6.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: ESTUDO DE CASO NIT/ MATERIAIS
6.2.2 Execução dos procedimentos e aplicação dos aportes da GQ
6.2.2.1 Procedimentos de mapeamento dos processos
A modelagem de processos consolida modelos de processo na forma de diagramas operacionais. De acordo com Oliveira e Neto (2009) os objetivos de desenvolver um modelo são:
a) Entender o negócio - identificar os gargalos, requisitos e ineficiências do trabalho; b) Implementar soluções - facilitar a identificação dos problemas por meio do uso de
metodologias, proporcionando as melhores práticas dos modelos de gestão;
c) Padronizar conceitos - compartilhar a visão do negócio e sistematizar o conhecimento entre os profissionais envolvidos no projeto;
d) Analisar melhorias - monitorar processos e seu funcionamento promovendo a observação de oportunidades de melhoria.
Segundo Baldam (2009) deve-se modelar duas situações do processo: a situação atual (as is) e a situação futura (to be). Na modelagem do processo atual deve-se compreender como o processo acontece, seus modos de falha e intenções. Deve-se prover informações para
integrar dados e processos. Na modelagem de situação futura (to be) deve-se empregar metodologias para otimizar processos, fazer simulações, inovações e novas modelagens, definir mudanças nos novos processos e adotar quando possível e/ou necessário melhores práticas e modelos de referências.
Para modelar o processo de IT e o subprocesso de coleta de documentos de patente optou-se por observar os procedimentos práticos da unidade e um manual de atividades. Aplicou-se a ferramenta e metodologia BPMN, e em reunião os modelos foram desenhados e debatidos em parceria com os pesquisadores chave da unidade. O diagrama dos processos as is permitiu maior detalhamento e conhecimento de como a inteligência é executada, além de servir de base para compreender as ineficiências no subprocesso de coleta, permitindo a posterior aplicação dos aportes da qualidade para melhoria de processo e criação de um novo modelo to be. A seção a seguir detalha os procedimentos de melhoria e modelagem do novo processo.
6.2.2 2 Procedimentos de melhorias: levantamento das causas, priorização e proposta de ação corretiva
Após o mapeamento dos processos, as causas e os modos de falhas que impactam negativamente na precisão da coleta foram levantados e compreendidos considerando seus efeitos e possíveis soluções através de um brainstoming. Isso foi realizado por uma equipe de 6 analistas e coletores de inteligência. Durante a reunião foram levantadas duas categorias de causas: a) aquelas relacionadas às bases de dados; b) aquelas relacionadas ao desenvolvimento da estratégia de busca. Na primeira categoria foram levantadas 12 causas que impactam negativamente na precisão dos dados e informações coletadas. Já na segunda foram levantadas 7 causas (APÊNDICE A).
As causas e efeitos e as soluções levantadas foram utilizadas como insumo para aplicação de uma análise FMEA de processo (APÊNDICE B). Na FMEA, as categorias das causas foram transformadas em funções do processo e as causas foram transformadas em modos de falhas. Posteriormente, derivaram-se os efeitos, formas de controle e ações recomendadas.
A primeira fase foi realizar o planejamento FMEA, que consistiu na escolha da abordagem de análise, classificação dos modos de falha, causas e efeitos, escala de avaliação, e regras adotadas. As funções foram compreendidas como etapas que o subprocesso de coleta de documentos de patente deveria desempenhar. Os modos de falha são as formas como o
processo poderia deixar de desempenhar a sua função definida, utilizando uma expressão negativa, por exemplo, no caso da função da escolha satisfatória da base de dados, o modo de falha seria não escolher uma base que forneça vocabulário controlado (Quadro 23).
Os efeitos são as consequências do modo de falha sob a ótica do analista de inteligência (cliente interno). Por exemplo: se o coletor não escolher uma base de dados que forneça um vocabulário controlado, isso pode gerar excesso de documentos irrelevantes para a análise. As causas foram consideradas como as condições comuns que provocam o modo de falha. Por exemplo, para o efeito acima, uma causa poderia ser a baixa compatibilidade entre os termos utilizados na estratégia de busca e aqueles indexados nos documentos (Quadro 23).
Quadro 23 - Termos utilizados na FMEA
Funções Funções que o processo deve desempenhar.
Modos de falha Definem como o processo pode deixar de desempenhar essas funções.
Efeitos Evidenciam as consequências de cada modo de falha. Severidade Qual a gravidade das consequências dos efeitos?
Causas Razões principais que podem resultar na ocorrência dos modos de falha.
