UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA LUIZ FELIPE MANCUSI DE HOLANDA BEZERRA
REVESTIMENTOS EXTERNOS EM EDIFICAÇÕES:
UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE FACHADAS UTILIZANDO-SE PASTILHAS CERÂMICAS E FACHADAS VENTILADAS SOB A ÓTICA DO
CUSTO.
Palhoça 2018
LUIZ FELIPE MANCUSI DE HOLANDA BEZERRA
REVESTIMENTOS EXTERNOS EM EDIFICAÇÕES:
UMA ABORDAGEM COMPARATIVA ENTRE FACHADAS UTILIZANDO-SE PASTILHAS CERÂMICAS E FACHADAS VENTILADAS SOB A ÓTICA DO
CUSTO.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.
Orientador: Prof. Roberto de Melo Rodrigues, Esp.
Palhoça 2018
A todos que de alguma forma foram importantes durante minha jornada acadêmica, contribuindo para minha formação e para o desenvolvimento deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Ao meu pai, exemplo e herói, Luiz Abner de Holanda Bezerra, pelo suporte incondicional na realização deste trabalho e em todos os passos da minha vida.
À minha mãe e minha inspiração, Eliana Mancusi de Holanda Bezerra, por todo carinho, afeto e companheirismo e compreensão nos momentos de dificuldade.
Minha irmã, Alessandra Mancusi de Holanda Bezerra Ribeiro, por ser uma referência de dedicação e inteligência, fazendo com que eu busque sempre atingir os meus limites.
À minha namorada, Nathalia Manuela Ertle, pelo apoio incondicional, pela cumplicidade e por ser a primeira pessoa a acreditar que eu era capaz, desde o momento em que decidi cursar Engenharia Civil.
Aos meus amigos, pelos momentos de descontração e parceria, tornando a concepção deste trabalho menos complexa e mais prazerosa.
Ao Professor Roberto de Melo Rodrigues, pelas inúmeras orientações e pela paciência durante toda a execução deste trabalho de conclusão.
A todos os professores, pela contribuição na minha formação tanto na esfera profissional quanto na formação como indivíduo.
“Realizar-se é ter participado da concepção de um ser humano honrado, ético e apto ao exercício pleno da cidadania e da profissão escolhida.” (LUIZ ABNER DE HOLANDA BEZERRA, 2018).
RESUMO
O momento tecnológico vivido a nível mundial não poderia deixar de impactar a engenharia e muito particularmente a sua modalidade civil. Dentre esses aportes tecnológicos, destaca-se o uso do Sistema de Fachadas Ventiladas (SFV). Nesta direção, tem-se como objetivo precípuo deste trabalho acadêmico observar na prática como se comportam os custos das fachadas com revestimento cerâmico aderido e das fachadas ventiladas. Para obter êxito neste objetivo utilizou-se o método qualitativo de pesquisa em seus vieses exploratório, descritivos e interpretativo. Cumpre-se, evidentemente, explicitar que não se excluiu o método quantitativo de pesquisa. Observou-se na prática que o investimento inicial no SFV supera o investimento no revestimento cerâmico aderido. Todavia, ao longo do tempo, considerando que a manutenção do SFV ocorre em um tempo mais longo comparado ao sistema tradicional, os custos se diluem, e se transformam em diferenciais competitivos impregnados do arsenal tecnológico disponível no mercado. Além disso, não se pode olvidar que o impacto ambiental decorrente do SFV é bem menor comparado ao revestimento tradicional. Igualmente, reduz-se a geração de resíduos sólidos decorrentes dessa opção. De igual forma, pode-se inferir com a pesquisa de campo que a natureza estética do SFV se mostra superior quando do uso do revestimento aderido. Este fato, sem dúvida, representa um atrativo para a comercialização dos imóveis que utilizam as fachadas ventiladas. Em síntese, a contemporaneidade do uso do SFV representa a compatibilização da engenharia civil com o mundo tecnológico.
ABSTRACT
The moment engineering has been experiencing, by global level, could not withdraw to impact the technologies, and particularly Civil Engineering. Inside these technological contributions, Ventilated facades stands out. In this way, the primary objective of this academic work is to observe, in the real life, how do the costs of ceramic coating adhered, and the ventilated facades behave. To succeed in this objective, was used qualitative method, in those exploratory, descriptive and interpretative bias. Satisfy, evidently, explain that the quantitative method was not excluded. Was observed that the initial investment is bigger when compared with ceramic coating adhered. However, over the time, considering the maintenance of occurs in a longer space of time, the costs attenuate, transforming the ventilated facades in competitive diferentials deep-rooted at the technological arsenal at the market. Besides that, cannot be forgotten the environmental impact of the system, which is significantly smaller when compared to the traditional system. Equally, generation of the solid waste are reduced. So, can be deduced, trough the field research, that the esthetically of the ventilated facades are pretty much better, when compared with the traditional system. These facts, with no doubts, represents a huge attractive to the realties who uses that system. Synthesizing, contemporaneity of the ventilated facades represents the compatibilization of the engineering and the technological world.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 - Efeito de Isolamento das Fachadas Ventiladas ... 22
Figura 2 – Desenho Esquemático da Fachada Ventilada ... 23
Figura 3 - Lã de rocha aplicada em fachada ... 25
Figura 4 – (a) Fixação Visível; (b) Fixação Oculta ... 26
Figura 5 – Câmara de Ar ... 27
Figura 6 - Funcionamento da camâra de ar ... 29
Figura 7 - Paginação da Fachada Ventilada de Fibrocimento ... 30
Figura 8 - Cerâmica Extrudada ... 31
Figura 9 - Tipos de Juntas ... 32
Figura 10 - Destacamento em Fachadas ... 36
Figura 11 - Deterioração das Juntas ... 37
Figura 12 - Eflorescência em Fachadas ... 38
Figura 13 - Cantoneira Instalada em Prédio ... 45
Figura 14 - Cantoneiras de Retenção ... 46
Figura 15 - Cantoneiras de Sustentação ... 46
Figura 16 - Esquema Ilustrativo de Chumbador ... 48
Figura 17 - Aplicação do Chumbador Mecânico... 48
Figura 18 - Parafuso Auto Brocante ... 49
Figura 19 - Detalhe Isolamento Térmico ... 50
Figura 20 - Perfis Metálicos Inseridos ... 51
Figura 21 - Esquema fixação por inserts metálicos ... 53
Figura 22 - Cerâmica condicionada em Pallets ... 54
Figura 23 - Pallet Aberto ... 54
Figura 24 - Rompedor utilizado para demolição ... 56
Figura 25 - Aplicação do Chapisco ... 57
Figura 26 - Taliscas Executadas ... 58
Figura 27 - Componentes do Revestimento Cerâmico de Fachada ... 60
Figura 28 - RCF sendo aplicado ... 61
Figura 29 - Detalhe do rejunte entre as placas cerâmicas ... 62
Figura 30 - Junta de Movimentação deteriorada ... 63
Figura 31 - Estratégias de Manutenção ... 66
Figura 32 - Cerâmica Faveton ... 72
Figura 33 - Pastilha Cerâmica Portobello ... 72
Figura 37 - Fachada Norte Antes ... 79
Figura 38 - Fachada Norte Depois ... 80
Figura 39 - Fachada Leste Antes ... 81
Figura 40 - Fachada Leste Depois ... 81
Figura 41 – Juntas no Sistema Cerâmico Tradicional ... 82
Figura 42 – Juntas no Sistema Cerâmico Ventilado ... 82
Figura 43 – Fachada Interna com Cerâmica Tradicional ... 83
Figura 44 – Fachada Interna com Cerâmica Ventilada ... 83
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Cerâmica Ventilada x Cerâmica Aderida ... 73
Gráfico 2 – Estruturas de fixação ... 75
Gráfico 3 – Mão-de-obra ... 76
