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Processo RUP (Rational Unified Process): este processo é específico para o desenvolvimento de software Entretanto, ele tem sido utilizado no desenvolvimento de OAs.

No documento Introdução aos Objetos de Aprendizagem (páginas 31-36)

Capítulo 3: Processos e Metodologias de construção de OA

D) Processo RUP (Rational Unified Process): este processo é específico para o desenvolvimento de software Entretanto, ele tem sido utilizado no desenvolvimento de OAs.

O RUP oferece uma abordagem baseada em 9 disciplinas (ou etapas):

1) Modelagem de negócios: procura destrinchar os objetivos do projeto, estudando as condições existentes para sua construção;

2) Requisitos: obter, junto ao demandante do projeto, uma base para planejar o conteúdo técnico, suas características e objetivos;

3) Análise e Design: transforma os requisitos em um design do projeto a ser criado;

4) Implementação: início do processo de desenvolvimento;

5) Teste: descreve como testar o projeto para verificar se todos os requisitos foram atendidos, a tempo de corrigir as falhas;

6) Implantação: o projeto deve estar pronto para ser disponibilizado;

7) Ambiente: oferece o ambiente de suporte para o projeto e os envolvidos, e assim, também serve de suporte a todas as outras etapas;

8) Gerenciamento de Projeto: deve, em todos os momentos, acompanhar a execução do projeto;

9) Gerenciamento de Configuração e Mudança: gerencia as alterações realizadas em um artefato e garante que suas características iniciais ou as últimas alterações aprovadas pelos envolvidos não se percam.

Destaque sobre este processo: trata-se de um processo iterativo e que preza que o cronograma de ações seja respeitado. Ele apresenta um processo bem definido e organizado, otimizando o trabalho dos envolvidos. No entanto, ele não aborda em nenhuma de suas etapas a questão pedagógica do Objeto de Aprendizagem. Isso acontece justamente porque o foco do RUP é o desenvolvimento de software e não de Objetos de Aprendizagem.

No início deste capítulo, enfatizamos que a adoção de um processo para o desenvolvimento de um OA favorece o alcance das características que asseguram que um material digital seja definido como objeto educacional. E isto se justifica pelo fato de cada característica atribuir uma qualidade ao OA,1. Na Tabela 1, os processos apresentados foram comparados quanto ao atendimento destas características:

Tabela 1: Comparativo dos processos com relação às características de OAs.

Características de OAs Processos de elaboração de OAs

RIVED SOPHIA ADDIE RUP

Ciclo de Vida Cascata Iterativo Espiral Iterativo

Design Instrucional (DI) Prevê uma etapa para realização do DI

Não prevê Satisfatório Não aborda

Reusabilidade Prevê uma etapa para realização de um guia de auxílio ao docente. Satisfatório Previsto, superficialmente , na fase de Análise Satisfatório

Classificação Prevista na fase 6, em que o OA é organizado e publicado Previsto na etapa de Distribuição, depois do OA construído Não é prevista em nenhuma fase Não é prevista em nenhuma fase Interoperabilida de Não é previsto em nenhuma fase Não é prevista em nenhuma fase Na fase de implementação, é previsto o teste em diversos ambientes É previsto na disciplina de Requisitos e Testes

Acessibilidade Não aborda Não aborda Não aborda Aborda na disciplina de Requisitos e Testes Gerenciamento Satisfatório Não gerencia Satisfatório Satisfatório Granularidade Não é prevista

em nenhuma fase Na etapa de Criação, é definido o nível de granularidade que terá o OA.

Não é prevista em nenhuma fase Não é prevista em nenhuma fase

3.4. Proposta de nova metodologia: INTERA/ UFABC

Apesar da quantidade e permanente expansão de OAs disponíveis, são poucos os processos de desenvolvimento de objetos com validação de sua proposta. A Tabela 1 apresentada evidenciou que nenhum dos processos estudados possui que visem alcançar o atendimento de todas as características necessárias a um OA, comprometendo a qualidade do resultado final.

