CÁPITULO 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.4 PROCESSO CONVERGÊNCIA DAS NORMAS INTERNACIONAIS NO
O Brasil passa por um momento histórico com o processo de convergência às normas internacionais, pois abrange tanto a área privada, quanto ao setor público.
Em 1997, as Normas Internacionais de Contabilidade aplicadas ao Setor Público (International Public Sector Accounting Standards – IPSAS), foram editadas e publicadas em inglês, pela Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants – IFAC). As IPSAS são as normas internacionais, em níveis globais, de alta qualidade para a preparação de demonstrações contábeis por entidades do Setor Público (STN. 2013).
No Brasil, o processo de convergência iniciou com o setor privado, que saiu a frente com a Instrução da Comissão de Valores Mobiliáiros (CVM) nº 457/07, publicada em 13 de julho de 2007, tornando obrigatório às companhias
de capital aberto a apresentar, a partir do exercício social findo em 31 de dezembro de 2010, suas demonstrações financeiras consolidadas adotando o padrão contábil internacional.
O setor privado segue as IFRS – International Financial Reporting Standards, editadas pelo International Accounting Standards Board – IASB, e trazidos para a realidade brasileira pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, que são respeitadas pelas entidades normativas como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e Receita Federal do Brasil (RFB).
Por outro lado, o setor público segue às Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público (International Public Sector Accounting Standards – IPSAS) editadas pela Federação Internacional de Contadores (International Federation of Accountants – IFAC), traduzidas para o português (CFC. 2010a).
A missão da IFAC, é “servir ao interesse público, fortalecer a profissão contábil ao redor do mundo e contribuir ao desenvolvimento de economias internacionais fortes pelo estabelecimento e pela promoção da adesão a normas profissionais de alta qualidade, estimulando a convergência internacional a essas normas, e pronunciando-se sobre temas de interesse público onde o conhecimento especializado da profissão tem o mais alto grau de relevância.” Para isso, a IFAC constituiu um Conselho, o IPSASB - International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB, em Português: Conselho das Normas Internacionais de Contabilidade), tenso sido denominado anteriormente como Public Sector Committee (PSC), para desenvolver e emitir sob sua própria autoridade Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público (IPSASs) (CFC. 2010a).
Através da Resolução n.º 1.103/07, do Conselho Federal de Contabilidade, criou um Comitê Gestor da Convergência no Brasil com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento sustentável do Brasil por meio de uma reforma contábil e de auditoria que promova maior transparência das
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informações e aprimoramento das práticas profissionais, seguindo a convergência aos padrões internacionais (CFC, 2007).
O comitê tem como responsabilidade elaborar o plano de ação e coordenar o processo de convergência das normas brasileiras às internacionais nas áreas de Contabilidade societária, auditoria, Contabilidade pública e assuntos regulatórios (CFC, 2007).
A tradução das Normas para o português, foi realizado pelo Comitê Gestor da Convergência no Brasil, através do trabalho conjunto do CFC com o Instituto dos Auditores Independente do Brasil (Ibracon), que são os tradutores oficiais, no Brasil, das Normas Internacionais editadas pela IFAC.
Acompanhando a evolução mundial de aprimoramento da contabilidade, o processo de convergência da contabilidade governamental aos padrões internacionais foi iniciado pelo Ministério da Fazenda por meio da Portaria n.º 184 de 25 de agosto de 2008 (STN. 2008).
Com a Portaria do Ministério da Fazenda, ficou determinado que a Secretaria do Tesouro Nacional - STN, e o Conselho Federal de Contabilidade, são os responsáveis pelo desenvolvimento das ações, a fim de promover a convergência às Normas Internacionais de Contabilidade publicadas pela International Federation of Accountants - IFAC e às Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC, respeitados os aspectos formais e conceituais estabelecidos na legislação vigente (STN, 2008).
As Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (NBCASP T 16) foram aprovadas pelas Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade n.º 1.128 a 1.137/2008 e 1.366/2011, e posteriormente pela Portaria STN nº 634, de 19 de novembro de 2013, sendo as normas obrigatórias para os fatos ocorridos a partir de 2013 (MCASP, 2014).
Com a publicação da 6ª edição do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público – PCASP e as Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público – DCASP deverão ser adotados por todos os entes da
Federação até o término do exercício de 2014, e os Procedimentos Contábeis Patrimoniais – PCP, definidos no MCASP e de observância obrigatória pelos entes da Federação, terão prazos finais de implantação estabelecidos de forma gradual por meio de ato normativo da STN (MCASP, 2014).
