2.8 Redu¸ c˜ ao do grupo estrutural
3.1.1 Problema da equivalˆ encia de G-estruturas
Defini¸c˜ao 3.1.4. Sejam duas G-estruturas S sobre M e ¯S sobre ¯M e f : M → ¯M um difeomorfismo. A fun¸c˜ao f ´e isomorfismo entre G- estruturas se
¯
Sf (x)= f∗Sx
onde f∗ ´e a fun¸c˜ao induzida por dxf : TxM −→ Tf (x)M . No caso da
existˆencia de um isomorfismo, as G-estruturas S e ¯S s˜ao equivalentes. Uma quest˜ao central da teoria de G-estruturas ´e o problema da equi- valˆencia local: quando existe um difeomorfismo local f : U → ¯U , U ⊆ M e ¯U ⊆ M abertos de modo que f∗ seja um isomorfismo local entre G-
estruturas.
A chamada G-estrutura padr˜ao ´e aquela dada pelo referencial ∂ ∂x1 , . . . , ∂ ∂xn
em Rn e ser´a denotada pro Sstand.
O problema da equivalˆencia tem um caso particular que ´e a quest˜ao da integrabilidade. Esta procura as condi¸c˜oes necess´arias e suficientes da equi- valˆencia local entre G-estruturas e a G-estrutura padr˜ao (tamb´em chamada de flat ).
Assim, uma G-estrutura ´e integr´avel se, e somente se, ´e localmente equi- valente Sxstand.
3.1.2 Exemplos
Exemplo 3.1.1 (G = {e}). O primeiro exemplo aborda o caso em que G = {e}. Uma G-estrutura, aqui chamada simplesmente e-estrutura, ´e um
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 43
referencial global φ = (φ1, . . . , φn). Se (U, ϕ) ´e uma carta local, a integrabi-
lidade da e-estrutura implica que φi =
∂ ∂ϕi
, i = 1, . . . , n
O modelo padr˜ao flat ´e ∂ ∂x1
, . . . , ∂
∂xn em R n.
Se φ = (φ1, . . . , φn) ´e uma e-estrutura em M e ¯φ = ( ¯φ1, . . . , ¯φn) ´e uma
e-estrutura em ¯M , um difeomorfismo f : M → ¯M ser´a isomorfismo se dfx(φ(x)) = ¯φ(f (x))
A integrabilidade de um referencial est´a relacionada com as fun¸c˜oes es- truturais: quando calculamos os colchetes de Lie entre os elementos do re- ferencial φ, obtemos [φi, φj] = n X k=1 ckikφk, ckij ∈ C∞(M )
em que os coeficientes ckij s˜ao as fun¸c˜oes estruturais.
Seja θ = (θ1, . . . , θn) uma base de T∗M que ´e dual de φ: θj(φi) = δij.
Ela ´e tamb´em chamada de correferencial e podemos analisar o problemas da integrabilidade do referencial olhando para o correferencial.
Proposi¸c˜ao 3.1.1. dθ =X i<j −ck ijθi∧ θj Demonstra¸c˜ao. dθk(φi, φj) = φi(θk(φj)) − φj(θk(φi)) − θk[φi, φj] = −θk n X l=1 clikφl = −ckik
Por outro lado, dθk=X p<q bkpqθp∧ θq ⇒ dθk(φ i, φj) = X p<q bkpqθp∧ θq(φ i, φj) = bkij Logo, b=ij − ck ij
Teorema 3.1.1. Um referencial ´e integr´avel se, e somente se, as fun¸c˜oes estruturais s˜ao todas nulas.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que o referencial φ ´e integr´avel. Desse modo, [φi, φj] = 0, pois ´e o que ocorre com o referencial padr˜ao. Como [φi, φj] =
ckijφk = 0, ent˜ao ckij = 0, para todo k.
Agora assumamos que as fun¸c˜oes estruturais s˜ao nulas. Desse modo, φi
e φj comutam dois a dois. Seja
f : U ⊆ Rn→ M
f (t1, . . . , tn) = Φt11 ◦ . . . ◦ Φtnn(x0)
onde Φti
i ´e o fluxo do campo vetorial φi e 0 ∈ U . Temos que f (0) = x0 e
as derivadas parciais de f em x ∈ M nos d´a φi(f (x)). O teorema da fun¸c˜ao
inversa garante que f ´e difeomorfismo local definido numa vizinhan¸ca de 0 a qual pertence x0, de modo que (U, φi◦ f ) ´e uma carta adaptada.
