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Dois fisioterapeutas treinados deslocaram-se às escolas que participaram no estudo para a recolha de dados. Em primeiro lugar, foi entregue aos participantes um questionário para caracterização da amostra. Após o seu preenchimento foram retiradas amostras de sangue capilar para determinação do colesterol total, glicemia e triglicerídeos, e posteriormente avaliadas as pressões arteriais sistólica e diastólica. Seguidamente, mediu-se a prega de adiposidade cutânea, o peso, a altura e o PABD. Por fim, aplicou-se o questionário sobre actividade física (IPAQ) e o questionário de frequência alimentar.

3.1. Determinação do colesterol total, glicemia e triglicerídeos

Para determinar o colesterol total (CT), glicemia (GL) e triglicerídeos (TG) foram efectuadas colheitas de sangue (punção nos dedos), encontrando-se os sujeitos em jejum (12 horas). As amostras de sangue recolhidas em tiras de teste próprias para cada substância, foram analisadas usando como instrumento o Accutrend® GCT (Laboratórios

Roche, Alemanha). O Accutrend® GCT possui índices de validade e fiabilidade testados

com sucesso (r=0,972)132,133. Para a determinação de CT, GL e TG foi seguida a

metodologia de Ribeiro et al.9, 2004.

Foram definidos os seguintes níveis como factores de risco: colesterol total – ≥ 170 mg/dL15,42; triglicerídeos – ≥ 130 mg/dL 30,123; glicemia – ≥ 100 mg/dL15. Foram

utilizados estes valores com o objectivo de identificar os indivíduos que necessitam de algum tipo de intervenção (mudança dos estilos de vida) 30.

3.2. Avaliação da PA

Para a determinação da PA sistólica e diastólica foi utilizado um esfigmomanómetro electrónico, de marca Colson™, modelo BP 3AA1-2, validado segundo o protocolo da Sociedade Europeia de Hipertensão134. Os sujeitos foram

colocados na posição de sentado (sem sobreposição dos membros inferiores), com o braço direito completamente exposto ao nível do coração e colocado sobre uma superfície confortável. Foram realizadas no mínimo duas medições sucessivas no braço direito, sendo a primeira após cinco minutos de repouso e a segunda após dez minutos. Os dados foram recolhidos num ambiente calmo para desta forma, minimizar a interferência dos factores ambientais.

Para a determinação da PA foram seguidas as recomendações de Gillman & Cook

135, 1995 e Swiet et al.136, 1989.

Para os adolescentes dos 15 aos 17 usaram-se como valores de referência os percentis do “National Heart, Lung, and Blood Institute” (NHLBI) (Anexo III) de acordo com a idade, o sexo e os percentis de altura. Segundo o NHLBI122, define-se como pré-

hipertensão um percentil> 90 e ≤95, hipertensão arterial (HTA) estádio 1 um percentil> 95 e HTA estádio 2 um percentil> 99.

Para os adolescentes de 18 e 19 anos recorreram-se aos valores de risco de PA ≥ 130/85, pois segundo Esmaillzadeh et al. 137, 2006 são os valores acima dos quais os

adolescentes apresentam risco de desenvolver hipertensão.

Os valores de referência para todos os grupos de idades referidos estão também de acordo com Fonseca 48, 2006 e Guerra 15, 2004.

Foi definido como factor de risco, PAS e/ou PAD ≥ estádio de pré-hipertensão pois, de acordo com Pescatello 138, 2004, os indivíduos com pré-hipertensão possuem uma

maior probabilidade de desenvolvimento de DCV. No mesmo sentido, Giuliano et al.14,

2005, refere que a pré-hipertensão deve ser valorizada e identificada com a finalidade de adopção de medidas preventivas rigorosas.

3.3. Avaliação antropométrica

A altura foi medida com o sujeito em posição ortostática com a cabeça posicionada de acordo com o plano de Frankfort 23, utilizando o estadiómetro Holtain®, e

registada em metros com aproximação aos cm.

