2.1.2-0 PRINCIPAL E 0 SUBSIDIARIO NA
incorporando elementos poHticos
a
sua avalia<;ao da obra do mesmo au tor (em bora se tratasse de urn outro livro do mesmo "Historia Geral do Brasil"), posicionamento coerente com o novo momento do autor, aquela epoca professor do ISEB e adepto do rnarxismo e que ficaria claro nestas linhasArrolamento copioso de acontecimentos, a narrativa de Varnhagen se ressenle, a/em, de tudo, da ausencia de simpatia para com as manifestar;~es mais lldimas do sentimento popular brasileiro. tendo ainda, como aspecto negativo, o distanciamento de qualquer analise me nos superficial. Conquanto importante, na fase em que apareceu. pela nossa informativa e como representante de um estudo de conjunto, perdem Iugar e descaiu uma vez que as suas qualidades foram superadas pelo tempo(/960,206).
0 autor concluia o julgamento afrrmando que tal obra deveria ainda ser consultada, afirmando que as notas redigidas por Capistrano de Abreu e Rodolfo Garcia, ern edi<;ao atualizada, irnprimiam
a
obra de Vamhagen urn novo rolego. Devemos ainda sublinhar que as obras do historiador do Imperio foram citadas como principais nas seyoes em que elas foram incluidas24.Ao comentar algumas obras de Capistrano de Abreu, na 13 edi9ao do livro em questao, Sodre tratou o discipulo de Varnhagen de forma elogiosa, especiaJmente a fundamenta<;ao de seus argumentos, calcados em profundas pesquisas; sobre o livro 0 Descobrimemo do Brasil (1929), escreveu
24 0 julgamento sobre a obra de Vamhagen apresentado na 5• edi~o. repete o conteudo da 2" edi~o.
/'rata Q assunto como o podia fazer Capistrano de Abreu, com erudi~iio,
com a seguranr;a do conhecimento alicerr;ado em decenios de estudo paciente e de pesquisa beneditina. Foi Capistrano, sem dtlvida, w11 mestre da historiograjia brasilelru [. . .]A obra em si,
e
de um valor inestlmavel (Ibid, 25).A respeito do livro de Capistrano Capitulos de Historia Colonial Sodre expressou altos elogios concluindo que pela a~:udeza de suas interprelafoes e pelo cuidado com que soube discriminar os fatores essenciais da tare.fa coionizadora sob esse sistema { .. / ojerece recursos inestimirveis ao estudioso, impondo-se sua consul/a (lbid,54)i sobre Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil (1930), do mesmo autor, Sodre tra90u outra nota elogiosa. aftrmando ser a obra das mais preciosas e concluiu qualificando Capistrano como .figura insubstituivel no trabaiho de investigac;ao historica em nosso pais (Ibid,64,65).
Na 28 edi9ao, o historiador ja nao rendia a Capistrano as g16rias de Mestre da historiogrqfia brasileira, guardando somente alguns elogios para a obra Capitulos da Historia Colonial
Da obra de Capistrano de Abreu{. .. / esta
e
a em que se realizou. aquela em que demonstrou melhor as suas caracteristicas. Por isso mesmo, e faci/ verificar a amplitude de seus conhecimentos. a capacidade para apreciar os detalhes e para situa-los no conjunto, o conhecimento da documentar;ao de arquivos, e pesquisa paciente e demorada. Mase
tambemfacil de verificar que. a ril{or. Capistrano niio acrescenta ao tratamento da Historia Brasileira nenlwm elemento fundamental, niio a i/umina pel a aplicaqi1o de um metodo. ni1o a esclarece pel a revisiio dos Jaros. quanta contezido destes. Ha mesmo, em sua obra melhor, preconceitos, distorflJes, repeti~iiode velhos erros dejulgamento, nmissoes lamenttiveis. (ibid,207)
Apesar das restri9oes, Sodre concJuia que tal obra era de consulta obrigat6ria, como trabalho de sintese de urn periodo. Na 58 ediyao, o nosso historiador repete os mesmos
julgamentos explicitados na 2n, mantendo, inclusive, as obras de Capistrano entre as prmc1pa1s.
Passaremos agora as observayoes do autor em questiio sobre o ensaismo iniciado na decada de 1920 e que se mantem ate a decada de 1960 e que se caracterizou pel a busca de sinteses interpretativas sobre o Brasil, sua hist6ria~ cultura, politica, sociedade, economia, pensamento. Se as obras dos dois historiadores ja citados foram criticadas por representarem uma concep<;ao de hist6ria essencialmente normativa, factual, destituida de ambiyaO interpretativa e de metodo, agora OS elogios e/ou criticas deveriam se referir as interpreta9oes dos autores e, portanto, as posiyoes de Sodre apresentam maior interesse, na medida em que ele, principalmente a partir da 28 edi<;ao, ja se apreseotava como urn historiador cujo estilo e interpreta9ao estavam plenamente caracterizados.
