15 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94:151;153;154,156,158,160,162, 164 e 166 respectivamente 16 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 169-175 e 176-177 respectivamente.
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a Comissão”17, a FEAM solicita à comissão que marque a data, o local e o
horário para a realização da audiência pública sugerindo o dia 13 de janeiro de 1997. Numa reunião realizada na FEAM no dia 9 de dezembro, com a presença dos membros da divisão técnica responsável, representantes da Comissão de Atingidos, CPT e CAMPO-VALE, é reiterada a necessidade de definir a data e o local da audiência pública, tendo em vista os prazos legais para o cumprimento daquela face do licenciamento ambiental. Segundo o relatório desta reunião...
“Os representantes da Comissão em resposta informaram das dificuldades de articulação de toda a comunidade em breve espaço de tempo e, principalmente, nesta época do ano, período que coincide com chuvas na região.” (Processo UHE Irapé Nº
94/94/01/94: 368)
Contudo se comprometeram a formalizar a proposta do local e da data após reunião com a CEMIG naquele dia. Um mês depois, 8 de janeiro de 199718, a Comissão informa formalmente à FEAM a impossibilidade de
realização da audiência pública na data sugerida por esta, em função da dificuldade na “articulação” da comunidade para a audiência pública em tão pouco espaço de tempo no período de chuvas; expõe ainda que na reunião com a CEMIG marcou-se uma reunião específica junto com as prefeituras para discutir a audiência pública antes da definição da data e local desta.
No final deste mês de janeiro, a FEAM por fax pede informações tanto à Comissão de Atingidos como à CEMIG, a respeito dos entendimentos sobre a data e local da audiência pública, sugerindo o mês de março19. A esta a
Comissão responde que, segundo os entendimentos com a CEMIG, seria necessário realizar uma reunião junto às prefeituras e junto ao DNAEE e protesta contra a “pressão” da FEAM para a definição da audiência pública uma vez que o andamento do processo estaria em comum acordo com a CEMIG. A FEAM responde a esta refutando a afirmação de que estaria pressionando os atingidos, alegando que o seu dever é o cumprimento dos prazos estabelecidos em Lei para o licenciamento ambiental. Justifica e
17 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 343-344. 18 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 369 19 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 372-3.
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reafirma, ainda, a sugestão da data indicativa para março tendo em vista o cronograma exposto pela Comissão no ofício datado de 8/01/97.
Por fax a FEAM reitera à CEMIG o pedido de informações sobre o processo de entendimento com a Comissão sobre a audiência pública. Um dia depois da passeata dos atingidos em Belo Horizonte, no dia 10 de março, onde tiveram audiência com a FEAM, CEMIG e a Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, a FEAM reitera novamente à CEMIG o pedido de informações quanto ao entendimento com a Comissão de Atingidos sobre a audiência pública, tendo em vista a reunião do dia anterior 20.
Estes encontros entre os agentes demostra a predisposição destes quanto à necessidade do licenciamento ambiental, contudo a questão do tempo mostra as diferenças quanto a esta predisposição. Enquanto a FEAM se volta para o cumprimento de prazos, a Comissão requer mais tempo sem o qual não é possível articular a comunidade e as prefeituras em relação à audiência. Apesar de a FEAM ir de encontro à necessidade da CEMIG em cumprir o licenciamento no tempo hábil dado pela concessão do DNAEE, esta demonstra também uma predisposição a esclarecer a relação entre a Comissão e a CEMIG, isto é, se há entendimento entre essas partes. Vale ressaltar que a CEMIG não responde a estes pedidos, deixando a FEAM com a dúvida.
É realizada, no dia 9 de abril de 1997, uma reunião na Assembléia Legislativa, para a discussão do projeto Irapé, coordenada pelo presidente então em exercício, o Dep. Romeu Queiroz. Nessa reunião comparecem deputados da região do Vale do Jequitinhonha, representantes da CEMIG e do DNAEE, assim como da divisão técnica responsável da FEAM, convocada para prestar esclarecimentos quanto ao processo de licenciamento. Nesta se decide pela realização de duas audiências públicas, uma em cada margem do Rio Jequitinhonha, em Cristália, sede do município do mesmo nome, e em Acauã, distrito do município do Leme do Prado, nos dias 24 e 25 de maio respectivamente. A proposição de duas audiências públicas foi justificada como garantia para uma maior participação da população da região. No mesmo dia a
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CEMIG envia um fax à FEAM, confirmando as decisões tomadas naquela reunião21.
