperada pelo sujeito passivo, ou seja, o sujeito passivo que reunir IVA na aquisição de um produto ou serviço, desde que tais operações sejam necessárias para o bom desenvolvimento da atividade económica, dá ao mesmo a possibilidade de deduzir o imposto, mediante regras exposta no CIVA .
62 Art.º 14.º do CIVA e do RITI,
63 Palma, Clotilde Celorico” Introdução ao imposto sobre o valor acrescentado”, 6.ª edição, 2006,
pág. 105- 108;
64 Art.º 12.º do CIVA.
65 Art.º 53.º ao 59.º do CIVA
38 Esta dedução pode ser feita através da subtração ao valor do imposto liquidado, o valor do imposto suportado no mesmo período, e no período de imposto em que se tiverem recebido os documentos onde o mesmo conste, em termos práticos quer isso dizer que o IVA = (Taxa 1 x Valor de venda) – (taxa 2 x valor de compra), o resultado seria o IVA a liquidar, chama-se a isso método subtrativo indireto66.
Fica o sujeito passivo com possibilidade nos casos em que o imposto a deduzir for maior que o imposto a liquidar, de reportar o excesso para o período seguinte, a este chama-se método do reporte67, sendo-lhe dada também a possibilidade de reembolso do valor, dá-se o nome de método de reembolso, tem a sua aplicabilidade quando:
O Crédito persista durante 12 meses consecutivos e o montante seja superior a 250 euros;
Quando, independentemente do período dos 12 meses, haja cessação de atividade, ou passagem a uma situação de prática exclusiva de operações isentas sem direito à dedução, passagem ao regime especial de isenção ou ao regime especial dos pequenos retalhistas, desde que o valor do reembolso seja igual ou superior a 25, bem como quando o crédito a seu favor exceder 3000.
Dentro deste método existe também a possibilidade do ministro das finanças autorizar a AT (Autoridade Tributária) a conceder reembolsos, mediante situações distintas das acima citadas, é, por exemplo, o caso das operações expostas no artigo 20.º n.º 1, al.b) do CIVA, em que o volume de negócios seja composto por estas operações, ou quando a obrigação de liquidar seja da responsabilidade do adquirente.68
Portugal conta com 3 tipos de taxas, tendo uma taxa reduzida, uma taxa intermédia e uma taxa normal. Isso decorre do exposto na Diretiva IVA, que permite aos E.M. ter duas taxas reduzidas não inferiores a 5 % e uma normal superior a 15 %. No entanto, há uma distinção em função da localização em
66 Art.º 22.º n.º 1 do CIVA
67 Art.º 22 n.º 4 do CIVA
68 Palma, Clotilde Celorico, “Introdução sobre o Valor acrescentado”, 6.ª edição, 2006, pág. 120
39 que são aplicadas, variando entre Portugal Continental e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sendo que as taxas aplicadas nas Regiões Autónomas são 30 % mais baixas do que as do continente, possibilidade adquirida das negociações entre Portugal e a CEE, em que ficou acordado um sistema de tributação menor para estas regiões devido aos custos comportados, resultado das insularidades69.
As operações tributáveis em Portugal Continental aplicam-se a taxa de 6 % (taxa mínima) – fazem parte desta taxa, os expostos na lista I anexa ao CIVA –, a taxa de 13 % (taxa intermédia) – fazem parte desta taxa os expostos na Lista II anexa ao CIVA –, a taxa de 23 % (taxa normal), definida em função do seu objeto e do sujeito beneficiário. Quanto às Regiões Autónomas, os Açores têm uma taxa normal de 18 %, uma taxa intermédia de 9 % e uma taxa reduzida de 4 %, e na Madeira, a taxa reduzida é de 5 %, a taxa intermédia de 12 % e a taxa normal é de 22 %70. Atualmente, segundo dados da UE, Portugal tem a 4.ª maior taxa de IVA desta comunidade, ficando atrás da Grécia (24 %), Finlândia (24 %), Croácia (25 %), Dinamarca (25 %) e a Hungria (27 %).