Exemplo 3.1.2 (M´etricas Riemennianas: G = O(n) = {A ∈ GLn(R) : AAT = I}).
Defini¸c˜ao 3.1.5. Uma m´etrica riemanniana em M ´e uma se¸c˜ao suave de S2T∗M que ´e positiva definida, ou seja, uma correspondˆencia suave x 7→ gx tal que gx : TxM × TxM −→ R ´e um produto interno.
Uma variedade riemanniana ´e aquela que admite uma m´etrica rieman- niana .
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 45
Seja gstand o produto interno usual em Rn: gstand(u, v) = hu, vi. A estru- tura padr˜ao ´e dada por Rn com
gstand ∂ ∂xi , ∂ ∂xj = δij.
Dada um produto interno gx em TxM , consideremos
Sg= {φ ∈ F r(M ) : g(φi, φj) = gstand(ei, ej)}
Sendo φ, ˜φ ∈ Sg, consideremos A = ˜φ−1◦ φ : Rn−→ Rn, ent˜ao
gstand(A(ei), A(ej)) = g(φi, φj) = gstand(ei, ej)
de modo que A ´e uma transforma¸c˜ao ortogonal e, portanto A ∈ O(n). Agora seja S uma O(n)-estrutura. Tomemos φ ∈ S e definamos
gx(u, v) = gstandφ(x) (φ
−1(u), φ−1(v))
Se ˜φ ∈ S, existe A ∈ O(n) tal que: φA = ˜φ ⇒ φ−1= A ˜φ−1. Assim gstandφ(x) (φ−1( ˜φi), φ−1( ˜φj)) =gφ(x)stand(G ˜φ −1( ˜φ i), G ˜φ−1( ˜φj)) =gφ(x)stand(Gei, Gej) =gφ(x)stand(ei, ej) gφ(x)stand( ˜φ−1( ˜φi), ˜φ−1( ˜φj))
Uma O(n)-estrutura ´e integr´avel se, e somente se, existe um carata local (U, ϕ) em torno de cada x ∈ M tal que
gx ∂ ∂ϕi , ∂ ∂ϕj = δij
Observa¸c˜ao 9. O tensor de curvatura R(X, Y ) = ∇X ◦ ∇Y − ∇Y ◦ ∇X −
Se Pn i=1ui ∂i ∂xi um campo vetorial em R n, ent˜ao ∇X∇Y n X i=1 ui ∂i ∂xi = XY n X i=1 ui ∂i ∂xi n X i=1 ui ∂i ∂xi = Y X n X i=1 ui ∂i ∂xi Portanto (∇X∇Y − ∇Y∇X) n X i=1 ui ∂i ∂xi = (XY − Y X) n X i=1 ui ∂i ∂xi = ∇[X,Y ]ui ∂i ∂xi Assim, em Rn, ∇X ◦ ∇Y − ∇Y ◦ ∇X = ∇[X,Y ].
Proposi¸c˜ao 3.1.2. Uma variedade riemanniana (M, g) ´e integr´avel se, e somente se, o tensor curvatura R relativo ˜a conex˜ao de Levi-Civita ´e iden- ticamente nulo.
Demonstra¸c˜ao. (Baseada em [Lee97])
Se a variedade ´e integr´avel, ent˜ao ela ´e localmente equivalente a Rn, de
modo que o tensor de curvatura ´e, localmente, nulo.
Suponhamos que R ´e identicamente nulo. Vamos mostrar, primeira- mente, que g admite referencial ortonormal paralelo em torno de cada ponto de M .
Sendo x ∈ M , podemos escolher (Xp1, . . . , Xpn) uma base ortonormal de TxM . Consideremos (x1, . . . , xn) um sistema de coordenadas centrado em
x de maneira que Xpi = ∂/∂x1. Podemos tomar vizinhan¸cas de xi de modo
que p ∈ C, C um cubo centrado em p de lado medindo 2ε.
Por meio do transporte paralelo, podemos deslocar cada Xpkao longo do eixo x1. A partir de cada ponto desse eixo, de novo por meio de do transporte paralelo, desloco agora Xpkatrav´es do eixo x3, e assim por diante. O resultado ser´a campos vetoriais (X1, . . . , Xn) definidas em C.
