5 MODELO DE ANÁLISE
6.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS
Para a geração das informações necessárias à pesquisa realizada, esse estudo de casos múltiplos combinou o uso de fontes primárias e secundárias. Fontes essas, segundo Vergara (2008), geradoras de dados primários, quando se referirem àqueles coletados especificamente para a presente pesquisa e de dados secundários, quando já existentes, seja sob a forma de documentos, registros ou pesquisas anteriores.
Assim, de modo a se identificar e obter provas que ratificassem ou não as premissas desse trabalho, foram utilizados para a coleta de dados primários, o recurso da entrevista associado ao uso de questionário, ambos considerados no dizer de Gil (2009), bons exemplos de técnicas de interrogação. Tanto as entrevistas, com roteiros semiestruturados (Apêndices D, E, F e G), como os itens fechados formulados para os questionários (Apêndices I, J e K) tiveram como base, o referencial teórico empregado para as discussões nessa investigação. Esses recursos guardaram entre si o mesmo teor e permitiram o confronto das respostas de um em relação ao outro, especialmente o contraponto dos resultados amostrais dos questionários em relação às respostas dadas nas entrevistas individuais com os sujeitos observados no nível de coordenação e também nos grupos focais com os estudantes.
O período das coletas de dados ocorreu entre os meses de outubro de 2011 a março de 2012, fase em que, caso a caso, foram feitas as entrevistas e aplicados os questionários com todos os sujeitos de pesquisa definidos e necessários para melhor captação da realidade referente ao objeto da investigação. Em cada unidade de análise fora feita a identificação do setor responsável pela UAB ou pelo curso piloto da UAB e, em seguida, do seu dirigente ou das pessoas por ele indicadas, com propriedade para fornecer os dados de interesse desse trabalho.
Dois foram os caminhos de acesso aos sujeitos dessa pesquisa. O primeiro, a partir do contato direto com o coordenador UAB de cada uma das instituições e o segundo, mediante o contato com a coordenação do referido curso piloto. As alternativas apresentadas não se excluíram e em determinadas ocasiões se sobrepuseram e se complementaram para garantia da coleta dos dados no prazo especificado. A partir desses contatos foram feitos e confirmados os agendamentos das entrevistas individuais e das articulações com 8 a 10 alunos aleatoriamente selecionados, para que compareceram voluntariamente aos encontros programados para realização de entrevistas sob a forma de grupo focal. Por ocasião das visitas foram solicitadas, entre outros documentos, as relações de e-mails de todos os professores, tutores e alunos do curso para envio dos questionários eletrônicos elaborados.
Todos os três recursos de coleta de dados utilizados nesse trabalho (entrevistas, grupos focais e questionários on-line) foram estruturados com base nas dimensões das categorias de análise - Estrutura Organizacional e Sistema de EAD, conforme demonstrado no capítulo relativo à síntese da literatura e modelo de análise. Dessa maneira, os sujeitos de pesquisa responderam pontualmente ao conjunto de questões relativas aos componentes das dimensões, associadas à sua área de competência ou vivência. Diante da redundância de determinados contextos e para que fossem comparadas as impressões de diferentes categorias
de respondentes, algumas questões foram repetidas nos diferentes instrumentos em cada uma das unidades de análise.
As entrevistas em profundidade foram realizadas mediante o contato pessoal e direto com um único respondente por vez, como recomenda (MALHOTRA, 2006). Nesse caso, em todas as unidades de análise, os sujeitos de pesquisa foram os coordenadores institucionais da UAB, os coordenadores do curso piloto e os seus coordenadores de tutoria, escolhidos em função da representatividade e conhecimento em relação ao objeto da pesquisa. Para não haver descompasso temporal nas suas considerações, todos eles foram orientados reiteradas vezes a considerar em suas respostas, o período que antecedeu à realização do Enade em 2009. Seguindo-se a um roteiro semiestruturado de questões relacionadas às premissas delineadoras e os interesses dessa investigação (TRIVIÑOS, 2006), todos os diálogos (com duração média de 50 minutos) foram gravados digitalmente com o consentimento dos entrevistados, que invariavelmente, indicaram os locais e horários de encontro, conforme suas conveniências.
Como as ações diretas das unidades de observação em nível de coordenação e principalmente dos tutores, via de regra, têm como alvo e repercutem às vistas do alunado, elegeu-se o corpo estudantil para realização das entrevistas sob o formato de grupo focal. Interessava captar dos estudantes, a partir das experiências pessoais (GATTI, 2005), suas impressões acerca de questões também submetidas aos demais sujeitos de pesquisa. Para Oliveira e Freitas (1998) essa técnica possibilita o agrupamento de percepções e histórias vividas em determinados contextos, mediante a manifestação de diferentes vozes em relação a um mesmo tema. Dadas as dificuldades do pesquisador para localização e mobilização dos estudantes em torno de um grupo focal na sede das instituições de ensino, fora solicitado aos coordenadores do curso piloto que articulassem as reuniões de acordo com a disponibilidade dos participantes. Das três unidades de análise consideradas, houve quórum para realização do grupo focal na UEPB (10 alunos) e na Uema (8 alunos).