No dia 14 de abril a FEAM comunica à Comissão de Atingidos sua disposição em realizar a audiência pública em Cristália no dia 25 de maio próximo, solicitando indicação do local preciso e do horário. Justifica este pedido, afirmando que a Comissão já teria dado seu parecer sobre as medidas compensatórias. Segundo este documento:
“...esclarecemos que a convocação para a realização em questão, se dá em virtude de se verificar, agora, concluída a etapa do processo de Licenciamento que precede à Audiência Pública, com a apresentação, por parte dessa comissão, em 10/03/97 de documento contendo o seu posicionamento com relação às propostas elaboradas pela CEMIG, em complementação ao EIA-RIMA, correspondente.” (Processo UHE Irapé Nº 094/94/01/94: 391)
Em resposta, a Comissão solicita à FEAM a prorrogação da realização da audiência pública para a primeira quinzena de julho e sugere Acauã22.
Segundo esta carta, Cristália não é um bom local para a audiência pública, pois a possibilidade de acesso dos atingidos tanto de uma como de outra margem é menor se comparado à Acauã. Critica também a reunião realizada na Assembléia Legislativa, não só pela não convocação da Comissão de Atingidos para comparecer nesta, mas principalmente por ignorar o processo de entendimento que vinha sendo desenvolvido junto à CEMIG, e insiste que o próximo passo não é a realização da audiência pública mas a resposta concreta da CEMIG frente aos questionamentos colocados pelos atingidos e pela FEAM. A esta a FEAM apenas responde confirmado Acauã como o local e sugerindo o dia 22/06/97 como a data definitiva para a realização da audiência pública e logo a seguir informa a CEMIG da data e local da audiência23.
Após a CEMIG responder os questionamentos contidos no documento encaminhado pelos atingidos pela hidrelétrica de Irapé na passeata do dia 10/03/97 como resposta às solicitações da FEAM sobre o andamento das
21 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 389 22 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 392 23 Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 395
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discussões entre CEMIG e Comissão de Atingidos24; a Comissão, num ofício
enviado à FEAM datado de 27/05/97, expressa formalmente sua posição de desconfiança sobre os objetivos da convocação de uma segunda audiência pública em Cristália. Neste a Comissão afirma que a audiência em Cristália sirviria apenas como “palanque aos políticos profissionais da região”. Esta desconfiança seria resultado da forma como se convocaram as audiências, ignorando os interesses dos atingidos ao não convocar seus representantes. Contudo esta carta parece mostrar que a Comissão de Atingidos ignorava que ambas audiências já tinham sido previstas desde a reunião na Assembléia Legislativa. Veja-se o seguinte trecho do ofício da comissão à FEAM datado de 27/05/97:
“Em audiência com o presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, Dep. Romeu Queiroz, no dia 10/03/97, nos prometeu todo o apoio no processo da UHE Irapé. Mas ao contrário ‘nos apunhalou pelas costas’ quando convocando os prefeitos municipais, FEAM e CEMIG, propôs a marcação da Audiência Pública, sem a presença da Comissão de Atingidos, para dia 25/05/97, em Cristália. Com que legitimidade ele fez isto? Graças à nossa insistência e ao bom senso da FEAM, a data ficou 22/06/97 e o local Acauã. Por isso, inconformado este e outros deputados continuaram insistindo na mesma tecla, até que conseguiram o seu intento. Por isto, Senhor Diretor, é muito fácil falar em democracia quando o poder não tem controle social.” (Processo UHE Irapé Nº 94/94/01/94: 430)
O fato de a Comissão de atingidos ignorar os pormenores da reunião realizada na Assembléia Legislativa do Estado, indicaria, na melhor das hipóteses, uma lacuna na relação entre a FEAM e a Comissão de Atingidos e, na pior, uma estratégia de ação da CEMIG, envolvendo legisladores com interesses políticos particulares na região, com o objetivo de pressionar e ou “legitimar” a ação da FEAM na agilização do processo de licenciamento. De fato a FEAM já vinha mostrando o interesse pelo cumprimento dos prazos segundo pressupostos legais do licenciamento, não só em relação à Comissão mas em relação à própria CEMIG, primeiro ao requisitar a prorrogação do prazo da portaria do DNAEE concedendo a realização dos estudos de