O transporte paralelo preserva produto interno de modo que (X1, . . . , Xn) formam referenciais ortonormais. Agora vamos mostrar que eles s˜ao parale-
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 47
los. Por constru¸c˜ao,
∇∂/∂x1Xj = 0 em {(x1, . . . , xn) : xl= 0, l ≥ 2} ⊆ C, ∇∂/∂x2Xj = 0 em {(x1, . . . , xn) : xl= 0, l ≥ 3} ⊆ C, ∇∂/∂x3Xj = 0 em {(x1, . . . , xn) : xl= 0, l ≥ 4} ⊆ C
· · ·
∇∂/∂xkXj = 0 em {(x1, . . . , xn) : xl= 0, l ≥ k + 1} ⊆ C Vamos provar por indu¸c˜ao em k que em
∇∂/∂x1Xj = . . . = ∇∂/∂xkXj = 0, em {(x1, . . . , xn) : xl= 0, l ≥ k + 1}(∗) Quando k = 1, isso vale por constru¸c˜ao. Supondo que vale (∗), em {(x1, . . . , xn) : xl = 0, l ≥ k + 2},∇∂/∂xk+1Xj = 0 por constru¸c˜ao e ∇∂/∂x1Xj = . . . = ∇∂/∂xkXj = 0 em {(x1, . . . , xn) : xk+1= 0} por hip´otese. Como [∂/∂xk+1, ∂/∂xi] = 0 e
∇∂/∂xk+1(∇∂/∂xiXj) = ∇∂/∂xi(∇∂/∂xk+1Xj) = 0
de maneira que Xj ´e paralelo. Pela simetria da conex˜ao, ent˜ao [Xi, Xj] = ∇∂/∂xiXj− ∇∂/∂xjXi = 0.
Portanto, (X1, . . . , Xn) ´e um referencial ortonormal para o qual existem coordenadas (x1, . . . , xn) para os quais Xj = ∂/∂xj e, portanto
g(∂/∂xi, ∂/∂xj) = g(Xi, Xj) = δij
de modo a ser (M, g) integr´avel.
Exemplo 3.1.3 (Orienta¸c˜oes: G = GL+n(R) = {A ∈ GLn(R) : det(A) > 0}).
Dois referenciais φ e φ0 de TxM induzem a mesma orienta¸c˜ao se a matriz
de mudan¸ca de base de φ0 para φ tem determinante positiva. Isso define uma rela¸c˜ao de equivalˆencia e uma orienta¸c˜ao em TxM ´e uma classe de
equivalˆencia dessa rela¸c˜ao.
Defini¸c˜ao 3.1.6. Uma orienta¸c˜ao em M ´e uma cole¸c˜ao de orienta¸c˜oes O = {Ox : x ∈ M } tal que: em torno de qualquer x0 ∈ M existe um aberto
U ⊆ M tal que se x ∈ U e uma se¸c˜ao φ ∈ ΓU(F r(M )) tal que φx induz a
orienta¸c˜ao Ox,
O modelo padr˜ao ´e a orienta¸c˜ao em Rn determinada pelo referencial canˆonico ∂ ∂x1 , . . . , ∂ ∂xn .
Nesse caso, um isomorfismo ´e difeomorfismo f : M → ¯M em que a diferencial leva referenciais orientados de M em referenciais orientados de
¯ M .
Uma GL+n(R) ser integr´avel significa que em torno de cada x ∈ M existe uma carta local (U, ϕ) de maneira que a orienta¸c˜ao que a orienta¸c˜ao Ox do
espa¸co tangente TxM ´e induzido por
∂ ∂ϕ1 (x), . . . , ∂ ∂ϕn (x) .
Proposi¸c˜ao 3.1.3. Toda orienta¸c˜ao O em M como GL+n(R)-estrutura ´e integr´avel.
Demonstra¸c˜ao. Dada uma orienta¸c˜aoO em M e x0 ∈ M , podemos escolher
um referencial φ definido num aberto U ⊆ M em torno de x0 que cont´em o
dom´ınio de uma carta local (V, ϕ), de modo que φ(x) induz a orienta¸c˜aoOx.
Podemos assumir V conexo. Vamos considerar a matriz B(x) da mudan¸ca de base de φ(x) para ∂ ∂ϕ1 (x), . . . , ∂ ∂ϕn (x)
. As entradas dessa matriz s˜ao fun¸c˜oes suaves com respeito a x ∈ V , de modo que det(B(x)) tamb´em ´e suave. Podemos adotar a carta local de modo que det(B(x0)) > 0 . Pela
conexidade de V e continuidade do determinante, det(B(x)) > 0 para todo x ∈ V de modo que ∂ ∂ϕ1 (x), . . . , ∂ ∂ϕn (x) induz a a orienta¸c˜ao Ox.