As vantagens do IVA quanto à arrecadação de receitas já é quase indiscutível. Segundo dados do INE, em 2019, o IVA representou 57,9 % das receitas com impostos indiretos. A receita do IVA cresceu 5,4 % (6,3 % em 2018), totalizando 18,8 mil milhões de euros.
«O comportamento da receita de IVA está em grande medida associado ao aumento do consumo privado das famílias residentes, que se fixou em 3,3%
em termos nominais, em 2019, e também ao consumo final de não residentes no território económico (exportações de turismo), que registou um aumento de 8,1%»71.
Vejamos, no entanto, a evolução destas receitas no Estado português desde 1986 ao ano de 2019.
Ano IVA TVH em % em %
69 Palma, Clotilde Celorico, “Introdução sobre o Valor acrescentado”, 6.ª edição, 2006, pág. 116
70 As taxas do imposto em vigor para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira foram aprovadas pela Lei n.º 2/92 de 9 de março, pela Lei n.º 12A/2010, de 30 de junho e pela Lei n.º 55-A/2010, de 31 de dezembro.; n.º 3 do art.º 18.º do CIVA;
71 Estatísticas das Receitas Fiscais 1995-2019, 11 de maio de 2020
40
41
42
Em 2017, a UE viu-se obrigada a efetuar uma reforma, devido a imenso número de perdas de receitas fiscais, que advinham das fraudes em sede de IVA, foi a chamada fraude carrossel. Estima-se que se perdeu mais de 50 mil milhões de euros por ano neste esquema. A criação de medidas que travam estas fraudes, foram algumas implementadas e outras estão em análise como visto no ponto anterior sobre o IVA na UE. Portugal, como membro desta comunidade está totalmente conectado a estas mudanças e tem um carácter obrigatório para as aplicar no seu ordenamento jurídico.
Atualmente, procura-se um IVA mais eficiente, de uma forma simples, de simplificação do IVA (Diretiva 2018/1910 do Conselho de 4 de dezembro de 2018, que altera a Diretiva 2006/112/ no que diz respeito à harmonização e simplificação de determinadas regras no sistema do IVA em matéria de tributação das trocas comerciais entre Estados-Membros), regras sobre a
72Fonte: Autoridade Tributária- Notas: Série PIB nominal: Banco de Portugal (1986 a 1994) e INE (1995 a 2019).
Receita do IVA e da Receita Fiscal Total - DGO (Conta Geral do Estado - diversos anos - e Síntese de Execução Orçamental de janeiro de 2020). (p) – provisório;
https://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/dgci/divulgacao/estatisticas/IVA/Pages/default.a spx.
73 Os Livros Verdes são documentos publicados pela Comissão Europeia destinados a promover uma reflexão a nível europeu sobre um determinado tema;
43 economia digital, sector que cresce de forma exponencial (Diretiva 2017/2455 de 5 de dezembro sobre o IVA no comércio eletrónico). 74
Têm-se visto mudanças satisfatórias nesta comunidade em sede de IVA, e tem servido de espelho para diversos ordenamentos jurídicos, que como tal, têm visto o seu trabalho «facilitado», pois têm apenas que adotar a realidade do país e muitos deles não têm a preocupação em harmonizar ou mesmo a imposição sofrida pelos países pertencentes à UE.
6. O IVA em Moçambique (aspetos gerais)
Moçambique e Angola são países com ótimas relações a nível político e social, foram ambos colónias portuguesas, atingido no mesmo período independência desta opressão colonial75. Segundo a última atualização, o país conta com mais de 30 milhões de habitantes76. Moçambique tem um sistema fiscal «atualizado» para a realidade do país, tem como principais impostos o imposto de selo, imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas (IRPC), imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRPS), Impostos simplificados sobre pequenos contribuintes (ISPC), imposto sobre transferências de propriedade (SISA) e o IVA. Neste estudo, faremos uma sucinta análise em como o IVA funciona neste território, já que tem uma realidade social semelhante à de Angola.
