Para a organização da amostra que fez parte desta pesquisa, foram contatadas universidades privadas da Grande São Paulo, nas figuras de seus Diretores ou Coordenadores dos diversos cursos de graduação, no sentido de obter autorização para explicar aos alunos desses cursos os objetivos do trabalho em tela.
Aos alunos que concordaram ser um possível componente da amostra, foram entregues, por escrito, informações gerais sobre a pesquisa (Anexo I). Além disso, todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo I). Não fizeram parte da amostra, universitários com menos de 18 anos, por não terem alcançado o índice de respostas para participar dos grupos de adolescentes religiosos nem não religiosos.
Decorrido esse momento de esclarecimentos e autorizações, os participantes responderam ao “Questionário de Verificação de Presença de Religião”, desenvolvido pelo autor desta pesquisa, para, possivelmente, integrarem o grupo de trinta universitários religiosos ou o grupo de trinta
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universitários não religiosos, de acordo com os critérios estabelecidos anteriormente (vide amostra).
O “Questionário de Verificação de Presença de Religião” é composto por dez questões relacionadas à religião, Deus e práticas religiosas, nos quais os participantes deveriam assinalar como resposta uma das alternativas, sim ou não. O impresso do questionário, na sua parte inicial, comporta dados de identificação e aspectos sociodemográficos dos jovens universitários que serão apresentados e discutidos nas Tabelas 1 a 7.
O “Questionário de Verificação de Presença de Religião” foi aplicado em vários cursos de graduação, entre eles, os de Direito, Economia, Administração de Empresas, História, Psicologia, Fisioterapia, Pedagogia, Odontologia, Nutrição, Engenharia e Matemática de Universidades privadas da Grande São Paulo, visando a diversificar os componentes da amostra, inclusive, em termos de formação superior pretendida. Nessa primeira fase (seleção dos componentes da amostra) não se limitou o número de participantes, sobretudo para se garantir a formação de um grupo de trinta universitários não religiosos. Caso um, ou ambos os grupos, apresentasse excesso de participantes, após o emprego dos critérios de formação dos mesmos, fato que não ocorreu, o pesquisador escolheria aleatoriamente os participantes da amostra.
A primeira fase de organização da amostra, as informações gerais sobre a pesquisa, a assinatura do termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a aplicação do “Questionário de Verificação de Presença de Religião”, verificaram-se no primeiro encontro com os alunos. Ainda, nesse mesmo encontro, foi também aplicado, o “Questionário de Constatação Qualitativa”, apenas aos alunos considerados religiosos. Este questionário é uma reprodução parcial daquele preparado no Instituto de Psicologia da USP, para um estudo sobre religião e religiosidade na juventude, tese apresentada em 1988 por Raquiel Andrade Miranda, sob orientação do Professor Doutor Samuel Fromm Netto.
Dessa forma, estas atividades, consideradas brandas e não desgastantes, foram realizadas em um único momento.
A aplicação dos questionários foi coletiva em sala de aula destinada pela própria Universidade, foram impressos, distribuídos pelo pesquisador e por mais três colaboradores, todos com formação universitária. Para que fossem respondidos, suas instruções eram simples e objetivas: os alunos preencheram as lacunas de identificação pessoal e assinalaram apenas uma das alternativas, sim ou não, para cada pergunta, conforme sua forma de pensar. Todas as instruções ou respostas das dúvidas foram dadas apenas pelo pesquisador.
Os alunos, conforme foram terminando de responder o “Questionário de Verificação de Presença de Religião”, devolveram ao pesquisador ou a seus colaboradores e voltaram a seus lugares. À medida que receberam os questionários respondidos, os aplicadores estabeleceram a porcentagem de respostas “sim” e “não”.
Os alunos que assinalaram 70% ou mais de respostas afirmativas e, entre elas, as questões um, oito e dez foram considerados religiosos, assim, estes aguardaram em sala de aula a aplicação do “Questionário de Constatação Qualitativa”. Os que responderam “sim” a até 30% das questões foram considerados não religiosos e agendaram com os aplicadores uma data e horário para se submeterem ao teste de Rorschach e, somente, nessa data voltaram a ter contato com o pesquisador. Foi organizado um caderno -agenda para marcação do horário de testes.