Exemplo 3.1.4 (Formas volume:G = SLn(R) = {A ∈ GLn(R) : det(A) = 1}).
Defini¸c˜ao 3.1.7. Seja µ ∈ Ω(M ) uma forma que n˜ao anula-se em nenhum x ∈ M . Esta forma ´e uma forma volume em M .
Uma forma volume ´e SLn(R)-estrutura. A SLn(R)-estrutura padr˜ao ´e
Rn com µstand = dx1∧ . . . ∧ dxn
Seja Sµ= {φ ∈ F r(M ) : φ∗µ = µstand}. Ent˜ao
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 49
Tomemos φ, ˜φ ∈ Sµ. Vamos provar que a composta ˜φ−1x ◦ φx : Rn→ Rn
´e um elemento de SLn(R):
µstand( ˜φ−1x ◦ φx(e1), . . . , ˜φ−1x φx(en)) = det( ˜φ−1x ◦ φx)µstand(e1, . . . , en)
= det( ˜φ−1x ◦ φx) · 1
= det( ˜φ−1x ◦ φx) Mas
φ∗µ = µsatnd ⇒ µ ◦ φ = µstand, µ ◦ ˜φ = µstand
⇒ µ ◦ φ = µstand, µ = µstand◦ ˜φ−1
⇒ µstand◦ ( ˜φ−1◦ φ) = µstand
Portanto
det( ˜φ−1x ◦ φx) = µstand( ˜φ−1x ◦ φx(e1), . . . , ˜φ−1x φx(en)) = µstand(e1, . . . , en) = 1
Agora, dada S uma SLn(R)-estrutura, para φ ∈ S, definamos
µx(x1, . . . , xn) = µstandφ−1(x)(φ−1(x1), . . . , φ−1(xn))
Dado ˜φ ∈ S, existe G ∈ SLn(R) tal que: φG = ˜φ. Dessa forma,
φG = ˜φ ⇒ φ−1 = G ˜φ−1. Assim µstandφ−1(x)(φ−1(x1), . . . , φ−1(xn)) = µstandφ˜−1(x)(G ˜φ −1(x 1), . . . , G ˜φ−1(xn)) = det(G)µstandφ˜−1(x)( ˜φ −1 (x1), . . . , ˜φ−1(xn)) = µstandφ˜−1(x)( ˜φ −1 (x1), . . . , ˜φ−1(xn))
Um isomorfismo aqui ser´a um difeomorfismo f : M → M em que¯ f∗(µ) = ¯µ.
uma carta local (U, ϕ) de modo que
µ = dϕ1∧ . . . ∧ ϕn
Proposi¸c˜ao 3.1.4. Toda forma volume µ em M ´e integr´avel. Demonstra¸c˜ao. Seja (U, ϕ) uma carta local contendo x ∈ M . Ent˜ao:
µ = f dϕ1∧ . . . ∧ ϕn
onde f ∈ C∞(U ). Definamos numa vizinhan¸ca U0 ⊆ U de x uma fun¸c˜ao η : U → R tal que ∂η
∂ϕ1
= f e ∂η ∂ϕi
= 0, j > 1. Dessa forma dη = f dϕ1, de
modo que usando as coordenadas (η, ϕ2, . . . , ϕn) teremos
µ = dη ∧ . . . ∧ ϕn
Exemplo 3.1.5 (Folhea¸c˜oes: G = GL(p, n − p) = ( A ∈ GLn(R) : A = " M N 0 P # , M ∈ GLp(R), P ∈ GLn−p(R) ) ).
Defini¸c˜ao 3.1.8. Um subfibrado vetorial F ⊆ T M de posto p ´e uma dis- tribui¸c˜ao p-dimensional da variedade M .
A escolha de uma p-distribui¸c˜ao ´e o mesmo que escolher uma G = GL(p, n − p)-estrutura.
Defini¸c˜ao 3.1.9. Uma distribui¸c˜ao F ⊆ T M ´e involutiva se [X, Y ] ∈ Γ(F ), X, Y ∈ Γ(F )
Defini¸c˜ao 3.1.10. Uma folhea¸c˜ao p-dimensional ´e uma distribui¸c˜ao p- dimensional que ´e involutiva.
