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Estudos empíricos 3, 4 e

3.1. Estudo 3 – Estudo Piloto

3.2.2. Identidade e Adoção

3.2.3.2. Procedimento e Plano do Estudo

À semelhança do procedimento de recolha de dados utilizado nos estudos anteriores, foi solicitada a colaboração de estudantes dos vários anos do Mestrado Integrado em Psicologia da FPCEUP, no sentido de responderem ao questionário e de pedirem a uma ou duas pessoas dos seus conhecimentos, para também responderem ao mesmo. Este foi-lhes descrito como estando enquadrado numa investigação no âmbito do Programa Doutoral em Psicologia, e ao abrigo do suposto Programa de Desenvolvimento Integral da Criança (PDIC). Foram também informados de que a sua colaboração seria de carácter voluntário e garantido o anonimato e confidencialidade das suas respostas.

Finalmente, foi-lhes fornecida uma breve instrução relativamente ao processo de resposta. Foi-lhes explicado que depois de responderem ao questionário, este seria recolhido e teriam de responder a uma folha com questões de verificação experimental, onde lhes seria solicitado que avaliassem aspetos relativos à qualidade do questionário.

Na primeira página do questionário estava impresso “Modelo 3 – Protocolo de recolha de dados (Versão Definitiva)” e existia um retângulo onde estava escrito à mão um número, que pretendia passar a imagem de ser aquele o número de questionários recolhidos até então. Era justificado pela suposta necessidade de emparelhar cada questionário com a folha final das questões relativas à qualidade do mesmo, onde existia um outro retângulo, no qual seria escrito manualmente o mesmo número.

Na segunda página do questionário era feito um enquadramento geral do estudo, bem como fornecida uma instrução relativa ao procedimento de resposta a adotar. Eram ainda recolhidos os dados demográficos (sexo, idade e anos de escolaridade).

Foram efetuadas três manipulações, das quais resultaram oito condições experimentais. À semelhança de estudos anteriores (e.g. Gato et al., 2012; King & Black,

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1999; Massey, 2007), as manipulações experimentais foram efetuadas através da apresentação de uma vinheta. No presente estudo, esta era relativa ao comportamento exibido por uma criança. Consoante a condição experimental, na vinheta eram manipuladas a nacionalidade do agregado familiar da criança (português vs. espanhol), o tipo de filiação (filiação biológica vs. filiação adotiva) e o tipo de comportamento exibido pela criança (normativo vs. desviante).62

Assim, o plano fatorial era um 2 (Nacionalidade: Português vs. Espanhol) x 2 (Tipo de Filiação: Biológica vs. Adotiva) x 2 (Tipo de Comportamento: Normativo vs. Desviante).63

3.2.3.3. Medidas Dependentes

Os participantes foram convidados a facultar a sua opinião relativamente a um conjunto de assuntos, que operacionalizam as medidas que abaixo se descrevem (cf. Anexos 4 e 5).

3.2.3.3.1. Características sociodemográficas.

Foi pedido aos participantes que reportassem o seu sexo, idade e anos de escolaridade.

3.2.3.3.2. Valor atribuído aos níveis pessoal e social da identidade.

Medido por um conjunto de 18 itens focalizados na valorização da identidade pessoal e da identidade social (EIPS – Escala de Identidade Pessoal e Social; e.g. Monteiro et. al, 2009), numa escala de resposta variável entre 1 (discordo totalmente) e 9 (concordo

totalmente).

3.2.3.3.3. Avaliação do comportamento-alvo.

O comportamento da criança-alvo foi avaliado através de quatro itens: (1) “Em que medida considera aceitável o comportamento desta criança?” (1 = nada aceitável a 9 =

62 Por questões ligadas à simplificação do desenho experimental, optámos por não manipular o grupo sexual de pertença

da criança-alvo. De referir também que no estudo-piloto, no qual foram testados os comportamentos que utilizámos, não se verificaram diferenças que fossem devidas ao grupo sexual de pertença do alvo (cf. secção “Julgamentos dos Comportamentos-Alvo em Função do Sexo do Participante e do Grupo Sexual de Pertença do Alvo”, p. 178).

63 Tal como referido anteriormente (cf. secção “Seleção de Comportamentos-Alvo Para os Estudos 4 e 5”, p. 178), foram

utilizados dois comportamentos normativos e dois comportamentos desviantes. A decisão de utilizarmos neste estudo um plano experimental com duas VIs (Tipo de Filiação e Nacionalidade), prendeu-se com a utilização de um desenho experimental equivalente entre este estudo e o estudo subsequente. No Estudo 5 analisaremos a interação entre o Tipo de Filiação e a Orientação Sexual dos pais do alvo. Deste modo, torna-se possível estabelecer neste estudo a atitude face ao Tipo de Filiação, que será subsequentemente reanalisada, no Estudo 5, na sua relação com a variável Orientação Sexual.

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totalmente aceitável); (2) “Na sua opinião, este é um comportamento …” (1 = nada frequente

a 9 = muito frequente); (3) “Para si, este comportamento é …” (1 = muito incorreto a 9 =

muito correto); (4) “Acha que este comportamento deve ser…” (1 = muito castigado a 9 = muito recompensado).