SUMÁRIO 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 13 1.1 OBJETIVOS ... 13 1.1.1 Objetivo Geral ... 13 1.1.2 Objetivos Específicos ... 14 1.2 JUSTIFICATIVA ... 14 1.3 LIMITAÇÕES DE PESQUISA ... 15 1.4 MÉTODO ... 15 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 18
2.1 CARACTERÍSTICAS DAS FACHADAS ... 18
2.2 FACHADAS VENTILADAS ... 19
2.3 CARACTERÍSTICAS DAS FACHADAS VENTILADAS ... 21
2.3.1 Base de suporte ... 23
2.3.2 Isolante térmico ... 24
2.3.3 Subestrutura auxiliar de fixação ... 25
2.3.4 Câmara de ar ... 27
2.3.5 Revestimento externo ... 29
2.3.6 Juntas ... 32
2.4 REVESTIMENTO CERÂMICO TRADICIONAL ... 33
2.5 PATOLOGIAS NO RCF ... 35
2.5.1 Destacamentos ... 35
2.5.2 Trincas, gretamento e fissuras ... 36
2.5.3 Deterioração das juntas ... 37
2.5.4 Eflorescência ... 38
2.5.5 Fundamentos patológicos ... 39
2.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS FACHADAS VENTILADAS E DOS REVESTIMENTOS CERÂMICOS TRADICIONAIS ... 39
2.7 RECUPERAÇÃO DE FACHADAS ... 42
3 MÉTODO EXECUTIVO DOS TIPOS DE REVESTIMENTOS ... 44
3.1.1 Instalação das cantoneiras ... 45
3.1.2 Fixadores utilizados ... 47
3.1.2.1 Chumbador para Fachada ... 47
3.1.2.2 Chumbador Mecânico ... 48
3.1.2.3 Parafuso Auto Brocante ... 49
3.1.3 Aplicação do isolamento ... 49
3.1.4 Subestrutura auxiliar ... 50
3.1.5 Fixação do revestimento final ... 52
3.2 PROCESSO EXECUTIVO DO RCF ... 55 3.2.1 Limpeza da base... 56 3.2.2 Chapisco ... 56 3.2.3 Taliscamento ... 57 3.2.4 Aplicação da argamassa ... 58 3.2.5 Aplicação do revestimento ... 59 3.2.6 Rejunte ... 61
3.3 DURABILIDADE DOS REVESTIMENTOS ... 63
3.3.1 Fatores Atmosféricos ... 64
3.3.2 Fatores Biológicos ... 65
3.4 MANUTENÇÃO ... 65
3.4.1 Manutenção Preventiva ... 66
3.4.2 Manutenção Corretiva ... 67
3.4.3 Manutenção em Fachadas Ventiladas ... 68
3.4.4 Manutenção no Revestimento Cerâmico tradicional ... 68
4 CUSTOS DE EXECUÇÃO DOS REVESTIMENTOS ... 69
4.1 MEDIÇÃO ... 69
4.1.1 Medição das Fachadas Ventiladas ... 69
4.1.2 Medição do Revestimento Cerâmico Tradicional ... 70
4.2 ORÇAMENTO ... 70
4.2.1 Orçamento das Fachadas Ventiladas ... 70
4.2.2 Orçamento do Revestimento Cerâmico Tradicional ... 71
4.3 COMPARATIVO ... 71
4.3.1 Pastilhas Cerâmicas Aderidas x Fachadas Ventiladas Cerâmicas ... 71
4.3.3 Mão de obra ... 75 4.3.4 Arremates ... 76 4.3.5 Variáveis Imensuráveis ... 77 4.3.6 Custo Total ... 77 4.3.7 Comparativo Estético ... 79 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 85 REFERENCIAS ... 87
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A engenharia, principalmente, na sua modalidade civil dispõe na sociedade do conhecimento de um vasto arsenal tecnológico e de fácil aplicação. Neste sentido, observa-se que no mundo contemporâneo são disponibilizadas ações através de procedimentos de Tecnologia da Informação (TI) que otimizam o espaço operacional dos engenheiros. Este cenário torna favorável o pressuposto básico do exercício da engenharia, o exercício do pensamento. A concepção de um projeto de engenharia, do mais simples ao de maior exigência tecnológica, por outro lado, envolve variáveis complexas e de difícil equacionamento que permeiam os espaços comuns a várias disciplinas, como por exemplo: conforto ambiental, meio ambiente, economia, custo, materiais de qualidade, retorno do capital investido e acima de tudo a satisfação do tomador dos serviços.
Diante do exposto, pode-se observar o surgimento de novas tecnologias para viabilizar e compatibilizar a concepção de um projeto de engenharia com as necessidades do mercado, dentre as quais, pode-se destacar as fachadas ventiladas. Estas, as fachadas ventiladas, tem impacto sobre o conforto ambiental das edificações, como também, reduzem as ações danosas sobre o meio ambiente. Face ao exposto, levando em consideração a complexidade do tema, este será problematizado sob a forma de uma pergunta: quais os custos da execução de revestimentos externos utilizando-se pastilhas cerâmicas e fachadas ventiladas?
1.1 OBJETIVOS
1.1.1 Objetivo Geral
Observar, sob a ótica do custo, a execução de revestimentos externos utilizando-se pastilhas cerâmicas e fachadas ventiladas.
1.1.2 Objetivos Específicos
- Demonstrar, no contexto da inovação, os benefícios dos revestimentos tecnológicos;
- Comparar os custos entre o revestimento cerâmico aderido na fachada com o da fachada ventilada utilizando revestimento cerâmico não aderido;
- Comparar os tipos de manutenções para o revestimento cerâmico aderido na fachada e o da fachada ventilada utilizando revestimento cerâmico não aderido.
1.2 JUSTIFICATIVA
No momento em que há uma preocupação muito grande com a inovação tecnológica não se deve perder de vista os aspectos relativos aos custos desta inovação. Desta forma, ao desenvolver este tema buscar-se-á verificar como se relacionam os custos desta inovação tecnológica com o seu processo de manutenção.
Nesta direção, pode-se inferir que a observação do binômio custo-manutenção da inovação tecnológica que será levado a efeito ao longo do desenvolvimento deste trabalho o torna relevante e de grande significação para a engenharia contemporânea. Por outro lado, ao eleger o custo da inovação como uma variável que terá uma importância relevante no escopo desta pesquisa adentra-se ao espaço reservado à Engenharia Civil na sociedade do conhecimento: a visão de contexto. Ou seja, o Engenheiro Civil formado no espaço da sociedade do conhecimento é um profissional que desenvolve o seu raciocínio lógico no sentido de fazer uso da sua sensibilidade de decisor para adotar soluções técnicas ancoradas no bom senso. Portanto, ao focar na viabilidade das fachadas ventiladas vista sob o espaço relativo ao seu custo, sem dúvida, está configurada a relevância do tema a ser desenvolvido.
1.3 LIMITAÇÕES DE PESQUISA
O presente trabalho será apresentado na forma de uma pesquisa bibliográfica, onde comparar-se-á os custos de execução em uma edificação situada na cidade de Florianópolis – SC, sob o ponto de vista do custo de execução da fachada.
Durante a elaboração desta comparação, limitou-se a uma comparação direta de valores para se executar uma unidade de serviço, não se levando em consideração variáveis como a variação de tempo na execução dos revestimentos, o valor financeiro da geração de entulhos e os custos com andaimes.
1.4 MÉTODO
O nível de complexidade das variáveis envolvidas nos custos da execução da fachada externa de uma edificação e, em particular, na manutenção das fachadas usando-se pastilhas cerâmicas e fachadas ventiladas demandam uma análise com enfoque explicativo, razão pela qual fez-se a opção pelo uso do Método Qualitativo de Pesquisa. Este, o método qualitativo de pesquisa, foi usado em seus vieses exploratório, descritivo e interpretativo. Exploratório na medida em que ainda são muito incipientes os trabalhos de pesquisas abordando este tema na literatura especializada. Descritivo na medida em que há a necessidade de mostrar com um certo grau de detalhes e aprofundamento a natureza e aplicabilidade do processo de manutenção das fachadas de uma edificação. E, consequentemente interpretativo, com o objetivo maior de explicitar de forma transparente e livre de opacidade as fases do processo de manutenção das fachadas externas de uma edificação nas quais fez-se uso de pastilhas cerâmicas, pintura externa e fachadas ventiladas sob o olhar do pesquisador.