O modelo padr˜ao ´e Rn com a folhea¸c˜ao Fstand = span
∂ ∂xi
p
i=1
Uma G = GL(p, n − p)-estrutura ´e integr´avel se em torno de todo x ∈ M existe uma carta local (U, ϕ) de modo que
Fx= span ∂ ∂ϕ1 (x), . . . , ∂ ∂ϕp (x)
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 51
Teorema 3.1.2 (Frobenius). Seja F um distribui¸c˜ao k-dimensional em M . S˜ao equivalentes:
1. F ´e involutiva.
2. F como G = GL(p, n − p)-estrutura ´e integr´avel. Demonstra¸c˜ao. (Baseda em [Lee13])
Se a distribui¸c˜ao F ´e integr´avel, ent˜ao ela ser´a involutiva pois ∂ ∂ϕi , ∂ ∂ϕj = 0.
Agora suponhamos que F ´e involutiva. Seja x ∈ M e (U, ϕ) uma carta lo- cal em torno de x. Se necess´ario, podemos reordenar as coordenada de modo que Fxseja o espa¸co complementar de TxM gerado por
∂ ∂ϕp+1
(x), . . . , ∂ ∂ϕn
(x). Consideremos π : U → Rn a proje¸c˜ao nas primeiras p coordenadas. A diferencial, quando restrita a Fx, induz um isomorfismo
(dπ)x: Fx→ Tπ(x)Rp Sejam Vi,x= ((dπ)x|Fx) −1 ∂ ∂xi (π(x)), i = 1, . . . , p. Dessa forma, dπx([Vi, Vj]x) = ∂ ∂xi , ∂ ∂xi x = 0.
Portanto, existe um referencial de Fx difeomorfo ao referencial padr˜ao.
Exemplo 3.1.6 (Estruturas complexas: G = GLn(C)). Aqui faremos a
identifica¸c˜ao Ck' R2n atrav´es de
(x1+ iy1, . . . , xn+ iyn) 7→ (x1, . . . , xn, y1, . . . , yn)
Defini¸c˜ao 3.1.11. Uma estrutura quase complexa em uma variedade M ´e uma aplica¸c˜ao J : T M → T M que ´e um morfismo de fibrados vetoriais com a seguinte caracter´ıstica:
J2= −Id.
O modelo padr˜ao ´e desta vez Cn' R2n, coma a estrutura quase complexa Jstand ∂ ∂xn = ∂ ∂yn Jstand ∂ ∂yn = − ∂ ∂xn .
A integrabilidade de uma GLn(C)-estrutura significa encontrar em trono
de cada x ∈ M uma carta coordena (U, ϕ), ϕ = (x1, . . . , xn, y1, . . . , yn) e
J ∂ ∂xn = ∂ ∂yn J ∂ ∂yn = − ∂ ∂xn . Defini¸c˜ao 3.1.12. A aplica¸c˜ao NJ : X(M ) × X(M ) → X(M ) NJ(X, Y ) = [X, Y ] + J ([J X, Y ] + [X, J Y ]) − [J X, J Y ]
´e o tensor de Nijenhuis da estrutura quase complexa J . Proposi¸c˜ao 3.1.5.
NJ ∈ Γ(Λ2T∗M ⊗ T M )
Demonstra¸c˜ao. NJ ´e antissim´etrica:
NJ(X, Y ) = [X, Y ] + J ([J X, Y ] + [X, J Y ]) − [J X, J Y ]
= −[Y, X] − J ([Y, J X] − [J Y, X]) + [J Y, J X] = −([Y, X] + J ([Y, J X] + [J Y, X]) − [J Y, J X]) = −NJ(Y, X)
3.1 G-ESTRUTURAS EM VARIEDADES 53
Vamos provar que NJ ´e tensorial. Sejam X, Y ∈ X(M ) e f ∈ C∞(M ). Ent˜ao
NJ(f X, Y ) = [f X, Y ] + J [J (f X), Y ] + J [f X, J Y ] − [J f X, J Y ] = f [X, Y ] − Y (f X) + J [f J X, Y ] + J f [X, J Y ] − J2(Y f )X − f [J X, J Y ] + J (Y f )J X = f [X, Y ] − Y (f X) + J f [J X, Y ] − J (Y f )X + J f [X, J Y ] + (Y f )X − f [J X, J Y ] + J (Y f )J X = f [X, Y ] + f J [X, J Y ] + f J [X, J Y ] − f [J X, J Y ] = f NJ
A seguir vem um resultado muito profundo sobre a integrabilidade de es- truturas que ´e o Teorema de Newlander-Niremberg. Trata-se de um teorema n˜ao trivial cuja demonstra¸c˜ao ´e muito trabalhosa e n˜ao ser´a feita, sendo indicada uma referˆencia.
