As demonstrações contábeis e demais informações utilizadas nesse estudo de caso foram retiradas do site da Empresa X, que disponibiliza as mesmas na parte de relações com investidores. Para aplicar as fórmulas de cálculo dos indicadores e organizá-los em tabelas de acordo com a necessidade, foi feito o uso do Excel. A análise dos dados levantados foi realizada utilizando o embasamento teórico, alinhado ao objetivo e a questão de pesquisa.

4 ESTUDO DE CASO

A empresa X é uma empresa líder na indústria brasileira de máquinas e equipamentos industriais. Fundada em 1930, iniciou suas atividades em Santa Bárbara do Oeste como uma oficina de reparo de automóveis. De acordo com a apresentação no site da empresa, atende tanto o mercado nacional quanto o mercado externo, sendo a maior fábrica desse segmento no mundo, exportando desde 1944 para todos os continentes através de uma rede de distribuidores e subsidiárias de comercialização.

A empresa fornece para diversos setores da indústria, como aeronáutica, defesa, fabricantes e fornecedores de cadeia automobilística, bens de consumo em geral, máquinas e implementos agrícolas e máquinas e equipamentos, com destaque para a constante utilização de avançada tecnologia nos produtos, processos e unidades industriais. Além disso, no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a Empresa X esteve diretamente envolvida com a produção nacional de automóveis, sendo a primeira indústria a lançar um automóvel produzido no Brasil.

O portfólio de produtos da empresa é composto por máquinas para trabalhar metal por arranque de cavaco como centros de torneamento, tornos CNC, tornos convencionais, centros de usinagem e mandrilhadoras. Além disso, máquinas para processamento de plásticos por injeção e por sopro e peças de ferro fundido cinzento e nodular.

Atualmente, a empresa possui 13 unidades fabris, sendo 2 dessas na Alemanha e as demais em território brasileiro, correspondendo a 5 unidades de montagem final de máquinas industriais, 2 de fundições, 3 de usinagem de componentes mecânicos, 2 de fabricação de componentes de chapas de aço e 1 de montagem de painéis eletrônicos. Esta estrutura proporciona a produção anual de aproximadamente 2.900 máquinas e 80.000 toneladas de fundidos.

A Empresa X é uma companhia de capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores B3 através do código de negociação Empresa X3. A empresa possui apenas ações ordinárias (caracterizadas pelo final 3 no código de negociação), pois está inserida no Novo Mercado, segmento da bolsa de valores que reúne as empresas com os melhores níveis de governança corporativa, acima do que a legislação exige, oferecendo transparência e esclarecimentos para os seus investidores.

4.1 ÍNDICES DE LIQUIDEZ

4.1.1 ÍNDICE DE LIQUIDEZ GERAL

Nos cinco anos analisados, o índice de liquidez geral da Empresa X manteve- se maior do que 1,0, o que significa que a organização apresentaria uma “folga” para cumprir suas obrigações caso fosse encerrar suas atividades no presente momento, pois nessa fórmula é levado em consideração o ativo circulante e o realizável a longo prazo perante o passivo circulante e o passivo não circulante.

Quadro 7: Índices de liquidez geral da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

1,46 1,59 1,60 1,73 1,67

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

Como evidenciado no Quadro 7, em 2014, a liquidez geral foi de 1,46, aumentando nos três anos seguintes para 1,59 em 2015, 1,60 em 2016 e 1,73 em 2017, quando atingiu seu melhor desempenho no índice no período estudado. Em 2018, apresentou um leve recuo para 1,67.

Ao analisar o balanço patrimonial da Empresa X no período, juntamente com as análises horizontais das contas, é possível perceber que a melhora gradativa do índice de liquidez geral acontece, pois, o saldo do passivo circulante e do passivo não circulante teve uma diminuição considerável, que resultou no aumento da liquidez, mesmo com a diminuição do saldo do ativo circulante e do realizável a longo prazo, que foi mais amena.

Para permanecer com a liquidez geral crescente e evitar o princípio de uma queda (como no ano de 2018), a Empresa X poderia focar em políticas de preservação do ativo da organização, principalmente com a conta caixa e equivalentes de caixa, pois foi a que apresentou maior redução no último ano. Assim garantiria uma margem maior em relação ao passivo e, consequentemente, um aumento do índice.

