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Problemática Ambiental: do meio e da educação

2.2 Temas de interesse na investigação do objecto de estudo

2.2.3 Problemática Ambiental: do meio e da educação

A conservação do ambiente e o respeito pela natureza, configuram nos nossos dias uma problemática à escala planetária (…)

(Pereira e Monteiro, 1995: 115)

Segundo Serres (1990), parece ser verdade que partilhamos com a Terra o mesmo destino temporal, e que porque a possuímos ela possuir-nos-á novamente – como outrora, quando submetidos aos constrangimentos naturais –, mas desta vez de forma global. De facto, podemos afirmar que nas culturas tradicionais e mesmo na sociedade industrial até ao início desta época, os seres humanos tinham de se preocupar com riscos originados pela natureza exterior, como inundações ou pragas, mas que a certa altura, recentemente em termos históricos, a preocupação passou a ser menos com o que a natureza nos pode fazer e mais com aquilo que nós fizemos à natureza (Giddens, 2000). Como refere Silva (2002), a degradação ambiental é no mundo de hoje um problema global – tanto em amplitude de incidência como de impacto – e, assim, é todo um ecossistema – mundial – que por ser contínuo e interligado se encontra em risco de destruição.

Nesta mesma sociedade é claramente observável, como anteriormente analisámos, o aumento da exigência de actividades desportivas no meio natural – estas vistas por alguns autores como potenciais formas de aceleração da destruição de habitats ainda preservados (Pereira e Monteiro, 1995; Pires e Philippi, 2004) –, cuja potencial contribuição para o despertar de uma sensibilidade e responsabilidade ambiental, colectiva ou individual, não pode ser negada (Marinho, 2004).

Importa pois entender a dimensão dos problemas ambientais na sociedade e a sua interacção com o nosso objecto de estudo, analisando a configuração de uma educação reflectida, que pode contribuir para a intervenção positiva em ambos: este é propósito do presente capítulo.

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Para Beck (2000), as sociedades industriais tardias transitam – como parte do processo de modernização reflexiva – para sociedades de risco, este cada vez mais difícil de calcular e controlar, dada a sua capacidade de ultrapassar barreiras políticas e sócio-económicas por acção do fenómeno de globalização. Para o autor – que tal como Giddens (2000, 2002) entende os riscos da nossa sociedade numa perspectiva vasta e estrutural, com tendência para a generalidade abstracta e esquecendo por vezes o indivíduo concreto –, o conceito de modernização reflexiva compreende a análise dos resultados da modernidade em termos da sua produção de riscos – por vezes sinónimos de perigo ou desastre, por vezes interpretados como constructo socialmente definido e mediado através da lente dos processos sociais e culturais.Na opinião de Giddens (2000), podemos fazer a distinção entre dois tipos de riscos presentemente em evidência na sociedade: o exterior – que nos chega de fora, das imposições da tradição ou da natureza (p:35) – e o provocado – entendido pelo autor como resultante dos impactos do desenvolvimento tecnológico sobre o meio ambiente.

Numa construção mais focada no contexto sócio-cultural, e assim atendendo de forma muito mais evidente ao indivíduo enquanto ser situado, Douglas e Wildavsky (1982) referem-se à percepção do risco como uma simulação colectiva que varia consideravelmente ao longo de três formas de organização social – individualista, hierárquica e igualitária –, o que nos leva a concluir que a selecção dos riscos a que o público dá atenção, é mais baseada na voz que processa a informação e no modo como esta é interpretada, do que nas provas científicas de fortes probabilidades de perigo. Assim, segundo Douglas (1999), embora longe de ser a primeira civilização a tomar consciência de que o nosso ambiente se encontra em risco, a percepção e forma como entendemos a premência da questão é hoje profundamente distinta.

A nossa compreensão dos problemas ambientais é uma construção social, estabelecida num conceito de ambiente muito fluente, culturalmente baseado e socialmente contestado (Hannigan, 1995). Assim, somos impelidos a aceitar a suposição de as formas contemporâneas de degradação serem fruto de

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interacções entre as causas demográficas, culturais, políticas e económicas (Goldblatt, 1996; Silva, 2002), e de se definirem como o problema – de todos os enfrentados pelo humanidade – mais intrinsecamente transnacional, cujo enfrentar poderá dar origem a um conflito global ou a uma plataforma de solidariedade internacional e intergeracional (Sousa Santos, 2002).

