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Procedimentos e instrumentos da pesquisa

SABERES PEDAGÓGICOS

4.5 Procedimentos e instrumentos da pesquisa

A análise de documentos foi utilizada com o objetivo de identificar os aspectos importantes focalizados na realização das entrevistas. Consideramos, na análise documental, apenas os documentos autorizados pela instituição para consulta: planos de ensino (um de cada professor, totalizando seis planos) e as avaliações elaboradas pelos professores. Infelizmente, parte da documentação necessária à análise não foi autorizada pela pró-reitoria da instituição, como, por exemplo, o projeto político-pedagógico da mesma, o que atesta a preocupação da instituição no sigilo de algumas informações, devido à crise institucional ocorrida em 2007 e o processo de reestruturação da instituição em curso.

Becker (1997) recomenda que qualquer que seja a forma de utilização dos documentos, o pesquisador precisa conhecer algumas informações sobre eles, tais como: por qual instituição ou por quem foram criados, que procedimentos e/ou fontes utilizaram e com que propósitos foram elaborados. A interpretação de seu conteúdo não pode prescindir dessas informações.

Guba e Lincoln (1981) apud Lüdke (1986) apresentam uma série de vantagens para o uso de documentos na pesquisa ou na avaliação educacional. Em primeiro lugar, destacam o fato de que os documentos constituem uma fonte estável e rica. Persistindo ao longo do tempo, os documentos podem ser consultados várias vezes e inclusive servir de base a diferentes estudos, o que dá mais estabilidade aos resultados obtidos.

Realizamos entrevistas (apêndice A e B) com o coordenador do curso de Administração de Empresas e seis professores titulares. A técnica de entrevista, segundo Lüdke e André (1986), permite a captação imediata e corrente da informação desejada. Uma

entrevista bem feita pode permitir o tratamento de assuntos de natureza estritamente pessoal e íntima, assim como temas de natureza complexa e de escolhas nitidamente individuais. Pode permitir, também, o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas.

Conforme Thompson (1992) e Burke (1977) apud Biasoli-Alves (1998), a entrevista é uma ferramenta imprescindível para se trabalhar, buscando contextualizar o comportamento dos sujeitos, fazendo a vinculação com os sentimentos, crenças, valores. Isso permite, sobretudo, que se obtenham dados sobre o passado recente ou longínquo, de maneira explícita, porém tranqüila, e em comunhão com o seu entrevistador que deverá, inicialmente, transmitir atitudes que se transformem em referência e troca mútua de confiabilidade.

Segundo Rosa (2006), a opção pela técnica de entrevista deve ser feita quando o pesquisador/entrevistador precisar valer-se de respostas mais profundas para que os resultados da sua pesquisa sejam realmente atingidos e de forma fidedigna. E só os sujeitos selecionados e conhecedores do tema em questão serão capazes de emitir opiniões concretas a respeito do assunto. Na entrevista, existem caminhos que se definem por depender da relação entre uma pessoa que pergunta e outra que é detentora da informação, respondendo à primeira, mas através do estabelecimento de uma empatia. Têm-se, por meio da entrevista, informações sobre atitudes, sentimentos e valores subjacentes ao comportamento, o que significa que se pode ir além das descrições das ações, incorporando novas fontes para a interpretação dos resultados pelos próprios entrevistadores.

A mesma autora ressalta que o entrevistador, como íntegro condutor da pesquisa, dever levar aos sujeitos selecionados algumas informações essenciais antes de solicitar o consentimento para a participação da entrevista, por meio de uma linguagem simples, clara e objetiva, evitando termos técnicos complicados para que eles a entendam plenamente. As principiais informações, nesse sentido, são:



fazer com que o entrevistado se conscientize de que a participação é um convite, levando-o a ter acesso aos objetivos e aos métodos de condução da entrevista;



a duração prevista e esperada de sua participação (horas, dias e sessões);



os benefícios que podem, razoavelmente, ser obtidos para o participante ou para terceiros, por intermédio dos resultados alcançados;



a possibilidade de possível desconforto previsível associado à sua participação;





a extensão e o compromisso de se manter o sigilo dos registros, quando necessário, em que o entrevistado estiver identificado;



a certeza de que o indivíduo é livre para se recusar a participar e será, também, livre para abandonar a entrevista a qualquer momento, sem penalidades ou perdas;



o entrevistador deve chamar o sujeito entrevistado sempre pelo nome para que se sintam mais próximos.

