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5. MATERIAL E MÉTODO

5.4. Processo de adaptação transcultural adotado

A adaptação transcultural foi realizada seguindo o Protocolo para Tradução da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007) e estabelecido pela Harvard Medical School (Departamento de Políticas no Cuidado a Saúde) composto das fases apresentadas a seguir.

5.4.1. Tradução

A tradução da Versão Original do HPQ do contexto lingüístico dos Estados Unidos da América (língua inglesa) para o contexto lingüístico do Brasil (língua portuguesa) a foi realizada por uma tradutora e profissional da saúde brasileira, com experiência em línguas e com conhecimentos em coletas de dados por entrevista. Foram dadas instruções quanto ao enfoque da tradução, com ênfase na tradução conceitual e não literal, bem como na necessidade do uso de linguagem natural e aceita para o público em geral. Essa versão recebeu a numeração de HPQ 1.0 (APÊNDICE 1).

5.4.2. Grupos de especialistas

Para a realização desta etapa, um grupo de especialistas foi convidado. Nesta fase, cada um dos especialistas recebeu um kit contendo os seguintes documentos:

A. Documento contendo orientações para que procedesse a avaliação do questionário em relação à equivalência semântica, idiomática, cultural e conceitual (APÊNDICE 2);

B. Versão original do HPQ;

C. Versão produzida durante a primeira fase (HPQ 1.0).

Foram selecionados para esta fase seis especialistas: 1) enfermeira, docente do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e especialista na área de saúde do trabalhador e em metodologia de pesquisa científica; 2) enfermeira, docente do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e especialista na área de saúde do trabalhador; 3) enfermeira, docente do Departamento de Enfermagem Médico - Cirúrgica de da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e especialista em metodologias de pesquisa científica; 4) orientadora deste estudo, enfermeira, docente do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; 5) pesquisadora e 6) tradutora da primeira versão do instrumento.

Esta etapa teve como objetivo identificar e esclarecer expressões e conceitos da tradução que estavam inadequados, bem como eventuais discrepâncias entre a tradução e a versão existente do instrumento. O Comitê poderia questionar o uso de algumas palavras ou expressões e ainda sugerir alternativas.

Para a realização desta etapa, foi formulado um roteiro para a avaliação das equivalências. Para cada item do instrumento, a especialista utilizava a escala de equivalência, como demonstra a Figura 1.

Escala de Equivalência 1- não equivalente 2- pouco equivalente

3- equivalente

Figura 1 – Escala para avaliação de Equivalência dos itens do Health and Work Performance

Questionnaire.

Para a análise das equivalências, as especialistas consideraram:

Equivalência semântica: avalia o significado das palavras de cada item (um ou vários significados) preservando a equivalência do significado e a formulação dos termos.

Equivalência cultural: avalia a existência de itens que reflitam experiências próprias de cada cultura, os quais podem ser modificados, na tentativa de compensar um item não significante na cultura alvo por outro significante.

Equivalência idiomática: avalia expressões coloquiais ou expressões idiomáticas difíceis de traduzir. O comitê pode formular expressões equivalentes para a versão traduzida.

Equivalência conceitual: avaliam palavras que, freqüentemente, capturam conceitos ou significados de ambas as culturas. Esse tipo de equivalência é alcançada quando as respostas para algumas questões refletem os conceitos requeridos nas diferentes culturas, isto é, o construto passa a ser reconhecido como sendo conceitualmente equivalente entre ambas as culturas.

Após a avaliação pelos membros do comitê, foi realizada a revisão de todas as anotações e foi produzida a versão HPQ 1.1 (APÊNDICE 3) e na sequência foi conduzida a fase da retrotradução (backtranslation).

O resultado desse processo foi a produção da versão traduzida completa do instrumento.

5.4.3. Retrotradução (Back – Translation)

Usando o mesmo enfoque, conforme descrito na primeira etapa, o instrumento foi traduzido de volta para o inglês por um tradutor independente, cuja língua materna era o inglês americano e que não tinha conhecimento do instrumento.

Como na tradução inicial, a ênfase da retrotradução deveria estar na equivalência semântica e cultural e não na equivalência linguística. Caso o tradutor identificasse algumas palavras ou frases que não capturaram na íntegra o conceito abordado pelo texto original, deveriam ser apresentadas para consideração. As discrepâncias foram debatidas com a pesquisadora até a finalização de uma versão satisfatória.

Essa versão denominada “versão HPQ 1.2” (APÊNDICE 4), foi enviada para o autor do instrumento para a aprovação da versão. Foi solicitado o envio da versão HPQ 1.0 (versão da primeira tradução), o relatório da fase 2 do grupo de especialistas e da versão HPQ 1.1(versão de consenso pós-grupo de especialistas). Após algumas sugestões do autor do instrumento, obtive-se a versão HPQ 1.3 (APÊNDICE 5), que foi a versão utilizada para a fase de pré-teste e entrevista cognitiva.

5.4.4. Pré-teste e entrevista cognitiva

A fase do pré-teste é um dos momentos de maior importância do processo de adaptação transcultural. É nesta fase em que consegue-se avaliar a receptividade do instrumento pela população alvo.

Durante o pré-teste, foi registrado quanto tempo os enfermeiros dispensaram para responder o instrumento e, em seguida, foi perguntado sobre a compreensão de cada afirmativa e dos itens de resposta, além de solicitar sugestões para que o instrumento se tornasse mais compreensivo e fácil de aplicar. Todas as impressões da amostra durante o pré-teste foram criteriosamente consideradas para a

confecção da versão final do HPQ. O pré teste foi realizado no mês de fevereiro de 2011, no local de trabalho de cada enfermeiro.

Nesta etapa foram entrevistados 10 enfermeiros, sendo que cinco (50%) foram selecionados aleatoriamente na instituição hospitalar em que a coleta de dados foi realizada posteriormente e cinco pesquisadores das áreas de interesse do instrumento de uma instituição de ensino de nível superior da área da enfermagem. A faixa etária variou entre 23 e 51 anos. O pré-teste foi realizado por nove mulheres (90%) e um homem. Em sua maioria, os entrevistados eram casados (60%); quanto à escolaridade, seis tinham o ensino superior completo e quatro possuíam pós- graduação.

Em relação à aplicação do instrumento, todos os enfermeiros responderam o questionário sozinhos (sob a supervisão do pesquisador).

O tempo utilizado pelos entrevistados para completar o questionário variou de 25 a 55 minutos. Durante a realização dessa etapa, os entrevistados foram convidados a opinar sobre o seu entendimento do instrumento de forma geral e sobre os seus itens. Eles foram indagados ainda sobre a importância das perguntas, sua compreensão e aceitação doa questionário, e se gostariam de fazer alterações. Os participantes foram unânimes em considerar o questionário fácil de compreender; no entanto, os 10 entrevistados tiveram dúvidas em pelo menos em uma questão.

Foi encaminhado um relatório, atendendo a solicitação do autor do HPQ, contendo os resultados obtidos no pré-teste do instrumento, incluindo as sugestões dos sujeitos participantes desta fase da pesquisa.

As sugestões realizadas durante a fase do pré-teste e entrevista cognitiva foram aceitas pelo autor e foi construída a versão HPQ 1.4, que recebeu o nome de HPQ Versão Final (APÊNDICE 6).

5.4.5. Versão final

A versão final do instrumento foi o resultado de todas as fases descritas anteriormente. Cada versão recebeu um número de série e, no total, foram produzidas cinco versões do HPQ até chegar à Versão Final.

5.5. Análise das propriedades psicométricas da versão do HPQ adaptada para