A metodologia proposta INTERA/UFABC (Inteligência, Tecnologias Educacionais e Recursos Acessíveis) traz em sua definição a correspondência ao ciclo de vida do OA, ressaltando que quanto maior o número de características de qualidade contidas em um Objeto de Aprendizagem, maior será a possibilidade do seu reuso em diferentes contextos, e possivelmente mais eficiente será o aprendizado a que ele se destina.

Essa metodologia foi baseada em processos de desenvolvimento de software e no modelo ADDIE para desenvolvimento de conteúdos instrucionais. Seu objetivo principal é conduzir a construção de um OA com qualidade e que seja reutilizável, mas, também, otimizar o trabalho dos envolvidos, reduzindo as possibilidades da não finalização da proposta de construção do OA.

A metodologia INTERA é uma metodologia iterativa, ou seja, sugere o ‘ir e vir’ de suas etapas, o que indica a necessidade de existir uma boa comunicação entre os envolvidos no projeto de construção do OA. Desta maneira, o INTERA apresenta uma proposta de formação da equipe e a definição prévia dos seguintes papéis:

 Analista: Responsável em fazer o levantamento e análise do contexto e dos requisitos do OA. Também é responsável por elaborar o planejamento da qualidade e dos testes do OA.

 Conteudista: Responsável pela elaboração ou reutilização das situações didáticas e de conteúdo, incluindo pesquisa de conteúdo, mapeamento do conteúdo a ser abordado, especificação de conteúdos adicionais e avaliação do conteúdo na etapa de desenvolvimento. Responsável por manter a integridade do conteúdo do OA realizando várias revisões no mesmo. Deverá manter o OA dentro dos objetivos pedagógicos no qual ele foi concebido.

 Gerente de Projetos: Responsável por planejar e gerenciar o projeto de desenvolvimento do OA. Faz parte de suas atribuições manter a comunicação entre a equipe, acompanhar o cronograma, escopo e custo. Ele também é responsável por distribuir e gerenciar as atividades da equipe.

 Demandante: solicita o desenvolvimento do objeto de aprendizagem que será desenvolvido.

 Designer de Interface: projeta os componentes de interface do OA de forma a potencializar o entendimento do conteúdo (produzido pelo conteudista) a partir do uso de linguagens e formatos variados (hipertexto, da mixagem e da multimídia). Desenvolve a identidade visual do objeto.

 Designer Pedagógico: Responsável por realizar o planejamento pedagógico a avaliação pedagógica do OA.

 Designer Técnico (Arquiteto): responsável pelas escolhas tecnológicas para o desenvolvimento do OA, de acordo com seu contexto e requisitos. Também responsável por fornecer subsídios técnicos de forma a guiar a equipe de desenvolvimento.

 Equipe de desenvolvimento: responsável pelo desenvolvimento ou produção do OA. Essa equipe deverá ser formada por profissionais técnicos de acordo com o tipo de OA. Exemplos: se o AO for um vídeo, a equipe deverá possuir técnicos em produção de vídeo. Se o OA for um software, a equipe deverá constituir de programadores.  Testador: responsável por realizar diferentes tipos de testes nos OAs garantindo

assim sua qualidade. Faz parte de suas atribuições testar as funcionalidades, a acessibilidade, confiabilidade, etc.

Tendo conhecido o papel dos envolvidos nesta metodologia, as etapas que a compõem serão brevemente apresentadas, cabendo a explicação detalhada de cada uma em outras unidades. São elas:

1) Contextualização de um OA: Definição do contexto pedagógico do OA como, por exemplo, ementa em que o OA se encaixa, público alvo que utilizará o OA como complementação do aprendizado, modalidade de ensino, objetivo de aprendizagem, possibilidade de ser utilizado por pessoa portadora de deficiência (acessibilidade), cenário e contexto em que ele se apresentará, etc. O principal artefato dessa etapa é o documento de especificação de contexto.

2) Levantamentos de Requisitos de um OA: Explicação, através de estudo exploratório, do que se espera do OA: suas características técnicas e pedagógicas. Nesta etapa, são gerados os principais artefatos. Por isso, utilizam-se instrumentos como questionários, planilhas descritivas, mapas conceituais etc.

