63 Em função da quantidade de diagramas da lógica argumentativa dos trechos selecionados,
4.4. Viabilidade Sócio-Ambiental: discursos que remetem ao bem-estar-social/qualidade de vida e à
proteção/conservação do ambiente.
A proporção do total de ocorrências desta família em relação às outras é de 24,7% para o caso Irapé e 37,8% para o caso Pilar (ver Quadro 6 em anexo). Disso pode-se inferir que o discurso sobre a viabilidade sócio- ambiental dos projetos se desenvolve muito mais no caso Pilar. A diferença entre estes valores parece estar relacionada com o impacto sobre a redução e variação da vazão d’água nos rios: enquanto que no caso Pilar o código “ReduVazão”, representa 40,8% das ocorrências dentro desta família, no caso Irapé representa apenas 11,1%, sem contar que no caso Irapé não há ocorrências para o impacto da variação da vazão, contra 13,1% do total de ocorrências no caso Pilar (ver Quadro 3 em anexo).
A diferença central do caso Pilar diz respeito aos impactos conseqüentes à redução da vazão no trecho de 20 km entre a barragem e a casa de força, prevista para ser de 5 m3/s e a variação da vazão à jusante da casa de força que, na cidade de Ponte Nova, pode chegar a variar até 1,87 m. A redução da vazão no trecho de 20 km se relaciona com questões não só sobre a viabilidade ambiental como impactos sobre a flora e a fauna, especialmente a ictiofauna, mas também com questões de viabilidade sócio- econômica, principalmente no que se refere à infra-estrutura: abastecimento d’água para uso doméstico, para as atividades agropecuárias e a eliminação da cerca natural. O impacto da variação da vazão aparece principalmente
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relacionado com a segurança da população de Ponte Nova, apesar de se considerar também a sua relação com os impactos sobre a ictiofauna. Já no caso Irapé as conseqüências sociais e ambientais da redução da vazão ocorreram principalmente no diálogo entre FEAM e CEMIG; este se relaciona principalmente a problemas de abastecimento d’água para a população ribeirinha à jusante durante o período de enchimento do reservatório.
Ainda no que se refere às questões de viabilidade sócio-ambiental, vale a pena destacar os códigos: Flora e Proteção ambiental. A proporção da ocorrência destes no caso Irapé é muito maior do que no caso Pilar: 22,2% vs. 10% para o código Flora e 20,9% vs. 6,9% para o código ProteçãoAmbiental (ver Quadro 3 em anexo). O discurso sobre as questões relativas à proteção da flora (criação de unidade de conservação, faixa de 100m para recuperação da mata ciliar, medidas de compensação para perda de habitats peculiares) parecem ter se desenvolvido mais no caso Irapé. De fato tal projeto se localiza numa área de mata atlântica numa região onde predomina o cerrado; devido à relevância, sustentada por leis específicas para tal ambiente, a FEAM se mostra incisiva no requerimento de uma melhor avaliação dos impactos sobre a Flora e melhoria das medidas mitigadoras e compensatórias. Talvez até por ciência da relevância de tais impactos sobre o ambiente, a CEMIG sugere desde o início do processo de licenciamento ambiental, mesmo antes de se tornar uma imposição legal, a criação de uma unidade de conservação como medida compensatória. Tal medida só foi considerada no caso Pilar após se tornar uma imposição legal.
Tanto um como outro caso passam por uma revisão abrangente da avaliação ambiental do chamado “meio-biótico” por exigência da FEAM, mas tal documentação não foi sistematizada pelas razões expostas na apresentação dos procedimentos da pesquisa (seção 4.1.2.).
Em resumo, pode-se inferir que, tratando-se do discurso sobre a viabilidade sócio-ambiental, enquanto no caso Pilar este se desenvolve estreitamente relacionado com questões sociais e econômicas, no caso Irapé este se desenvolve principalmente sobre questões ambientais estrito senso. Talvez uma exceção seja a ocorrência do código “AptidãoUsoSolo” com a proporção de 22,2% no caso Irapé contra 7,7% para o caso Pilar (ver Quadro 3 em anexo). Trata-se da forma de contra argumentação encontrada pela CEMIG
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para responder aos questionamentos levantados pelo assessor da comissão de atingidos, sobre a falta de um diagnóstico sócio-econômico que integre a dimensão ambiental.
4.4.1. A ARGUMENTAÇÃO EM TORNO À QUESTÃO DA REDUÇÃO DA VAZÃO DOS RIOS64
Para o caso Pilar o discurso sobre a redução da vazão do rio se desenvolve na forma de uma controversa a respeito das medidas necessárias à mitigação e compensação dos impactos sociais da redução permanente da vazão no trecho de 20km entre a barragem e a casa de força, assim como da responsabilidade por implementação destas. Deste participam a THEMAG, o NACAB e a FEAM.
O primeiro trecho do discurso da THEMAG faz parte do RIMA (Diagrama 17), neste se argumenta sobre os impactos esperados pela redução da vazão no trecho de 20 km entre a barragem e a casa de força. Primeiro apresenta os impactos esperados para o meio biótico e físico: paisagem natural, ictiofauna e portos de areia (RG: 1-4). Logo qualifica o impacto sobre o uso da água pela população do trecho como pouco relevante, afirmando que tal uso é muito limitado, destacando ainda a possível aparição de doenças pela ocorrência de águas paradas (RG: 5-10). Para a mitigação dos possíveis impactos, prevê a construção de cercas para evitar o passeio livre de animais e a implantação de mecanismos de bombeamento caso ocorra problemas de abastecimento.
O segundo trecho represetantivo da THEMAG sobre este assunto faz parte da resposta ao pedido de informações complementares da FEAM, no qual solicita medidas compensatórias aos impactos sócio-econômicos para além do abastecimento de água (Diagrama 18). Este inicia a argumentação afirmando que a proposição de outras medidas teria um caráter compensatório de impactos qualificados como difusos (RG: 1-2). A seguir, afirma que os impactos difusos da hidrelétrica não decorrerão apenas da redução da vazão no trecho, mas por outras conseqüências que recaem não apenas sobre esta população mas sobre toda a área de influência (RG:3-6); portanto propor medidas compensatórias específicas para a população do trecho de 20 km