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Processos costeiros no litoral oriental da Ilha Grande

No documento Jaciele da Costa Abreu Gralato (páginas 55-61)

4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Processos costeiros no litoral oriental da Ilha Grande

eventos de tempestades e erosão; e discussão acerca dos resultados alcançados.

4.1 Processos costeiros no litoral oriental da Ilha Grande

As observações e medições dos parâmetros de ondas (altura, direção de incidência, forma de arrebentação e período médio das ondas) e comportamento das correntes litorâneas (deriva litorânea e de retorno), permitiram a caracterização das condições de mar por ocasião dos monitoramentos nas praias estudadas. Os resultados destas observações são apresentados na tabela 3.

A Enseada do Abraão (Figura 4) por ocasião dos monitoramentos apresentou em geral condição de mar calmo, com pequenas ondulações formadas pela ação de ventos locais e a existência de uma arrebentação muito discreta e próxima a linha d’água. Por conta da baixa dinâmica observada nesta enseada, as medições das condições de mar foram feitas apenas nos monitoramentos realizados no verão e outono de 2014. As pequenas ondulações observadas nas áreas dos perfis 1 e 2 (Figura 26A e B) são provenientes de NE. No perfil 2 a altura da onda variou de 0.24 m no verão de 2014 a 0.15 m no outono de 2014. O período médio da onda, medido apenas no verão de 2014, variou entre 9.29 s no perfil 2 e 9.68 s no perfil 1 (Tabela 3).

A área do P1 mostrou-se menos exposta a incidência de ondas em razão da existência das Ilhas do Macedo que protegem este trecho da praia (Figura 4B), barrando parte das ondulações que chegam dos quadrantes N e NE. Essas duas ilhas estão localizadas a cerca de 140 m e 250 m, respectivamente, de distância da praia (Figura 26A) e projetam uma zona de sombra neste setor, diretamente responsáveis pelo acúmulo de areias e a consequente projeção da linha de praia à retaguarda destas (Figura 4B), característico de um tômbolo em fase inicial de formação.

Figura 26 - Condições de mar calmo verificados na Enseada do Abraão

Legenda: (A) Perfil 1 no outono de 2015 e (A) (B) Perfil 2 no verão de 2014.

Fonte: A autora, 2015.

Na praia de Pouso (Figura 5), o mar apesentou-se em geral calmo, com pequenas ondulações formadas pela ação dos ventos, que arrebentam próximo à linha d’água devido a declividade acentuada da face de praia. As observações das condições de mar feitas no outono de 2014 apontam para a incidência de ondas provenientes de E/ NE, com altura de 0.31 m na arrebentação e período médio de 3.46 s (Figura 27 e Tabela 3). Quando comparada a Enseada do Abraão, a Enseada das Palmas se encontra mais confinada entre promontórios rochosos.

No entanto, este trecho costeiro mostrou-se mais vulnerável a incidência de ondas de tempestade que, quando combinadas com a maré alta de sizígia, promovem a inundação de praticamente toda a faixa de areia da praia, como observado no verão de 2015 (Figura 28). Possivelmente, tal característica se dê em função da maior exposição desta área a entrada de ondas de maior energia vindas do oceano, tendo em vista que a mesma se encontra localizada próxima a extremidade leste da Ilha Grande, mais suscetível ao fenômeno de difração dessas ondas.

Figura 27 - Condições de mar calmo no outono de 2014 na praia de Pouso

Fonte: A autora, 2014.

