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7  CONTROLE DE QUALIDADE

7.3    PROCEDIMENTOS DE ANÁLISES

Tabela 7 ­ Limites físico­químicos do polvilho azedo. 

Parâmetro  % p/p 

Umidade  < 14,0 

Amido  > 80,0 

Cinzas  < 0,5 

Acidez (mL NaOH N/ 100 g)  < 5,0 

Fonte: ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010.

 

 

Tabela 8 ­ Limites microbiológicos do polvilho azedo. 

Parâmetros 

Contagem total em placas  ≤ 5 x 104 / g 

Bactérias coliformes fecais  0 em 1 g 

Clostridium sulfito redutores (44°C)  < 20 / g 

Staphylococcus aureus  Ausente em 0,1 g 

Bolores e leveduras  < 103 / g 

Salmonelas  Ausente em 25 g 

Fonte: ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010. 

Existe,  ainda,  um  fator  de  extrema  importância  para  a  qualidade  do  polvilho  azedo aplicado na  panificação, que  não  é  levado em  consideração pela  legislação. 

Trata­se  da  capacidade  de  expansão  quando  ao  forno,  que  também  é  uma  característica que diferencia o polvilho azedo do doce (ADITIVOS & INGREDIENTES,  2010). 

 

7.3   PROCEDIMENTOS DE ANÁLISES 

São  abordadas  neste  tópico  as  análises  que  determinam  os  parâmetros  de  qualidade do polvilho doce e azedo, assim como as metodologias utilizadas para tal. 

Os  testes  físico­químicos  para  os  produtos  fabricados  pela  Manihot  Polvilhos  são  realizados em um laboratório dentro da indústria, enquanto análises microbiológicas 

As análises podem, ainda, contar com a participação de alunos e professores  pesquisadores de universidades parceiras, para que sejam realizados mais estudos  referentes à qualidade e padronização dos polvilhos. 

7.3.1  TEOR DE AMIDO 

O  teor  de  amido  em  uma  amostra  de  produto  amiláceo  derivado  da  raiz  de  mandioca é, segundo a Instrução Normativa n° 23, de 14 de dezembro de 2005, o teor  de carboidratos expresso em gramas de amido por 100 gramas do produto analisado. 

Este teor deve ser de, no mínimo, 84% para o polvilho doce e 80% para o polvilho  azedo  para  que  esses  produtos  estejam  dentro  dos  parâmetros  da  legislação  brasileira (ABAM, 2021; ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010). 

O teste aplicado para se determinar o amido existente em uma amostra consiste  na hidrólise deste com uma solução de ácido clorídrico (0,31 N), que o transforma em  glicose,  e  posterior  leitura  de  rotação  óptica  em  um  polarímetro.  Os  graus  polarimétricos  obtidos  possibilitam  o  cálculo  da  porcentagem  de  amido  contida  na  amostra (NASCIMENTO, 2012). 

O produto é, então, classificado conforme um anexo de “Limites de Tolerância para os Produtos Amiláceos Derivados da Raiz de Mandioca” da IT POV 315 (Determinação  do  Vazamento  em  Produtos  Amiláceos  Derivados  da  Raiz  de  Mandioca).  Se  o  valor  não  estiver  de  acordo  com  os  limites  de  tolerâncias  determinados, o produto é classificado como “Fora de Tipo” (NASCIMENTO, 2012). 

 

7.3.3  ATIVIDADE DE ÁGUA 

A atividade de água é um dos parâmetros mais importantes na conservação dos  alimentos, pois possibilita identificar, em uma amostra, a disponibilidade de água livre  para reações químicas, físicas e biológicas (MELO, 2014). 

Segundo  a  ABAM  (2021),  a  atividade  de  água  tem  um  limite  de  0,619  para  a  fécula de mandioca. Sua leitura é realizada de maneira direta em um termo­higrômetro  digital (SILVA, P. A. et al., 2012). 