Não obstante a degradação ambiental se verificar desde há muito tempo, só muito recentemente tomou proporções alarmantes – pela urbanização acelerada, a rápida expansão económica e a utilização irreflectida de novas técnicas de produção e produtos (Martins, 1990). Segundo Bachelet (1995), o verdadeiro produto da evolução da humanidade – da qual são factores constitutivos os poderes científicos e tecnológicos, os modos de vida a eles associados e as consequências da demografia – é a acumulação dos meios de destruição pacífica do planeta. Segundo o autor, o homem é um ser poluidor, ou no mínimo um predador, a tal ponto que a sua própria existência significa poluir e consumir recursos, fazendo com que, do equilíbrio que tem vindo a ser assegurado, já nada reste para partilhar, exceptuando aquilo que se adquiriu. Fica assim exacerbada a dimensão do consumo sob a qual a sociedade se parece reger, já anteriormente analisada, mas agora entendida sob a perspectiva de imposição de grandes impactos ambientais. Com efeito, como refere Silva (2002: 54-55), actualmente, o ambiente tanto é ameaçado pela produção industrial maciça (…), como pelos grandes projectos tecnológicos de colonização da natureza (…) pela generalização de bens de consumo e hábitos poluidores (…) pela pressão das populações em crescimento acelerado sobre os bens naturais disponíveis (…), pelo endividamento brutal dos países pobres e a sua vulnerabilidade às estratégias de deslocalização e exportação das fábricas

poluidoras. Parece então ser uma verdade que, como afirmam Leite e Caetano

(2004), ao desenvolver actividades baseadas em relações predatórias com a natureza, o homem criou problemas que ameaçam a própria preservação da espécie, e seguramente o é que o mundo em que agora vivemos parece – em vez de a cada passo mais dominado por nós – completamente descontrolado

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(Giddens, 2000). Como afirma Serres (1990): à força de a dominar, tornámo-nos tanto e tão pouco senhores da Terra, que ela ameaça dominar-nos de novo (p: 59).

Entre os problemas ambientais que nos são contemporâneos podemos destacar e referir: a deterioração da camada de ozono, o efeito estufa e a crescente poluição atmosférica – frutos das emissões maciças de clorofluorcarbonetos e dióxido de carbono para a atmosfera –, factos ao qual se relaciona o aquecimento global e agravados pela desflorestação intensiva, frequentemente observada pela necessidade alimentar da população em crescimento exponencial e pela necessidade de exportação de matérias-primas; a directa poluição dos solos e a sua deterioração pelo usufruto desordenado, que degradam a terra e assim as condições e possibilidades de cultivo, bem como a biodiversidade das espécies; a extinção de variadíssimas espécies pela sua caça, extracção excessiva ou exploração abusiva; a poluição dos oceanos pelo incontrolado despejo de substâncias nocivas nas águas via efluente industrial, esgoto urbano e desperdício agrícola – legal, ilegal ou acidental; o abuso de substâncias como hormonas de crescimento, pesticidas, corantes e químicos na industrialização da agricultura; os excessos de detritos e desperdícios, lixos domésticos, hospitalares e industriais, resíduos nucleares e afins; as alterações climatéricas – hipotéticos frutos dos problemas até agora referidos – que impõem grandes estragos e fortes limitações no nosso habitat terrestre; entre muitos outros (Martins, 1990; Figueiredo, 1993; Hannigan, 1995; Giddens, 2000; Silva, 2002; Sousa Santos, 2002).

Os anteriormente descritos podem ser vistos como as grandes problemáticas associadas à degradação dos solos e dos oceanos, contaminação das águas e poluição do ar – necessários imediatos à nossa existência e sobrevivência no planeta (Leite e Caetano, 2004). No entanto, como refere Silva (2002), a degradação ambiental não deve ser entendida unicamente na perspectiva dos problemas e das ameaças ao futuro comum da humanidade, sendo a mesma representativa de um motivo de agitação, mobilização colectiva e