A massa corporal total foi medida com uma balança electrónica digital da marca SECA 708. Os valores do peso foram registados em Kg com aproximação às 100 g, encontrando-se os sujeitos com calção, camisola e descalços.

Para estes dois parâmetros foram obtidas duas medições, sendo registada a média aritmética. Através do peso e da altura, calculou-se do índice de massa corporal: IMC (Kg/m2) = peso (Kg) / altura (m2).

Para classificação do IMC recorreu-se aos gráficos de crescimento do Center for

Disease Control and Prevention – National Health and Nutrition Examination Survey

(CDC-NHNES) 139 (Anexo IV). O CDC-NHNES recomenda que os indivíduos com IMC >

percentil 95 sejam classificados como obesos e aqueles com IMC entre o percentil 85 e 95 como portadores de excesso de peso. Esta definição está também de acordo com Guerra15, 2004. Foi definido como factor de risco um IMC igual ou superior ao percentil 85.

Para a medição das pregas de adiposidade cutânea tricipital e subescapular, foi utilizado um adipómetro da marca Harpenden®, com uma pressão constante de 10

gr/mm2. A prega tricipital foi medida verticalmente, na região posterior do braço, no ponto

médio entre o bordo posterior do acrómio e o olecrâneo. Para a marcação do ponto, o braço deve estar a 90º. A dobra é medida com o braço estendido e relaxado. A prega subescapular foi medida diagonalmente no ângulo inferior da escápula 140.

Todas as medições foram executadas por um único observador, no local pré determinado de acordo com Heyward141, 1991. O resultado final foi dado pela média das

três medições efectuadas. Para a obtenção dos valores de composição corporal foi utilizado o fraccionamento da massa corporal em dois compartimentos: massa gorda e

massa magra de acordo com Lohman 142, 1992. A percentagem de massa gorda foi

determinada segundo as equações de predição de Slaughter et al. 143, 1988, sendo as

equações de predição de massa gorda as seguintes:

¾ Indivíduos do sexo masculino com menos de 35 mm na soma das pregas

subescapular e tricipital:

% G = 1,21 (tricipital + subescapular) – 0,008 (tricipital + subescapular)2 – 5,5

¾ indivíduos do sexo masculino com mais de 35 mm na soma das pregas

subescapular e tricipital:

% G = 0,783 (tricipital + subescapular) + 1,6

¾ Indivíduos do sexo feminino com menos de 35 mm na soma das pregas

subescapular e tricipital:

¾ Indivíduos do sexo feminino com mais de 35 mm na soma das pregas subescapular

e tricipital:

% G = 0,546 (tricipital + subescapular) + 9,7

Partindo das equações para o cálculo da percentagem de gordura e do somatório das dobras cutâneas tricipital e subescapular, os níveis de adiposidade foram classificados a partir da tabela seguinte:

Tabela 8 – Classificação da gordura corporal relativa (%G) e do somatório das pregas adiposas tricipital (TR) e subescapular (SE) calculado em mm. Adaptado de Lohman 142, 1992.

Classificação Sexo Muito

Baixo Baixo Óptimo

Moder. Alto Alto Muito Alto Masc. ≤ 6,0 6,1-10,0 10,1-20,0 20,1-25,0 25,1-31,0 > 31,1 %G Fem. ≤ 12,0 12,1-15,0 15,1-25,0 25,1-30,0 30,1-35,5 > 35,6 Masc. ≤ 8,0 8,1-13.0 13,1-22,0 22,1-29,0 29,1-39,0 > 39,0 TR+SE Fem. ≤ 11,0 11,1-15,0 15,1-27,0 27,1-35,0 35,1-45,0 > 45,0

Os valores apresentados de seguida foram considerados como factores de risco, estando associados a um risco acrescido para as DCV 144.

¾ %G o Sexo Masculino – > 25,0 o Sexo Feminino – > 30,0 ¾ TR+SE o Sexo Masculino – > 29,0 mm o Sexo Feminino – > 35,0 mm

O PABD foi medido a meio da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior, com auxílio de uma fita métrica universal flexível e não elástica12. Como valores

de referência para PABD utilizou-se o percentil ≥ 75 ajustado à idade e sexo dos indivíduos 145 (Anexo V).