4.1.2 ÍNDICE DE LIQUIDEZ CORRENTE

No período analisado, o índice de liquidez corrente da Empresa X apresentou um bom desempenho. Este cálculo confronta o ativo circulante com o passivo circulante da organização, portanto, é possível perceber que, tanto no curto como no longo prazo, a empresa é capaz de cumprir suas obrigações.

Quadro 8: Índices de liquidez corrente da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

2,06 2,83 2,14 2,11 1,92

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

No Quadro 8, é possível notar que, após uma melhora de 2014 para 2015, a liquidez corrente diminuiu gradativamente a cada ano. Ao analisar o balanço patrimonial dos períodos, é possível concluir que o ativo circulante da empresa diminuiu, principalmente, por causa das contas clientes e contas a receber, que apresentaram grande decréscimo em 2016, enquanto, em 2017 e 2018, mesmo com aumento, foram ofuscadas por um aumento maior em todas principais contas do passivo circulante.

Vale destacar que, mesmo com um recuo no índice, ainda assim, a Empresa X apresenta uma boa relação entre capacidade de pagamento e dívidas no curto prazo. Além disso, 2018 foi um ano de retomada da economia e do setor industrial após crise financeira, então, o aumento gradativo das contas do passivo circulante (como fornecedores e empréstimos e financiamentos) pode indicar que a Empresa X está se endividando para dar início e retomar projetos após o fim da crise.

4.1.3 ÍNDICE DE LIQUIDEZ SECA

O índice de liquidez seca da Empresa X apresentou um bom desempenho nos últimos cinco anos. Este cálculo é idêntico ao cálculo da liquidez corrente, porém, subtrai o valor dos estoques com a finalidade de apresentar um ponto de vista mais real, uma vez que diz respeito a capacidade de pagamento com os recursos rápidos, pois os estoques demoram mais tempo para serem convertidos em dinheiro.

Quadro 9: Índices de liquidez seca da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

1,31 1,75 1,23 1,25 1,09

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

No Quadro 9, é possível perceber que o índice apresenta uma oscilação semelhante à liquidez corrente, pois a conta estoques não apresentou grandes variações. Vale destacar que, mesmo subtraindo os estoques, ainda assim a Empresa X apresenta uma boa capacidade de pagamento de dívidas no curto prazo. Contudo, o mesmo problema encontrado na liquidez corrente (diminuição gradativa desta capacidade) fica evidenciado na liquidez seca, necessitando uma atenção especial.

Caso a Empresa X deseje melhorar a sua liquidez seca, ela poderia, por exemplo, procurar realizar aplicações financeiras com parte do seu saldo na conta caixa e equivalentes de caixa para obter rendimentos atráves dela, pois a mesma apresentou redução no último ano enquanto a conta aplicações financeiras apresentou saldo zerado em todos os cinco períodos analisados.

4.1.4 ÍNDICE DE LIQUIDEZ IMEDIATA

Nos últimos cincos anos, o índice de liquidez imediata da Empresa x apresentou um resultado que pode sinalizar um problema no futuro. Este cálculo é feito confrontando os recursos da empresa que estejam imediatamente a disposição com o passivo circulante.

Quadro 10: Índices de liquidez imediata da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

0,41 0,58 0,42 0,43 0,28

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

Analisando o Quadro 10, nota-se uma redução gradativa de 0,41 até 0,28 no período estudado. Mesmo sendo um índice bastante conservador, ele é útil para avaliar a capacidade da organização de lidar com algum evento inesperado ou uma emergência financeira. É possível perceber que em todos os anos o índice fica bem abaixo de 1,0, o que representaria uma total capacidade de quitar obrigações de curto prazo em uma situação emergencial.

Além disso, no ano de 2018, o índice de liquidez imediata da empresa diminuiu drasticamente, pela combinação da diminuição de 16% da conta caixa e equivalentes de caixa com o aumento generalizado das contas do passivo circulante, elevando a desproteção da empresa para incertezas e eventos inesperados.

Mesmo que o aumento da dívida seja uma estratégia da empresa para captar recursos possibilitando investir em novos projetos após a crise, pode ser preocupante o desempenho da Empresa X em um cenário pessimista ou de retomada lenta demais da economia.

Uma alternativa para reverter este cenário seria realizar aplicações financeiras de alta liquidez (ou seja, com prazo curto de resgate) para criar uma nova fonte de renda ao recurso disponível na conta caixa e equivalentes de caixa.