O terceiro instrumento para coleta de dados utilizado nesse trabalho foi o recurso do questionário, elaborado tendo por base o próprio roteiro semiestruturado das entrevistas, uma vez que os dados que se pretendia obter, em perspectiva ampliada, eram os mesmos delas derivados. O referido questionário se apresentou no formato on-line, dado o seu mecanismo de elaboração, envio, preenchimento, devolução e armazenamento terem ocorrido exclusivamente pela internet via plataforma do “Google Docs”. Foram elaborados três questionários, um para cada sujeito de pesquisa (alunos, professores e tutores), enviados por correio eletrônico simultaneamente e em três ocasiões distintas entre os dias 01 a 22 de março
de 2012 com acesso e devolução permitida até o dia 31 de março de 2012. O Quadro 16 detalha os quantitativos de questionários enviados e respondidos por unidade de análise e observação, bem como discrimina as taxas de retorno em termos percentuais para cada um deles.
Quadro 16: Taxa de retorno dos questionários on-line
Dentre todos os participantes da pesquisa em todas as instituições de ensino, os tutores foram os que mais responderam aos questionários enviados, chegando ao percentual de 51,4% no caso da UEMA. Por outro lado, em geral, os professores foram os que menos retornaram com respostas à coleta, exceto também no caso da UEMA, onde foram os alunos que apresentaram a menor taxa de retorno. Vale destacar que a taxa de retorno nas três universidades variou de 31,3% (UEMA) a 44,06% (UFC). O cálculo para obtenção do percentual de taxa de retorno considerou somente a quantidade de questionários válidos enviados, ou seja, o número de e-mails informados pela coordenação do curso que não apresentaram nenhum erro durante o envio. Como em todas as relações de endereços eletrônicos fornecidas foram identificadas inconsistências, o número total de respondentes não corresponde ao universo das unidades de observação.
Ressalta-se que no processo de construção dos roteiros para as entrevistas individuais e grupos focais, bem como para a formulação dos questionários da pesquisa, todas as questões formuladas foram devidamente submetidas à análise de validação de juízes. Segundo Pasquali (1997, p. 95) esse procedimento “visa estabelecer a compreensão dos itens (análise semântica) e a pertinência dos mesmos ao atributo que pretende medir”. Para esse trabalho foram convidados nove juízes e sete aceitaram, dentre especialistas com estudos no campo da administração e da educação a distância, considerados aptos para avaliar a relação
Unidades de análise Unidades de observação Questionários Enviados Questionários Respondidos TAXA DE RETORNO (%) UEMA Alunos 292 81 27,74 Professores 29 12 41,4 Tutores 37 19 51,4 Total da UEMA 358 112 31,3 UEPB Alunos 56 24 42,9 Professores 23 8 34,8 Tutores 15 7 46, 7 Total da UEPB 94 39 41,5 UFC Alunos 102 43 42,16 Professores 18 6 33,33 Tutores 116 55 47,41 Total da UFC 236 104 44,06 Totais gerais 688 255 37,06
entre as questões propostas com os dois fatores correspondentes à natureza das dimensões que compõem as categorias de análise desse trabalho (estrutura organizacional e sistema de EAD). Independentemente do tipo de respondente, originalmente foram elaborados 53 itens indistintamente (APÊNDICE A), submetidos à análise de conteúdo feita por juízes a fim de que fossem verificadas se todas as questões propostas eram pertinentes às dimensões designadas por este pesquisador (PASQUALI, 1999). Nesse trabalho o indicativo para essa compreensão se deu a partir da verificação de um consenso mínimo de 70% entre os analistas sobre a pertinência de um item em relação ao fator considerado.
Diante da análise dos juízes, 16 questões propostas não foram validadas e tiveram que ser eliminadas, visto que não alcançaram o percentual aceitável de concordância para esse trabalho e nem fora recomendado qualquer ajuste para reapresentação das mesmas. Permaneceram ao final do julgamento 37 itens (APÊNDICE B) no rol de quesitos para os instrumentos de coleta, dos quais 17 foram vinculados ao fator 1 (estrutura organizacional) e os outros 20 ao fator 2 (sistema de EAD). Registra-se que dentre esses, 27 itens tiveram nível de concordância entre juízes superior a 80%, cinco foram analisados com consenso entre 70% e 80% e os outros cinco itens, apesar não terem obtido nível de consenso superior a 70%, tiveram que ser ajustados em sua formulação e mantidos na pesquisa dada a importância teórica do seu conteúdo para o trabalho.
Paralelamente à coleta dos dados primários, foi realizada ainda uma coleta dos dados secundários, a partir de um levantamento documental, utilizando-se como fonte, subsídios documentais das próprias instituições de ensino e do Ministério da Educação. Nesse tipo de pesquisa, segundo Godoy (1995, p. 21), os documentos geralmente constituem-se fontes de dados de grande relevância e representam “uma forma que pode se revestir de um caráter inovador, trazendo contribuições importantes no estudo de alguns temas”.
Com esse propósito, foram utilizados para consecução dessa investigação, entre outros subsídios documentais, os relatórios dos cursos a distância de administração (projeto piloto da UAB) publicados pelo INEP/MEC em 2009. No primeiro caso, interessava saber como se associavam as médias por curso em relação aos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. No caso dos relatórios, além dos detalhamentos acerca dos conceitos obtidos por cada uma das instituições de ensino avaliadas no Enade era importante conhecer quais foram os resultados da análise do questionário do estudante, especialmente no que tange aos aspectos socioeconômicos do seu perfil demográfico.
Essa abordagem permitiu a coleta de dados e de evidências concernentes às questões levantadas, seja pela obtenção de respostas detalhadas ou mesmo pela captação de
atitudes e sensações dos sujeitos, especialmente em função das suas próprias experiências no campo de estudo.