Nesta esteira, com o objetivo de avaliar e apresentar uma visão contextualizada da utilização das fachadas externas objeto dessa pesquisa, pastilhas cerâmicas e fachadas ventiladas, sob a ótica do custo, o presente trabalho focou seu desenvolvimento no que se refere à execução e manutenção destas fachadas.
Dessa forma, utilizar-se-á, consubstanciando o método qualitativo de pesquisa, a sua perspectiva explicativa. Esta pesquisa registra fatos, analisa-os, interpreta-os e identifica suas causas. Essa prática visa ampliar generalizações, definir leis mais amplas, estruturar e definir modelos teóricos, relacionar hipóteses em uma visão mais unitária do universo ou âmbito produtivo em geral e gerar hipóteses ou ideias por força de dedução lógica (Lakatos; Marconi, 2011).
Na mesma direção, Gil (1999, p. 44) se posiciona sobre as pesquisas explicativas:
São aquelas pesquisas que tem como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. Pode-se dizer que conhecimento cientifico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos. Isto não significa, porém, que as pesquisas exploratórias e descritivas tenham menor valor, porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se possam obter explicações cientificas. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrita e detalhada.
Neste contexto harmonioso utilizar-se-á o conceito de Goulart e Carvalho (2005, p. 125) que assim formaliza o entendimento objetivo da pesquisa qualitativa:
Definida a questão de pesquisa, há que planejar a investigação. Este estágio compreende algumas etapas, entre as quais a definição da estratégia para abordagem empírica do problema. O posicionamento ontológico e epistemológico do pesquisador terá grande influência sobre as decisões acerca da estratégia. O local ou a unidade aonde se realizará a pesquisa será também definido nesse estágio, tomando-se o cuidado de avaliar as chances de acesso e as características dos possíveis participantes. A singularidade da situação e a profundidade necessária para o entendimento do fenômeno, tem, igualmente, papel determinante na escolha da estratégia de investigação. Nesse sentido, chamamos a atenção para as especificidades do estudo de caso, com vistas a sugerir maior segurança em sua escolha e maior precisão nos procedimentos, considerando-se que esta é uma das estratégias mais usadas em administração. (Grifou-se)
Ainda sobre a pesquisa explicativa, Severino (2007) assevera que a pesquisa exploratória visa apenas o levantamento de informações sobre um dado objeto, tendo, desta forma, um campo de trabalho delimitado com suas condições também definidas, preparando para a pesquisa explicativa.
Ratificando os conceitos de Goulart e Carvalho, Vergara (2004, p.11) noticia que:
O acesso ao conhecimento por meio da ciência tem na pesquisa uma atividade objetiva e subjetiva, discutível (afinal, ciência não é dogma), carregada de reflexões, contradições, sistematizações e re-sistematizações. Neste sentido, ressalto os seguintes pontos:
a) A qualidade da referência bibliográfica que dá suporte ao seu
estudo já sinaliza para o leitor deste estudo o quanto ele pode ou não ser instigante;
b) A articulação entre teoria e método é de vital relevância;
c) A abertura de sua mente de pesquisador e a sensibilidade são de fundamental importância na interpretação de fenômenos sociais;
d) As conclusões a que você chega devem responder ao problema da investigação e ser coerentes com a teoria e o método que foram por você utilizados;
e) Quanto mais o estudo avança no conhecimento existente, mais relevante ele é; (Grifou-se)
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO
O Capítulo I aborda a introdução ao trabalho, justificando sua escolha, mostrando seus objetivos e a maneira na qual o mesmo será desenvolvido.
No Capítulo II, apresentar-se-á a revisão bibliográfica, conceituando o assunto tratado e situando o tema proposto.
No Capítulo III, busca-se o aprofundamento no tema, trazendo seu processo de execução, com o intuito de aprofundar e ampliar os conhecimentos acerca do objeto do trabalho.
No Capítulo IV comparar-se-á os tipos de revestimento citados, com base em pesquisa de preços e coleta de informações.
No Capítulo V apresentar-se-á as considerações finais do presente trabalho.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CARACTERÍSTICAS DAS FACHADAS
Entende-se por fachada, todas as faces externas da edificação, sendo a responsável por efetuar a ligação entre o meio externo e interno, tornando um edifício habitável. Assim como, é seu dever garantir o conforto térmico-acústico, insolação e garantir segurança e privacidade aos usuários.
Segundo a NBR 13755, o revestimento externo pode ser assim definido:
Um conjunto de camadas superpostas e intimamente ligadas, constituído pela estrutura suporte, alvenarias, camadas sucessivas de argamassas e revestimento final, cuja função é proteger a edificação da ação da chuva, umidade, agentes atmosféricos, desgaste mecânico oriundo da ação conjunta do vento e partículas sólidas, bem como dar acabamento estético. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1996, p.2)
Tradicionalmente, as fachadas são trabalhadas de modo que o revestimento, em especial os de pastilhas cerâmica, é aderido à estrutura principalmente à base de argamassa de cimento e argamassas colantes, trabalhando junto com a edificação. Segundo Selmo (1989), considerando as principais funções da fachada, a durabilidade se torna um dos principais requisitos de desempenho. Este depende, essencialmente, dos seguintes fatores:
a) penetração da umidade de infiltração; b) efeito da poluição atmosférica;
c) natureza da base do revestimento, por questões de capacidade de ancoragem e problemas associados à reação de sulfatos e à movimentação de retração de secagem;
d) tipo de revestimento, composição e traço da argamassa, que tem influência intrínseca nas suas propriedades e compatibilidades com as características da base;
e) grau de umedecimento da base, em função de sua influência na aderência e surgimento de eventuais eflorescências nos revestimentos;
f) o método de aplicação, principalmente, em função da natureza da base; g) danos causados por abrasão e impactos e,
h) manutenção periódica.
Todos os fatores supramencionados relativos aos tipos mais comuns de revestimento podem representar sérios problemas à própria fachada se não bem executados. Estes problemas são praticamente extintos quando utilizado o sistema ventilado.
2.2 FACHADAS VENTILADAS
Oriundo da Espanha, o Sistema se Fachadas Ventiladas (SFV) surgiu, fundamentalmente, da necessidade de se obter um conforto térmico nos dias de inverno, tendo como pressuposto básico:
O princípio fundamental das fachadas ventiladas é seu sistema de juntas abertas, que permite que o espaço entre as placas não receba vedação completa nas aberturas inferiores e superiores, possibilitando, assim, a criação da lâmina de ar na cavidade entre as duas paredes. Essa cavidade tem largura média entre 10 e 15 centímetros, mas pode ser maior caso seja necessária a passagem da rede através de um shaft de instalações do edifício, que produz o efeito chaminé, possibilitando a troca de ar permanente na câmara e maior o conforto ambiental dentro do edifício. (MATERIALS, 2015)
Nesta continuidade, o supracitado autor ainda caracteriza o efeito chaminé da seguinte forma:
O efeito chaminé acontece quando o ar mais quente sobe e, pela diferença de pressão, suga para dentro da cavidade o ar mais fresco. O ar da cavidade muda continuamente e não aquece a face do corpo da edificação, que permanece protegida.
Mateus (2004) indica que a tecnologia da fachada ventilada surgiu da procura de soluções verticais cada vez menos espessas, leves e que exercessem funções específicas.
Uma de suas principais características é a câmara de ar, que propicia este efeito chaminé supradito. Não obstante, pode-se definir fachada ventilada da seguinte maneira:
“A Fachada Ventilada pode ser definida como um sistema de protecção e revestimento exterior de edifícios, caracterizado pelo afastamento entre a parede do edifício e o revestimento, criando, assim, uma câmara-de-ar em movimento.” (DOSSIER TÉCNICO-ECONÓMICO, 2006, p.2)
Ainda sobre o sistema, Sahade (2017, p. 3) conceitua fachada ventilada como:
Sistema construtivo que utiliza diferentes capas (camadas de revestimento), que criam uma ventilação interposta em seu interior. Caracterizada como revestimento não aderido, é composto por painéis independentes à parede suporte, fixados em uma subestrutura de alumínio, criando uma câmara ventilada interior
Com um processo de montagem rápido, o SFV se mostra uma técnica limpa, visto que poucos resíduos são gerados durante sua execução.