4.2 ÍNDICES DE ENDIVIDAMENTO

4.2.1 NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO

No período analisado, o nível de endividamento da Empresa X apresentou uma melhora constante. O cálculo deste índice é feito confrontando o passivo da organização com o seu patrimônio líquido, para descobrir quanto do patrimônio da empresa está comprometido com capital de terceiros.

Quadro 11: Índices de nível de endividamento da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

1,00 0,81 0,80 0,67 0,78

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

De acordo com o Quadro 11, é possível perceber que em 2014 o passivo da empresa possuía o mesmo saldo que o patrimônio líquido. Nos anos seguintes, houve uma redução significativa nesse cenário, devido a reduções nas contas de empréstimos e financiamentos no passivo circulante em 2015 e no passivo não circulante em 2016 e 2017, enquanto o patrimônio líquido manteve-se preservado.

Contudo, vale ressaltar que em 2018 o nível de endividamento subiu devido a um aumento generalizado nas contas do passivo (como fornecedores e empréstimos e financiamentos), o que pode significar parte da estratégia da empresa de captar

recursos para investimentos em projetos para os próximos anos, mas, mesmo assim, o índice permaneceu bem abaixo do que estava em 2014.

4.2.2 COMPOSIÇÃO DE ENDIVIDAMENTO

Nos últimos cincos anos, a composição de endividamento da Empresa X manteve-se equilibrada e constante. O cálculo deste índice relaciona o passivo circulante da organização com o seu passivo total, com a finalidade de estabelecer o quanto da dívida está alocada no curto prazo.

Quadro 12: Índices de composição de endividamento da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

0,55 0,45 0,60 0,65 0,67

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

É possível notar no Quadro 12 que o índice não apresentou uma grande oscilação nos anos estudados. Também é possível perceber que a distribuição da dívida no curto e longo prazo está equilibrada, sem preocupar quanto a qualidade do endividamento da Empresa X.

Em relação às contas que envolvem este cálculo, não há nenhuma que se destaque na análise horizontal, pois quando houve aumento generalizado das contas do passivo circulante (fornecedores, empréstimos e financiamentos, outras obrigações), as demais contas do passivo não circulante acompanharam (empréstimos e financiamentos e outras obrigações no longo prazo), tornando pequena a diferença no resultado do índice.

Para melhorar a composição do seu endividamento, a Empresa X pode, por exemplo, negociar com seus fornecedores maneiras de praticar prazos maiores de pagamento, alocando, assim, parte das suas obrigações no longo prazo, o que ajudaria, também, no problema apresentado no índice de liquidez imediata.

4.2.3 ENDIVIDAMENTO GERAL

O endividamento geral da Empresa X apresentou um bom desempenho no período analisado. O cálculo relaciona o quanto do ativo da empresa está

comprometido com o capital de terceiros (passivo), para avaliar se está sendo saudável o uso que vem sendo feito dos recursos próprios da organização.

Quadro 13: Índices de endividamento geral da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

0,50 0,45 0,45 0,40 0,44

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

Conforme o Quadro 13, em todos os anos estudados, a quantidade do ativo comprometida com recursos originados de terceiros manteve-se menor do que 50%. Além disso, apresentou uma leve melhora no decorrer dos anos, indicando que a Empresa X está praticando medidas saudáveis em relação ao uso dos recursos próprios que dispõem.

Em relação às contas que englobam o cálculo, não há nenhuma que se destaque na análise horizontal, pois o ativo manteve-se estável, tendo uma acréscimo de 15% em 2018 que amenizou o aumento de 26% obtido pelo passivo no mesmo período.

Caso deseje reduzir seu endividamento geral, a Empresa X precisaria rever sua política de tomada de crédito e sua estratégia tributária, pois contas como empréstimos e financiamentos, obrigações fiscais e outras obrigações obtiveram um aumento no seu saldo de mais de 25% no último ano.

4.3 ÍNDICES DE RENTABILIDADE

4.3.1 GIRO DO ATIVO

No período analisado, o giro do ativo da Empresa X apresentou uma leve melhora. O cálculo deste índice confronta as vendas de cada ano com o ativo da empresa, determinando quantas vezes o ativo girou, apresentando a eficiência no uso dos mesmos.