3.4. Questionário Internacional de Actividade Física (IPAQ) – versão reduzida

Após a colheita de todas as variáveis, foi entregue a versão portuguesa do IPAQ – versão reduzida para caracterização do nível de actividade física (AF) dos adolescentes. O estudo de validação e de fiabilidade deste questionário foi realizado em 12 países,

entre os quais Portugal, e demonstrou que o IPAQ é válido e fiável (p=0,30) quando comparado com acelerómetros CSA e com outros instrumentos de auto-resposta 146.

O IPAQ reporta separadamente a marcha, a AF moderada e a AF vigorosa em termos de frequência e de duração de cada tipo de AF, nos últimos 7 dias. Este instrumento também refere o tempo gasto em actividades sedentárias (o tempo passado sentado) num dia de semana habitual 147.

O IPAQ permite estimar o total de AF por semana ao multiplicar os minutos registados por cada categoria de actividade através dos MET (taxa metabólica de repouso) definidos para cada categoria (marcha = 3.3 MET, AF moderada = 4.0 MET e AF vigorosa = 8 MET) 147. A outra forma de cálculo do total de AF/semana segue as recomendações

do Center for Disease Control and Prevention’s e do American College of Sports Medicine (pelo menos 150 min/semana de AF moderada e/ou vigorosa)148, tendo sido esta a forma

de avaliação adoptada neste estudo.

Uma vez que este questionário é de auto-preenchimento, esteve sempre um fisioterapeuta presente no local para prestar qualquer esclarecimento e evitar o efeito de contaminação.

3.5. Questionário de Frequência Alimentar

Por fim, foi pedido aos intervenientes no estudo para responderem a um questionário de frequência alimentar utilizado num estudo realizado em Portugal por

Gonçalves 149, 2006, cujos objectivos eram caracterizar os hábitos alimentares de

adolescentes e analisar a frequência de consumo de alimentos saudáveis (Anexo VI). É composto por 10 questões que retratam a frequência do consumo alimentar de vários grupos alimentares (pão, carne, peixe, legumes, sopa, iogurtes, fruta, leite, ovos, massa, batatas) em nunca ou <1 vez por mês, 1-3 vezes por mês, 1 por semana, 2-4 por semana, 5-6 por semana, 1 por dia, 2-3 por dia, 4-5 por dia e ≥ 6 por dia, e o número de refeições diárias que cada adolescente realiza. O questionário não foi validado para a população portuguesa, não se podendo portanto realizar qualquer tipo de inferências acerca do mesmo. Apenas se aplicou o questionário para caracterizar a população. Posteriormente, a frequência alimentar foi agrupada em 4 classes para tratamento estatístico (de nunca a 3 vezes por mês; de 1 vez por semana a 4 vezes por semana; de 5 vezes por semana a 1 vez por dia e mais de 1 vez por dia) 149.

3.6. Avaliação da SM

A caracterização de SM foi definida segundo Ferranti et al.126, 2004, consistindo na

associação de pelo menos três dos seguintes critérios: 1. Triglicerídeos em jejum ≥ 100 mg/dL.

2. Glicemia em jejum ≥ 110 mg/dL.

3. Circunferência da cintura > P75 para a idade e sexo. 4. PA sistólica > P90 para a idade, sexo e altura.

Na realização deste estudo não se observou o parâmetro do Colesterol HDL, pois apenas foi possível identificar o Colesterol Total, tendo sido todos os outros parâmetros analisados.

4. Ética

Foi pedida a autorização aos Conselhos Executivos das escolas participantes para a realização do estudo.

Todos os sujeitos, bem como os respectivos Encarregados de Educação/responsável legal, foram informados de todos os possíveis riscos e benefícios do estudo, dos seus principais objectivos e de que poderiam recusar, a qualquer momento, a sua participação no estudo, sem que por isso houvesse qualquer prejuízo. Antes do procedimento experimental, cada aluno entregou o consentimento informado por escrito de acordo com a Declaração de Helsínquia (2000) (Anexo VII).

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