• Nenhum resultado encontrado

PROCEDIMENTO ESPECIAL DO TRIBUNAL DO JÚRI:

- Art. 406 CPP;

- Art. 5º, XXXVIII da CF/88;

- Competência para julgar os crimes dolosos contra a vida, tentados e consumados;

- O júri julga o crime doloso contra a vida e os conexos;

- Se aplica no júri os princípios da soberania dos vereditos, da plenitude de defesa e dos sigilos nas votações;

- NÃO há que se falar no júri sem uma defesa técnica efetiva;

- As decisões proferidas no tribunal do júri apenas poderão ser reformadas em hipóteses limitadas; as decisões proferidas pelo tribunal do júri (após o transito em julgado) admite-se a Revisão Criminal (Art. 621 CPP / ação autônoma); SÓ o réu pode desconstituir a coisa julgada; SÓ o réu pode oferecer uma Revisão Criminal (Favor Rei);

- O tribunal do júri é uma garantia fundamental, assim como a Revisão Criminal; por isso se admite a Revisão Criminal para atacar as decisões condenatórias;

- O procedimento no Tribunal do Júri é bifásico: sumário de culpa e plenário (mérito);

- Sumário de culpa: Art. 406 CPP;

- Plenário: Art. 422 CPP;

Primeira Fase: revela um juízo de admissibilidade da acusação; quem irá julgar a causa nessa primeira fase é um juiz togado (juiz de direito); é esse juiz que admite ou não a acusação dolosa contra a vida;

- A causa é analisada por sete jurados, com juízes naturais e um conselho de sentença;

eles irão analisar o mérito da imputação penal; também haverá um juiz presidente (juiz de direito / que irá presidir a sessão de julgamento / proferir a sentença);

- Art. 29 CPP; Se o MP não oferecer a denuncia no prazo legal, pode os sucessores ou o ofendido oferecer uma denuncia na Ação Penal subsidiária da pública;

- O juiz deve rejeitar a denuncia penal se faltar justa causa; Art. 395, III CPP; dessa decisão que rejeita a denuncia ou queixa cabe RESE (Art.581, I CPP);

- Após o recebimento da denuncia, o réu será citado pessoalmente para apresentar uma Reposta à Acusação, no prazo de 10 dias, podendo arrolar até 08 testemunhas, Art. 406 CPP;

- O juiz irá abrir vistas ao MP para pronunciar sobre preliminares e documentos acostados na defesa, o MP irá apresentar uma Réplica, Art. 409 CPP;

- A resposta à acusação no Tribunal do Júri é uma pela imprescindível;

- Após a Réplica, temos a fase do Art. 410 CPP; onde o juiz faz o saneamento do processo e designa a audiência de instrução e julgamento; aqui no Tribunal do Júri é UNA;

- Expressamente no procedimento do júri NÃO temos o julgamento antecipado da lide, Art.397 CPP, absolvição sumária (precoce);

- A doutrina majoritária (ex. Nestor Távola) admite uma aplicação da absolvição sumária, o julgamento antecipado da lide; MAS OBSERVE que é o entendimento da doutrina; se a prova perguntar com base no CPP, NÃO tem previsão legal!

- Art. 411 CPP  ofendido, testemunhas acusação, testemunhas defesa, esclarecimento do PERITO (UM ÚNICO PERITO), acareação, reconhecimento de coisas e pessoas e por último o INTERROGATÓRIO;

- Após os debates, o juiz pode:

a) Pronunciar; Art.413 CPP;

b) Impronunciar; Art. 414 CPP;

c) Absolvição Sumária; Art. 415 CPP;

d) Desclassificar; Art. 419 CPP;

Pronuncia:

- Art. 413 CPP;

- Da decisão de Pronuncia cabe RESE; Art. 581, IV CPP; ataca as decisões interlocutórias no processo penal;

- Pronuncia NÃO é sentença, é decisão interlocutória mista e não terminativa;

- Se houver “fumus comissi delicti”, se houver indícios suficientes de autoria + materialidade (= justa causa) o juiz pode pronunciar o réu; o juiz não precisa de certeza de autoria para pronunciar o réu; pronuncia é um “re-recebimento” da denuncia;

