Um dos aspectos importantes quando se trata do RCF, é seu processo de execução, uma vez que, para uma correta aplicação é necessário seguir uma série de precauções, dentre elas o fator climático. É inviável a execução deste procedimento em dias chuvosos, assim como, em paredes úmidas a realização da tarefa também é prejudicada.
Cada vez mais se empregam equipamentos para otimizar o andamento do processo, gerando, de modo geral, uma economia. Trata-se da utilização da tecnologia em prol da eficiência.
Medeiros e Sabbatini (1999) preceituam que quando se atenta à racionalização da execução do RCF, é imprescindível a utilização de equipamentos e ferramentas que melhorem a produtividade da mão de obra e a qualidade no assentamento das placas cerâmicas.
Ainda sobre este tema, Luz (2004, p. 42) estabelece que:
A aplicação de placas cerâmicas em paredes externas, nas fachadas do edifício, geralmente requer mais cuidados, equipamentos específicos e mais exigência das equipes de execução se comparados a execução de ambientes internos (pisos ou paredes).
Todavia, em casos de reformas de fachada onde já existam pastilhas cerâmicas, o primeiro passo é a demolição do revestimento existente. Esta demolição pode se dar em um processo puramente manual, como é o caso da aplicação de golpes de marreta, quando a retirada do revestimento é fácil, ou, em casos mais complexos pode-se empregar rompedores (Figura 24).
Figura 24 - Rompedor utilizado para demolição
Fonte: Apoio Locações11
Contudo, em construções novas, onde o RCF aparece pela primeira vez, outros procedimentos devem ser seguidos, para um alargamento da vida útil do mesmo.
3.2.1 Limpeza da base
Em primeiro lugar, deve-se executar a limpeza da área que receberá o RCF, a parede externa.
Este procedimento é denominado de Limpeza da Base. Reis (2013, p. 68) preceitua que:
A limpeza da base deve ser feita através da escovação, lavagem ou jateamento de areia, a depender da extensão e dificuldade de remoção das sujeiras. Essa limpeza deve proporcionar a eliminação de elementos que venham a prejudicar a aderência, tais como: pó; barro; fuligem; graxas e óleos desmoldantes da estrutura; fungos e eflorescências.
Na sequência, aplica-se o chapisco sobre a base.
3.2.2 Chapisco
Conforme Ceotto et al. (2005) normalmente se utilizam diferentes chapiscos em alvenarias e estruturas (concreto), isto porque os níveis de umidade em
11 Disponível em: < http://www.apoiolocacoes.com/locacao-equipamentos-construcao/furacao-e-
cada uma dessas bases é diferente e requer cuidados distintos. O autor ainda recomenda, para a cura do processo, o uso de aspersores de água durante o maior tempo possível. O chapisco aplicado se observa na Figura 25.
Figura 25 - Aplicação do Chapisco
Fonte: Ceotto et al. (2005)
3.2.3 Taliscamento
De maneira a nortear a aplicação da argamassa, é feito o taliscamento (Figura 26), ou taqueamento, que é a fixação de pastilhas cerâmicas sobre uma camada de emboço, utilizando a mesma argamassa que posteriormente se utilizará no RCF. Este procedimento nivela a camada do emboço para manter a planimetria da fachada a ser revestida.
Figura 26 - Taliscas Executadas
Fonte: Ceotto et al. (2005)
3.2.4 Aplicação da argamassa
Isto posto, é o momento da aplicação da argamassa. A NBR 13755 (2017) padroniza que: “Tanto chapisco como argamassa para emboço podem ser industrializados ou preparados em obra. Manuseio, preparo, e requisitos dos produtos devem estar de acordo com as prescrições da ABNT NBR 7200 e ABNT NBR 13281”. De acordo com a NBR 7200 (1997), devem ser tomados cuidados durante a aplicação da argamassa. Ela não deve ser aplicada em temperaturas inferiores a 5ºC, já em temperaturas superiores a 30ºC é necessário se manter a cura úmida do revestimento durante as primeiras 24 horas através de aspersão de água. Este mesmo procedimento se aplica em situações de insolação, ventos fortes ou baixa umidade do ar.