Em 1987, Moçambique teve uma reforma tributária, na qual deu origem a adoção do IVA em 1999. Como sucede em todos os países que decidem sobre este imposto, em Moçambique o IVA foi adotado devido às suas características neutras, a sua enorme capacidade de arrecadação de receitas e ao sucesso deste imposto nos outros países, dando a Moçambique a possibilidade de inclusão no seio da comunidade económica internacional e, claro, devido às suas ligações comerciais internacionais, Moçambique optou por este como forma de tributação indireta deixando para trás os impostos
74 Palma, Clotilde Celorico, “Introdução ao IVA Angolano”, pág. 63.
75A independência de Moçambique deu-se no dia 8 de setembro de 1974 e a independência de Angola no dia 11 de novembro de 1975.
76 Fonte: http://www.ine.gov.mz/
44 cumulativos, passando o imposto de consumo vigente na época a imposto especial de consumo, adicionando o sector do transporte no IVA, e eliminado o imposto de turismo.
O IVA em Moçambique assemelha-se ao modelo da UE. Isso deve-se à vasta influência legislativa adquirida de Portugal, visto que existe uma boa relação entre os dois países. Essa semelhança tem as suas adaptações ao sistema normativo, social e até cultural de Moçambique, o que é o mais lógico a se fazer, pois apesar da influência de Portugal existe uma diferença, económica e cultural bastante assente. Até à data, o IVA em Moçambique é regido pela Lei n.º 13-2016 de 30 de dezembro.
6.1 Características do IVA Moçambicano
O IVA em Moçambique é o imposto geral sobre o consumo, incide em todas as fases do circuito económico, desde o produtor ao retalhista. Segundo o art.1.º do CIVAM de Moçambique, as operações tributáveis em IVA são as transmissões de bens, as prestações de serviços e as importações de bens, operações que se encontram devidamente definidas na mesma Lei n.º 13-2016 de 30 de dezembro, nos art.º 3.º, 4.º e 5.º.
São tributadas quando localizadas em território nacional no exato momento do transporte ou expedição para o adquirente, ou no caso de não haver nenhum dos dois quando é posto à disposição do adquirente. Quanto às prestações de serviço, são tributadas quando o prestador de serviço tenha uma sede, estabelecimento estável ou domicílio em território nacional, onde os serviços forem prestados, como o exposto no art.º 6 do CIVAM. Como forma de resolução de conflitos em termos de tributação internacional, Moçambique optou pelo princípio da tributação no destino para as operações internacionais, ou seja, exclui-se por completo o país da origem do produto, dando preferência ao país onde ocorre o ato de consumo.
É aplicada uma taxa única de 17 %, serviços há, como é o caso dos bancários, alguns serviços de saúde e educação que se encontram isentos, e uma taxa 0 % para as exportações de bens e serviços. (art.º 17.º do CIVAM).
45 6.2 Dedução
O direito a dedução em Moçambique surge, de acordo com o art.º 21.º, n.º 1 do CIVAM no período em que o imposto se torna exigível, ou seja, no exato momento que os fornecedores faturam o preço dos bens ou serviços.
Este direito, em regra geral, é conferido ao sujeito passivo, nas aquisições de bens e serviços feitas a outros sujeitos passivos, o direito a dedução ocorre quando estes bens e serviços se encontram diretamente ligados ao exercício da atividade. São suscetíveis ao direito a dedução, o imposto suportado nas importações de bens, impostos pagos pelas aquisições de bens expressos no art.º 6 ,n.º 7 do CIVAM, o imposto pago como destinatário de operações tributáveis efetuadas no território nacional por sujeitos passivos estabelecidos no estrangeiro, quando estes não tenham um representante legal e não tenham faturado o imposto, o imposto suportado nas reparações, manutenção, ou outras prestações de serviços, no caso dos revendedores de bens em segunda mão.