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tema fundamental de debate na sociedade contemporânea. De facto, como nos refere Hannigan (1995), embora o desenvolvimento do consumismo global tenha profundas implicações negativas no ambiente e seja, em parte, um produtor ou facto associado à produção dos riscos aqui em foco, paradoxalmente, acaba por tornar a protecção da natureza numa actividade de consumo que é culturalmente formulada. Segundo o autor, o risco e o conhecimento dos problemas que perturbam o ambiente acabam por ser parte fulcral dos temas da actualidade, representando tópicos de discussão e preocupação, de certa forma globais. Em toda esta conjectura, importa atender, no entanto, a uma suposição fundamental. Como nos lembra Bachelet (1995), o consumo leva à produção – geradora de poluição e desperdício – baseada em níveis de dispêndio energético que tornam insustentável, muito pelas supérfluas fontes de despoluição que nos são conhecidas, a sua perpetuidade. Segundo o autor, por agora tranquilizamo-nos, segundo a fórmula: isto aguenta (p. 133), e serenamos as multidões com a crença de que aqueles que sabem estão vigilantes (idem). No entanto, devemos estar conscientes de que, em algum ponto, o interesse daqueles que sabem poder ser incompatível com a urgência ambiental – este é um tópico de importância essencial, que não desenvolveremos de forma mais aprofundada, mas cuja referência nos pareceu indispensável.

Assim, num momento em que a tomada de consciência dos problemas relacionados com o meio-ambiente tem aumentado a um ritmo vertiginoso (Figueiredo, 1993:11), multiplicam-se, por todo o lado, os esforços e discursos sobre o ambiente, apoiados em movimentos e eventos de massa – factos de grande impacto social aos quais ninguém fica indiferente, ainda que em termos de produtividade apresentem resultados muito incipientes. Como exemplos de acontecimentos com grande impacto, podemos referir o recente evento “LiveEarth”, com 24 horas de espectáculos musicais, cobertura mundial e ao qual aderiram 150 dos melhores artistas e bandas da actualidade3, ou o lançamento

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perturbador documentário “Uma Verdade Inconveniente”, que valeu ao recentemente galardoado Nobel da Paz4, Al Gore, um Óscar da Academia para o melhor documentário de 2007.

Os problemas mais sérios com que se confronta o sistema mundial – entre os quais podemos estabelecer a problemática ambiental – são globais, como tal, exigem soluções globais e estas – urgentes, difíceis de imaginar e obrigatoriamente desiguais para os diferentes países – terão de ser marcadas pela solidariedade dos ricos para com os pobres e das gerações presentes para com as futuras (Sousa Santos, 2002). No entanto, Brodhag (1994) questiona se será necessária a dramatização da urgência de salvar a Terra, interrogando até que ponto não poderá esta ser contraproducente face à imensidão da tarefa em causa – o objectivo a alcançar é representado por um acordo entre povos, capaz de mediar o término definitivo da perturbação dos equilíbrios dos ecossistemas dos quais depende a vida no planeta.

Atendendo à dimensão da tarefa torna-se clara, segundo Schmidt (1999), a necessidade de uma Educação Ambiental – conceito que analisaremos a posteriori – que deve estender-se de coisas tão elementares como o asseio – dar a entender como é que, num sistema complexo e global, “porcarias” de tão longe nos estragam a vida aqui tão perto, tornando a limpeza numa questão de respeito pelo próximo, que é agora todo o habitante do planeta –, até a assuntos tão vastos como a compreensão dos circuitos dos problemas económicos e políticos.

Assistimos, então, ao asseverar da “causa verde” (Silva, 2002), num momento em que, como afirma Pereira (1996), o homem tomou consciência de que não podia continuar a tomar atitudes destruidoras, e mesmo auto- destruidoras, e começou a reflectir sobre os problemas que foram surgindo, na tentativa de salvaguardar o que ainda resta do ambiente natural (p:5). A origem desta preocupação advém, segundo Raposo (1997), de um processo longínquo, no qual se verificou a convergência da educação e do ambiente e que deu pelo

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nome de Ecologia – este termo terá surgido, em 1866, pela mão do biólogo Ernest Haeckel (Pereira, 2004) e ter-se-á propagado até à actualidade, embora seja compreendido com uma essência distinta da que o estabeleceu.

Segundo Bachelet (1995), desde o seu início, os movimentos ecológicos deram mais a impressão de lutar contra algo, do que a favor de alguma coisa. Partindo em guerra contra a poluição, e rapidamente descobrindo na economia vigente a sua origem, estes revoltaram-se contra a economia de mercado, num ataque confesso aos malefícios da capitalismo predador, esbanjador e hipotecador de um futuro tão próximo que se confundia com o presente. Segundo o autor, a ecologia surgiu, então, como uma arma susceptível de impor limites materiais ao crescimento e de estabelecer novos valores – distintos dos do lucro e consumo –, conduzindo a novas formas de viver, nas quais reciclagem, recuperação e redução, passavam a entrar nos vocabulários políticos, economistas e sociológicos.

