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2.1 Breve Histórico sobre a Ciência Contábil

2.1.4 Processo de Convergência da Contabilidade no Brasil

O século XXI é iniciado com inovações e mudanças na contabilidade dos principais países responsáveis pelas maiores economias do mundo. Tem-se início ao processo de convergência da contabilidade, imposta pela necessidade da integração dos mercados internacionais, tendo como principais escolas, a americana e a anglo-saxônica. Inicialmente o processo foi direcionado ao setor privado, porém abrange também o setor público.

Uma parte desse processo é a correspondência das IPSAS - International Public Sector Accounting Standards (Normas Internacionais de Contabilidade Aplicada ao Setor Público) com as IAS - International Accounting Standards. Desde 2001 as IAS, passaram a designar-se International Financial Reporting Standards (IFRS), no quadro abaixo observa-se a relação entre as IPSAS e as IFRS/IAS dentro do processo convergência.

IPSAS International Public Sector

Accounting Standards

IAS – International Accounting Standards

ANO Objeto de Estudo ANO Objeto de Estudo

2003 01 Apresentação das demonstrações contabeis

1997 01 Apresentação das demonstrações financeiras

2003 02 Demonstração do Fluxo de Caixa 1992 07 Demonstração do Fluxo de Caixa 2003 03 Superávit ou Déficit líquido do 1993 08 Resultado líquido erros

período, erros fundamentais e alterações contabilísticas

fundamentais e alterações contabilísticas

2003 04 Efeitos da alteração em taxa de câmbio

1993 21 Efeitos da alteração em taxa de câmbio

2003 05 Custos de empréstimos obtidos 1993 23 Custos de empréstimos obtidos

2003 06 Demonstrações contábeis

consolidadas

2000 27 Demonstrações contábeis

consolidadas 2003 07 Contabilização dos investimentos

em entidades associadas

2000 28 Contabilização dos investimentos em entidades associadas

2003 08 Relato financeiro de interesses em empreendimentos conjuntos

2000 31 Relato financeiro de interesses em empreendimentos conjuntos 2003 09 Proveitos de transações de

intercâmbio

1993 18 Rédito

2003 10 Relato financeiro em economias hiperinflacionárias

1994 29 Relato financeiro em economias hiperinflacionárias

2003 11 Contratos de construção 1993 11 Contratos de construção

2003 12 Existências 1993 2 Inventários

2003 13 Locações 1997 17 Locações

2003 14 Acontecimentos após a data do balanço

1999 10 Acontecimentos após a data do balanço

2003 15 Instrumentos financeiros:

divulgação e apresentação

1998 32 Instrumentos financeiros:

divulgação e apresentação 2003 16 Propriedades de investimentos 2000 40 Propriedades de investimentos

2003 17 Ativos tangíveis 1998 16 Ativos tangíveis

2003 19 Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes

1998 37 Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes

2003 20 Divulgação de partes

relacionadas

1994 24 Divulgação de partes relacionadas

Quadro 1: Relação entre as IPSAS e as IFRS/IAS Fonte: Elaboração própria

O principal destaque entre as IPSAS e as IFRS/IAS é o fato da utilização de termos para se referir a situações semelhantes, o que pode facilitar e em algumas situações dificultar o processo de convergência, devido às diferenças culturais, ou particularidades existentes em cada país. No entanto alguns termos foram mais abrangentes no setor público, como por exemplo, o termo empresa, utilizado nas IPAS referindo-se a entidade, como um termo mais abrangente do que empresa, fato que diferencia as empresas comerciais utilizados nas IFRS e as utilizadas no setor público. Já ao termo ativo acrescentou-se o conceito social como fonte geradora de caixa futuros, ou ativos futuros.

No Brasil o processo de convergência foi intensificado a partir das audiências públicas desde edição da Lei Federal nº 11.638, de 27 de dezembro de 2007, sendo criado pelo Conselho Federal de Contabilidade o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC e do Grupo Assessor da NBC T SP. Outro fato importante para o setor público foi a publicação da resolução 1.111 de 2007. A expectativa dos principais órgãos normatizadores, o CFC e a Secretaria do Tesouro Nacional – STN, é que até 2012, a convergência das normas contábeis do setor público brasileiro às IPSAS, seja aplicada em todas as entidades municipais, estaduais e federais. Em relação às etapas necessárias à convergência contábil no setor público brasileiro, elas estão constituídas, em termos amplos, e em torno de quatro ações delineadas pelo CFC, conforme o quadro a seguir.

