• Nenhum resultado encontrado

Procedimentos no desembarque do visitante (Transfer in)

2 TURISMO GLOBALIZAÇÃO E MODERNIDADE: FORMAÇÃO E

4.7 O TRABALHO DE TRANSFER DO GUIA DE TURISMO

4.7.2 Procedimentos no desembarque do visitante (Transfer in)

O transfer in é o procedimento de acompanhar um visitante desde o aeroporto

até o hotel. No transfer in os guias saíam da agência de receptivo com muita antecedência do horário de chegada do voo. Com o traje formal diferenciado dos passeios, ele trajava calça comprida e blazer preto, camisa de dentro verde (com a logomarca da empresa), sapato preto fechado e, como de costume, com o crachá da EMBRATUR. A mochila dos passeios de praia era substituída por uma pasta de mão contendo a ordem de serviço com todas as informações sobre o visitante, hotel e voo, além do notebook, que é um dos instrumentos de trabalho indispensável para o guia.

Chegava ao aeroporto, em média, com trinta minutos de antecedência. O Guia localizava o funcionário da empresa que ficava no serviço de apoio no aeroporto para dar aos guias toda assistência necessária. Em seguida, o guia checava se o voo estava confirmado, e se o voo estivesse com atraso ele ficava na praça de alimentação, onde ligava o computador e trabalhava cadastrando os passeios que ele havia vendido durante os passeios de praia. Em alguns casos,quando não tinha nada para cadastrar, o guia passava o tempo conversando com outros guias de outras agências, tratando de assuntos diversos.

Quando a aeronave aterrissava, o guia se dirigia ao portão de desembarque e, posicionado com uma placa nas mãos com o nome da agência em letras grandes,

ficava aguardando a saída dos passageiros. Assim que os visitantes começavam a passar no portão ele falava em voz alta com entonação: “Passageiros Luck Receptivo!” – esta frase era dita várias vezes até o último passageiro da aeronave sair. Dessa maneira, o passageiro se aproximava e ele, com um sorriso no rosto, pedia para que este aguardasse num canto ao lado, enquanto ele localizava as outras pessoas do grupo. Às vezes acontecia de o passageiro ficar meio perdido quando chegava ao portão, no entanto, o guia se aproximava e dizia: “O senhor ou a senhora comprou o receptivo pela Luck?” (Notas do diário,12/08/2011). O passageiro mostrava o voucher, documento em que estava identificado o nome da agência de receptivo. Quando era da Luck ele pedia para o turista aguardar e, quando não, ele orientava o passageiro para a agência que iria fazer o receptivo do visitante. Algumas vezes aconteceu de o passageiro chegar e comprar o serviço de receptivo na hora do desembarque, então o guia primeiro checava na ordem de serviço se havia vaga no ônibus; quando sim, ele vendia o serviço ao passageiro.

Depois que todos os passageiros se apresentavam o guia reunia o grupo e dava as boas vindas, recolhia os vouchers de todos os passageiros se perguntava se algum passageiro precisava ir ao toalete. Depois solicitava que todos o acompanhassem até o ônibus. Chegando ao local, o motorista, juntamente com o funcionário de apoio, colocava as malas no bagageiro do ônibus. Quando o número de passageiro era muito grande o guia também desenvolvia esta atividade.

Depois que todos estavam acomodados no ônibus o guia se apresentava formalmente ao grupo, acolhendo-os com as devidas boas vindas e desejava que todos tivessem uma excelente estada durante o período em que permanecessem no Estado de Alagoas. É importante destacar que o aeroporto de Maceió fica localizado no município de Rio Largo, distante cerca de uma hora do centro da cidade. O percurso até os hotéis era um momento crucial para este profissional, pois era exigido pela agência de receptivo que ele vendesse 80% de passeios na chegada dos visitantes. Este era um momento singular para o guia, porém ele demonstrava muita desenvoltura, satisfação e firmeza em sua fala.

O guia começava o discurso falando sobre o que a cidade tinha de melhor a oferecer, explicava também sobre a gastronomia, economia, política, atrativos históricos e culturais, entre outras coisas. Em seguida o guia entregava a cada visitante a programação dos passeios da semana com os devidos valores, e

explicava que o city tour é um passeio que já estava incluso no pacote do receptivo. Neste momento o guia discorria sobre cada passeio usando muita criatividade e habilidade para convencer o turista a comprá-los. A fala do guia era com entusiasmo, ele falava como se estivesse vivendo o passeio, a mensagem transmitida despertava o interesse e aceitação do visitante, gerando expectativa no grupo. As informações eram pertinentes sobre os locais que estavam sendo apresentados.

Neste contexto, é importante destacar que a forma como cada profissional organizava seu discurso é particular, não existe maneira determinada considerada a mais certa. Portanto, cada guia utilizava uma maneira mais adequada às suas características pessoais, bem como aquela que se adaptava às características de cada grupo. O tempo do deslocamento do aeroporto até o hotel era o suficiente para o guia fazer uma explanação sobre o destino e sobre cada passeio. A maioria dos visitantes comprava passeios no traslado aeroporto – hotel.

Chegando ao hotel o guia se dirigia até a recepção e apresentava seu

rooming list (lista com o nome dos hóspedes) para a conferência dos apartamentos

dos hóspedes. Em seguida auxiliava os visitantes no check in, pois, dependendo do número de visitante num mesmo hotel, era necessária a organização e a liderança do guia sobre os turistas. Nesse momento todos queriam receber a chave do apartamento e o guia tinha muita cautela para que não houvesse tumulto. Depois de passar em todos os hotéis o guia retornava para a agência e seguia direto para o setor financeiro para prestar conta dos passeios vendidos durante o trajeto do aeroporto.