 

7.3.4  CINZAS 

  O teor de cinzas é definido como o percentual de matéria mineral presente no  produto (BRASIL, 2005).  

Este  valor  é  encontrado  por  meio  do  método  gravimétrico  n°  940.26  (AOAC,  1997) com a calcinação das amostras até que o peso se torne constante (ARAÚJO et  al., 2012). 

  7.3.5  pH 

O termo pH é referente ao potencial de hidrogênio ionizável, característico dos  produtos  amiláceos,  cuja  tolerância  é  entre  4,50  a  6,50  para  a  fécula  de  mandioca  (BRASIL, 2005).  

O  pH  de  uma  amostra  é  medido  por  meio  de  um  potenciômetro,  segundo  o  método 981.12 da AOAC (1997) (SILVA, P. A. et al., 2012). 

 

7.3.6  FATOR ÁCIDO 

O fator ácido é o volume dado em mL de ácido clorídrico (0,1 N) necessário para 

Métodos  Físico­químicos para Análise de Alimentos”, do Instituto Adolfo Lutz (SANTOS e NEVES (2016) apud ZENEBON, PASCUET e TIGLEA (2008)). 

 

7.3.7  ACIDEZ TOTAL TITULÁVEL 

Acidez total titulável consiste na reação de neutralização de ácidos contidos em  uma amostra com uma solução padronizada de álcali, até que se atinja o ponto de  equivalência ou até que o potenciômetro registre um pH de 8,2 (MAPA, DAS e CGAL,  2021).  

Para  se  determinar  esse  parâmetro,  é  adicionada  à  amostra  uma  solução  alcoólica de fenolftaleína para identificar a mudança de cor e esta é titulada com NaOH  0,1 mol.L­1. A acidez é expressa em mL de NaOH 1 mol.L­1 por 100 g de matéria seca  (AQUINO et al., 2016). 

O polvilho azedo deve apresentar, segundo a legislação, um valor inferior a 5,0% 

p/p para o parâmetro de acidez total titulável (ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010). 

 

7.3.8  POLPA 

Polpa  é  a  denominação  do  material  proveniente  do  cilindro  central  (parte  desprovida de casca e entrecasca) da raiz de mandioca, tendo seu teor expresso em  mililitros por 100 gramas do produto (BRASIL, 2005). 

Sua análise consiste em homogeneizar a amostra em água destilada, passar o  conteúdo por uma peneira de 150 mesh e deixar o resíduo decantar. É lido, então, o  volume de decantado obtido (DIEGO, 2009). Este volume não deve ultrapassar o valor  de 0,50 mL para o polvilho doce (ABAM, 2021). 

 

7.3.9  VAZAMENTO 

Vazamento é o teor de produto amiláceo pulverizado que passa por uma peneira  de 150 mesh (BRASIL, 2005; ABAM, 2021). 

Quando se passa a amostra pela  peneira, sob agitação manual, a quantidade  que fica retida é pesada e sua massa corresponde, quando dividida pela massa total  de analito, à porcentagem de vazamento (DANILO, 2013a). A quantidade de fécula  que passa pela peneira deve ser de, no mínimo, 99% da amostra total (BRASIL, 2005). 

 

7.3.10  PONTO DE ROMPIMENTO 

Ponto de rompimento é a temperatura na qual ocorre o rompimento dos grânulos  de amido, quando estes estão em presença de água e aquecimento. Esta análise é  feita  em  banho­maria  e  o  ponto  é  identificado  quando  ocorre  formação  viscosa  e  translúcida da amostra (DANILO, 2013b). 

Os limites de temperatura de rompimento são, de acordo com a ABAM (2021),  entre 62 e 65 °C para o polvilho doce. 

 

7.3.11  SUJIDADES / MATERIAIS ESTRANHOS 

Segundo ALVES e JÚNIOR (2019) apud BARBIERI et al. (2001), sujidades são  definidas como materiais indesejáveis no produto, provenientes de contaminação por  animais ou por meio de condições sanitárias impróprias de manuseio. Para identificar  sujidades  e  matérias  estranhas,  existem  os  níveis  macroscópios  e  microscópios. 

