4. MARCOS REFERÊNCIAIS
4.2. Eixo Curricular
4.2.3. Processo de Avaliação do Estudante
As transformações do mundo do trabalho ocasionam também em mudanças no processo formativo. Neste contexto também discute-se como um processo avaliativo pode ser aplicado, na perspectiva de construção de novos conhecimentos. Avaliar nessa visão requer desdobramentos de vários fatores educacionais, profissionais e dos próprios alunos, entendo a avaliação como parte inerente do processo ensino-aprendizagem.
Quando se fala em avaliação, para a maioria de professores e alunos, já vem na mente notas, cobranças, alcance de metas, julgamentos, provas de todos os tipos de instrumentos (múltipla escolha, oral, dissertativa). Nesse contexto as concepções de avaliação vão de uma escala conservadora a uma perspectiva construtivista.
Segundo (Zocche, 2007), o processo de avaliação ao longo do tempo tem se modificado, devido a reformulações das legislações educacionais, as quais atualmente defendem a flexibilidade do ensino. Com isso, pensar em avaliação, como forma de testar, excluir, classificar o aluno não é a intenção, ao invés disso, pensar avaliação na perspectiva do processo ensino aprendizagem é dinamizar todo o ato de avaliar, de forma acolhedora, em que o aluno consiga identificar as limitações e superá-las.
Corroborando com esta reflexão, Kraemer (2005) cita a evolução da avaliação, em que na primeira geração era utilizado para mensurar, sendo voltadas para testes, na segunda geração para descrever padrões e critérios, a terceira geração tem essa forma de julgamento para incorporar papel de juiz e quarta geração em forma de negociação, como um processo construtivo, interativo (KRAEMER, 2005).
Para Kraemer (2005) a educação deve voltar-se para um processo de reflexão que amplia e que seja contínuo, ainda que direcione as ações e as possibilidades, em busca da transformação, criação e não de reprodução do sistema que aliena.
Segundo Hoffmann (2000), para efetuar uma avaliação, na perspectiva de construção, dois aspectos são fundamentais: confiança na possibilidade do aluno construir as suas próprias verdades e valorização de suas manifestações e interesses.
Ainda, com a utilização de uma metodologia de ensino e aprendizagem é possível avaliar de forma justa, ética, bem como, a crítica ampliada e propositiva, construtiva, não deixando de lado a equidade, a qual atende a diferença àquele que tem a necessidade (RIOS, 2007).
Para Hoffman (2000), em sua maioria:
A avaliação do processo ensino-aprendizagem deve ser construída com a participação do estudante para que haja maior envolvimento e aceitação do processo, criando a cultura de que a avaliação é um instrumento de aprendizagem fundamental para o crescimento pessoal e profissional do indivíduo (ZEFERINO, 2007, p. 43).
Luckesi (2011) explica que o educando não estuda para o ser submetido a um processo seletivo; e, sim, para aprender. Dessa forma, o importante é que o educando aprenda, e não somente esteja submetido ao sistema escolar para ser meramente reprovado. A avaliação deve ser vista como uma oportunidade para aprender.
Assim, a avaliação tem que estar a serviço do conhecimento e da aprendizagem simultaneamente. Tem que fazer parte de todo o processo, articulada com outros saberes, fazer parte do currículo, com objetivos formativos e de proporcionar construção de novos conhecimentos de acordo com o tempo e capacidade de cada um (LUCKESI, 2011).
Para Holffman a avaliação está baseada em,
[...] reflexão sobre a ação, calcada num “saber fazer”, impregnada de tecnologia e de não-improvisação. Daí resultaria como consequência o caráter de não-antagonismo entre educador e educando a medida em que ambos viriam a interagir no sentido de aprimorar a ação educativa no seu significado mais amplo (HOFFMAN, 2013, p. 60).
Praticar de forma contínua a avaliação da aprendizagem é um processo e não um fim. Tem que ocorrer de forma compartilhada com o aluno, para que não seja identificada como uma ação unilateral, pois em uma avaliação todos participam (LUCKESI, 2011).
Refletir é também avaliar, e avaliar é também planejar, estabelecer objetivos etc. Daí os critérios de avaliação, que condicionam seus resultados estejam sempre subordinados a finalidades e objetivos previamente estabelecidos para qualquer prática, seja ela educativa, social, política ou outra (DEMO, 1999, p.01).
Ressalta-se que, a avaliação não está restrita e direcionada apenas para o aluno, está voltada também para o educador, pois o educando será reflexo do método utilizado pelo professor, sendo este eficaz ou não, “educar é fazer ato de sujeito, é problematizar o mundo em que vivemos para superar as contradições, comprometendo-se com esse mundo para recriá-lo constantemente” (HOLFFMAN 2013, p. 57 apud GADOLLI, 1984).
Podem-se destacar três modalidades de avaliação, as quais são: à diagnóstica, formativa e somativa. Gil (2006, p. 247) conceitua a avaliação diagnóstica como:
[...] levantamento das capacidades dos estudantes em relação aos conteúdos a serem abordados, com essa avaliação, busca-se identificar as aptidões iniciais, necessidades e interesses dos estudantes com vistas a determinar os conteúdos e as estratégias de ensino mais adequada.
Além disso, Oliveira et al. (2008) compreende que a avaliação diagnóstica tem o objetivo de identificar as competências do aluno e adequá-lo, a partir desta identificação num grupo ou nível de aprendizagem.
Já a avaliação formativa aponta que a partir do processo de assimilação e produção de conhecimento do aluno que identifica as dificuldades, oportunizando a chance de correção e recuperação (OLIVEIRA et al., 2008).
Complementando este tipo de avaliação:
[...] a avaliação formativa consiste na prática da avaliação contínua realizada durante o processo de ensino e aprendizagem, com a finalidade de melhorar as aprendizagens em curso, por meio de um processo de regulação permanente. Professores e alunos estão empenhados em verificar o que se sabe, como se aprende o que não se sabe para indicar os passos a seguir, o que favorece o desenvolvimento pelo aluno da prática de aprender a aprender. A avaliação formativa é um procedimento de regulação permanente da aprendizagem realizado por aquele que aprende. (BONIOL; VIAL, 2001 apud ROMANOWSKI; WACHOWICZ, 2006, p. 126).
Agora a avaliação realiza um balanço geral de todo percurso de aprendizagem, Gil explica que é,
[...] uma avaliação pontual, que geralmente ocorre no final do curso, de uma disciplina, ou de uma unidade de ensino, visando determinar o alcance dos objetivos previamente estabelecidos. Visa elaborar um balanço somatório de uma ou várias sequências de um trabalho de formação e pode ser realizada num processo cumulativo, quando esse balanço final leva em consideração vários balanços parciais (GIL, 2006, p. 248).
Portanto, a avaliação na perspectiva da aprendizagem, desenvolve as discussões, reflexões, bem como, as produções dos saberes, de forma respeitosa e coletiva, trazendo em seu cerne a transformação tanto para quem está sendo avaliado, quanto para o avaliador.