- A pronuncia é um “in dúbio por societá”, o juiz pode pronunciar em favor da sociedade;

- O juiz NÃO pode fazer juízo de valor, juízo de certeza; apenas vai dizer que há indícios de autoria + materialidade + capitulação jurídica dos fatos (= tipificação legal);

Impronuncia:

- Art. 414 CPP;

- Da decisão de impronuncia cabe Apelação; Art. 416 CPP;

- O juiz NÃO se convence dos indícios suficientes de autoria e da materialidade;

- Não está convencido do “fumus comissi delicti”;

- A impronuncia é uma sentença; NÃO encaminha o réu para o júri;

- NÃO é uma absolvição, porque não faz coisa julgada material; se surgir NOVAS provas, o réu pode ser novamente denunciado;

- Enquanto não ocorrer a prescrição, o Estado pode a qualquer momento, com NOVAS provas, pronunciar o réu;

Absolvição Sumária:

- Art. 415 CPP;

- Da decisão de absolvição cabe Apelação;

- É uma sentença que faz coisa julgada MATERIAL; é uma sentença absolutória;

- É uma absolvição que impede a realização do júri;

- Hipótese de inimputabilidade penal e medida de segurança, se a doença penal (Art. 26 CP), se for a ÚNICA tese defensiva;

Desclassificação:

- Art. 419 CPP;

- Da desclassificação cabe RESE; decisão que reconhece a incompetência do juízo; Art.

581, II CPP;

- Declinatória de competência;

- Decisão interlocutória;

- Na primeira fase  Encaminhar os autos para o juiz competente; Vara Crime competente;

- Se a desclassificação ocorrer na segunda fase, operado pelos jurados, cabe ao juiz presidente julgar o novo fato;

OBS: Art. 397 CPP também cabe Apelação;

Segunda Fase / Plenário:

- Apresentada uma simples petição apresentada pelas partes, no prazo de 05 dias, onde as partes irão arrolar testemunhas e requerer diligencias para a fase de plenário; MP e

réu; Art. 422 CPP;

- Nessa fase há uma nova instrução; ouvido: ofendido, testemunhas e interrogatório do réu; após essa ordem vem os debates; por fim a decisão será proferida pelos SETE JURADOS (conselho de sentença);

- Nessa segunda fase o mérito da causa é analisado pelos jurados e NÃO pelo juiz presidente;

- As partes (réu e MP) NÃO podem fazer qualquer menção à decisão de pronuncia; mas desde 2008, a cópia da pronuncia é entregue aos jurados;

- As partes NÃO podem fazer menção ao silencio do réu; é um direito do acusado; Art.5º, LXIII da CF (direito ao silencio, direito a não auto-incriminação / hipótese de nulidade);

- As partes no debate NÃO podem fazer qualquer alusão à utilização das algemas; Art.

474 CPP; é uma medida excepcional (não é regra); no júri vigora a intima convicção;

- Art. 492 CPP; necessariamente ao jurado deve ser feito a pergunta: “o jurado absolve o réu?”; os jurados são soberanos e podem absolver o réu por qualquer motivo;

- Aos jurados também serão quesitadas as qualificadoras, uma majorante (causa de aumento de pena) ou causa de diminuição de pena; o jurado é que irá decidir;

- Atenuantes e agravantes não precisam ser quesitados aos jurados; porque quem aplica a pena é o juiz presidente; basta que as partes arguam nos debates;

RECURSOS

1. Conceito: recurso não é uma nova ação penal; recurso é um PROLONGAMENTO da ação penal de primeiro grau; as partes são as mesmas; se o recurso for interposto pelo MP, é um prolongamento do direito de ação; se for interposto pelo réu, é um prolongamento do direito de defesa; o MP na ação penal é um fiscal da ordem jurídica, fiscal da correta aplicação da lei penal, por isso que o MP também pode interpor recurso em favor do réu;

OBS: HC e Revisão Criminal NÃO são recursos; HC = Art. 647 CPP e RC = Art. 621 CPP; são ações autônomas de impugnação; HC pode ser impetrado por qualquer pessoa;