Ocorrência Com que frequência o modo de falha ou causa tende a ocorrer? Controle
Descreve os procedimentos ou equipamentos existentes que detectam ou previnem que os modos de falha sejam repassados
para etapas posteriores. Detecção
Qual a chance de detectar o modo de falha/causa antes do produto ser entregue ao cliente? *Define-se cliente como
qualquer pessoa, ou operação Ações
recomendadas
Recomendações identificam as ações necessárias para abordar os modos de falha. Todas as ações recomendadas devem
resultar em benefícios de qualidade e confiabilidade. Fonte: Palady (1997)
A execução da FMEA seguiu algumas regras propostas por Palady (1997), sendo elas: a) um modo de falha pode ser inserido ou não. No caso em que a equipe decidiu que um modo de falha é fisicamente possível, mas não prático, essa falha não foi incluída no formulário; b) no caso de dúvidas, se um modo de falha deveria ser incluído ou não, este foi incluído; c) no caso de questionamento se um modo de falha seria efeitos ou possíveis causas, o modo de falha foi redigido como a expressão negativa da função; d) as colunas severidade, ocorrência e detecção foram mensuradas independentemente, ou seja, os membros da equipe não passaram para a segunda coluna sem finalizar a primeira; d) quando o membro da equipe não se sentiu seguro em avaliar, absteu-se; e) os votos de todos os participantes receberam pesos iguais.
severidade dos efeitos, sob a perspectiva do analista; na média da média dos valores de ocorrência das causas dos modos de falha e na média dos valores de detecção das causas. O valor do grau de prioridade de risco - NPR ou RPN (Risk Priority Number) foi dado pelo produto dos valores médios de severidade, ocorrência e detecção. Cada participante da FMEA assumiu um valor para as variáveis considerando as escalas dos Quadros 24, 25, 26.
Quadro 24 - Escala de severidade
Escala de Severidade Nível
1 Efeito não percebido pelo analista Nenhum
2 Efeito bastante insignificante, percebido pelo analista, mas não faz com que procure o coletor.
Baixo 3 Efeito insignificante que perturba o analista, mas não faz com que procure o
coletor.
4 Efeito bastante insignificante, mas que perturba o analista, fazendo com que procure o coletor
5 Efeito menor, inconveniente para o analista, mas não faz com que procure o
coletor. Moderado
6 Efeito menor, inconveniente para o analista fazendo com que procure o coletor 7 Efeito moderado, que prejudica o desempenho do processo levando a uma
falha grave ou uma falha que pode impedir a execução das funções Alto 8 Efeito significativo, resultando em falha grave
9 Efeito crítico que provoca a insatisfação do analista e interrompe o processo.
Extremo 10 Perigoso, coloca em risco a continuidade operacional da organização
Fonte: Adaptado de Palady (1997)
Quadro 25 - Escala de ocorrência
Escala de Ocorrência Nível
1 Extremamente remoto, altamente improvável Nenhum
2 Remoto, improvável Muito baixo
3 Pequena chance de ocorrência Baixo
4 Pequeno número de ocorrências
Moderado
5 Espera-se um número ocasional de falhas
6 Ocorrência moderada
7 Ocorrência frequente
Alto
8 Ocorrência elevada
9 Ocorrência muito elevada
Extremo
10 Ocorrência certa
Fonte: Palady (1997)
Quadro 26 - Escala de detecção
Escala de Detecção Nível
1 É quase certo que será detectado
Extremo
2 Probabilidade muito alta de detecção
3 Alta probabilidade de detecção
Alto
4 Chance moderada de detecção
5 Chance média de detecção
Moderado
7 Baixa probabilidade de detecção
8 Probabilidade muito baixa de detecção
Baixo
9 Probabilidade remota de detecção
10 Detecção quase impossível Muito baixo
Fonte: Palady (1997)
Após o planejamento e execução, iniciou-se a etapa de avaliação. Avaliou-se a severidade dos efeitos, a ocorrência e detecção das causas. No FMEA os valores altos são ruins e os baixos são bons. A análise dos dados considerou o nível crítico dos fatores dado pela pontuação de risco das falhas que foram ordenadas. Esses níveis foram: a) índice de ocorrência - mede com que frequência o modo de falha ocorre; b) índice de severidade - mede a gravidade do efeito do modo de falha em uma escala de 1 a 10; c) índice de detecção - mede a chance de detectar o modo de falha ou as causas.
Entre os métodos existentes para interpretar o FMEA existe o método tradicional, que se configura pela ordenação do NPR e que foi utilizado pela primeira vez em 1963 pela National Aeronautics and Space Administration (NASA), e também o método gráfico de áreas, proposto por Paul Palady em 1994 como uma crítica ao método tradicional. O método gráfico permitiu uma aplicação baseada na severidade e na ocorrência, principalmente. Nesse método, o gráfico permitiu determinar a existência de falhas com severidade extrema (valores de 10), embora tenham pouca ocorrência (valor 1) (PALADY, 1997; ROOS; ROSA, 2008).