Materiais e reagentes, como o papel­filtro de gramatura 80 g/m² e ácido nítrico 70%,  são utilizados para preparar as amostras. 

Para  sujidades  a  nível  macroscópio,  as  amostras  do  produto  são  coletadas  e  analisadas  a  olho  nu  e  com  lupa  de  bancada,  sob  iluminação  e  aumento  de  5  X  (ALVES  e  JÚNIOR  (2019)).  Já  para  o  nível  microscópio,  a  análise  é  realizada  por  hidrólise ácida, segundo a metodologia 965.39 B da AOAC (2011), com observação  em estereomicroscópio (ALVES e JÚNIOR (2019) apud HORWITZ et al. (2011)). 

7.3.12  AREIAS OU CINZAS 

A Resolução RDC Nº 14, de 28 de março de 2014, que estabelece os requisitos  mínimos para avaliação de matérias estranhas em alimentos e bebidas delimita que  areia ou cinzas insolúveis em ácido devem ser inferiores  a 1,5% p/p da amostra de  um alimento (BRASIL, 2014). 

Os métodos para determinação de areia em especiarias, condimentos e vegetais  desidratados seguem a metodologia analítica 975.48 a da AOAC (2004), enquanto as  cinzas  insolúveis  em  ácido  seguem  a  metodologia  941.12  B  da  AOAC  (2005)  (BRASIL, 2004). 

 

7.3.13  COR 

A cor instrumental da amostra é determinada através do método “colorimetria  tristimulus”, em que há a leitura direta da amostra em um colorímetro digital (SILVA, P. A. et al. 2012). 

Segundo P. A. SILVA et al. (2012), parâmetros de cor mais próximos do branco  indicam uma excelente qualidade das féculas de mandioca.  

 

7.3.14  CAPACIDADE DE EXPANSÃO DO POLVILHO AZEDO 

Apesar  de  não  ser  exigida  como  um  parâmetro  de  qualidade  na  legislação,  a  propriedade  de  expansão  ao  forno  é  uma  das  mais  importantes  características  a  serem  avaliadas  na  uniformização  da  qualidade  do  polvilho  azedo  (ADITIVOS  & 

INGREDIENTES, 2010). 

O  teste  de  expansão,  segundo  metodologia  proposta  por  AUG  e  CEREDA  (2001),  consiste,  de  forma  simplificada,  em  adicionar  ao  polvilho  água  fervente  e  modelar  uma  massa  semelhante  à  de  um  biscoito.    A  massa  modelada  é,  então,  levada ao forno para assar. Quando os biscoitos ficam prontos, são pesados e têm  seu  volume  determinado  pelo  método  de  deslocamento  de  sementes.  Calcula­se,  assim,  o  volume  específico  do  biscoito  pela  expressão  entre  sua  massa  e  volume. 

Este  volume  específico  determinado  (mL/g)  é  conhecido  como  a  capacidade  de  expansão do polvilho (CALANDRIN, 2009). 

Uma classificação para o índice de expansão pode ser encontrada na Tabela 9. 

Para a panificação, o objetivo é que a capacidade de expansão do polvilho azedo seja  grande.

 

Tabela 9 ­ Classificação segundo a capacidade de expansão do polvilho azedo  ao forno. 

Classificação  Expansão (mL/g) 

Pequena  ≤ 5,0 

Média  5,0 a 10,0 

Grande  ≥ 10,0 

Fonte: ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010. 

 

7.3.15  CONTAGEM DE COLIFORMES 

De acordo com a portaria RDC n° 12 de 02 de janeiro de 2001, estabelecida pela  Agência  Nacional  de  Vigilância  Sanitária,  os  padrões  microbiológicos  sanitários  de  coliformes para farinha e fécula de mandioca, a 45°C, têm um limite de 10² NPM g­1  (DÓSEA et al., 2010). 