Deve ser adotada uma linguagem objetiva e informal no levantamento destes dados. 3) Design: Envolve a análise dos requisitos que resultará no esboço (ou rascunho) do OA. Nesta etapa, também são definidas as tecnologias mais adequadas para o desenvolvimento do OA e os padrões a serem adotados. Também nessa etapa são definidos os componentes de reuso.

4) Desenvolvimento: Produção do Objeto de Aprendizagem.

5) Testes: Realização de validações das características técnicas e parte das características pedagógicas levantadas nas etapas anteriores.

6) Disponibilização: Disponibilização do objeto e também da documentação de uso e instalação do OA.

7) Avaliação: Aplicação do objeto em sala de aula, com o objetivo principal de avaliar seus requisitos pedagógicos.

8) Gestão de projetos: Esta etapa perpassa por todo o processo e representa a execução das funções do coordenador acompanhando e analisando os custos, cronograma e os envolvidos.

9) Ambiente e Padrões: Descrição das atividades para o desenvolvimento das diretrizes de suporte de um OA e avaliação prévia de toda infra-estrutura e softwares necessários.

3.6. Resumo

Nesta unidade, você viu que o processo de construção de um OA se refere à metodologia de trabalho que será seguida para organizar as etapas do seu desenvolvimento, que consistem em: i) estabelecer a comunicação entre os envolvidos; ii) captar informações detalhadas sobre o OA; iii) otimizar o alcance dos resultados em cada etapa e iv) garantir o desenvolvimento e reuso do objeto. Contudo, o sucesso do processo está relacionado com a compreensão das características de um OA.

As etapas de um processo de construção de um Objeto de Aprendizagem envolvem diferentes profissionais e resultam na produção de importantes e diferentes artefatos. Isto, por sua vez, possibilitará o sucesso dos aspectos pedagógicos e técnicos do OA, quando há qualidade dos artefatos e boa comunicação entre os envolvidos. Sendo assim, e diante das falhas apresentadas pelos processos de desenvolvimento de OAs existentes, no que diz respeito ao resultado final com o maior atendimento às características de qualidade de um OA, o grupo de pesquisadores em EaD da UFABC desenvolveu a metodologia INTERA (Inteligência, Tecnologias Educacionais e Recursos Acessíveis). Este processo objetiva fornecer condições para o controle das etapas e para o gerenciamento do trabalho dos envolvidos, além de conter etapas de testes e avaliação que favorecem o alcance de um objeto com o maior número de características de qualidade, visando seu reuso.

REFERÊNCIA

AMBIENTE[k1] SOPHIA - Disponível em: http://siaiacad17.univali.br/sophia . Acesso em 20/04/2012.

KRATZ[k2], R. A.; Pinto, S. C. C. S.; Scopel, M.; Barbosa, J. Fábrica de Adequação de Objetos de Aprendizagem. Revista Brasileira de Informática na Educação. v. 15, n. 3, p. 25-38. 2007. Disponível em: http://www.br-ie.org/pub/index.php/rbie/article/view/23/19. Acesso em: 27/05/2012.

NASCIMENTO, Anna Christina Aun de Azevedo; PRATA, Carmem Lúcia (Orgs.). Objetos de aprendizagem: uma proposta de recurso pedagógico. Ministério da Educação / Secretaria de Educação a Distância, 2007. Disponível em:

http://rived.mec.gov.br/artigos/livro.pdf

OLIVEIRA, Erica R.; NELSON, Maria Augusta V.; ISHITANI, Lucila Ishitani. Ciclo de vida de objetos de aprendizagem baseado no padrão SCORM. Anais do Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. 2007. Disponível em:

http://www.br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/view/571/557 .Acesso em 20/04/2012.

PESSOA, Marcello de Castro; BENITTI, Fabiane Barreto Vavassori. Proposta de um processo para produção de objetos de aprendizagem/ Universidade do Vale do Itajaí. Rational Software Corporation. 2001. RUP. Disponível em:

Capítulo 4: Estratégias Pedagógicas para o uso dos Objetos de Aprendizagem:

No documento Introdução aos Objetos de Aprendizagem (páginas 31-36)

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