Actualmente, tal como nos explica Garcia (1997), a Ecologia não se esgota no ambiente ou na natureza. Na perspectiva de Bachelet (1995), a ecologia tornou-se humana, dada a facilidade de estabelecer os saberes sobre os elementos terrestres, como a base de uma nova ciência social que agrupasse a quase totalidade dos conhecimentos. A ecologia rapidamente se tornou um sistema heliocêntrico, ao definir-se como o sol em torno do qual volteia a totalidade do saber, capaz de impor a sua gravitação a qualquer pensamento político, social, económico ou cultural. O alargamento do movimento ecológico trouxe consigo, segundo Martins (1990), desenvolvimentos de grande importância. As componentes de carácter científico e de protecção da natureza desenvolveram- se, lado a lado, sob a influência de ecologistas profissionais; começou a generalizar-se a apreciação pelo ambiente fora das grandes potências mundiais e a sua concepção tornou-se sobejamente mais vasta. Para o autor, este novo movimento criou uma concepção mais ampla da relação homem-ambiente, estabelecendo preocupações, não só com os recursos naturais, como também, com os valores e tendências do seu uso e gestão por parte da população

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Atendendo ao trabalho de Hannigan (1995), a consciencialização sobre a problemática ambiental parece associada ao “decénio ambiental” de 1970 – época em que, na opinião de Brodhag (1994), exceptuando alguns visionários, ninguém levantava o problema da permanência dos equilíbrios ecológicos que regem a sobrevivência das espécies vivas em geral e da espécie humana em particular (p: 100).

Segundo Lemos (2002), a preocupação dos cientistas com o forte crescimento populacional, com o aumento dos níveis de poluição e o esgotamento dos recursos naturais, leva à realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano – Estocolmo, 1972 –, momento para muitos considerado como a origem da generalização dos desassossegos com as questões ambientais. Com base nos trabalhos de Martins (1990), Bachelet (1995), Hannigan (1995), Lemos (2002) e Resende (2006), passamos a analisar os principais momentos que deram continuidade a esta inquietação.

A realização da Conferência de Estocolmo introduziu, oficiosamente, a preocupação sobre as consequências ambientais do, então tradicional, modelo de crescimento económico, que levaria ao esgotamento dos recursos naturais dos quais depende a sobrevivência da humanidade. Como resultado desta conferência, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), agência à qual é imputada a responsabilidade de catalisar a acção internacional para a protecção do meio-ambiente no contexto do Desenvolvimento Sustentável – conceito que só mais tarde seria desenvolvido. Estudos em progresso, que culminam com o lançamento do relatório do Clube de Roma – “Os Limites do Crescimento” –, exprimem com clareza a premência das questões ambientais, do crescimento da população, do acréscimo do consumo de recursos naturais, do aumento dos níveis de poluição e do acentuar das disparidades dos níveis de riqueza dos países.

Em 1982 – numa Sessão Especial do Conselho de Administração do PNUMA, em Nairobi, Quénia – uma nova e importante preocupação entra em cena: a excedência da capacidade de assimilação dos produtos de algumas

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actividades humanas, em determinadas zonas, por parte da biosfera. Em resposta, no ano de 1983, o Conselho de Administração do PNUMA e a Assembleia Geral das Nações Unidas criam a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMAD), que termina, em 1987, o seu relatório de análise – elaborado com o apoio de vários consultores internacionais e com base na análise de vários aspectos da questão do meio ambiente versus desenvolvimento – sob o título O Nosso Futuro Comum –, do qual se realça um tópico particular: o conceito de Desenvolvimento Sustentável – aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades (Lemos, 2002:13).

Embora sem oferecer planos de actuação, este relatório contribuiu para a estruturação de linhas orientadoras de acção, no sentido de estabelecer esforços de cooperação em busca do Desenvolvimento Sustentável, e realçou a importância da Educação Ambiental em todos os níveis de ensino. Logo após a sua divulgação, a Organização das Nações Unidas convocou para Junho de 1992 – data à qual eram celebrados os 20 anos da Conferência de Estocolmo – a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) – que ficou conhecida como Conferência do Rio (Rio de Janeiro) – e na qual se preparava a discussão das suas conclusões e propostas. Na Conferência do Rio foram aprovados vários documentos, dos quais convém destacar a Agenda 21, pela relação evidente com a Agenda 21 Local que será discutida de forma cuidada a posteriori.