Sobre a utilização da argamassa, Ceotto et al. (2005, p. 67) concebe que:
Quando utilizada argamassa industrializada, os fabricantes devem instruir a equipe técnica da obra e a mão-de-obra para que sejam atendidas as recomendações de preparo, aplicação e rendimento de produto, garantindo, assim, o desempenho esperado. Quando argamassa preparada em obra, estas instruções ficam a cargo do projetista.
Após a cura da argamassa pode-se iniciar a aplicação da argamassa colante, bem como a aplicação das placas cerâmicas.
3.2.5 Aplicação do revestimento
Neste momento se faz necessário a inspeção de toda a fachada, realizando a limpeza da mesma, buscando retirar as impurezas nela contidas.
Neste sentido, é considerável mencionar os equipamentos a serem utilizados:
A ferramenta mais importante para a execução dos RCF é a desempenadeira. O tipo de desempenadeira, forma e profundidades dos dentes devem ser observados atentamente. Esta escolha deve ser conduzida, principalmente, em função do tipo de placa cerâmica a ser utilizada e do relevo que ela apresenta no verso. Este relevo do tardoz é determinante para a definição da espessura da camada de argamassa adesiva e garantia de uma distribuição uniforme do material de fixação. (MEDEIROS; SABBATINI, 1999, p. 17)
A ABNT (2017), através da NBR 13755 cita que diversos produtos industrializados estão no mercado, e que deve se seguir de maneira rigorosa as recomendações dos fabricantes.
Argamassa colante industrializada pode ser definida pela NBR 14081:
Produto industrial, no estado seco, composto de cimento Portland, agregados minerais e aditivos químicos, que, quando misturado com água, forma uma massa viscosa, plástica e aderente, empregada no assentamento de placas cerâmicas para revestimento (ABNT, 2004 p. 1)
Este procedimento, aplicação da argamassa colante, se dá simultaneamente à aplicação das placas cerâmicas, visto que é a argamassa que dá a aderência ao RCF.
Medeiros e Sabbatini (1999) versam que a aplicação da placa deve se dar dentro do intervalo de tempo determinado para isto, uma vez que, as condições do tempo podem interferir no processo de cura da argamassa.
Conforme os autores, o uso em excesso do material de assentamento pode fazer com que se perca o alinhamento, nivelamento e planicidade das placas, o que formaria imperfeições no RCF.
A Figura 27 explicita os elementos que compõe o revestimento cerâmico de fachada.
Figura 27 - Componentes do Revestimento Cerâmico de Fachada
Fonte: Junginger (2003)
A NBR 13755 explicita ainda que quanto maior for o tamanho da placa, mais argamassa deve ser utilizada, visando a diminuição de vazios. É recomendado também testes práticos, em caso de placas muito grandes. Neste sentido, observa-se o que dispõe o item 6.6.4, da referida norma, que versa sobre os passos a serem seguidos no tocante ao assentamento:
a) Estender a argamassa colante com o lado liso da desempenadeira, apertando-a de encontro ao emboço, formando uma camada uniforme de argamassa. A seguir, aplicar o lado denteado, formando cordões que facilitam o nivelamento e a fixação das placas cerâmicas;
b) Em caso de dupla camada, aplicar a mesma técnica para formar os cordões no verso da placa seca. Recomendam-se cordões paralelos no verso da placa e na superfície do emboço;
c) Aplicar a placa cerâmica sobre os cordões de argamassa colante; d) Ajustar a placa até que seja atingido o preenchimento mínimo do tardoz. Esta tarefa pode ser realizada com o auxílio de percussão (por exemplo, martelo de borracha), vibração (com auxílio das mãos ou vibrador elétrico) ou pelo posicionamento da placa fora da posição final em pelo menos a distância entre dois cordões de argamassa, arrastando-a em seguida ao local definitivo.
e) Limpar o excesso de argamassa das juntas de assentamento, de modo a não haver contaminação do rejunte na etapa subsequente.