Quadro 14: Índices de giro do ativo da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

50% 50% 54% 63% 60%

No Quadro 14, é possível analisar que a Empresa X precisa de aproximadamente dois períodos para conseguir girar todo o seu ativo uma vez. Ao analisar as contas do balanço patrimonial através da análise vertical, é visível como a empresa possui grande parte do seu ativo como não circulante, sendo a maior parte como imobilizado, o que pode explicar um desempenho ruim do giro do ativo.

Mesmo que discreta, houve uma melhora nos período, pois, na demonstração do resultado do exercício, a receita de vendas de bens e/ou serviços teve um aumento considerável nos anos de 2017 e 2018, o que, também, impactou no resultado do período.

Para alcançar um desempenho de giro do ativo melhor, a Empresa X pode adotar duas medidas: continuar buscando um aumento nas vendas (como aconteceu em 2017 e 2018) ou estabelecer medidas para tornar seu ativo com maior alocação no circulante, tomando cuidado com contas que representam grande parte do não circulante, como, por exemplo, ativo realizável a longo prazo.

4.3.2 TAXA DE RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO

A taxa de retorno sobre o investimento, também chamada de TRI, da Empresa X apresentou oscilações nos últimos cinco anos. Esse índice é calculado confrontando o resultado líquido da organização com o seu ativo, para determinar quanto os recursos aplicados na operação renderam.

Quadro 15: Índices de taxa de retorno sobre o investimento da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

0,6% 0,6% -3,64% 3,53% 6,78%

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

Conforme evidenciado no Quadro 15, a taxa de retorno sobre o investimento forneceu um resultado pequeno nos dois primeiros anos estudados. Após isso, apresentou um resultado negativo em 2016 e demonstrou uma forte recuperação nos dois últimos anos.

Os três primeiros anos do período analisado foram anos de crise financeira em diversos setores do Brasil, entre um dos mais afetados, está o setor industrial. A partir disso, é possível entender o motivo do baixo desempenho da taxa de retorno sobre o investimento que a Empresa X obteve, causado por um lucro discreto e, em

2016, um prejuízo no período. Este prejuízo aconteceu devido ao fato de as despesas terem aumentado enquanto as vendas mantiveram-se no mesmo patamar. Nos últimos dois anos, o resultado do período evidenciado na demonstração do resultado do exercício apresentou uma melhora considerável, passando de um prejuízo de aproximadamente 39 milhões de reais em 2016 para um lucro de aproximadamente 84 milhões de reais em 2018, que trouxe o retorno sobre o investimento a 6,78%, tornando otimista o cenário pós crise da Empresa X.

Essa melhora foi impulsionada por um aumento nas vendas e por um aumento expressivo nas receitas financeiras, juntamente com uma redução nas despesas, que, consequentemente, aumentaram o resultado financeiro. Visando um crescimento constante nas vendas, com bons desempenhos financeiros, a Empresa X conseguirá manter sua taxa de retorno sobre o investimento alta.

4.3.3 TAXA DE RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Nos últimos cinco anos, a Empresa X apresentou uma melhora na sua taxa de retorno sobre o patrimônio líquido. O índice mantém a mesma lógica da taxa de retorno sobre o investimento, porém, utiliza como parâmetro o patrimônio líquido, ou seja, o dinheiro investido pelos acionistas.

Quadro 16: Índices de taxa de retorno sobre o patrimônio líquido da Empresa X

2014 2015 2016 2017 2018

1,19% 1,09% -6,56% 5,9% 12,08%

Fonte: Elaborado a partir dos cálculos da análise da Empresa X

Através do Quadro 16, é possível perceber que o índice apresentou um comportamento semelhante ao cálculo usando o ativo ao invés do patrimônio líquido: um desempenho ruim nos anos de crise com uma melhora boa nos últimos dois anos impulsionada pela melhora nas vendas e no resultado financeiro do período.

Para manter um crescimento constante na taxa de retorno sobre o patrimônio líquido, cabe a Empresa X buscar manter o aumento nas vendas e trabalhar sua política financeira, pois gerará um resultado cada vez melhor neste índice. Este cálculo interessa aos acionistas da Empresa X, pois evidencia qual o percentual de lucro que a operação obteve a partir do investimento de seus sócios, e torna otimista

o cenário pós crise da Empresa X, uma vez que o retorno de 12,08% no ano de 2018 pode atrair ainda mais investidores.

No documento Análise econômica-financeira e fundamentalista como instrumento para tomada de decisão de investimento em uma indústria de capital aberto (páginas 30-40)