5. ASPECTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS
5.6 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
O plano de análise e interpretação dos dados partiu do tipo de estudo e das perguntas que a pesquisa pretendeu responder. As contribuições de Domingues (2004), Desin et al. (2006), Godoi (2006) e Yin ( 2005) aos estudos qualitativos serviram de fio condutor para o processo de análise dos dados.
A preparação dos dados e a análise em si teve como fonte Godoy (2006), que destaca princípios e práticas orientadores da análise qualitativa:
1. A análise não é a última fase do processo de pesquisa; ela é concomitante com a coleta de dados ou é cíclica. A análise começa com o primeiro conjunto de dados e torna-se, além de paralela à coleta, integrada aos próprios dados.
2. O processo de análise é sistemático e abrangente, mas não rígido. Caminha de forma ordenada, requer disciplina, uma mente organizada e perseverança. A análise só termina, quando novos dados nada mais acrescentam. Neste ponto, diz-se que o processo analítico “exauriu” os dados.
3. A análise de dados inclui uma atividade reflexiva que resulta em um conjunto de notas que guia o processo, ajudando o pesquisador a mover-se dos dados para o nível conceitual.
4. Os dados são segmentados, isto é, divididos em unidades relevantes e com sentido próprio, mantendo, no entanto, a conexão com o todo. A análise se concentra em conjuntos de partes dos dados, cada vez menores e mais homogêneos.
5. Os segmentos de dados são categorizados de acordo com um sistema de organização, que é predominantemente derivado dos próprios dados. O material pertencente a cada categoria particular é agrupado, tanto conceitual como fisicamente, de forma indutiva.
6. A principal ferramenta intelectual é a comparação. O método de comparar e contrastar é usado praticamente em todas as tarefas intelectuais, durante a análise, para formar as categorias, estabelecer suas fronteiras, atribuir segmentos de dados às categorias, sumariar o conteúdo de cada categoria e encontrar evidências negativas.
7. As categorias são tentativas e preliminares, desde o início da análise e permanecem flexíveis, já que, sendo derivadas dos próprios dados, devem acomodar dados posteriores.
8. A manipulação de dados qualitativos, durante a análise, é uma tarefa eclética. Não há melhor meio de realizá-la, sendo a marca registrada da pesquisa qualitativa o envolvimento criativo do pesquisador.
9. Os procedimentos não são mecanicistas. Não há regras escritas que possam ser seguidas. Embora a pesquisa qualitativa deva ser conduzida “artisticamente”, ela requer muito conhecimento metodológico e competência intelectual.
10. O resultado da análise qualitativa é algum tipo de síntese de nível mais elevado. Apesar de muito da análise consistir em “quebrar em pedaços” os dados, a tarefa final é a emergência de um quadro mais amplo e consolidado.
A análise dos dados começou no momento de revisão do material escrito. A ajuda do diário de campo, contendo as impressões sobre o processo de produção de cada entrevista e do trabalho de campo como um todo, foi um instrumento importante nesse momento, porque já trazia algumas impressões sobre os resultados. À medida que as entrevistas iam sendo corrigidas, algumas impressões eram registradas e assim foi se constituindo o esboço do material para a análise. A partir daí, constituiu-se a etapa de leituras sucessivas das entrevistas, destacaram os conteúdos que se referiram às indagações e objetivos do estudo ou às “novidades” que surgiram e que o projeto de investigação não previu, mas foram identificadas como relevantes para o estudo.
Esse processo possibilitou certo refinamento. A partir das leituras das entrevistas, essas foram categorizadas em oito itens49 e assim o material de
análise foi reduzido de 514 para 170 páginas. Essas categorias empíricas constituíram a estrutura do capítulo de análise.
Uma vez finalizada essa estrutura analítica, foram realizadas sucessivas leituras, refinadas ainda mais com os achados. Esse procedimento de leitura das 170 páginas finais dos conteúdos das entrevistas foi feito por outro analisador (o orientador da tese) e, posteriormente, compatibilizaram as notas e observações de ambos os analisadores. Esse refinamento foi a base para a análise dos conteúdos de material empírico. Foi construído cada item que compõe a análise dos dados, buscando-se a triangulação, proposta por Yin (2005), entre as entrevistas, os documentos institucionais e o banco de notícias de jornais (construído em etapa anterior). Assim foi sendo elaborado o texto.
O tratamento dado às notícias de jornais foi realizado a partir da construção do Banco de informações, em forma eletrônica, com aproximadamente 5000 páginas de notícias sobre a Visa entre o ano de 1995 a 2005. A partir da identificação, seleção e leitura dos temas de interesse direto ou indireto50 para a tese. Assim,
foram selecionadas, resumidas e classificadas 280 notícias por ordem cronológica dispostas no Anexo 4.
Foram selecionados dentre os principais projetos institucionais (Termo de Ajuste e Metas, Contrato de Gestão, I Conferência Nacional de Vigilância
49 1- 0 surgimento da Anvisa; 2-A estrutura da Anvisa; 3- As principais Diretrizes e Projetos
político-organizacionais da Agência; 4- O processo decisório; 5- O poder sobre e na Anvisa ; 6- A burocracia; 7-A crise na Anvisa; 8- A condução da gestão.
50 Interesse direto para a tese foram as notícias relacionadas diretamente ao processo político
de gestão da Agência, a exemplo do processo sócio-político de construção e gestão da agência e as de interesse indireto eram relacionadas às crises sanitárias relacionadas à Visa no Brasil ou de problemas que marcaram e influenciaram a gestão na Anvisa, a exemplo da crise de medicamentos entre os anos de 1997 e 1998.
Sanitária, Portal do conhecimento, Plano Diretor para o Desenvolvimento da Vigilância Sanitária, Projeto de Desenvolvimento de Recursos Humanos e os Medicamentos Genéricos. Quatro projetos foram tomados como analisadores do processo de gestão na Anvisa.