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4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.6. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS

4.6.1. Randomização

A técnica de randomização escolhida foi a pareada, na qual eram formados pares de participantes com idade e sexo iguais, sendo que a alocação aleatória era realizada no interior do par, assim um indivíduo recebia o tratamento periodontal e o outro servia como controle. Para que não houvesse influência do examinador no exame inicial, o sorteio só era efetuado após a coleta dos dados.

4.6.2. Coleta de dados

Na primeira consulta odontológica, os pacientes com Insuficiência Renal Crônica em fase de pré-transplante eram avaliados por um cirurgião-dentista lotado no HUOL que solicitava um exame de raios-X panorâmico e os convidava a participarem da pesquisa, caso houvesse sinais clínicos de doença periodontal, tais como presença de cálculo, biofilme visível, recessão e inflamação gengival. Se concordassem em participar do estudo, uma nova consulta era agendada e o exame da PCR-US era solicitado para ser realizado na mesma data do exame periodontal. Nesta ocasião, após assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, eram submetidos a um questionário composto por dados de identificação, dados demográficos, dados socioeconômicos, história médica e odontológica registrados em ficha clínica especialmente desenvolvida para este fim (Anexo 03).

4.6.3. Calibração

Um processo de calibração foi realizado para obter a confiabilidade do estudo e verificar a reprodutibilidade intra-examinador. Para alcançar estes objetivos, foi realizada a

análise da profundidade de sondagem e do nível de inserção clínica de 05 pacientes, em dois momentos, previamente à realização da pesquisa.

Para cada parâmetro periodontal analisado, foram obtidos os coeficientes de correlação intra-classe (CCI). O CCI da profundidade de sondagem foi de 0, 974 e o do nível de inserção clínica foi de 0, 962, sendo considerados excelentes e comprovando a reprodutibilidade do examinador.

4.6.4. Registro da condição periodontal

Após o preenchimento do questionário, era realizado o exame periodontal completo dos participantes da pesquisa por um único examinador previamente calibrado, incluindo a sondagem de todos os elementos dentários e registro da ocorrência de sangramento gengival, presença de biofilme, profundidade de sondagem e nível de inserção clínica. Os dados foram anotados pela mesma assistente treinada pelo examinador da pesquisa.

A presença de perda óssea vertical e/ou horizontal e de lesões periapicais era comprovada através da análise das radiografias panorâmicas, e em alguns casos, de radiografias periapicais obtidas na consulta inicial.

Para a realização do exame clínico periodontal foram utilizados o espelho plano nº 5, a sonda periodontal manual milimetrada Goldman/Fox Williams da marca comercial Trinity® previamente esterilizados e o evidenciador de biofilme dentário constituído por solução de fucsina básica da marca comercial Eviplac®.

A presença do biofilme dentário foi avaliada através do índice de O’Leary após a aplicação do evidenciador de placa em todos os elementos dentários. O índice é calculado pela porcentagem do somatório das faces registradas com biofilme dividido pelo número de faces examinadas.

O índice de Ainamo e Bay foi utilizado para avaliar a presença de sangramento após a sondagem. Este índice é calculado pela percentagem do somatório das superfícies sangrantes dividido pelo número de faces examinadas.

A profundidade de sondagem foi realizada em seis pontos de todos os dentes, três por vestibular (mésio-vestibular, vestibular e disto-vestibular) e três por lingual ou palatino (mésio-lingual ou mésio-palatino, lingual ou palatino e disto - lingual ou disto - palatino) com a sonda sendo inserida paralelamente ao eixo vertical do dente e levada de forma suave a cada sítio. A profundidade de sondagem foi determinada tendo a margem gengival como ponto de referência até a base da bolsa ou sulco gengival.

O nível de inserção clínica foi medido pela distância do limite amelo-cementário ao fundo do sulco ou bolsa periodontal com o auxílio da sonda periodontal. O elemento dentário foi dividido em seis sítios, da mesma forma que a profundidade de sondagem.

Como a profundidade de sondagem e o nível de inserção clínica tratam de um dado do sítio do elemento dentário e a presente pesquisa aborda o paciente como unidade amostral, a forma encontrada para se obter uma informação única do paciente foi realizando as médias de todos os sítios analisados.

A análise periodontal foi repetida após um mês da conclusão do tratamento no grupo Experimental e 01 mês após a realização do exame clínico inicial no grupo Controle pelo mesmo examinador. Para evitar a influência do pesquisador na obtenção dos dados, os exames finais foram realizados sem que o mesmo tivesse acesso aos dados dos exames iniciais.

4.6.5. Exame bioquímico

O nível plasmático da proteína C-reativa foi avaliado utilizando-se kits de alta sensibilidade da marca comercial Diagnocel®, específico para o analisador imuno-enzimático

Architect C8000 – ABBOTT® (figura 03), do Laboratório de Análises Clínicas do Hospital Onofre Lopes (HUOL) /UFRN.

Figura 03: Aparelho Architect C8000. Natal/RN. 2012.

A coleta de sangue foi realizada após jejum de 8 horas no baseline para os dois grupos, 30 dias após a conclusão do tratamento periodontal para o grupo teste e um mês após o exame periodontal inicial para o grupo controle no laboratório de análises clínicas do HUOL/UFRN. Neste momento também foi solicitada a realização do leucograma do paciente com o objetivo de averiguar se no momento da análise da PCR-US havia algum quadro que sugerisse processo inflamatório/infeccioso. Além da PCR-US, foram avaliados as concentrações de Albumina e Transferrina. Os exames iniciais e finais da PCR-US, albumina e transferrina foram realizados de modo cego ao status do tratamento.

A concentração da PCR-US aumenta diante de processos infecciosos ou inflamatórios, ao contrário da albumina e da transferrina, cujas concentrações decaem e são considerados como marcadores negativos da inflamação. De acordo com a American Heart Association (2003), os valores de referência da PCR-US adotados para predição de risco de desenvolvimento de doenças coronarianas são descritos no quadro 03:

Quadro 03: Categoria de risco cardiovascular relativo e concentração média da PCR-US. Natal/RN. 2012.

Risco cardiovascular PCR-US (mg/dl)

Baixo < 0,1mg/dl

Médio 0,1 a 0,3mg/dl

Alto > 0,3mg/dl

4.6.6. Procedimentos pós-coleta

Os participantes do grupo Experimental receberam tratamento periodontal que compreendeu a orientação e a motivação em higiene oral, adaptação das restaurações, selamento de cavidades cariosas, profilaxia dentária e a raspagem e o alisamento radicular com o uso de instrumentos manuais e de um aparelho de ultrassom em um período máximo de 04 semanas. Após o término do tratamento, os pacientes foram agendados para consultas de manutenção de acordo com as necessidades individuais. Os participantes do grupo controle receberam o mesmo tratamento após a conclusão do estudo.