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3. METODOLOGIA

3.2 Procedimentos de coleta de dados – 2ª etapa

Como reportado em outro momento, esta etapa do estudo propõe a aplicação de atividades complementares àquelas propostas pelo CONFIART, com o objetivo de verificar o papel dos gestos articulatórios na percepção e produção das categorias sonoras da língua, no que tange ao vozeamento. Três sujeitos participaram da pesquisa (J., L. e R.), os quais fazem uso de diferentes habilidades comunicativas (fala, leitura labial e LIBRAS).

As coletas ocorreram em dias e locais distintos. A primeira ocorreu no mês de Maio, nas dependências do Laboratório de Emergência da Linguagem Oral (LELO), localizado no Centro de Letras e Comunicação, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A segunda no mês de Junho, na Escola Especial Professor Alfredo Dub22.

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Localizada na cidade de Pelotas/RS, a escola trabalha com deficientes auditivos e pessoas com necessidades especiais outras.

O quadro abaixo expõe os dias e os locais em que foram coletados os dados de cada informante.

Informante Data da coleta Local

J. 09/05/16 Laboratório de Emergência da Linguagem Oral/LELO

L. 09/06/16 Escola Alfredo Dub

R. 09/06/16 Escola Alfredo Dub

Quadro 12: Data e local das coletas.

A coleta dos dados transcorreu em duas etapas, denominadas habituação e teste. Antes da aplicação das atividades propriamente ditas, os informantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (anexo 1) e responderam ao Questionário Pré-teste (anexo 2), que dispõe de indagações importantes para a compreensão e análise posterior dos resultados, bem como dos fenômenos linguísticos que vierem a ocorrer.

Feito isso, os sujeitos foram submetidos às etapas que compõem a aplicação das atividades complementares – habituação e teste, como foi dito. Após, solicitou- se aos participantes que respondessem ao Questionário Pós-teste (anexo 3), o qual, assim como as questões referentes ao pré-teste, possui informações relevantes para o entendimento acerca dos resultados e das dificuldades encontradas pelos surdos oralizados na percepção do parâmetro de sonoridade.

O Quadro 13 apresenta as atividades e as habilidades envolvidas nas atividades.

Procedimento 1 Tarefas envolvidas

Competências Necessárias Habituação Nomeação de figuras Fala - oralização Procedimento 2 Tarefas envolvidas

Competências Necessárias Teste Identificação/percepção de sons surdos e sonoros Leitura labial

Para a atividade de leitura labial, foram utilizadas 48 palavras, que constituem pares mínimos (cf. Quadro 14). Na etapa de habituação, foi mostrada aos informantes, por meio do software Power Point, a imagem das palavras selecionadas. Após visualizá-las, os sujeitos as nomeavam. Caso não soubessem, pistas sobre as palavras eram fornecidas; caso não fossem suficientes, a pesquisadora as nomeava.

Na etapa do teste, mostrava-se aos participantes a produção isolada de cada palavra e, após, solicitava-se que apontassem, dentre as três opções de escolha, a figura correspondente à palavra produzida. Por exemplo, se na produção de pata os sujeitos assim compreendessem, deveriam apontar para a ilustração equivalente; caso percebessem o som o contrário (bata), deveriam indicar a figura correspondente; e, no caso de dúvida, poderiam, ainda, indicar o ponto de interrogação, uma das três opções disponíveis (cf. Figura 10).

No caso da nomeação leva-se em conta a habilidade de fala (oralização); no segundo, a competência para a leitura labial.

      pata/bata pia/Bia pula/bula tato/dado tia/dia gado/gato tuna/duna calo/galo kia/guia cola/gola coleira/goleira cume/gume faca/vaca farinha/varinha fila/vila foto/voto fuca/Vuca preço/preso cinco/zinco suar/zoar chapa/japa queixo/queijo chipe/jipe chuca/Juca

Como reportado anteriormente, após a etapa do teste, os sujeitos foram submetidos ao questionário pós teste23 , a fim de realizar-se um levantamento das dificuldades encontradas pelos informantes no que diz respeito à percepção das categorias sonoras da língua. As respostas dos informantes foram registradas na Planilha de Controle (anexo 4).

O sujeito J. foi o primeiro a realizar as atividades. Em um tempo de 90 minutos, o informante realizou tudo o que lhe foi proposto. Cabe ressaltar que, embora o participante faça uso frequente da fala e da leitura labial, apresentou dificuldades na identificação dos sons analisados. Segundo ele, outros aspectos podem contribuir para o reconhecimento dos sons, como por exemplo: a) a expressão facial24, b) o aumento da bochecha na produção da plosiva labial [b]25; c) a saliência dos dentes nas produção da fricativa alveolar sonora [z]26; d) a língua no céu da boca (perto do dentes) na produção da plosiva alveolar surda [t] e e) a relevância do toque sensitivo27. O informante salientou, ainda, que a tela do

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Os questionários foram adaptados de Passos (2009). 24

Para o informante, a expressão facial é uma pista importante na identificação dos sons, já que é muito difícil diferenciar sons muito semelhantes em palavras isoladas, por meio de leitura labial. 25

Nas palavras de J., na produção de [b], a bochecha aumenta, o que não ocorre na produção de [p]. 26

O participante reporta, ainda, que, na produção da fricativa [z], no caso testado, os dentes ficaram mais evidentes, no entanto, para uma maior precisão do dado, seria necessário o acesso à informação facial.

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O informante afirma que o tocar na garganta durante a produção dos sons pode auxiliar na percepção da sonoridade.

computador, no qual foi apresentado o vídeo que viabilizava a leitura labial, deveria ser maior para facilitar a visualização da produção.

Como os participantes L. e R. apresentaram muita dificuldade na realização das atividades – não executando-as por completo – tornou-se inviável explanarem maiores considerações acerca do teste aplicado.

Salienta-se que as tarefas reportadas aqui, as quais complementam a proposta de avaliação, poderão, futuramente, ser aplicadas como tarefas de CFA.