HC visa proteger a liberdade individual; RC não é recurso, é uma ação impugnativa, tem cabimento após a coisa julgada, após o transito em julgado de uma sentença condenatória, e APENAS o acusado pode impetrar a revisão criminal;

2. Regras ou Princípios:

2.1. Princípio da Reformatio In Pejus: Art. 617 CPP; proibição de uma reforma para piorar a situação do acusado; se APENAS o réu interpuser recurso, o Tribunal ao julgar o recurso NÃO poderá piorar a situação do mesmo (Reformatio in pejus Direta); o Tribunal NÃO pode agravar a situação do réu, se apenas ele recorrer da decisão; Reformatio in Pejus Indireta se a sentença de primeiro grau for anulada, quando o juiz for proferir uma nova decisão NÃO pode piorar a situação do acusado;

OBS: Súmula 160 STF; no processo penal o efeito devolutivo dos recursos sofre uma limitação justamente por causa da reformatio in pejus; pois, mesmo que seja uma nulidade absoluta não arguida, o Tribunal NÃO pode reconhecer de ofício contra o acusado;

Reformatio in Pejus no Tribunal do Júri: a reformatio in pejus INDIRETA NÃO se aplica ao tribunal do júri ao conselho de sentença (aos jurados); o júri é soberano, porque pode reconhecer uma qualificadora;

2.2. Reformatio In Mellius: reforma para melhor a situação do acusado; é um beneficio;

ocorre quando APENAS a acusação tenha recorrido; o Tribunal poderá melhorar a situação do acusado quando APENAS o MP recorrer; o STF NÃO admite a situação da reformatio in mellius quando apenas o MP recorrer para piorar a situação do réu;

Condenação Recursos Acórdão

01 ano de condenação; MP e réu recorrem juntos; O Tribunal pode TUDO, pode melhorar a situação do réu, pode piorar ou manter a situação do réu;

01 ano de condenação APENAS o MP recorreu, para piorar a situação do réu;

O Tribunal pode TUDO, pode melhorar a situação do réu, pode piorar ou manter a situação do réu; ficar atento apenas à súmula 160 STF;

Nesse caso, de apenas o MP recorrer, o Tribunal pode melhorar a situação (Reformatio in Mellius);

01 ano de condenação; APENAS o réu recorre Art. 617 CPP; o Tribunal NÃO pode piorar a situação, apenas melhorar ou manter a mesma situação do réu;

2.3. Princípio da Taxatividade dos Recursos: também conhecido como o Princípio da Legalidade; a regra no processo penal é que, as decisões interlocutórias e os despachos de mero expediente são irrecorríveis; uma decisão SOMENTE será atacada se houver previsão legal nesse sentido; ex: Art. 581 CPP – RESE – as hipóteses desse recurso são taxativas;

2.4. Princípio da Unirrecorribilidade Recursal ou Singularidade: Art. 593, §4º CPP; de cada decisão proferida no processo penal em regra, se admite a interposição de um único recurso; ex: se uma decisão puder ser atacada por RESE ou Apelação, tem que interpor o recurso mais amplo, no caso a apelação;

2.5. Princípio da Fungibilidade: Art. 579 CPP; a parte não vai se prejudicada pela interposição errônea de um recurso, SALVO se houver má fé do recorrente;

2.6. Princípio da Indisponibilidade dos Recursos: se aplica em relação às ações penais públicas, mas especificamente em relação ao MP; Art. 576 CPP; uma vez interposto um recurso pelo MP, o mesmo não pode desistir do recurso; Súmula 705 STF;

3. Espécies:

3.1. APELAÇÃO:

- Art. 593 CPP;

- Art. 82 da Lei 9.099/95;

- Princípio do duplo grau de jurisdição;

- Apelação é um recurso ordinário, atacam decisões de PRIMEIRO GRAU;

- As hipóteses de cabimento da apelação são (Art. 593 CPP):

I – de sentenças condenatórias ou absolutórias proferidas por juiz singular (de primeiro grau) cabe apelação; ex: Art. 397 CPP – absolvição sumária;