A Agenda 21 – instrumento teórico e prático para a promoção do Desenvolvimento Sustentável – constitui um plano global de acção, adoptado em consenso por 182 países, objectivado para as prementes problemáticas ambientais. Sugerindo formas de preparar o mundo para os desafios futuros – atendendo ao Desenvolvimento Sustentável e integrando o desenvolvimento económico e social como medidas de protecção do ambiente e dos recursos naturais –, a Agenda 21 incentiva ainda à criação de planos locais, adequados a cada realidade.

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No ano de 1994 realizou-se, em Aalborg, a Conferência Europeia sobre Cidades Sustentáveis (CECS), onde foi aprovada a Carta das Cidades Europeias para a Sustentabilidade – composta por 3 partes, nomeadamente a Declaração Comum das Cidades Europeias para a Sustentabilidade, a Campanha das Cidades Europeias Sustentáveis e a participação local na Agenda 21, das quais destacamos esta última.

Segundo Schmidt, Nave e Guerra (2006), a Agenda 21 Local: é um processo participativo e multisectorial à escala autárquica, que traduz um programa de acção pluridimensional e requer a participação activa dos cidadãos nas decisões. Potencia, assim, a proximidade dos governantes e dos cidadãos; é um instrumento que contribui para o usufruto racional dos recursos, cuja implementação fica obviamente dependente de uma escala local e cujas medidas objectivam também as necessidades das gerações vindouras; deve ser um elemento flexível, cooperante, participativo, pedagógico e dinâmico, cujo alcance temático vá, obrigatoriamente, muito para além do âmbito estritamente ambiental dos Planos Municipais do Ambiente; deve envolver empresas, serviços públicos, instituições educativas, religiosas, científicas, associações, sindicatos, grupos de interesse e cidadãos; almeja a um Plano de Acção – documento dinâmico de planeamento que integra diagnóstico, objectivos, estratégias e instrumentos de acção e monitorização.

Terminando esta análise, resta destacar ainda a realização, em 1996 e 2000, das segunda e terceira Conferências Europeias sobre Cidades Sustentáveis – em Lisboa e Hannover respectivamente; a realização da Cimeira Mundial do Desenvolvimento Sustentável – Joanesburgo, 2002; e a conferência de título Inspirando o Futuro – Aalborg + 10, no ano de 2004, pela necessidade de consolidar os compromissos estabelecidos 10 anos antes, na conferência realizada no mesmo local.

Parece então possível asseverar o que foi anteriormente afirmado, isto é, que parece estar em marcha todo um movimento global, que visa e objectiva a defesa do ambiente, mesmo atendendo ao facto de esta não ter, nem poder vir a

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ter, o mesmo valor em toda a parte – a própria noção de Desenvolvimento Sustentável tenderá a sofrer muitas adaptações em função das culturas e tradições, elas próprias associadas às capacidades científicas e técnico- financeiras que regem os diferentes custos ecológicos (Bachelet, 1995).

Conforme a pesquisa até agora efectuada, podemos afirmar que a protecção ecológica pressupõe que os países preservem os seus rios e montanhas, que organizem o seu desenvolvimento de forma sustentável, mas também que, através da educação, preparem as gerações futuras para essa mesma protecção (Tavares, 2002). Para que todo o esforço dispendido seja viável, parece ser necessário investir numa educação a todos os níveis, para que os indivíduos se possam sentir solidários e co-responsáveis nesta grande missão de evitar a degradação definitiva das condições existências do nosso planeta (Lemos, 2002). Nesta lógica, surge o conceito de Educação Ambiental (E.A.), que se relaciona com a necessidade de expansão de consciências e valores, dada a urgência de “cuidar” do ambiente global (Schmidt, 1999; Pereira e Monteiro, 1995; Chao, 2004).

Para Giordan e Souchon (1997), a Educação Ambiental é uma forma educativa que aborda temas relativos aos problemas do ambiente, dizendo também respeito às dificuldades da utilização e gestão dos recursos. Segundo os autores, a E.A. esforça-se por despertar a consciência ecológica, económica, social e política, as aptidões para resolver os problemas e a responsabilidade individual (p.12), a fim de preparar os estudantes para a acção responsável e para a tomada de decisões que respeitam aos actuais e futuros problemas do ambiente. No entanto, no âmbito da E.A., deparamo-nos com uma grave problemática. Como salienta Fernandes (1997), todas as acções de informação ou

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