As entrevistas ocorreram entre os meses de maio e agosto de 2007, sendo todas agendadas e realizadas pelo pesquisador. Solicitamos a cada entrevistado permissão para gravar a entrevista, obtendo-se, assim, a autorização de todos.

Durante os encontros, em geral, com duração média de 50 minutos, a entrevista foi realizada em um clima de bastante descontração, procurou-se nos primeiros minutos encontrar pontos de interesse comum, perguntando aos entrevistados questões não relacionadas diretamente com a pesquisa, mas assuntos de interesse comum, como lazer, política, o que propiciou uma pré-disposição para as questões específicas da pesquisa.

Ao realizar as entrevistas, procurou-se chegar ao local da entrevista cerca de meia hora antes, visando garantir a realização do encontro e conhecer, ainda que de forma rápida e informal, suas instalações. Esta estratégia objetivava, também, coletar subsídios que pudessem ajudar na condução de cada uma das entrevistas, a partir do roteiro previamente definido.

Em geral, os relatos foram colhidos na própria Instituição pesquisada, havendo apenas três situações especiais. Um dos professores solicitou que a entrevista ocorresse em sua própria residência, outros dois, nas dependências de outras instituições na qual prestam serviços.

Um clima de tranqüilidade caracterizou o transcurso das entrevistas, havendo apenas dois casos que merecem destaque: ao ser entrevistado, o professor Roberto mostrou-se muito tenso; enquanto o professor Marcos se mostrou pouco receptivo às indagações feitas e freqüentemente tendendo a desviar o foco das mesmas e a agilizar o término da entrevista, que acabou por ser agendada nos trinta minutos antecedentes ao início da aula. Gravadas e identificadas as entrevistas, procedeu-se à transcrição na íntegra.

questionário (apêndice C), que foi enviado por meio eletrônico, por intermédio dos

representantes de turma, propiciando aos alunos o tempo necessário para refletirem quanto às suas resposta e contribuições para a pesquisa.

Esse instrumento teve como objetivo identificar aspectos relacionados à percepção dos alunos quanto à docência dos professores bacharéis em Administração de Empresas.

Valendo acrescer que os eixos temáticos do questionário foram:



trabalho pedagógico desenvolvido pelos professores;



percepção dos alunos quanto à qualidade da educação superior no Distrito Federal e na Instituição;



saberes necessários aos professores.

As perguntas foram fechadas, apresentando aos alunos um conjunto de opções vinculadas ao objeto de estudo, deixando-se uma opção para apresentação de comentários ou inclusão de opções não contempladas no conjunto de alternativas.

Não tivemos dificuldades no envio dos questionários, uma vez que os endereços eletrônicos dos representantes de turma, fornecidos pelo coordenador do curso, permitiram o convite formal aos mesmos, que, por sua vez, repassaram o convite a todos os alunos da turma.

Devido ao momento vivido pela instituição – fase de avaliação de aprendizagem e Semana de Administração (evento conduzido anualmente pelos próprios alunos e coordenação), os alunos tiveram sua atenção desviada para esses eventos, o que resultou, mesmo depois de reiteradas solicitações de retorno junto aos representantes de turma, no baixo índice de devolução dos questionários. Mesmo contando apenas com trinta respondentes, sendo 56% do sexo feminino e 44% do sexo masculino, foi possível cumprir os objetivos propostos pela pesquisa.

Na análise de conteúdo, consideramos os seguintes eixos: educação superior privada, concepções sobre o trabalho docente e saberes pedagógicos.

CAPÍTULO V