Dutra (2010), expressa que o Sistema de Fachadas Ventiladas se compõe basicamente pelo suporte de fixação, as cantoneiras metálicas, por uma camada de isolante térmico, geralmente lã de rocha, pela câmara de ar ventilada, pelos dispositivos de fixação, os perfis metálicos, pelo material de revestimento e pelas juntas das placas, além dos outros componentes indispensáveis para sua execução, como por exemplo os parafusos.
Ainda sobre o processo, é conveniente ressaltar que:
A Fachada Ventilada é considerada uma solução construtiva sustentável que alia inovação e eficiência energética auxiliando na melhoria do conforto térmico, já que é capaz de reduzir entre 30% a 50% do consumo de energia de um edifício. Outro diferencial do sistema é que os materiais utilizados em sua composição são 100% recicláveis. (MATERIALS, 2015)
Esta eficiência energética, aliada ao conforto térmico se dá tanto nos dias quentes, como nos dias frios.
Em dias muito quentes, em que a radiação solar é intensa, a protecção das superfícies opacas dos edifícios contra o Sol é de grande importância. O elemento pára-sol, neste caso o revestimento da fachada ventilada, permite reduzir substancialmente a energia solar absorvida pela fachada. (SOUSA, 2010, p.99)
Corroborando com a temática, a eficiência energética, Siqueira Junior (2003, p. 64) preceitua que: “A redução de perda de calor no inverno promove economia nos custos de aquecimento e a redução de ganho de calor no verão resulta em menor custo de arrefecimento devido ao uso de ar condicionado.”
Nesta mesma direção, Campos (2011) demonstra que as fachadas ventiladas podem diminuir a parcela de calor que os edifícios absorvem quando o clima está quente. Isto, em função das aberturas de ar, que ventilam, e da reflexão parcial da radiação solar.
Contudo, a eficiência energética não é a única vantagem do SFV. A independência das placas, em relação umas às outras, faz com que, em casos de eventuais reparos, não se precisa destruir todo o sistema, mas apenas realizar a troca da peça com defeito. (TÉCHNE, 2009).
Ainda segundo a Revista Téchne, os riscos de fissuras e descolamentos de placas são reduzidos, o que se mostra uma vantagem muito grande quando comparada com o revestimento externo por pastilhas cerâmicas.
2.3 CARACTERÍSTICAS DAS FACHADAS VENTILADAS
Este método foi desenvolvido para proteger os edifícios da ação combinada da chuva e do vento, com características estéticas de nível elevado e com vantagens de conforto térmico e acústico (Campos, 2011). Em tese, a fachada ventilada apresenta em um único produto solução para três problemáticas nas fachadas convencionais: patologias, negativa interferência ambiental e, o que foi apresentado como o principal requisito esperado da fachada, a durabilidade.
A introdução do termo fachada ventilada data de 1968, quando, segundo Kiss (1999) esta foi descrita nas ‘Directives Communes pour I’Agrement dês Façades Légeres”. Uma norma francesa que classificou a fachada como ventilada na ocasião da existência de comunicação com o ambiente externo através de orifícios que possibilitam uma ventilação constante no sentido baixo-cima.
Porém, somente na década de noventa é que o conceito de fachada ventilada se torna mais relevante, por ser mencionado em uma norma italiana. Esta o cita como um sistema de revestimento pautado na existência de uma camada isolante sobre a estrutura de vedação e uma camada externa de revestimento, estanque a água, onde se utilizam painéis modulares de diferentes tipos de materiais, em especial cerâmicos, presos à estrutura através de estrutura metálica característica. (KISS, 1999).
Devido ao afastamento característico das fachadas ventiladas, cria-se um bolsão de ar no entorno da edificação, possibilitando a constante passagem de ar e sua renovação. Assim, consegue-se uma otimização da capacidade térmica da edificação, pois acarreta na diminuição do fluxo de calor entre ambientes externo e interno. A Figura 1 demonstra esta otimização.
Figura 1 - Efeito de Isolamento das Fachadas Ventiladas
Fonte: Pinterest1
Os componentes funcionais das fachadas ventiladas que serão descritos e analisados no presente trabalho de maneira individualizada, normalmente consistem em base de suporte, isolante térmico, subestrutura auxiliar de fixação, câmara de ar, revestimento externo e juntas (orifícios).
Pela Figura 2 é possível localizar seus componentes. A câmara de ar é consequente do afastamento do isolamento térmico e o sistema de fixação. As juntas são os já conhecidos afastamentos entre peças do revestimento externo, com o diferencial de que nas fachadas ventiladas estas não são sofrem vedação.
Figura 2 – Desenho Esquemático da Fachada Ventilada
Fonte: Construindodecor2
2.3.1 Base de suporte
A base de suporte para a instalação da fachada ventilada é a própria estrutura externa da edificação. Para a utilização deste elemento como fixação da fachada pode-se utilizar técnicas já conhecidas na construção civil como os tijolos cerâmicos ou estruturais. Por isso, este método é recomendado também para a utilização em reformas de fachadas sem a necessidade de se retirar a estrutura pré-existente de revestimento.
A fachada ventilada apresenta peso de carga semelhante aos revestimentos convencionais. Como a estrutura metálica é leve, o peso relevante fica a cargo apenas do material escolhido para revestimento externo. Isso simplifica as exigências referentes à base de suporte que não precisa atender nenhum requisito a mais do que aqueles que usualmente a fachada já é projetada para atender.
Faz-se também necessário o uso de ancoragem nas fachadas ventiladas em elementos estruturais, em pontos onde há vigas e pilares. Nestes pontos é necessário um cuidado especial com os materiais utilizados, pois a estrutura é solicitada mediante alguns esforços. Siqueira Junior (2003, p. 61) discorre:
Das várias solicitações às quais a estrutura está sujeita, a mais significativa para este caso é a movimentação ocasionada pela deformação lenta do concreto, principalmente pelo fato de as obras brasileiras executadas pelo processo de construção tradicional, estarem sujeitas a grandes deformações estruturais em virtude da elevada esbeltez com que estas são concebidas.
No entanto, com projetos bem definidos, estudados e detalhados, estas solicitações não se tornam tão significativas.
Carneiro (2015) mostra que as paredes de concreto e tijolo maciço são as melhores opções no que tange as bases de fixação das fachadas ventiladas, seguida por tijolos perfurados e com pequenas células ocas. No entanto, a autora considera inaceitável o uso de blocos cerâmicos vazados quando não reforçados.
2.3.2 Isolante térmico
Dutra (2018) diz que a camada de isolamento enfraquece a transferência de calor ao longo das paredes, e sua utilização é recomendada quando se deseja justamente inibir a ascensão do ar quente na câmara de ar formada pelo SFV.
Apesar de todos os benefícios, a instalação do isolamento térmico e acústico é uma opção, não sendo compulsória sua instalação, visto que o custo de mão de obra e de materiais seria potencializado, gerando um maior investimento necessário.
Atendendo as necessidades conforto térmico e tempo, é recomendado, para as fachadas ventiladas, o uso de isolantes térmicos fabricados em poliestireno expandido (EPS), poliestireno extrudido (XPS) e lã de rocha, sendo este último o mais usualmente utilizado em fachadas ventiladas. (Campos, 2011).
Um sistema de isolamento de qualidade possibilita além da economia energética, a melhora da qualidade de vida dos habitantes. Na Figura 3 é possível ver o isolamento aplicado em um edifício.
Figura 3 - Lã de rocha aplicada em fachada
Fonte: Elaboração do autor, 2018.
