2 DIREITO À INFORMAÇÃO
3 CULTURA ORGANIZACIONAL, CULTURA INFORMACIONAL E COMPORTAMENTO INFORMACIONAL
4.5 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E TRATAMENTO DE DADOS
Nesta fase do trabalho, foi realizada a análise dos dados obtidos durante o desenvolvimento da pesquisa, a qual pode ser compreendida como sendo “a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o fenômeno estudado e outros fatores” (MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 151).
Para Prodanov e Freitas (2013, p. 112), “a análise e a interpretação desenvolvem-se a partir das evidências observadas, de acordo com a metodologia, com relações feitas através do referencial teórico e complementadas com o posicionamento do pesquisador”. Além disso, independente da técnica utilizada para coletar os dados, a fase da análise visa a responder, do melhor modo possível, ao problema de investigação formulado no início da pesquisa.
Nesta pesquisa, o método escolhido foi a Análise de Conteúdo, de Laurence Bardin, o qual pode ser entendido como um conjunto de procedimentos e técnicas para extrair o sentido de um texto, possibilitando a inferência de conhecimentos referentes às condições de desenvolvimento dessas mensagens (BARDIN, 2011). Este Método compõe-se de três fases – a) pré-análise, b) exploração do material, c) tratamento dos resultados obtidos e interpretação – os quais serão sucintamente relatados a seguir.
A pré-análise compreende a sistematização das ideias iniciais, embasadas pelo referencial teórico. É nessa fase que são definidos os indicadores que fundamentarão a interpretação final (BARDIN, 2011). Neste momento, foi realizada a preparação e organização do material ser analisado (pedidos de acesso à informação e entrevistas realizadas).
Procedeu-se a uma primeira leitura – também chamada de leitura flutuante – de todas as demandas recebidas pela PROGRAD durante o lapso temporal previamente delimitado (como já explicado anteriormente), na qual foram encontradas 52 (cinquenta e dois) documentos que continham solicitações de acesso a informações atinentes à graduação da UFRN.
No tocante às entrevistas realizadas, todas foram transcritas minunciosamente, buscando-se registrar com o máximo de fidelidade as informações ali contidas.
Na fase seguinte – exploração do material – analisam-se os indicadores gerados na pré-análise, associando-se ao referencial teórico e comparando os dados coletados, por meio de unidades de registro, utilizando-se critérios de ordem semântica (BARDIN, 2011). Nesta
etapa, uma leitura mais profunda do material foi realizada e iniciou-se o processo de codificação.
Para as demandas de acesso à informação foi adotado o seguinte procedimento: a) foram todas reunidas, uma a uma, num único arquivo digital; b) em seguida, foram criados quadros contendo o número da solicitação (padronizado e criado automaticamente pelo SIPAC quando do recebimento do pedido na Instituição), o assunto principal de cada demanda e as perguntas contidas em cada uma; c) posteriormente, a partir dos assuntos mais recorrentes, foram criadas palavras-chaves (códigos) – para identificar o título de cada demanda, o que facilitaria a criação de categorias no momento seguinte; e, d) por fim, foram estabelecidas categorias e subcategorias de classificação dos pedidos. A análise de tais documentos será detalhada na próxima seção.
Para as entrevistas, foi estabelecido o seguinte procedimento: a) após a transcrição e leitura aprofundada, foram criados novos arquivos, para se chegar aos temas posteriormente analisados; b) as falas dos entrevistados foram agrupadas em bloco, buscando-se uma homogeneização (codificação) dos assuntos tratados durante as entrevistas; e, c) em paralelo à codificação, foi realizada a categorização do texto das entrevistas.
Neste momento, é imprescindível explicar que o processo de codificação e categorização foram realizados praticamente ao mesmo tempo, tendo em vista que as perguntas (blocos referente à cultura informacional e à transparência ativa) elaboradas nos roteiros de entrevistas foram baseadas em indicadores analíticos apresentados por Pichs Fernández e Ponjuán Dante (2014) para identificar a cultura informacional nas organizações, conforme já explicado na seção 3, item 3.2.
Assim, o Método de Bardin foi utilizado nessa etapa para confirmar as categorias previamente adaptadas pela pesquisadora a partir da fundamentação teórica acima mencionada e verificar se não havia surgido outras categorias durante o desenvolvimento das entrevistas. Como não foram identificadas novas categorias a partir das falas dos entrevistados, tem-se que as categorias pré-existentes foram devidamente ratificadas e o percurso metodológico utilizado foi validado.
O quadro a seguir mostra as categorias utilizadas, a partir da abordagem teórica de Pichs Fernández e Ponjuán Dante (2014):
Quadro 4 – Indicadores para identificar a cultura informacional
Indicadores para identificar a cultura informacional
1. Reconhecimento dos conceitos de informação, cultura organizacional e cultura informacional.
2. Visualização da informação como recurso estratégico para a Instituição.
3. Realização de atividades de instrução/capacitação para os servidores pela Unidade.
4. Autoaprendizagem dos servidores sobre o uso e compartilhamento eficiente da informação.
5. Existência de valores, práticas ou normas no processo de atendimento das demandas de acesso à informação.
6. Intercâmbio de informações (colaboração) entre os servidores da Unidade. 7. Busca e uso proativo da informação idônea.
8. Prática da transparência ativa pela PROGRAD
9. Reconhecimento das barreiras para usar, administrar e transmitir a informação.
10. Uso das tecnologias de informação e sistemas de comunicação para realizar uma gestão da informação eficiente e eficaz.
Fonte: Adaptado de Pichs Fernández e Ponjuán Dante (2014).
A terceira e última fase, tratamento dos resultados obtidos e interpretação, é desenvolvida por meio dos significados extraídos do material coletado. A partir daí o analista propõe inferências e adianta interpretações a propósito dos objetivos previstos, conforme Bardin (2011). É nesta etapa que o pesquisador busca dar significação aos dados coletados, de modo que possa estabelecer inferências e interpretar o material que está à sua disposição.
Com isso, pode-se dizer que é nesta fase que acontece a análise propriamente dita, na qual o pesquisador estabelece os resultados concretos encontrados durante a trajetória da pesquisa. No presente caso, é a partir desta etapa que será possível delinear com mais clareza a proposta de intervenção a ser apresentada como resultado deste trabalho.
A Figura a seguir possibilita uma melhor compreensão das etapas anteriormente explicitadas.
Figura 2 – Fases da Análise de Conteúdo
Fonte: Adaptado de Bardin (2011).
Assim, a próxima seção será destinada a explicitar como foi desenvolvida a análise dos dados e a apresentação dos resultados.