Teorema 3.1.3 (Newlander-Niremberg). Se J ´e uma estrutura quase com- plexa em M , ent˜ao s˜ao equivalentes:
1. NJ ≡ 0
2. A GLk(C)-estrutura J ´e integr´avel.
Demonstra¸c˜ao. Ver em[NN57] ou em [Dem12], p´agina 399.
Exemplo 3.1.7 (Estruturas simpl´eticas: G = Sp2n(R) = {A ∈ GL2n(R) : ATJstandA = Jstand},
Jstand= " 0 −In In 0 # ).
Defini¸c˜ao 3.1.13. Uma estrutura quase simpl´etica ω em M ´e ω ∈ Ω2(M )
em que ωx, para todo x ∈ M ´e n˜ao degenerada :
ωx(u, v) = 0, ∀v ⇐⇒ u = 0
Defini¸c˜ao 3.1.14. Uma estrutura quase simpl´etica ωser´a dita simpl´etica se ω ´e fechada (dω = 0)
Um isomorfismo, nesse caso, ´e um difeomorfismo f : M → ¯M tal que f∗ω = ω, em que ω e ¯¯ ω s˜ao estruturas quase simpl´eticas em M e ¯M , res- pectivamente.
Uma estrutura quase simpl´etica ´e uma Sp2n(R)-estrutura em M e o mo-
delo padr˜ao ´e R2n com seus elementos denotados por (x1, . . . , xn, y1, . . . , yn)
e
ωstand = dx1∧ dy1+ . . . + dxn∧ dyn
Uma Sp2n(R)-estrutura ´e integr´avel se , para cada x ∈ M , existe uma
carta local (U, ϕ = (x1, . . . , xn, y1, . . . , yn)) contendo x tal que
ω = dx1∧ dy1+ . . . + dxn∧ dyn.
Lema 3.1.1 (Truque de Moser Local). Seja {ωt}0≤t≤1 uma fam´ılia de for-
mas simpl´eticas diferenci´aveis em t. Ent˜ao existe uma vizinhan¸ca U de p ∈ M tal que existe uma fun¸c˜ao gt : U → U de maneira que gt∗ωt = ω0 e
g0∗ = id
Demonstra¸c˜ao. Apˆendice, TeoremaA.5.1.
Teorema 3.1.4 (Darboux). Se ω ´e uma estrutura quase simpl´etica em M . Ent˜ao, s˜ao equivalentes
1. ω ´e simpl´etica 2. ω ´e integr´avel.
Demonstra¸c˜ao. (Retirada de [Les14])
Vamos provar que se ω ´e uma forma simpl´etica em M , ent˜ao existe uma vizinhan¸ca em torno de cada ponto de M de modo que existem
(x1, . . . , xn, y1, . . . , yn) coordenadas locais para as quais ω = dx1 ∧ dy1 +
. . . + dxn∧ dyn.
Sejam (x1, . . . , xn, y1, . . . , yn) coordenadas locais em M e ωt= ω0+t(ω −
ω0), t ∈ [0, 1] uma fam´ılia de 2-formas com ω0 = dx1∧ dy1+ . . . + dxn∧ dyn.
Cada ωt´e fechada: Em x ∈ M , ωt(x) = ω0(x) = ω(x)
Por continuidade pode-se determinar uma vizinhan¸ca V de p de modo que ωt(p) n˜ao ´e degenerada. Pelo lema de Moser, existe uma vizinhan¸ca
3.2 CONEX ˜OES COMPAT´IVEIS 55
U ⊆ V de modo que h´a uma fun¸c˜ao gt: U → U como no lema. Desse modo:
gt∗ωt= ω0 ⇒ d dtg ∗ tωt= 0 ⇒ g∗t d dtωt+ LXtωt = 0 ⇒ g∗t d dtωt+ diXtωt = 0 ⇒ diXtωt= − d dtωt Al´em disso d
dtωt exata ⇒ diXtωt= dηt, numa vizinhan¸ca de p, ηt∈ Ω
1(M )
Portanto, iXtωt= ηt j´a que ωt ´e n˜ao-degenerada. esta equa¸c˜ao tem solu¸c˜ao, que determina um ´unico campo vetorial Xt. Desse modo, existe g1 tal que
g∗1ω = ω0.
O campo vetorial Xt gera fam´ılias de um-parˆametros de difeomorfismos
{gt}0≤t≤1 de modo que se pode mudar as coordenadas e obter ω = dx1 ∧
dy1+ . . . + dxn∧ dyn.