3.2.3.3.4. Avaliação da criança-alvo.

A avaliação da criança-alvo foi efetuada através de um conjunto de 15 características: “bem-comportada”, “inteligente”, “altruísta”, “bem-ajustada”, “responsável”, “honesta”, “sensível”, “bem-educada”, “com bom caráter”, “boa amiga”, “dócil”, “sociável”, “respeitadora de regras”, “competente” e “com temperamento fácil”. O participante devia posicionar-se em cada uma delas, assinalando em que medida essa característica se aplicava à criança-alvo apresentada na vinheta, numa escala variável entre 1 (não se aplica nada) e 9 (aplica-se muito). Deviam fazê-lo ainda num item final de impressão geral acerca do alvo: “Em termos gerais, com que impressão ficou a respeito desta criança?” (1 = muito negativa a 9 = muito positiva).

Com os primeiros 15 itens foi criada uma medida correspondente à sua média e que designámos de Avaliação Geral (α = .93).

3.2.3.3.5. Questões de verificação experimental.

Com o intuito de analisar até que ponto os participantes foram sensíveis às manipulações experimentais, na folha de verificação foram introduzidas três questões de controlo: (1) “A criança do caso descrito é”, com as opções de resposta: portuguesa vs. espanhola vs. não especificado; (2) “A criança do caso descrito é”, com as opções de resposta: filha biológica vs. filha adotiva vs. não especificado e (3) “O comportamento da criança é”, com as opções de resposta: disruptivo vs. adequado vs. não me lembro.

Com o intuito de camuflar o verdadeiro objetivo destas questões, foram também incluídas outras questões, das quais destacamos: (1) “A criança do caso descrito é”, com as opções de resposta: um rapaz vs. uma rapariga vs. não especificado. A resposta dada pelos participantes a esta questão também é analisada.

3.2.4. Resultados64

64 Número total de dados da base = 6279;número total de valores omissos na base: 35 (0.56 %); variável com mais valores

omissos = 4 (2.48 %); número máximo de valores omissos por participante = 2 (5,13 %; 2 valores omissos em 39 variáveis).

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3.2.4.1. Estrutura Fatorial da Escala EIPS

A ACP sobre os itens da escala EIPS revelou uma estrutura fatorial com duas componentes (forçada com base em critério gráfico), globalmente consistente com a organização definida previamente e que explica 43.5 % da variância. O resultado desta análise é apresentado no Quadro 3.3.

194 Quadro 3.3.

Valorização dos Níveis de Autodefinição da Identidade. Solução Fatorial, após Rotação Varimax, Médias e Desvios-Padrão

Saturação Comun. Média DP Componente 1 (24.25 %): Identidade Social (IS) (α = .83)

8. Encontramos nos grupos o que nos define. . 80 .64 5.52 1.75 7. Definimo-nos pelos grupos a que pertencemos. . 79 .63 4.99 2.06 5. Definimo-nos pelos padrões dos grupos a que

pertencemos. . 75 .56 .4.73 2.19

6. Os grupos têm reflexo naquilo que sou. . 71 .51 6.42 1.70 1. Os grupos contribuem para definir quem sou. . 70 .49 6.93 1.69 3. O que partilhamos com grupos é a essência do

que somos. . 64 .44 5.85 1.92

4. Tenho fortes laços com os grupos a que

pertenço. . 51 .26 6.97 1.69

2. O que acontece com os grupos influência a

minha vida. . 46 .22 6.78 1.62

Componente 2 (19.25 %): Identidade Pessoal (IP) (α = .76)

7. Definimo-nos ao sermos "nós próprios". . 75 .57 7.33 1.54 5. A "essência" de cada pessoa está dentro de si. . 67 .48 7.38 1.35 3. Definimo-nos ao procurar ser "únicos". . 64 .43 6.81 1.99 8. Para definir quem somos temos de ser

independentes dos outros. . 63 .40 4.91 2.41

6. Para ter uma opinião pessoal sobre as coisas que me

importam, mais vale pensar por mim mesmo(a). . 60 .36 6.60 1.98 2. Aquilo que nos define como pessoas deve ser

encontrado dentro de nós. . 59 .38 7.19 1.50

4. Depender apenas de mim é importante para ter

mais controlo sobre o que me acontece. .55 .34 5.78 2.22 1. As pessoas que dependem apenas de si próprias

progridem mais facilmente na vida. .44 .25 4.89 2.16

Notas: Os valores variam entre 1 = discordo totalmente e 9 = concordo totalmente. Na Componente 1, apesar do item 2 apresentar um valor baixo de comunalidade, decidimos retê-lo na estrutura, pois não teve impacto significativo na consistência interna da escala e também porque era teoricamente esperado que integrasse esse fator.

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3.2.4.2. Valor Atribuído aos Níveis Pessoal e Social da Identidade

Embora as medidas de valorização do IP e do IS tenham sido recolhidas previamente a quaisquer manipulações experimentais, testámos a equivalência da diferença de valorização entre estes dois níveis de identidade através das condições experimentais. A ANOVA não revelou quaisquer efeitos significativos (F7, 153 < 1).

Em termos globais, os participantes valorizam positivamente tanto o nível pessoal da sua identidade, como o nível social (respetivamente, M = 6.36, DP = 1.16 e M = 6.02, DP = 1.25; t160 = 14.89, p < .001, e t160 = 10.41, p < .001, respetivamente para IP e IS, quando comparadas com o ponto médio [5] da escala de resposta). No entanto, e à semelhança dos estudos anteriores, verificamos novamente que os participantes valorizaram mais fortemen*te o nível pessoal, do que o nível social da sua identidade (t160 = 2.59, p = .01).65

Uma vez que utilizámos neste estudo dois comportamentos normativos e dois comportamentos desviantes, apresentamos de seguida as análises comparativas que efetuamos entre os comportamentos-alvo e as crianças-alvo, nas várias medidas dependentes.

3.2.4.3. Avaliação do Comportamento-Alvo