Vale ressaltar que os colaboradores foram prévia e uniformemente treinados para o levantamento das porcentagens de respostas das questões do “Questionário de Verificação de Presença de Religião” e suas participações visaram a agilizar a identificação de alunos religiosos e não religiosos.
Os alunos, cujas respostas “sim” somaram mais de 30% de todas as questões e menos que 70% foram dispensados de outras atividades, visto que não eram considerados religiosos (70% ou mais de respostas “sim”) e
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não religiosos (30% de respostas “sim”, no máximo), portanto, não fizeram parte da amostra.
Os alunos considerados religiosos (com 70% ou mais de respostas “sim”, incluindo as questões 1, 8 e 10) passaram, então, a responder ao “Questionário de Constatação Qualitativa”. A esses alunos, solicitou-se que preenchessem a lacuna de identificação e que lessem a instrução impressa no próprio caderno de questões (Anexo III). Conforme foram terminando, entregaram o questionário ao aplicador ou a seus auxiliares e marcaram a data e horário para se submeterem ao teste de Rorschach.
No caso desta pesquisa, para verificar as condições gerais da personalidade do adolescente, bem como o possível predomínio de características menos organizadoras e maduras da personalidade, como rigidez, moralidade e dogmatismo ou características mais estruturantes e menos radicais, como a flexibilidade, capacidade de reflexão e capacidade de adaptação à sociedade.
O teste de personalidade foi aplicado em todos os componentes da amostra e tanto a aplicação como a interpretação do mate rial seguiu o sistema proposto por Exner. A aplicação do teste aconteceu de forma individual, em local apropriado para esse tipo de trabalho, em espaço cedido pelas universidades envolvidas.
O “Questionário de Constatação Qualitativa” (Anexo III) foi aplicado no primeiro encontro e teve como objetivo verificar qual a possível influência sofrida pelo adolescente religioso ao longo de sua vida - se foi mais da família ou da religião. Em sendo desta última, procurou-se verificar o tipo de influência recebida, se mais repressora e restritiva ou mais construtiva e organizadora.
Responderam a este questionário apenas os componentes da amostra que fizeram parte do grupo composto por universitários considerados religiosos.
O referido questionário compõe-se de duas partes: parte A, um questionário mais pessoal e a parte B, uma escala de julgamento pessoal,
ambos voltados à avaliação qualitativa da religiosidade dos sujeitos universitários, bem como o posicionamento que possuem a respeito de suas respectivas famílias.
Especificamente, a parte B colabora para que se tenha uma noção, qualitativa sobre as influências externas que atingem o comportamento do jovem, religioso e não religioso, se estas forem mais oriundas da religião ou da família, notadamente, dos pais.
A parte A inclui nove questões afirmativas que versam sobre aspectos religiosos e familiares, devendo cada componente da amostra responder se concorda com ela, discorda ou é neutro / não sei.
A parte B, com 28 questões, sete de cunho afirmativo, sete voltadas para a freqüência e outras 14 indicando graus, em relação aos comportamentos pessoais dos jovens, seus posicionamentos sobre a família e religião, solicitando aos componentes da amostra que indiquem escores que variam de zero a quatro, ou seja, de muito pouco a muitíssimo e que melhor traduzam seus pensamentos.
O fato de o presente questionário ser uma reprodução parcial do instrumento preparado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo não restringe sua eficiência no presente estudo. Em relação a este aspecto, em particular, vale destacar que o “Questionário de Constatação Qualitativa” teve a função de levantar conteúdos de natureza mais dinâmica da personalidade para complementar os aspectos mais estruturais dessa mesma personalidade obtidos por meio do Método de Rorschach.
Torna-se importante esclarecer que, ao se fazer referência aos conteúdos de natureza dinâmica da personalidade, pretende-se apontar a parte mais influenciável desta, ou seja, a mais propensa a mudanças com base nos estímulos externos.
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