II – contra decisões interlocutórias cabe apelação; decisões definitivas ou com força de definitivas proferidas pelo juiz singular; as decisões que NÃO são casos de RESE cabem apelação; ex: a decisão que inutiliza trechos da interceptação telefônica;

III – hipóteses de apelação contra decisões proferidas no Tribunal do Júri na SEGUNDA FASE (Plenário / decisões proferidas pelos jurados);

a) nulidade posterior à pronuncia, nulidade em plenário;

b) erro do juiz presidente; o Tribunal reforma integramente a decisão; exercer um juízo rescisório; não precisa a realização de um novo julgamento;

c) erro do juiz presidente; o Tribunal reforma integramente a decisão; exercer um juízo rescisório; não precisa a realização de um novo julgamento;

d) quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária às provas dos auto; o Tribunal deverá realizar um novo júri, independente de quem será o beneficiado;

OBS: Essa apelação do inciso III do Art. 593 CPP, é uma apelação limitada às alíneas impugnada; o efeito devolutivo da apelação do júri é limitado; Súmula 713 STF;

Apelação Subsidiária: não está expressa no Art.593 CPP; ela está prevista no Art. 598 CPP; se o MP não interpuser a decisão dentro do prazo, pode o ofendido, ainda que não esteja habilitado como assistente de acusação nos autos, interpor a apelação subsidiária;

no prazo de 15 dias;

- Prazo de 05 dias para interposição do recurso, e um prazo de 08 dias para apresentar as razões; Art. 593 e 600 CPP;

- Na lei 9.099/95 o prazo é diferente; Art. 82, a apelação tem um prazo único de 10 dias;

nos crimes de menor potencial ofensivo;

3.2. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO – RESE:

- Art. 581 CPP;

- Atacar as decisões interlocutórias;

- Sua interpretação é taxativa;

- Incisos importantes:

I – cabe RESE para atacar a decisão que rejeita a denuncia ou queixa;

IV – cabe RESE para atacar pronuncia Art. 413 CPP;

X – cabe RESE para atacar a decisão que concede ou denega a ordem de HC em primeiro grau; (HC em segundo grau cabe ROC / Art. 105, II da CF);

XV – cabe RESE da decisão que denega o apelo ou julga a apelação deserta;

OBS: A fuga do réu não pode ser fundamento para julgar a apelação deserta (não seja recebida); não é um fato extintivo ou punitivo para o direito de recorrer;

OBS: Se a apelação for “engavetada” pelo juiz, cabe RESE; mas se o RESE não for recebido ou não tenha seguimento, cabe CARTA TESTEMUNHAL, Art. 639 CPP; a carta testemunhável é endereçada ao escrivão da vara crime; é um recurso subsidiário;

- Prazo de 05 dias para a interposição do recurso; Art. 586 CPP; e um prazo de 02 dias para apresentar as razões;

- Despronúncia = impronúncia;

- Há possibilidade do juízo de retratação;

3.3. AGRAVO EM EXECUÇÃO:

- Lei nº 7.210/84; Art. 197;

- É um recurso para atacar as decisões proferidas pelo juiz da vara de execuções penais;

é como se fosse um RESE em sede de execução penal;

- Prazo igual ao RESE; Súmula 700 STF; prazo de 05 dias;

- Há possibilidade do juízo de retratação; Art. 589 CPP;

3.4. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO:

- Omissão, ambiguidade, contradição, obscuridade;

- Art. 382 e 619 CPP;

- Prazo de oposição de 02 dias;

- Embarguinhos ataca as decisões de primeiro grau; Art. 382 CPP;

- Art. 83 da Lei 9.099/95; Prazo de 05 dias; quando houver dúvida cabe embargos de declaração;

3.5. EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE:

- Art. 609, § único CPP;

- Recurso incidente ao julgamento do RESE, Apelação ou Agravo em execução; porque se for proferida uma decisão NÃO UNÂNIME e PREJUDICIAL ao réu, no julgamento de um RESE ou apelação ou agravo é possível a interposição dos embargos infringentes;

- Prazo de 10 dias;

- Atacam questões de mérito;

Documentos relacionados