2.3.3 Subestrutura auxiliar de fixação
A estrutura de fixação é acoplada à alvenaria da edificação, de modo a criar o afastamento necessário da estrutura e fixar o revestimento externo da fachada em sua estrutura base. Este elemento pode ser classificado como visíveis ou ocultos ou ainda segundo os dispositivos de ancoragem na fachada da edificação. Na Figura 4 (a) está demonstrada a fixação de um porcelanato de maneira visível, com clipes metálicos, já na (b), a fixação é oculta.
Figura 4 – (a) Fixação Visível; (b) Fixação Oculta
Fonte: Elianetec3
Para a fachada ventilada, foram desenvolvidos diversos tipos de encaixe que variam de acordo com a necessidade pontual da obra. No projeto estudado para este trabalho, todos os encaixes são do tipo ocultos onde os elementos de fixação não ficam expostos na fachada. Os encaixes são feitos de forma embutida, seja no perfil metálico, seja no revestimento externo. (Siqueira Junior, 2003).
Sousa (2010) preceitua que pode se fixar mecanicamente os revestimentos diretamente ao suporte, bem como pode se fixar através de uma subestrutura contendo elementos horizontais ou verticais, os perfis.
Ainda Sousa cita que estes perfis podem ser de madeira ou de aço inoxidável, sendo mais usual o segundo, devido sua durabilidade e resistência frente os agentes exteriores. Outra vantagem do uso da subestrutura é o controle de deformação transmitido do suporte ao revestimento.
Cunha (2006) preceitua que: “As fachadas ventiladas podem ser classificadas quanto aos dispositivos utilizados para a fixação das placas de revestimento, ou quanto aos dispositivos empregues na ancoragem da fachada ao edifício.”
Cunha denomina fachada fixada por acoplamento visível as fachadas em que os clips metálicos utilizados para prender as placas das fachadas ficam expostos
sobre o revestimento. Já o acoplamento oculto, ocorre quando não é possível a visualização dos dispositivos utilizados.
2.3.4 Câmara de ar
A câmara de ar, maior característica do Sistema de Fachadas Ventiladas é formado no espaço entre a base do revestimento e sua subestrutura de fixação.
A caixa-de-ar formada entre o revestimento e o paramento externo do elemento de suporte apresenta dimensões no intervalo dos 5 a 15 cm e tem o objectivo de permitir a ventilação contínua no sentido vertical através do efeito chaminé. Na caixa-de-ar e sobre o paramento exterior do elemento de suporte é fixado o isolamento térmico.(MATEUS, 2004, p. 148)
Ainda conforme o autor, o efeito chaminé formado no interior da câmara de ar possibilita a eliminação de condensações ou da umidade que pode atravessar o revestimento. A Figura 5 destaca a câmara de ar vista de dentro de um edifício.
Figura 5 – Câmara de Ar
O fato supracitado garante a estanqueidade das bases do sistema, visto que a parcela de água que atravessa a câmara de ar e chega nas paredes (base) é praticamente nula.
Não obstante, sobre o efeito chaminé é relevante mencionar que:
O efeito chaminé é obtido deixando a entrada de ar na parte inferior da fachada e saída de ar na superior. As aberturas na parte inferior também servirão de escape de água caso ocorra alguma infiltração. É importante deixar a saída de ar nos parapeitos das janelas e a entrada nos remates da parte superior das esquadrias. De qualquer forma, o sistema de fachada ventilada já é projetado para que, caso exista alguma gota de água na câmara de ar, ela evapore com o efeito chaminé. Assim ele controla corretamente uma das causas de deterioração das fachadas, as infiltrações causadas pela chuva.(FINESTRA, 2011, p. 47)
O aquecimento provocado pela radiação solar provoca uma variação na densidade do ar que se localiza internamente à câmara, ocasionando uma movimentação de ascensão deste ar. Este é o efeito chaminé, que é o responsável pela expulsão do ar quente pelo fenômeno de convecção, e tem uma parcela de contribuição na remoção do vapor da água. O que, por sua vez, caracteriza uma grande vantagem do sistema. (DUTRA, 2010)
E, para garantir o funcionamento correto da câmara de ar, é imprescindível que a entrada e saída do ar aconteça livremente, pois caso uma delas esteja obstruída o sistema tem seu desempenho comprometido.
O conforto térmico dentro da edificação, bem como a remoção dos vapores de água proveniente do interior dela são obtidos em função do efeito chaminé dentro da câmara de ar. Sua estanqueidade é mantida através do revestimento externo. A câmara de ar deve possuir uma espessura de no mínimo dois centímetros, todavia, a melhora do efeito chaminé é inerente ao aumento da espessura da câmara. (ROSA, 2015)
Em regiões ou estações mais quentes, o fluxo de água dentro da câmara de ar é que proporciona o conforto térmico. Isso porque, como pode ser observado na Figura 6, a água penetra no bolsão de ar e assume comportamento vertical e
descendente enquanto que o calor é eliminado em forma de vapor de forma ascendente, dificultando a entrada do calor ambiente no interior da edificação.
Figura 6 - Funcionamento da camâra de ar
Fonte: Machado e Oliveira (2013)
2.3.5 Revestimento externo
O sistema de fachada ventilada é compatível com diversos tipos de materiais possíveis de se fabricar o revestimento externo, com diferentes tipos de desempenho e de preços. Medeiros (2002) comenta que para esta escolha, diferente dos revestimentos convencionais, o design não é o único elemento decisivo, é preciso identificar as características dos elementos estruturais, da parede externa da edificação e verificar a compatibilidade com as esquadrias.
Um dos pontos positivos dos revestimentos das fachadas ventiladas é a possibilidade de modulação uniforme, isto é, a possibilidade de se utilizar placas de revestimento com diferentes tamanhos, como mostrado na Figura 7. Isto deve ser definido na fase de projeto, com uma paginação detalhada bem como uma inspeção no local que receberá a fachada, para garantir que as medidas projetadas e solicitadas estão de acordo com as da obra.
Figura 7 - Paginação da Fachada Ventilada de Fibrocimento
Fonte: Archiproducts4
Dentre da variedade de materiais empregados pode-se destacar como principais os seguintes: a) cerâmica; b) grês porcelanato; c) pedras naturais; d) placas fenólicas; e) vidro; f) alumínio composto; g) painéis fotovoltaicos; h) naturocimento; i) madeira.
4 Disponível em: <
A cerâmica extrudada é um dos materiais mais utilizados no que se refere aos revestimentos das fachadas ventiladas. A possibilidade de modulação de diferentes tamanhos, bem como a possibilidade de se utilizar uma ampla gama de cores se torna um diferencial competitivo deste material.
O produto é uma cerâmica produzida pelo processo de extrusão onde o material sai continuada e as características da cerâmica composta de uma mistura de argilas e passando pelo forno a altas temperaturas o que faz que o produto tenha umas ótimas qualidades para ser instalado como revestimento de fachada ventilada. (FAVEGRUP, 2018)
Este material pode ser observado na Figura 8, em um edifício residencial em construção na cidade de Florianópolis.
Figura 8 - Cerâmica Extrudada
Fonte: Elaboração do autor, 2018
O naturocimento, ou fibrocimento é um material composto de cimento, celulose e materiais minerais, reforçado com uma matriz visível. Pode ser comercializado em placas com até 125cm de altura e 300cm de comprimento. O que
proporciona uma sensação de clareza na fachada, uma vez que o número de placas necessárias para preencher uma fachada é menor.
2.3.6 Juntas
O tradicional espaçamento entre peças de revestimento, as juntas, na fachada ventilada, deixam de lado seu papel secundário e assume características imprescindíveis para o funcionamento do sistema. Diferente dos revestimentos convencionais onde é largamente difundido o uso de rejunte nas juntas, neste método construtivo esse espaçamento é propositalmente vazio a fim de permitir a livre circulação de ar. Siqueira Junior (2003).
No contexto das fachadas ventiladas, (ROSA, 2015, p.5) define juntas como: “espaços deixados entre uma placa e outra com a função de permitir a livre movimentação das placas originadas pelas variações de temperatura, movimentações da estrutura suporte ou das ancoragens mecânicas”.