Ações Iniciativa

1 Elaboração, discussão e apresentação de projeto de Lei para alterar a Lei Federal nº 4.320 de 1.964

2 Ampla discussão e edição das Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica Aplicada ao Setor Público – NBC T SP.

3 Tradução das IPSAS

4 Convergência das NBC T SP às IPSAS até 2012

Quadro 2: Calendário convergência as IPSAS Fonte: CFC (adaptado)

Em relação às etapas necessárias à convergência, destaca-se o tratamento cientifico para os fenômenos e transações da área pública e diferenciação entre ciência social aplicada e legislação; aplicação integral dos Princípios Fundamentais de Contabilidade ao Setor Público conforme a resolução do Conselho Federal de Contabilidade 1.111 de 2007; harmonização de boas práticas de contabilidade entre os entes federados brasileiros; e convergência das normas brasileiras (NBC T SP) às internacionais (IPSAS) até 2012. Neste ponto destacam-se as ações desenvolvidas pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN, a qual lhe foi atribuída, através da Portaria do Ministério da Fazenda nº 184/2008, a responsabilidade de identificar as necessidades de convergência às normas emitidas pela IFAC e pelo CFC.

Assim, os primeiros passos já foram dados, dos quais se destaca as dez primeiras normas aplicadas ao setor público conforme mostra o quadro 3.

Norma Dispõe sobre

16.1 – Conceituação e objetivos.

Conceituação, objeto e o campo de aplicação

16.2 – Patrimônio e sistemas contábeis.

A definição de patrimônio público, a classificação dos elementos patrimoniais e conceito de sistema e de subsistemas de informações contábeis para entidades públicas.

seus instrumentos sob enfoque contábil

entidades do setor público.

16.4 – Transações governamentais

Os conceitos, a natureza e as tipicidades das transações no setor público sob o enfoque contábil, quanto á sua natureza econômica-fianceira e administrativa; variações patrimoniais quantitativas e qualitativas e transações que envolvem valores de terceiros.

16.5 – Registro contábil

Os critérios para o registro contábil dos atos e fatos que afetam ou possam vir afetar o patrimônio público; e escrituração contábil.

16.6 – Demonstrações contábeis

As demonstrações contábeis que devem ser elaboradas e divulgadas.

16.7 – Consolidação das demonstrações contábeis

Os conceitos, abrangência e procedimentos para consolidação das demonstrações contábeis no setor público.

16.8 – Controle interno

As definições de controle interno, sua abrangência, classificação; ambiente de controle; e procedimentos de prevenção detecção e monitoramento. 16.9 – Reavaliação e

depreciação de bens

Os critérios e procedimentos para o registro contábil da depreciação, amortização e exaustão. 16.10 – Avaliação e mensuração de ativos e passivos em entidades do setor público

Os critérios de avaliação e mensuração dos ativos e passivos das entidades do setor público, inclusive considerando conceitos como redução ao valor recuperável e valor justo.

Quadro 3: Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público Fonte: Elaboração própria

Dentre as principais mudanças, direcionada pela contabilidade aplicada ao setor público, destaca-se o fato de enfatizar o foco patrimonial, adotando o princípio de competência na sua integralidade para as receitas (variação patrimonial aumentativa - VPA) e para as despesas (variação patrimonial diminutiva – VPD), no entanto ainda permanece o conceito orçamentário previsto na Lei Federal nº 4.320/64 Art. 35, de principio misto, o de arrecadação para as receitas e o de anualidade do empenho para as despesas. Outro ponto

enfatizado nas normas é o que demonstra a importância da informação contábil para a sociedade, a instrumentalização do controle social, que direciona a transparência e o accountability. E por fim, a essência sobre a forma, que abrange aspectos da contabilidade criativa.