Os resultados são expressos em UFC/ g (Unidades Formadores de Colônias por  grama), quando obtidos por contagem em placa, ou NMP/ g (Número Mais Provável  por grama), quando se utiliza a técnica de tubos múltiplos e tabelas de probabilidade  (BRASIL, 2001; BRASIL 2019). 

A detecção de coliformes totais e termotolerantes de uma amostra é realizada  através de testes presuntivo e confirmativo (DÓSEA et al., 2010). 

 

7.3.16  CONTAGEM DE Bacillus cereus 

A contagem desses microrganismos é efetuada utilizando­se o meio Mannitol­

egg yolk­ polymyxin (MYP) (DÓSEA et al. (2010) apud SILVA et al. (2001)). 

 

7.3.17  CONTAGEM TOTAL EM PLACAS 

A  contagem  microbiana  total  é  um  método  para  identificar  o  número  de  microrganismos presentes em uma amostra examinada (CARVALHO et al., 1996). 

A  análise  microbiológica  é  realizada  coletando­se  amostras  provenientes  do  tanque  de  fermentação  do  polvilho  azedo,  diluindo­as  e  inserindo­as  em  um  meio  MRSA (Man, Rogosa & Sharpe Agar) (CARVALHO et al. (1996) apud NAKAMURA e  CROWELL (1979)). Após a inoculação, as placas são incubadas a 30°C por 48 horas  em  condições  de  aerobiose  e  anaerobiose.  Após  esse  período,  são  realizadas  as  contagens para determinar os diferentes microrganismos em diferentes condições de  cultivo. 

Os valores de contagem são expressos em UFC por grama e devem ser menores  ou iguais a 5 x 104 (ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010). 

 

7.3.18  CLOSTRIDIUM SULFITO REDUTORES 

As  bactérias  Clostridium  sulfito  redutoras  têm  a  sua  determinação  quantitativa  pela  técnica  de  contagem  em  profundidade,  segundo  a  norma  ISO  15213:2003  (INMETRO, 2019). 

De  acordo  com  a  revista  ADITIVOS  &  INGREDIENTES  (2010),  a  quantidade  destes microrganismos, a 44 °C, deve ser menor que 20 UFC/ g. 

 

7.3.19  Staphylococcus aureus 

A detecção das bactérias Staphylococcus aureus é realizada conforme o método  de  contagem  direta  em  placas,  segundo  a  American  Public  Health  Association  (APHA). O de cultura utilizado é ágar Baird­Parker, suplementado com gema de ovo  e telurito de potássio (GARCIA et al., 2017). 

Segundo  a  legislação  brasileira,  a  contagem  das  bactérias  deve  apresentar  ausência de S. aureus em 0,1 g de amostra (ABAM, 2021). 

 

7.3.20  BOLORES E LEVEDURAS 

A  legislação  brasileira  (Normas  para  Alimentos  e  Bebidas)  determina  que  a  quantidade máxima detectada de bolores e leveduras em polvilho azedo é de 10³ por  grama (ADITIVOS & INGREDIENTES, 2010). 

 A contagem de bolores e leveduras é dada pelo método de plaqueamento em  superfície, utilizando­se o meio Ágar Dicloran Rosa de Bengala Cloranfenicol (DRBC)  (DÓSEA et al., 2010). 

 

7.3.21  SALMONELAS 

Os limites determinados pela legislação brasileira para Salmonella spp. são de  ausência do microrganismo em 25 gramas de amostra (BRASIL, 2001). 

A detecção de Salmonella spp., segundo DÓSEA et al. (2010), é realizada por  meio de pré­enriquecimento seletivo e confirmação preliminar das colônias típicas. Os  resultados  aparecem  como  presença  ou  ausência  de  microrganismo  em  25  g  de  amostra.