Sousa (2010) classifica as juntas como abertas ou sobrepostas e ainda existem os perfis de junta. A escolha do tipo bem como da espessura das juntas deve ser prevista em projeto e considerar os aspectos climáticos locais. Este tem relação direta com a estanqueidade da fachada. O Autor ilustra os tipos de junta na Figura 9.
Figura 9 - Tipos de Juntas
Dutra (2010) versa que em ambientes onde as condições climáticas sejam extremas não é aconselhável a utilização de juntas abertas. No entanto, se este tipo de junta tiver até 3mm de espessura, o contato entre a água e o revestimento pode ser impedido.
2.4 REVESTIMENTO CERÂMICO TRADICIONAL
Relativamente ao revestimento cerâmico tradicional, existem no Brasil normas técnicas que especificam e regulam a aplicação das cerâmicas para revestimento: a NBR 13816, que trata sobre as terminologias, a NBR 13817, que discorre sobre a classificação, e a NBR 13818, que especifica e demonstra métodos de ensaio. É importante que se perceba, ainda, que os fundamentos destas normas orientam e prescrevem aos profissionais como devem lidar com os aspectos técnicos da execução e da manutenção das fachadas.
A primeira, NBR 13816, traz algumas definições importantes, como a de revestimento cerâmico, que é definida pela norma como: “O conjunto formado pelas placas cerâmicas, pela argamassa de assentamento e pelo rejunte”.
Sobre estes materiais, é considerável a utilização de materiais mais nobres para os revestimentos externos do que os utilizados para revestimentos internos. Ainda acerca estes materiais, e sobre o Revestimento Cerâmico de Fachada (RCF) é notável sobrelevar que:
O principal material que caracteriza o RCF e confere-lhe uma série de características que o credencia para uso em fachada é a placa cerâmica. Além da placa cerâmica, entretanto, devem ser considerados como materiais que constituem os RCF: as argamassas para os emboços que servem como substratos de aplicação, incluindo as armaduras neles empregadas, os adesivos e argamassas adesivas, os materiais de rejuntamento e os materiais destinados à execução e ao tratamento das juntas de controle. (MEDEIROS; SABBATINI, 1999, p. 8)
Este conceito evidencia que para se definir o revestimento, é necessário não só a placa cerâmica, mas também os materiais aderentes. Neste contexto, a norma também define as placas cerâmicas:
Material composto de argila e outras matérias primas inorgânicas geralmente utilizadas para revestir pisos e paredes, sendo conformadas por extrusão (representada pela letra A), por prensagem (representada pela letra B), ou ainda por outros processos (letra C). As placas são então secadas e queimadas a temperatura de sinterização. Podem ser esmaltadas (GL = glazed) ou não esmaltadas (UGL = unglazed). As placas são incombustíveis e não são afetadas pela luz.
Já a NBR 13817 classifica as placas cerâmicas de acordo com sete critérios, com o objetivo de otimizar o uso das mesmas, minimizando eventuais problemas e patologias decorrentes da má aplicação do revestimento.
A última norma, NBR 13818, apesar de muito antiga (1997), é a mais longa sobre o referido tema, e substitui uma série de normas mais antigas. Tem por escopo fixar diversas características exigíveis para seu processo de produção, comercialização, aplicação e aceitação.
O revestimento tradicional feito com reboco e pastilha cerâmica é um dos métodos mais utilizados na construção civil no Brasil. Muito disto em função de que o país é um grande produtor deste insumo (cerâmica). Esta indústria está aquecida há anos.
Neste contexto, Bustamante e Bressiani assim se reportam à natureza do uso da pastilha cerâmica:
Este segmento é um dos mais importantes e apresenta crescente desempenho tecnológico. É representado por 121 unidades industriais, produzindo azulejos, pisos e revestimentos de paredes externas no montante de 400,7 milhões de m2 em 1998, representando 88,1% dos 455 milhões de m2 de capacidade instalada. É o quarto produtor mundial, após a China, Itália e Espanha. (BUSTAMANTE; BRESSIANI, 2000)
É importante ressaltar que, em diferentes regiões, o revestimento cerâmico de fachadas pode apresentar diferentes nomenclaturas, e, sua história começa na Europa.
O termo azulejo chegou a Portugal junto com os primeiros exemplares importados da Andaluzia e do Levante. Os escritos mais antigos onde foi encontrada a palavra azulejo ou azuleijo são do início do século XVI nos forais manuelinos. Os etimologistas que discordam quanto à origem da palavra azulejo concordam, porém quanto à origem persa da palavra azul, vinda da Mesopotâmia e que define uma pedra semipreciosa, de coloração intensa, o lápislazúli. Em resumo, o termo azulejo contém uma idéia de “pedra lisa e escorregadia” e também a idéia de uma coloração azul que lhe dá qualidades decorativas.(WANDERLEY; SICHIERI, 2005)
2.5 PATOLOGIAS NO RCF
Em que pese a multiplicidade de técnicas para a operacionalização do uso das pastilhas cerâmicas, não se pode perder de vista que qualquer espaço de uma construção corre riscos de danos. Este fato resgata o conceito de patologia na construção civil, e muito particularmente nas fachadas cerâmicas. Neste sentido, Galletto e Andrello (2013, p. 2) assim se reportam a este tema.
As patologias nas fachadas, que afetam tantas edificações, geralmente se dão no sistema de revestimento, seja ele de concreto aparente, argamassa ou cerâmico, e se referem aos defeitos que se originam nas paredes devido a diversos fatores que podem estar relacionados à qualidade e à durabilidade do acabamento, que dependem de outros tantos elementos que vão desde a qualidade do material utilizado, da parede suporte e da mão de obra, passando pela correta definição das juntas, condições de trabalho e, por fim, adequada manutenção.
E, de acordo com Reis (2013, p. 86), dentre as patologias geralmente observadas nos revestimentos cerâmicos de fachada, estão os descolamentos das placas, as fissuras, a deterioração das juntas, as trincas e a eflorescência.
2.5.1 Destacamentos
Motivada pelas falhas no assentamento, os descolamentos, ou destacamentos, acontecem em sua grande maioria devido ao mau preenchimento do verso das placas, contudo, esta não é a única razão para a patologia. Patologias de
revestimentos cerâmicos como o destacamento podem ocorrer devido à movimentação excessiva do edifício; à expansão das placas cerâmicas; ao erro na especificação de argamassa colante ou na sua mistura, com uso de água em excesso. (RIBEIRO, 2018).
Um exemplo de Destacamento em fachadas pode ser observado na Figura 10.
Figura 10 - Destacamento em Fachadas
Fonte: Gisele Cichinelli 5
2.5.2 Trincas, gretamento e fissuras
As fissuras são patologias menos frequentes neste modelo de revestimento. Ocorrem geralmente no reboco, o que pode causar um futuro destacamento das pastilhas.
Almeida (2012, p. 45) define trinca nas cerâmicas como sendo a “ruptura do corpo da placa após a sua fixação, o que acarreta a separação da placa em duas ou mais partes”. A autora ainda estabelece que quando estas se manifestam são da ordem de 0,50mm ou maiores.
5 Disponível em: < http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/116/artigo287385-3.aspx > Acesso em 30 mai.
Ainda conforme a autora, o gretamento e o fissuramento assumem uma abertura fina e comprida, semelhante a um fio de cabelo, da ordem de 0,05 a 0,1mm, e são decorrentes de pequenas variações térmicas no revestimento.
2.5.3 Deterioração das juntas
Sobre a deterioração das juntas, Reis (2013, p. 91) descreve que além de comprometer a estética do conjunto, compromete também a perda de estanqueidade da camada de acabamento dos revestimentos cerâmicos e a deformação do conjunto, em função das solicitações de uso da edificação.
Esta patologia, que pode ser observada na Figura 11, se reflete na “quebra” do rejunte, fazendo com que a umidade escorra por trás das placas cerâmicas e possibilitem seu descolamento.
Figura 11 - Deterioração das Juntas
Fonte: Lawton Parente6
6 Disponível em: <
2.5.4 Eflorescência
Também muito agressiva, a eflorescência é uma patologia comum em edifícios com revestimento cerâmicos.