Comeyaremos com as observa9oes do autor sobre o ensaista flumineose Oliveira Vianna. A personalidade e obra do mesmo tinham sido objetos de analise realizada por Sodre em 1942, no livro Orienta9oes do Pensamenlo Brasi/eiro, cujo conteudo foi, em geral, elogioso, simpatico. Na 1° edi9ao da obra em questao, coerente com as posiyoes defendidas em 1942, Sodre comentou os livros de Oliveira Vianna, 0 Ocaso do Imperio ( 1926) e Popula9oes Meridionais do Brasil (I 920); ambos foram elogiados, sendo que, ao ultimo, nosso historiador dispensou urn tratamento especial, analisando o seu impacto na vida intelectual brasileira
Estudando as populat;iJes rurais do centro-sul-paulista, jluminenses, mineiros - deu-nos Oliveira Vianna uma obra que tem sido disclltida mas que, inquestionavelmente, abriu c/areiras no plano dos estudo.'i de psico/ogia social. A repercussifo da obra [ ... ] resultou niio soda autoridode do au tor no assunto como cia maneira pela qual o apresentou, narrando~o com clareza de escrilor de primeira ngtta. Popular;iJes Meridionais do Brasil pennanece uma obra de COilS/lito incli.~pensiwel
a
compreensiio dos motivos form adores da nacionalidade (1945. I 77)A 28 edi9ao do livro precede em urn ano a publica~iio de outra obra de Sodre A Jdeologia do Colonia/ismo (1961) quando entao o historiador fulminou as obras do escritor
fluminense; todavia, coerente com o estilo que ele adotou no 0 Que se Deve Ler15., ele procurou apresentar a obra de Oliveira Vianna sem utilizar o arsenal mobilizado no livro de I 961. Criticando a ausencia de historiciza9ao em Popular;oes Meridionais do Brasil, a apologetica facil do que denomina aristocracia mral, Sodre ainda assim considerava que
tal obra deveria ser consultada com espirito critico e cotejada com outras interpretayoes.
Entretanto, em outra se9ao do mesmo livro, ele voltaria as Popular;oes Meridionais do Brasil para critica-la mais profundamenle procurando situar o livro como indice de
preconceitos e de ausencia de fundamenta9ao cientifica
Em Oliveira Vi anna, a nota dominante e a .fm>cinafiio pelo que aprecia denominar aristocracio rural, a que empresla virtudes e qualidades excepcionais, fazendo toda a historia derivar daquelas fontes senhoriais. Trata-se de uma obra em que predominam, de forma uni/alero/, ou total, preconceitos raclais, apresentados como materia cienlljica, quando ja desacreditados no seculo passado em todos os centros de pesquisa. A antropologia de Oliveira Vionna assinala. na realidade, o sentido apologelico de sua obra, em que o povo brasileiro
e
apresentado como patuleia de meslifOS, tudo jicondo devera
excelimcia daqueles que. racialmenle superiores, detiveram o poder politico (lbid,221).Na 5" edi9ao do livro em pauta (1976), quando Sodre abordou as obras de Oliveira Vianna o fez de forma s6bria e descritiva; alem disso, Popular;oes Meridionais do Brasil foi incluida na seyao Conquista das Pastagens Sulinas, se9ao de menor destaque no
25 Mesmo quando discordava das obrns que nnalisava. Sodn~ noo ulilizava chavi'les ou linguagem· agrcssiva pam desquali !lear tais obrus.
conjunto da obra e 0 Ocaso do Imperio, citado como fonte principal tambern nao recebeu altos elogjos.
Escritor da rnesrna geracao, Azeredo Amaral, foi considerado por Sodre, ate tins da decada de 1930, como um dos autores que mais influirarn na sua formacao e cuja presen9a na 111 edicao de Historia da Literatura Brasileira foi marcante26.
Na 1n edicao do livro em pauta, analisando a obra de Azeredo Amaral 0 Brasilna Crise A tual ( 1934 ), ele elogiou a interpretacao do au tor sobre o periodo republicano
Azevedo Amaral reuniu nesse livru alguns arligos de jor,1al {. .. ] Varios de admirlrvel lucidez de amilise e de uma seguran~a inlerpretativa que s6 e/e possuiu entre nose que difimdiu, na sua obra de jomalista, dos maiores que possulmos e de um tlpo que deu poucos exemplares. no nos.m meio. Entre as poucas obras de interpreta9iio que possuimos, dada n nossa tendencia anlign para a narrat;no coerente, as de Azeredo Amaral, embora episndicas e fi"agmentarias, slio indispensiweis - como
e
o cnsv deste livru -. para n compreensiio dos nussos problemas (1945. 155.156).Outros trabalhos do mesmo ensaista senarn incluidos e comentados na edicao seguinte: 0 Estado Autorilario e a Realidade Nacional (1938) e os E11Saios Brasi/eiros ( 1930), alem do livro acima citado. Sabre cad a urn deles a tonica dos cornentarios de Sodre era sobre a interpreta9i:io do autor, que sempre lhe pareceu objetiva e inteligente, a melhor no contexto da gera9ao a que ele pertencia, especialrnente porque Azevedo viu a Revolucao de 1930 como um marco importante na Hist6ria do Brasil, memento pleno de transfo1maQoes decisivas; contudo nao partilhava das soluQoes politicas proposta por aquele aut or, especial mente aquela definida no Estado A utoritario e a Reali dade Nacional,
26 Veju a abordage111 de Sodrc sohrc o aulor em Orientaroes do Pemamento Brasileiro (1942).
causador entre outros motives, do progressive afastamento entre ambos. Na Y1 edivao do livro em pauta, Azeredo Amaral s6 seria citado como fonte subsidiaria.