O processo de convergência tem alguns aspectos positivos conforme destaca Castro (2010, p. 107):
a) Uniformidade de procedimentos contábeis nos aspectos patrimoniais entre setor público e privado;
b) Aderência aos conceitos e regras internacionais;
c) Aprimoramento e aprofundamento nos conceitos e nas técnicas específicas de cada área: aspectos aderentes à ciência contábil, aspectos orçamentários aderentes aos aspectos econômicos e aspectos financeiros aderentes às regras fiscais;
d) Plano de contas único para as três esferas do governo: Federal, Estadual Distrito Federal e Municípios;
e) Ganho de escala com economicidade e padronização de procedimentos nos sistemas informatizados para empresas que atendam Municípios de Estados diferentes;
f) Ganho de Governabilidade e economicidade para gestores que contratam sistemas informatizados de contabilidade pela concorrência entre eles e menor risco do gestor que resolveu trocar de fornecedor;
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g) Melhoria no ensino de contabilidade publica pela padronização dos conceitos patrimoniais. Os benefícios são difíceis de quantificar, mas benefícios adicionais significativos são esperados se os governos forem além do cumprimento rigoroso das normas de contabilidade.
Para o Professor Lino Martins da Silva, “com a aprovação das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Publico (NBCASP), o Conselho Federal de Contabilidade iniciou uma verdadeira revolução na Contabilidade Governamental brasileira” (Azevedo apud Silva, 2009, p.24)
Nesse sentido, Azevedo apud Feijó (2009, p. 11) menciona:
[…] vários paradigmas estão sendo rompidos a partir da edição das NBCASP e do resgate da ciência contábil.
Primeiro: o paradigma básico é a definição de que o objeto da contabilidade aplicada ao setor público é o patrimônio da entidade pública e não o orçamento público. Com isto, o setor público caminha rumo à 'contabilidade patrimonial' e à aplicação integral dos princípios fundamentais de contabilidade, dos quais é viga mestre a aplicação efetiva dos princípios da oportunidade e da competência.
Segundo: o clássico paradigma da aplicação do 'regime misto' na contabilidade pública, em que as receitas são contabilizadas sob a ótica de caixa e as despesas sob a ótica de competência. É assunto ultrapassado, pois o artigo 35 da Lei 4320/1964, que ampararia tal interpretação, trata de receitas e despesas orçamentárias, portanto, do “regime orçamentário”.
Receitas e despesa sob a ótica contábil seguem o princípio da competência e devem ser reconhecidas quando incorridas independentemente do recebimento ou pagamento.
A Portaria Nº 261, de 13 de maio de 2014 estabeceu que os Procedimentos Contábeis Específicos são de observância obrigatória a partir da vigência da 6ª edição do MCASP.
A Portaria STN nº 702/2014, publicada em 23 de dezembro de 2014, estabelece regras para o recebimento dos dados contábeis e fiscais dos entes da Federação SICONFI - Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro.
O sistema, a partir de 2015, passará a recepcionar informações relativas às contas anuais dos entes da Federação necessárias à consolidação de contas conforme disposto no art. 51 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (LRF); aos Demonstrativos Fiscais definidos nos artigos 52 a 54 da Lei Complementar nº 101, de 2000 (LRF); ao Cadastro da Dívida Pública – CDP, relativo às informações das dívidas públicas interna e externa a que se refere o § 4º do art. 32 da Lei Complementar nº 101, de 2000 (LRF); à Declaração do Pleno Exercício da Competência Tributária, em atendimento ao inciso I do art. 38 da Portaria Interministerial MPOG/MF/CGU nº 507, de 24 de novembro de 2011; à Declaração de publicação do RREO e RGF, em atendimento aos incisos XI e XIV do art. 38 da Portaria Interministerial MPOG/MF/CGU nº 507, de 2011; e à estrutura das administrações direta e indireta, cujos dados foram consolidados na declaração das contas anuais.
A consolidação será realizada em 3 formas distintas: contábil, fiscal e estatística; registro centralizado da dívida pública: interna e externa; e subsídio à transparência para a Federação. A transparência sendo fonte de informação tempestiva e de acesso ao público em meio eletrônico; cumprimento da LRF e limites constitucionais; e provendo facilidade na extração de dados que permitem a comparabilidade. E, por fim o controle/verificação feita pela análise do cumprimento dos limites constitucional e legal; promovendo a harmonização
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conceitual na Federação; e permitindo a padronização (extensível) das formas de coleta (STN, 2015).
As diretrizes para o período de 2015 a 2018 prevê parceria com CFC, STN e ABRACICON para realização de forte disseminação e capacitação da Contabilidade Aplicada ao Setor Público; Sensibilização dos Gestores Públicos para apoiar a implantação da Contabilidade Aplicada ao Setor Público; Implantação gradual dos Procedimentos Patrimoniais; e Firmar parcerias com Tribunais de Contas para fomentar a implantação da Contabilidade Aplicada ao Setor Público (Gilvan, 2015).