O exercício a dedução deste imposto, acarreta muitos requisitos, sendo eles conectados aos sujeitos passivos ou ainda aos tipos de despesas, estes distinguem-se em objetivos e subjetivos e estão incorporados na lei do CIVAM, a título de exemplo temos o expresso no art.º 19.º e o art.º 27.º, n.º 5, deste diploma. 77
De acordo com o art.º 21.º n.º 2 e 3, a dedução deve ser efetuada na declaração do período em que se tiver verificado a receção das faturas, do documento equivalente ou bilhete de despacho do IVA que fizer parte das declarações de importações, este direito pode então ser usufruído pelo sujeito passivo noventa dias após a exigibilidade do imposto.
Existe uma margem para a exclusão deste direito. Para isso, o legislador fez uma minuciosa distinção entre as despesas de âmbito profissional e as que estão ligadas à atividade profissional, art.º 20.º do CIVAM,
77 Art.º 18 do CIVAM, Palma, Clotilde Celorico,” Introdução ao Imposto sobre o Valor Acrescentado Moçambicano, pág. 142- 143;
46 podemos ver uma clara exclusão, nos casos em que as despesas sejam para divertimento e luxo.
Moçambique apoia-se em métodos para poder processar este direito a dedução de uma melhor forma, e para isso o temos o método de reporte, é o escolhido, este método permite ao sujeito o reporte do imposto em excesso para o período de tributação seguinte, nos casos que o imposto a deduzir seja superior ao imposto liquidado, conforme exposto no o art.º 21 n.º 4 do CIVAM, existe também o método de reembolso que deixa margem para ser efetuado um reembolso total ou parcial de acordo com o art.º 21 n.º 5, 6 ,7 e 8, do CIVAM, o n.º 6 deste artigo explica quais os casos em que o sujeito pode solicitar o reembolso, são então:
Se verifique cessação de atividade;
O sujeito passivo passe a enquadrar-se no n.º 3 do art.º 25.º do CIVAM (sujeitos passivos que praticam exclusivamente operações isentas de imposto), ou enquadrar-se nos casos dos art.º 35.º e 42.º do CIVAM (ou no regime de tributação simplifica ou isenção);
Quando o valor do crédito de imposto exceda o limite a fixar por legislação a regulamentar.
Tendo de ser efetuados no prazo de trinta dias a contar da data de apresentação do pedido, por cada mês ou fração de atraso cometido pela administração fiscal é acrescido a quantia do reembolso juros liquidados por solicitação, esta matéria é regulamentada em legislação especial78.
Tendo também o método subtrativo indireto, este método permite a subtração do valor do imposto dedutível ao valor do imposto devido, ou seja, o sujeito passivo retira o valor que tem de deduzir do valor que é devido, realizado em cada período de tributação79. Os métodos da afetação real e do pro rata ou da percentagem de dedução são usados para o exercício deste direito, para os sujeitos passivos mistos80, conforme art.º 22.º do CIVAM.
78 Lei n.º 2/2006 de 22 de março; art.º 21.º n.º 8 e 10 do CIVAM;
79 Art.º 21, n.º 2 do CIVAM
80Empresas com atividades económicas distintas;
47 6.3 Isenção
Devido ao nível económico da população, Moçambique tem um vasto número de isenções, não só no CIVAM mas também no seu código de benefício fiscais, variando desde bens de necessidades básicas a isenções nas importações. Estass por sua vez, limitam o universo de contribuintes do regime normal, fazendo com que o número de beneficiário do regime específico seja maior que o do regime normal, reduzindo o poder de arrecadação de receitas deste imposto. À semelhança de Portugal, não é necessário um pedido do sujeito passivo para serem aplicadas isenções nas operações internas, pois
Devido ao nível económico da população, Moçambique tem um vasto número de isenções, não só no CIVAM mas também no seu código de benefício fiscais, variando desde bens de necessidades básicas a isenções nas importações. Estass por sua vez, limitam o universo de contribuintes do regime normal, fazendo com que o número de beneficiário do regime específico seja maior que o do regime normal, reduzindo o poder de arrecadação de receitas deste imposto. À semelhança de Portugal, não é necessário um pedido do sujeito passivo para serem aplicadas isenções nas operações internas, pois