A norma ainda menciona que é vedado o aproveitamento das sobras das argamassas colantes após seu tempo de vencimento. Deste modo, a preparação desta próximo ao horário de almoço ou de fim do expediente deve se dar de maneira cautelosa. A Figura 28 demonstra a aplicação das pastilhas no RCF.
Figura 28 - RCF sendo aplicado
Fonte: Universidade de São Paulo12
Da mesma forma que antes de se assentar a argamassa colante, deve-se fazer uma limpeza e inspeção na área, o mesmo se aplica ao rejunte. A ABNT (2017, p. 27), por meio da NBR 13755 cita que: “Antes do início do rejuntamento, as placas devem ser verificadas por meio de percussão com instrumento não contundente (cabo de madeira, martelo, plástico duro) à procura de som cavo”.
Isto significa que as placas estão mal preenchidas, o que pode gerar patologias no revestimento. Assim, deve-se retirar esta placa e assentar uma nova.
3.2.6 Rejunte
Deve-se esperar no mínimo três dias para iniciar o rejuntamento, com as juntas secas. Medeiros e Sabbatini (1999, p. 19) lecionam que: “Antes da aplicação da argamassa, o colocador deve verificar as condições das juntas de colocação, devendo estas estarem limpas e secas para o início do rejuntamento”.
O Rejunte (Figura 29) apresenta algumas funções importantes para a composição do Revestimento Cerâmico de Fachada além da estética. Junginger
12 Disponível em: < http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/arqtema/ceramica/principal3.htm > Acesso em 30
(2003) mostra que o rejunte proporciona o alívio de tensões nas placas, otimiza a aderência, veda o revestimento cerâmico, regula a superfície e permite a difusão do vapor da água.
Figura 29 - Detalhe do rejunte entre as placas cerâmicas
Fonte: Junginger (2003)
Em tempo, a ABNT (2017), mediante o item 6.7 da NBR 13755 estabelece as seguintes indicações para a execução do rejuntamento:
a) Limpar as juntas de assentamento com auxílio de uma escova de cerdas macias, removendo o pó e sujidades remanescentes;
b) Umedecer as juntas entre as placas cerâmicas, caso recomendado pelo fabricante, de modo a proporcionar uma melhor hidratação e aderência da argamassa. Este item é de expressiva relevância em condições climáticas onde as placas sofrem sensível aumento de temperatura ao longo de um período de trabalho;
c) Aplicar a argamassa de rejuntamento em excesso, com auxílio de desempenadeira emborrachada, preenchendo completamente as juntas. A desempenadeira emborrachada deve ser deslocada em movimentos contínuos de vaivém, diagonalmente às placas;
d) Remover o excesso de argamassas sobre as placas com auxílio da desempenadeira de borracha;
e) Executar a limpeza grossa das placas após a secagem inicial do rejunte
Após pelo menos sete dias do término do rejuntamento, pode-se executar o preenchimento das juntas de movimentação.
Ribeiro (2006) preconiza que a principal função das juntas de movimentação é a de minimizar a propagação de esforços ao sistema do revestimento, exercendo um controle sobre as tensões do sistema. O emprego deste
detalhe construtivo torna possível a movimentação das camadas do revestimento, inibindo o surgimento de patologias como o destacamento e fissuração.
No item 6.8 da NBR 13755, a ABNT (2017) destaca a necessidade da isenção de contaminações de qualquer natureza, como desmoldantes, graxas, óleos, fungos e mofo. É elencado também que as bordas das juntas devem possuir perfil retangular e estarem firmes, lisas, coesas, regulares e sem obstruções, depressões ou saliências.
A má execução destas juntas (Figura 30) pode ocasionar na deterioração da mesma, gerando diversos malefícios para o RCF.
Figura 30 - Junta de Movimentação deteriorada
Fonte: Galleto e Andrello (2013)
É elencado, em norma, uma série de requisitos para que o revestimento seja aceito. Conforme a ABNT (2017), deve-se reexecutar ou reparar áreas que apresentarem aspectos insatisfatórios. Estas medidas (reexecução e reparo) devem ser tomadas após a identificação das causas prováveis dos problemas.