Este tipo de manifestação patológica é caracterizada pelo efeito de lixiviação, que transporta os sais solúveis até a superfície, provocando deterioração do sistema. Pode surgir em pontos específicos de forma concentrada ou generalizada por toda a fachada. (LUZ, 2004, p. 65)
Já para Almeida (2012) eflorescência é um problema patológico que não só afeta a estética do edifício, mas também a aderência da placa cerâmica. Isto ocorre em função da ação físico-química do meio ambiente, que faz surgir o depósito de sal. Não obstante, a autora preceitua que o motivo desta manifestação é a percolação da água que carrega substancias que serão depositadas na superfície da cerâmica após a evaporação da água, como sulfatos e carbonatos de sódio e potássio.
A Figura 12 evidencia esta patologia em uma fachada com revestimento cerâmico tradicional.
Figura 12 - Eflorescência em Fachadas
Fonte: Powerpro7
7 Disponível em: <
2.5.5 Fundamentos patológicos
Estas patologias acontecem, principalmente, devido a aderência dos revestimentos cerâmicos. Medeiros e Sabbatini (1999, p. 4) discorrem o seguinte sobre o tema que: “Os revestimentos cerâmicos tradicionais trabalham completamente aderidos sobre bases e substratos que lhe servem de suporte e, por isso, podem ser denominados de aderidos.”
Isto, a aderência, caracteriza então, uma grande diferença entre os revestimentos cerâmicos e as fachadas tecnológicas.
Sobre os revestimentos cerâmicos não aderidos, os autores preceituam:
Quando os revestimentos podem possuir camadas com função de isolamento térmico, acústico e de impermeabilização que não permitem aderência entre as camadas, os revestimentos precisam ser fixados por meio de dispositivos especiais e são chamados de não aderidos. (MEDEIROS; SABBATINI, 1999, p. 4)
Fundamenta-se nisto, então, um dos principais pressupostos das fachadas ventiladas, se mostrando como uma vantagem, quando comparado ao sistema tradicional.
2.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS FACHADAS VENTILADAS E DOS REVESTIMENTOS CERÂMICOS TRADICIONAIS
Fica evidenciado que tanto o Sistema de Fachada Ventilada (SFV), quanto o Revestimento Cerâmico de Fachada (RCF) são alternativas viáveis no que tange o revestimento de um edifício. Sobre esta análise comparativa, Cunha (2006, p. 34) expõe que:
A escolha dos diversos sistemas construtivos a ser aplicados num determinado empreendimento, deve levar em consideração aspectos
técnicos, de procura do mercado e de custo. Para se fazer uma escolha deve-se compreender as características principais, as exigências de cada tecnologia inovadora, além das suas deficiências e limitações.
O RCF, por ser mais antigo e tradicional, é manuseado de maneira mais fácil, apresenta uma variedade maior de opções no mercado e não exige mão-de-obra especializada, o que representa uma vantagem quando comparado com o SFV, que por ser, de certa forma, uma tecnologia recente, exige profissionais mais qualificados para sua aplicação. Os materiais utilizados neste sistema são, em sua grande maioria importados.
Contudo, o Sistema de Fachadas Ventiladas é um processo limpo e rápido, gerando poucos resíduos pois a execução de reboco nas paredes externas é optativa. O sistema pode ser executado diretamente sobre a alvenaria.
No SFV sua aplicação é possível nas mais diversas condições climáticas, podendo ser estruturado sobre paredes úmidas, e até em dias de chuva, visto que não se utiliza de argamassas no seu processo. O RCF carece de bases (paredes) secas, o que, em certas regiões e em determinados períodos do ano podem gerar atrasos nos cronogramas de obra, visto que estas condições, chuvas e umidade, são imprevisíveis e incontroláveis.
Um aspecto limitativo do Sistema de Fachadas Ventiladas, é justamente seu processo de manutenção, que, devido ao fato de os produtos utilizados serem importados, a substituição das placas da fachada pode ser prejudicada, em caso de quebras. Já o RCF é encontrado em abundancia no mercado nacional, e em qualquer necessidade pode ser facilmente adquirido nas lojas de materiais de construção.
Contudo, como os materiais da utilizados para o revestimento nas fachadas ventiladas são pedidos sob medida, existe a possibilidade de se utilizar peças especiais, de diferentes formatos e medidas, de acordo com os anseios do projetista. Atualmente no Brasil existem diversas normas que buscam regulamentar e padronizar a especificação, utilização, aplicação e aceitação dos materiais empregados no assentamento dos Revestimentos Cerâmicos de Fachada, o que torna mais fácil seu controle por parte dos construtores. Já as fachadas ventiladas não
possuem ainda uma norma especifica para si, tendo que os aplicadores deste sistema construtivo consultar normativas estrangeiras.
Porém, por ser um revestimento não aderido, o SFV está isento de uma série de patologias que ferem o aspecto visual da fachada. Sua subestrutura metálica permite também a utilização de grandes placas, o que gera um aspecto melhor, aliado ao sistema de juntas abertas que dispensa o uso do rejunte.
Siqueira Junior (2003) defende que a separação entre o substrato de fixação e o revestimento, através de uma câmara de ar proporciona aos revestimentos não aderidos uma série de vantagens quando comparado com os revestimentos tradicionais.
A eficiência energética, através da diminuição do consumo de eletricidade, manutenção das temperaturas e do efeito chaminé é um aspecto valoroso do SFV, no entanto, a necessidade de se controlar mais rigorosamente a execução do sistema pode-se apresentar como um ponto negativo.
Como a câmara de ar possui uma espessura entre a base e a placa da fachada, é possível usar este espaço também para a passagem de fios e condutos, o que otimiza o espaço de construção.
Sobre as vantagens e desvantagens das fachadas ventiladas Vedovello (2012, p.79) cita que:
Uma das vantagens mais citadas do sistema é a velocidade de montagem da fachada, já que os painéis são produzidos na fábrica e já chegam na ordem de colocação na obra. Entretanto, isso exige um efetivo planejamento da produção, pois caso aconteça algum problema que altere a frente de operação, será necessário mudar toda a programação de produção dos painéis na fábrica.
É relevante então, como citado anteriormente no presente trabalho, que os projetos de paginação e modulação estejam bem alinhados, e que a situação em obra também seja levada em consideração quando solicitado o revestimento do sistema.
2.7 RECUPERAÇÃO DE FACHADAS
A utilização do sistema de fachadas ventiladas não se limita apenas à concepção de novos edifícios, mas também tem uma larga aplicação na reabilitação de edifícios com revestimentos deteriorados. Este processo é conhecido como Retrofit.
Ao discorrer sobre as fachadas ventiladas, e sua aplicação, Mateus (2004, p. 207) explana que:
Esta tecnologia tanto pode ser integrada na construção de edifícios novos, como apresenta grande potencialidade de ser aplicada na reabilitação de fachadas que apresentam problemas de isolamento térmico, acústico, impermeabilização ou de fissuração.
Moraes e Quelhas (2012) preceituam que o termo retrofit inicialmente era utilizado na indústria aeronáutica, quando se referia à atualização de aeronaves. Com o tempo o termo foi ganhando espaço e atingiu outras industrias, até chegar a construção civil.
Buscando conceituar Retrofit, Gomes (2015, p. 19) escreve que:
Na Construção Civil, o retrofit é a intervenção realizada em um edifício com o objetivo de incorporar melhorias ou melhorar seu estado de utilidade, recuperando o que estava subutilizado ou inutilizado, valorizando tanto o imóvel quanto o seu entorno.
A autora ainda versa que o retrofit vai além da recuperação de patrimônio ou de uma simples reforma. Busca a atualização do edifício, gerando um conceito contemporâneo dentro das suas limitações estruturais antigas, adequando a construção ao seu meio.
No processo de renovação de uma fachada, deve-se verificar a viabilidade técnico-econômica do retrofit. Por este motivo, quanto menos se precisar interferir na estrutura do edifício, maior a possibilidade de se poder executar esta renovação. (TÉCHNE, 2008)
Portanto, a tecnologia das fachadas ventiladas é uma opção extremamente viável visto que sua estrutura metálica leve, associada a dispensabilidade do uso de vedação por meio de argamassas a torna leve e limpa.
