2. Metodologia
2.3. Como se fez o que se fez: sobre a estratégia metodológica utilizada
2.3.1. A problemática e o objeto de estudo Acerca da forma como se caracterizaram e
descrever, e com vista à facilitação da compreensão da pertinência da investigação realizada, aproveitar-se-á para transcrever um excerto da autoria de Licínio C. Lima, através do qual é possível perceber-se a relevância da problemática eleita para esta investigação. Por um lado, releva a importância de se tomar conhecimento daquilo que, efetivamente, se produz e que, note-se, não é assim tão pouco quanto à primeira vista possa pensar-se. Por outro, releva a
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urgência de se estudar essa produção e de sobre ela se refletir, de forma a que se possa, posteriormente, criticá-la e, assim, apresentar contributos para o campo da educação de adultos:
“Está por realizar, entre nós, um “estado da arte” da produção académica portuguesa em Educação de Adultos. A tarefa é tão necessária quanto arriscada, e este não é o único paradoxo que em seu torno se pode identificar. Por um lado, lamentamo-nos, com frequência, da falta de tradição educativa, política e também académica da Educação de Adultos em Portugal, facto incontornável quando comparado com a generalidade dos países da Europa, com os Estados Unidos da América e, até mesmo, com o Brasil, por exemplo. (…). Mas, por outro lado, a nossa falta de tradição e a correspondente escassez de trabalhos parece induzir, contraditoriamente, pouco estudo acerca dos contributos disponíveis, de que resulta um certo desconhecimento de um campo académico que seria, teoricamente, relativamente fácil de inventariar e conhecer. Acresce a tudo isto a conhecida tendência portuguesa para apreciar os autores estrangeiros, de que resulta um certo cosmopolitismo e alguma erudição, embora, por vezes, lamentavelmente sustentados pela ignorância daqueles que nos precederam e de alguns dos mais importantes contributos nacionais. Em resumo, queixamo-nos, compreensivelmente, de uma herança marcada por poucos contributos académicos na nossa área de investigação, mas, não obstante, nem os contributos que consideramos escassos acabamos por conhecer em profundidade para, com eles, estabelecer diálogo, crítica ou ruptura” (2011, p. 21).
Com base no que acaba de se expor, optou-se, neste primeiro momento do percurso, por proceder a diversas leituras exploratórias de alguma da produção académica portuguesa em educação de adultos em Portugal. Estas leituras tiveram como principal objetivo obter uma visão global da mesma.
Em simultâneo, porque as leituras feitas não se limitaram apenas aos documentos que tencionava vir a analisar-se numa fase posterior, leram-se alguns trabalhos de autores que haviam levado a cabo um trabalho de mapeamento e análise de produção académica, semelhante ao que se pretendia desenvolver. Isto é, procurou-se conhecer e aprender o modo como outros autores decidiram proceder, ao longo das investigações que levaram a cabo. Por um lado, estudaram-se os trabalhos levados a cabo por Almerindo Janela Afonso (Afonso, 2005;
2010), no campo da sociologia da educação; por Pedro Abrantes (Abrantes, 2004), no campo
da sociologia da ciência; e por Fernando Albuquerque Costa (Costa, 2007a; 2007b), na área da tecnologia em educação56; assim como se aproveitou para revisitar um trabalho prévio, da
autoria de Pedro Rocha, Ricardo Monginho, Manuela Ferreira e Cristina Rocha (Rocha,
56 Note-se que, a utilização do conceito de campo e de área, aplicados nesta frase, não representam necessariamente a terminologia utilizada
pelo autor no presente trabalho, ou uma situação irrefletida e involuntária, mas procuram corresponder à utilização que os autores referidos fizeram dos conceitos nos seus trabalhos de investigação.
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Monginho, Ferreira, & Rocha, 2011), na área da educação. Por outro, no intuito de compreender quais os principais aspetos a considerar no desenvolvimento de uma investigação científica, estudaram-se diversos manuais de meta-análise da investigação como, por exemplo, Bogdan e Biklen (1994), Quivy e Campenhoudt (2008), Bell (2010). Desta forma, com base no estudo destes materiais, foi possível perceber que toda a investigação científica deverá alicerçar-se epistemológica, metodológica e teoricamente, sendo os seus autores, simultaneamente, influenciadores e influenciados ideológica e socialmente.
Posto isto, já com algum conhecimento acerca da forma como outros investigadores haviam procedido e do que os manuais de meta-análise da investigação sugerem e defendem, começou-se a pensar acerca de quais deveriam ser os documentos a considerar. Assim, à semelhança do que Fernando Albuquerque Costa (2007b) havia feito, recorreu-se a um processo de seleção de um conjunto de descritores57 que permitisse balizar criteriosamente a investigação
documental e direcionar a seleção dos documentos a estudar.
Deste modo, após um curto período em que se trabalhou o conjunto de descritores atrás referido, tomou-se a decisão de compor um corpus de documentos ou, como daqui em diante se passará a fazer-lhe referência, um corpus documental. Nesse sentido, decidiu-se constituir um corpus documental composto por teses de doutoramento, dissertações de mestrado e artigos publicados, cujo objeto fosse a educação de adultos, provenientes da área das Ciências da Educação. Note-se que a opção por este tipo de documento esteve relacionada com a perceção que se tinha da relevância do seu contributo, ao nível da produção académica no campo da educação de adultos.
Contudo, rapidamente se percebeu que as tarefas de recolha e análise de um corpus
documental, constituído de acordo com os critérios atrás referidos, seriam incomportáveis. Seriam demasiados documentos, facto que impossibilitaria a sua recolha e análise, no espaço de tempo previsto para a realização desta investigação.
Por estas razões, afigurou-se necessária a construção de um caso, traduzido num corpus documental, que permitisse realizar o estudo que se havia iniciado e se pretendia concluir. Resumindo, percebeu-se que esta primeira seleção de documentos precisaria ser ajustada, pelo que foi necessário passar a uma segunda fase da investigação, que, seguidamente, se passa a descrever.
57 A maioria destes descritores consistiu em trabalhos académicos como teses de doutoramento e dissertações de mestrado, tendo-se recorrido,
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