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PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS

4.3 Principais Usos dos Interferentes Endócrinos

Bisfenol – A, dos quais se destacam pela quantidade detectada: (1) sedimentos aquáticos – de 1,4 a 140 ppb; (2) solo – de 4 a 14 ppb; (3) esgoto – de 0,0036 a 50 ppb, além de recursos subterrâneos, água potável, águas superficiais e alimentos (EPA, 2010).

No solo, tais compostos podem ser susceptíveis à fotólise, que como consequência mudam a estrutura da molécula, porém sua degradação está condicionada a três fatores principais: (1) condição aeróbia, (2) atividade da água nos interstícios do solo e (3) quantidade de matéria orgânica; sendo tal degradação inibida quando da condição de anaerobiose (TOXNET, 2016). Para o Bisfenol - A, a tendência é que ocorra adsorção por materiais particulados, além de demonstrarem potencial para bioconcentração (RAIMUNDO, 2007).

A presença de IE no solo vem chamando atenção uma vez que concentrações importantes são encontradas em lavouras e plantações: Careghini et al. (2015), alerta que a contaminação do solo é proveniente, provavelmente, do uso de biossólidos e água residuária tratados nas atividades agrícolas, e que tal uso deve ser precedido de estudos específicos para uma melhor compreensão do transporte dos poluentes nas partes comestíveis do cultivar e dos possíveis riscos devido ao seu consumo; para isso os autores recomendam que novas tecnologias de tratamento de água devem ser pesquisadas a fim de evitar a contaminação de outras matrizes ambientais.

4.3 Principais Usos dos Interferentes Endócrinos

 

Os compostos 4 – Nonilfenol, 4 – Octilfenol e Bisfenol - A estão envolvidos em inúmeros processos industriais devido a grande aplicação como matérias-primas.

Dentre eles, o Bisfenol - A é considerado como a substância química de maior produção ao redor do mundo, cuja demanda aumenta a cada ano: 2,7 milhões de toneladas em 2003 (VOM SAAL e WELSHONS, 2006); 3,9 milhões de toneladas em 2006 e 5 milhões de toneladas em 2010 (FLINT et al., 2012). Em 2010, a demanda americana e canadense por surfactantes etoxilados (Nonilfenol e Octilfenol) foi de 380 a 400 milhões de quilos (EPA, 2010).

Essa grande produção está diretamente relacionada com a exposição dos seres humanos, pois uma pesquisa mostrou que a presença de Bisfenol – A em humanos é muito frequente: cerca de 92% do universo amostral (formado por população americana de diversos grupos sócio-econômicos) apresentou o IE em amostras de urina, ainda que em concentrações

consideradas baixas (CALAFAT et al., 2008). A USEPA (2010) alerta para relação entre a grande demanda dos surfactantes e seu poder de disseminação em ambientes aquáticos, já que principalmente o Octilfenol, são substâncias com alto poder de persistência e toxicidade, e sugere alternativas para o seu uso, com detergentes que utilizam em sua composição substâncias seguras sem perder o desempenho. Os principais usos desses compostos estão relacionados no Quadro 4.2.

Quadro 4.2: Principais Usos dos Interferentes Endócrinos

Fonte: TOXNET (http://toxnet.nlm.nih.gov/)

INTERFERENTES

ENDÓCRINOS PRINCIPAIS USOS E APLICAÇÕES

4 – NONILFENOL

(EPA, 2010)

a) Produção de material fenólico; b) Aditivo e estabilizante plástico; c) Surfactante não iônico aplicado em:

- Detergentes diversos de uso doméstico e industrial; - Cosméticos, - Agrotóxicos, - Emulsificantes, - Desengordurante, - Dispersante de óleos, - Adesivos, - Lubrificantes,

- Processos de formulação de papéis; - Tintas e corantes.

4 – OCTILFENOL

(TOXNET, 2016)

d) Plastificante; e) Anti-oxidante; f) Aditivos para resinas;

g) Surfactante não iônico aplicado em: - Agrotóxicos (bactericidas e fungicidas), - Lubrificantes, - Adesivos, - Emborrachados, - Corantes. BISFENOL - A (TOXNET, 2016)

a) Formulação de resinas do tipo epóxi;

b) Produção de monômeros de policarbonatos aplicados em diversos tipos de plásticos como mamadeiras, garrafas, recipientes alimentícios, revestimento de latas etc.;

c) Aditivos de resina de poliester-estireno insaturada; d) Emborrachados;

e) Retardador de chama; f) Fungicidas;

4.3 Exposição aos Interferentes Endócrinos e Contaminação Ambiental

 

Os compostos com atividade endócrina têm sido considerados como possíveis responsáveis por disfunções endócrinas descritas em animais e seres humanos, como: diminuição de número de espermatozóides, aumento da incidência de câncer e de malformações congênitas no sistema reprodutor masculino (HESS, 2010).

As principais rotas de entrada dos IE na saúde humana incluem, principalmente, a exposição do trabalhador durante a fabricação e produção desses compostos e a ingestão por meio de alimentos e águas contaminados (TOXNET, 2016). No entanto, Bila e Dezotti (2007) consideram que a exposição doméstica, como o uso dos detergentes, cosméticos e produtos de higiene pessoal, e ainda o consumo de alimentos contaminados com agrotóxicos são outras importantes fontes de contaminação. Além disso, os autores consideram que os efluentes de ETE são uma fonte de lançamento de substância estrogênica no meio aquático. No consagrado livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson (1962), o advento do uso de agrotóxicos foi considerado como a primeira grande exposição dos seres humanos a substâncias químicas nocivas, pois sua distribuição quer seja por via biótica (acumulativa) ou abiótica (ar, água e solo), foi tão intensa que tais substâncias são encontradas nos locais mais remotos do globo e nos mais diversos seres vivos. A diminuição da capacidade reprodutiva de várias espécies de pássaros foi descrita no livro, como consequência da presença do agrotóxico DDT nos testículos dos machos, nos óvulos, ovidutos e ovários das fêmeas, nos embriões e pássaros recém-nascidos, sendo essa uma das primeiras considerações sobre os IE.

Ademollo et al. (2008) ao investigarem a presença de Nonilfenol e Octilfenol no leite materno de mães italianas, observaram que apesar dos valores encontrados de Nonilfenol (3.9 g.kg-1.dia) estarem abaixo do estabelecido pelo Danish Institute of Safety and Toxicology (5 g.kg-1) existe uma correlação entre a dieta alimentar dessas mães, que consumiram peixe marinho nos últimos meses. Esse fato indica haver uma provável contaminação por esses compostos nas águas do mar.

Considerando que essas substâncias possuem efeito cumulativo, a ingestão de frutas e verduras irrigados por água contaminada pode representar um risco para a saúde humana. Em estudo realizado com alface e couve irrigados com água sintética previamente contaminada por Bisfenol – A e Nonilfenol, constatou-se que as concentrações encontradas após 21 dias de cultivo em hidroponia, embora baixas, estavam presentes muito mais nas