Cunha (2006) evidencia que na execução do retrofit de fachadas, normalmente é necessário o corte das placas de fachada, o que, se em grandes quantidades, pode se tornar uma solução pouco viável do ponto de vista econômico. Visto isso, é necessário se atentar ao projeto de modulação da fachada, com o auxílio de softwares específicos e do bom senso do projetista.
3 MÉTODO EXECUTIVO DOS TIPOS DE REVESTIMENTOS
O início da execução da execução dos revestimentos em um edifício se dá a partir do momento que a construção está totalmente levantada, visto que é necessário que os elementos de vedação externos (paredes) estejam finalizados. Cunha (2006, p. 93) discorre que: “Este procedimento permite a verificação do prumo da edificação, procedendo-se às correções quando se julgar necessário, assegurando assim que o revestimento seja colocado de forma satisfatória”.
3.1 PROCESSO EXECUTIVO DAS FACHADAS VENTILADAS
É importante destacar que as paredes não necessitam de chapisco, emboço e reboco para se utilizar o SFV, detalhe que impacta de uma forma importante no custo da obra.
Em relação ao aspecto supracitado, Feitosa et al. (2017, p. 8) preceitua:
Essa vantagem traz praticidade e rapidez na montagem, refletindo em um tempo executivo menor e, em longo prazo, em um custo benefício maior. Leves e de fácil manuseio, o sistema de fachada ventilada possibilitam uma superfície final já revestida. Além disso, sua montagem de precisão implica em um acabamento mais fino e padronizado, significando uma necessidade quase zero de material para ajustamentos e retrabalhos.
No projeto e no processo executivo das fachadas ventiladas é relevante conhecer as características da base onde se fixarão a subestrutura metálica. É importante saber o peso do revestimento, a carga de vento a qual a estrutura será submetida, e a quantidade de material que será utilizado no processo. (FINESTRA, 2011)
3.1.1 Instalação das cantoneiras
O primeiro passo no processo executivo é a instalação de cantoneiras metálicas, que podem possuir comprimentos variados, de maneira a recuperar a planimetria do edifício em uma eventual perda de prumo. Estas cantoneiras podem ser simples, as de retenção, ou duplas, de sustentação. Na Figura 13 é possível observar as cantoneiras instaladas em um edifício residencial.
Figura 13 - Cantoneira Instalada em Prédio
Fonte: Elaboração do autor, 2018.
As cantoneiras de retenção (Figura 14) são instaladas sobre alvenaria, por não serem exigidas mecanicamente possuem dimensões menores, apenas para auxiliar a fixação da subestrutura.
Figura 14 - Cantoneiras de Retenção
Fonte: INSTITUT DE TECNOLOGIA DE LA CONSTRUCCIÓ DE CATALUNYA (2009)
As cantoneiras de sustentação (Figura 15) são instaladas sobre vigas e pilares, pois nestes elementos estruturais há carga horizontal, desse modo, faz-se necessário a utilização do metal mais robusto, razão que explica a maior dimensão desta cantoneira.
Figura 15 - Cantoneiras de Sustentação
Fonte: INSTITUT DE TECNOLOGIA DE LA CONSTRUCCIÓ DE CATALUNYA (2009)
Para a fixação destas cantoneiras são usados parafusos e parabolts. O primeiro fixa as cantoneiras de retenção e o segundo fixa as cantoneiras de sustentação nas vigas e pilares.
Sobre os cuidados nesta etapa, Cunha (2006, p. 95) expõe que:
A etapa de fixação, tanto das ancoragens como das placas, deve ser rigidamente controlada. Deve-se certificar que o tipo e a quantidade de ancoragens estão de acordo com o especificado em projecto e que estas estão devidamente instaladas, principalmente nos locais de difícil acesso, que dificultam uma verificação posterior. Deve ser impedida uma inadequada junção de metais que permita a formação de pares galvânicos. Os apertos exageradores e dobras nas ancoragens e cantoneiras, para acomodar inexactidões ou erros de execução, não devem ser consentidos.
Fundamentado nisso, deve-se então fazer menção aos fixadores utilizados nesse sistema.
3.1.2 Fixadores utilizados
O Sistema de Fachadas Ventiladas é caracterizado por sua estruturação metálica. Dessa forma, é conveniente destacar os fixadores utilizados neste processo.
3.1.2.1 Chumbador para Fachada
Caracterizado pela expansão otimizada da peça devido à deformação radial, os chumbadores para fachada são parafusos com bucha que fazem a conexão entre a base da fachada e as cantoneiras metálicas quando instaladas sobre alvenaria.
A Figura 16 mostra um esquema ilustrativo do chumbador fixando a cantoneira à base.
Figura 16 - Esquema Ilustrativo de Chumbador
Fonte: (EJOT-FEY, 2016)
3.1.2.2 Chumbador Mecânico
Para o embutimento em concretos, como vigas, pilares e eventualmente lajes, utiliza-se o chumbador mecânico de aço, também conhecido como parabolt. A Figura 17 demonstra os passos para a instalação deste chumbador.
Figura 17 - Aplicação do Chumbador Mecânico
3.1.2.3 Parafuso Auto Brocante
A ligação entre cantoneira e perfil metálico acontece também por meio de parafusos. Porém, como dito anteriormente não se pode usar qualquer material, visto que as patologias causadas por esse contato entre metais poderiam reduzir a vida útil do sistema de maneira significativa.
O parafuso auto brocante, como observa-se na Figura 18, geralmente, é um parafuso pequeno quando utilizado no SFV.
Figura 18 - Parafuso Auto Brocante
Fonte: Ejot8
3.1.3 Aplicação do isolamento
Com as cantoneiras devidamente instaladas, inicia-se o processo de fixação do material de isolamento térmico e acústico (Figura 19). Este material é consolidado na parede com fixadores de plástico, assim, nos espaços onde estão locadas as cantoneiras, corta-se ao material, para a transposição do isolamento sobre as mesmas.
A instalação do isolamento térmico é outra forma defesa contra patologias:
8 Disponível em: <
O isolamento térmico de fachadas pelo exterior é de utilização corrente em diversos países do continente europeu, quer em novas construções, quer em reabilitação de edifícios cuja envolvente vertical apresente índices de isolamento térmico insatisfatórios, infiltrações de humidade ou aspecto degradado. (DUTRA, 2010, p.14)
Figura 19 - Detalhe Isolamento Térmico
Fonte: Insulation Superstore9
3.1.4 Subestrutura auxiliar
A próxima etapa consiste na fixação da subestrutura auxiliar, os perfis, que variam de acordo com o tipo de revestimento a ser utilizado na fachada ventilada. Seu espaçamento também varia, chegando a até 1,20m em alguns casos. O esquema demonstrando estes perfis instalados está mostrado na Figura 20.
9 Disponível em: <
Figura 20 - Perfis Metálicos Inseridos
Fonte: INSTITUT DE TECNOLOGIA DE LA CONSTRUCCIÓ DE CATALUNYA (2009)
O processo de fixação da subestrutura auxiliar é um dos mais importantes na instalação do sistema de fachadas ventiladas, visto que, este garante a estaticidade do mesmo.
Para a escolha dos materiais constituintes da subestrutura e acessórios de fixação, deve-se ter em conta que na maioria das vezes não é possível a realização de inspeções neste tipo de fachada, portanto, uma vez instalados dificilmente os componentes metálicos poderão ser acessados. (SIQUEIRA JUNIOR, 2003, p.98)
Os perfis são fixados às cantoneiras através de pequenos parafusos auto brocantes que tem a capacidade de perfurar, atarraxar e vedar, o que gera economia de tempo e de materiais no processo.
Todavia, os cuidados na escolha dos materiais empregados são importantes, dado que, a utilização de diferentes materiais para os perfis e parafusos podem gerar diversas patologias, colocando em risco não só a qualidade da construção bem como a segurança das pessoas envolvidas. Uma dessas patologias é a corrosão por contato ou par galvânico. (SFSINTEC, 2014).