CONTRASTES RADIOLÓGICOS
PRINCIPAIS USOS:
As preparações com sulfato de bário são utilizadas para radiografias contrastadas do trato gastrointestinal. Esta manobra é empregada numa tentativa de revelar:
a. Obstrução do trato alimentar por certas causas como corpos estranhos não radiopacos (borracha, tecidos, etc.), massas tumorais ou estenose do trato;
b. Distorções da parede do trato alimentar (dilatações esofágicas, dilatação do estômago conseqüente à estenose pilórica, etc.);
c. Lesões da parede do trato alimentar (neoplasia, úlceras, etc.);
d. Deslocamento do trato alimentar devido à presença de massas intra-abdominais ou associado à ruptura do diafragma;
e. Trânsito alimentar anormal.
a. Esôfago:
A pasta é a preparação ideal para a visualização deste órgão, pois devido à sua viscosidade, ela adere à mucosa esofágica por um período maior e fornece um tempo prolongado para a avaliação radiográfica. Deve ser fornecido ao animal de 10 a 30 ml do sulfato de bário em pasta, via oral. Se há suspeita de dilatação esofágica, uma pequena quantidade de alimento enlatado canino deve ser misturado com ¼ de seu volume da suspensão de sulfato de bário e fornecida ao animal. Esta técnica irá demonstrar o grau de dilatação esofágica e a capacidade funcionante do esôfago.
b. Estômago:
A gastrografia é usualmente feita como parte de um exame gastrointestinal superior, mas a radiografia contrastada do estômago pode ser realizada como um estudo independente, se estiver indicada clinicamente. A dose recomenda é de 10 a 12 ml/kg de peso corporal via oral, da suspensão de sulfato de bário micropulverizado na concentração de 15 a 30 %. Se for utilizada a técnica de duplo contraste, deve-se utilizar 2 a 4 ml/kg da suspensão de sulfato de bário micropulverizado a 100 %, seguido por 10 a 20 ml/kg de ar. Os meios de contraste devem ser administrados com o auxílio de uma sonda gástrica.
c. Intestino delgado:
Para promover uma boa passagem por esta região, o sulfato de bário deve ser administrado numa concentração de 20 a 25 %, na dose de 10 a 12 ml/kg, via sonda gástrica. As radiografias devem ser realizadas em decúbito lateral direito e dorsoventral imediatamente após a administração do contraste, e repetidas aos 30, 60, 120, 180 e 240 minutos, para acompanhamento do trânsito intestinal.
d. Intestino grosso (enema de duplo contraste):
O cólon pode ser avaliado examinando as radiografias do período final de uma série contrastada do TGI superior. Nestes casos, entretanto, o cólon não se distende suficientemente para que se possa avaliá-lo de maneira precisa. Para animais com suspeita de alterações no intestino grosso, o enema de bário é a técnica de contraste mais indicada. Após a limpeza do cólon com um enema de água morna, introduz-se uma suspensão de
sulfato de bário a 15 % na dose de 10 a 20 ml/kg ou até encher o cólon, usando um catéter retal com manguito inflável. Após enchimento do cólon, o material de contraste é removido através do catéter, e preenchido com um volume de ar igual à quantidade de material de contraste recuperado. Esta técnica fornece uma opacificação com duplo contraste do cólon, fornecendo radiografias de excelente visualização deste órgão.
3. PREPARAÇÕES IODADAS HIDROSSOLÚVEIS:
As substâncias deste grupo são preparados de iodo que, sendo hidrossolúveis, são absorvidas e eliminadas após sua introdução no organismo. Os agentes pertencentes a este grupo devem apresentar as seguintes características: (a) Serem inertes farmacologicamente; (b) serem hidrossolúveis o bastante que permitam ser injetados via intravenosa em elevadas concentrações; (c) serem quimicamente estáveis para que o iodo não seja liberado no organismo; (d) serem rapidamente excretados pelos rins; (e) terem baixa viscosidade que permita uma rápida administração intravenosa através de um catéter; e (f) terem baixa toxicidade e serem pouco irritativos, para que um grande volume possa ser utilizado.
O primeiro meio de contraste iodado foi produzido em 1928. Durante a década de 50, alguns agentes de contraste foram produzidos, sendo eles primariamente iônicos, de elevada osmolaridade e derivados tri-iodados do ácido benzóico. Os principais representantes deste grupo são os sais iodados derivados do diatrizoato, iotalamato e metrizoato. A administração intravenosa destes meios de contraste pode em alguns casos causar efeitos adversos, como aumento da viscosidade sanguínea, irritação endotelial, hipervolemia, vasodilatação, edema, depressão miocardial, vômito e convulsão. Como os animais geralmente se encontram anestesiados para este procedimento, estes sinais podem ser mascarados. Os efeitos adversos são resultantes da hiperosmolaridade destes agentes, e novos meios de contraste foram introduzidos para reduzir os efeitos indesejáveis. Estes novos agentes têm baixa osmolaridade e são divididos em dois grupos, iônicos e não iônicos. Os primeiros a serem descobertos foram os não iônicos metrizamida, iopamidol e iohexol e, devido à ausência de cargas elétricas, eles podem ser utilizados em mielografias. A metrizamida tem como inconveniente a necessidade de ser preparada antes de seu uso, pois é instável em solução. Além disso, deve ser mantida em refrigeração e é a mais cara dos três. O iopamidol e o iohexol são atualmente largamente utilizados na medicina veterinária. Posteriores pesquisas desenvolveram um composto iônico de baixa osmolaridade combinando 2 anéis de ácido benzóico tri- iodado em um dímero, o ioxaglato. Este agente por ser iônico, não deve ser utilizado para mielografia. Recentes investigações levaram à obtenção de compostos não iônicos de terceira geração, o iodixanol e o iotrolan. Eles têm uma viscosidade elevada devido ao grande tamanho de suas moléculas. A viscosidade pode ser reduzida aquecendo esses compostos a 37 ºC. Devido ao elevado custo destes agentes de contraste de terceira geração, eles têm seu uso limitado na medicina veterinária. As principais preparações comerciais de agentes iodados hidrossolúveis estão descritos na tabela 2.
A concentração dos agentes iodados no plasma é dependente do tamanho corporal, da dose e velocidade de administração. Os níveis plasmáticos máximos ocorrem imediatamente após a administração intravenosa. A filtração glomerular sem reabsorção tubular é o principal meio de eliminação destes agentes do organismo. Apenas 0,5 a 2,0% da excreção ocorre via hepática, através da bile. Em condições de obstrução ou insuficiência renal, a eliminação do agente via hepática se torna aumentada.
Tabela 2. Principais preparações comerciais com agentes iodados hidrossolúveis Nome Químico Nome Comercial Laboratório Diatrizoato de meglumina Reliev 60 % Darrow
Hypaque 60 % Sanofi Diatrizoato de sódio Hypaque 50 % Sanofi Hypaque M-75 % Sanofi Diatrizoatos associados Hypaque M-76 % Sanofi
Pielograf Darrow Plenigraf Darrow Iodamida Uromiron Schering Iopamidol Iopamiron Schering
Iohexol Omnipaque Sanofi Ioxaglato Hexabrix 320 Guerbet
PRINCIPAIS USOS: