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3 Procedimentos metodológicos

3.2 Procedimentos de coleta de dados

Em relação à pesquisa qualitativa, Creswell (2009) afirma que coleta de dados é uma série de atividades inter-relacionadas a fim de garantir boas informações para pesquisa e que os passos iniciais seriam identificar local e indivíduo, conseguir acesso e estabelecer a amostra intencional. Segundo o autor, somente após essa identificação o pesquisador deveria optar pelos tipos de coleta de dados que poderiam ser entrevista, observação, levantamento documental e material audiovisual. Na presente pesquisa, todos esses tipos de coleta de dados foram utilizados, como descritos no Quadro 1 (3) a seguir:

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Para permitir melhor compreensão do texto, adota-se para essa dissertação o título do programa “Mundo Limpo, Vida Melhor” para se referir ao projeto relacionado à coleta de óleo de cozinha através da logística reversa.

Objetivo Instrumento Sujeito Mapear o processo de logística reversa

do programa “Mundo Limpo, Vida Melhor”

Levantamento documental e bibliográfico

Entrevista Representantes da ASA

Observação não-participante Identificar os diferentes stakeholders

envolvidos no processo logística reversa de óleo de cozinha do programa “Mundo Limpo, Vida Melhor”

Levantamento documental, audiovisual e bibliográfico

Entrevista Representantes da ASA

Descrever o envolvimento dos

stakeholders no processo de logística

reversa de óleo de cozinha do programa “Mundo Limpo Vida Melhor”

Entrevista Representantes da ASA Representantes dos stakeolders–chave selecionados Observação não-participante

Análise dos dados coletados

Quadro 1 (3): Relação entre objetivos e instrumentos de coletas de dados. Fonte: A autora

Como técnica de investigação, utilizou-se inicialmente a pesquisa documental e bibliográfica, fazendo uso do acervo de livros, revistas, e documentos organizacionais (VERGARA, 2010), cujo intuito foi o de analisar como a literatura trata os assuntos pesquisados. Segundo Markoni e Lakatos (2009b), a finalidade dessa etapa é atualizar o autor com o assunto colocando-o em contato direto com aquilo que já foi publicado.

No entanto, a fim de aprofundar o conhecimento acerca dos assuntos pesquisados, fez-se necessário utilizar outras técnicas para a coleta de dados. A principal delas foi a entrevista, cujo objetivo é obter compreensão detalhada de questões relacionadas ao comportamento humano, como crenças e valores, em contextos específicos (BAUER; GASKELL, 2002). Martins e Theóphilo (2009) e Roesch (2009) complementam o objetivo proposto afirmando que as atribuições que os entrevistados fornecem referem-se a contextos não estruturados anteriormente e com base nas suposições e conjecturas do pesquisador.

Para a coleta dos depoimentos por meio de entrevistas, a literatura expõe a possibilidade de realizá-la de três formas distintas: estruturada, semi-estruturada e não estruturada. Na primeira, as perguntas são pré-determinadas, não havendo liberdade para que o pesquisador adapte as questões ou mesmo modifique sua ordem (MARCONI;

LAKATOS, 2009a; 2009b). No extremo oposto, encontram-se as não estruturadas que proporcionam maior liberdade ao entrevistador e oportunidade de explorar e aprofundar assuntos os quais no decorrer do processo pareçam ser mais relevantes (LAVILLE; DIONNE, 2008). Para a pesquisa, optou-se por utilizar a semi-estruturada, a qual agrega os benefícios do roteiro da estruturada com a flexibilidade da não estruturada e, na prática, possibilitou a captação de uma riqueza de detalhes que não seriam coletados se a técnica escolhida tivesse sido a mais rígida.

Já a observação, outro método contemplado na pesquisa, utiliza os sentidos como visão, audição e olfato na obtenção de informações e de determinados aspectos da realidade (FLICK, 2004; MARCONI; LAKATOS, 2009a; 2009b; MARTINS e THEÓPHILO, 2009). Nesse tipo de coleta. o pesquisador faz o registro sistemático de dados, de comportamentos, de fatos e de ações, a fim de entender o fenômeno estudado (VIEIRA; TIBOLA, 2005). É justamente essa sistematização junto ao propósito de sua utilização o que diferencia a observação cotidiana da técnica científica (DENZIN; LINCOLN, 2005), a qual é considerada por Martins e Theóphilo (2009) como busca deliberada de algum tipo de informação, elaborada com atenção e predeterminação.

Assim como no caso das entrevistas, essa técnica apresenta formas diferentes, nesse caso em função do nível de envolvimento do observador com o fenômeno e ambiente pesquisado (MARTINS; THEÓPHILO, 2009). Segundo Marconi e Lakatos (2009a) e Martins e Theóphilo (2009), a observação pode ser participante, no caso de o pesquisador tornar-se integrante do grupo que estuda, que pode tanto gerar benefícios devido à maior proximidade com o fenômeno, como gerar dificuldades para manter a objetividade, já que influencia e é influenciado pelo grupo. Outro tipo possível seria o não-participante, no qual o pesquisador apenas observa a realidade, os fatos, os grupos desejados sem integrar-se a eles (MARCONI; LAKATOS, 2009a; 2009b), para o desenvolvimento da pesquisa optou-se por esse último tipo de observação.

Embora as técnicas utilizadas para a captação dos dados já tenham sido apresentadas, faz-se necessário indicar que o processo de coleta de dados ocorreu em dois períodos. O primeiro aconteceu entre novembro de 2011 e julho de 2012 e o segundo, entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013. Nos períodos apresentados, foram realizadas 4 entrevistas presenciais com os representantes da empresa objeto da pesquisa,

a ASA Indústria e Comércio Ltda., com média de duração de 40 minutos cada. Com o intuito de captar maior quantidade de detalhes sobre os momentos iniciais do programa, a ex-supervisora de meio ambiente da organização também foi entrevistada.

No entanto, como foi possível observar no Quadro 1 (3), as entrevistas não se restringiram aos representantes das organizações, foram incluídos na pesquisa os diferentes stakeholders que, de forma direta ou indireta, exercem influências ou são influenciados pela Coleta Seletiva de Óleo, principal projeto do programa “Mundo Limpo, Vida Melhor” desenvolvido na mesma.

Os stakeholders foram identificados tendo como base a revisão de literatura que subsidiou a análise da organização de quais seriam os stakeholders relevantes. Ressalta- se, contudo, que o critério básico para a seleção dos membros dos diferentes grupos de interessados foi o de acessibilidade. No entanto, outros fatores foram considerados para a escolha dos respondentes. Alguns, devido à sua importância para o projeto, como no caso da COMPESA e do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e outros, por terem sido indicados pela ASA, como no caso do único representante da área educacional e de uma delicatessen.

Devido à dificuldade na identificação de outros membros dos stakeholders selecionados, pelo fato de que por questões de confidencialidade o acesso à lista de fornecedores da ASA haver sido negado, utilizou-se a lista telefônica como base para contatar diferentes empresas do ramo alimentício e identificar aquelas que seriam fornecedoras do programa “Mundo Limpo, Vida Melhor”. As redes sociais também foram utilizadas na tentativa de identificar e de persuadir pessoas físicas e moradores de condomínios fornecedores da ASA a participarem da pesquisa. Sendo assim, ressalta-se que os respondentes foram selecionados por conveniência.

Depois de identificar aqueles que seriam participantes da pesquisa e de utilizar todos os instrumentos escolhidos para a coleta dos dados necessários à efetivação da pesquisa, os dados captados foram analisados com o intuito de responder a pergunta de pesquisa. Sendo assim, na seção a seguir são apresentadas as maneiras através das quais a análise de dados foi realizada.