O litoral de Dois Rios (Figura 6), durante o tempo de monitoramento, apresentou condição de mar moderada (Tabela 3 e Figura 29), com uma agitação superior àquela verificada nas enseadas do Abraão e das Palmas. A incidência de ondas neste trecho do litoral ocorre dos quadrantes E e SE. Em meio a uma ampla zona de surf, as ondas arrebentam em diferentes locais, em resposta a baixa declividade do fundo. A forma de arrebentação dessas ondas alternou entre spilling (Sp.) e plunging (P.), com a predominância deste padrão sob as mesmas condições de mar. A altura média das ondas oscilou entre a mínima de 0.46 m (no verão de 2014) e a máxima de 1.72 m (no inverno de 2015), com períodos que variaram de 8.37 s (outono de 2015) a 14.07 s (verão 2104) (Tabela 3). A altura das ondas observada nos monitoramentos é ligeiramente superior no setor nordeste (área do perfil 2) em comparação com a extremidade sul (perfil 1). Essa diferença é o resultado da proteção exercida pelo embasamento cristalino no

setor sul de Dois Rios, interceptando as ondas de tempestades, que em boa parte do litoral fluminense são oriundas dos quadrantes S e SW (MUEHE 1979; SILVA et al., 2008a; SILVA et al., 2014c; PARDAL, 2009).

Figura 28 - Condições de mar agitado devido a incidência de ondas de tempestade na preamar da praia de Pouso no verão de 2015

Fonte: A autora, 2015.

Na Enseada de Lopes Mendes (Figura 7) foram verificadas as maiores oscilações nas condições de mar por ocasião dos monitoramentos, tanto ao longo do arco praial quanto entre as estações do ano (Tabela 3). O extremo noroeste (área do perfil 1) e meio do arco praial (perfil 2) são mais suscetíveis as variações nas condições de mar, em detrimento da extremidade sudeste, onde predominaram condições de mar calmo. A incidência de ondas nesta praia ocorre dos quadrantes S e, principalmente, de SW (Tabela 3). A forma de arrebentação das ondas segue o mesmo padrão observado na praia de Dois Rios, com a predominância tanto do tipo spilling (Sp.) quanto de plunging (P.). As ondas apresentaram altura média entre 0.30 m no perfil 3 (verão de 2015) e 1.90 m no perfil 1 sob condição de tempestade (inverno de 2015). O período variou de 9.16 s (perfil 3) no verão de 2015 a 15.06 s observado (perfil 2) outono de 2014 (Figura 30 e Tabela 3). O meio do arco praial (perfil 2) chama a atenção pela presença em quase todos os monitoramentos de uma vigorosa corrente de retorno, motivo pelo qual este trecho da praia se encontra quase sempre interditado para o banho de mar. Em alguns monitoramentos,

verificou-se a presença de uma forte corrente de deriva litorânea, deslocando-se para noroeste no outono e para sudeste no inverno de 2015.

Figura 29 - Incidência de ondas de tempestade na área do P2 na praia de Dois Rios, no inverno de 2015

Fonte: A autora, 2015.

Figura 30 - Condições de maragitado no P2 na praia de Lopes Mendes no inverno de 2014

Fonte: A autora, 2014.

As condições de mar no litoral da Ilha Grande mudam rapidamente, em resposta a passagem eventual de frentes frias provenientes do sul do país, causando grandes agitações na

superfície oceânica com a aproximação de ondas de tempestade. Mesmo as praias voltadas para o continente, como Abraão e Pouso que estão geograficamente abrigadas, mostraram-se vulneráveis a incidência de ondas de tempestades associadas às ressacas. Na Enseada de Lopes Mendes e no Saco dos Dois Rios, ambos voltados para o oceano, essas ondas alcançam 3 m de altura na arrebentação durante a ocorrência de grandes tempestades, como observado no inverno de 2014 na praia de Lopes Mendes e no inverno de 2015 em Dois Rios. Godoi et al. (2011), utilizando-se de modelagem numérica (Figura 31), mostram que as praias voltadas para o oceano apresentam maior vulnerabilidade devido à alta energia das ondas e afirmam que durante a ocorrência de ressacas essas ondulações tendem a alcançar inclusive as áreas normalmente abrigadas da ação direta das ondas, podendo causar danos nas estruturas costeiras. O que foi constatado neste estudo com relação à praia do Pouso na Enseada das Palmas, que se mostrou vulnerável as ressacas durante o período de monitoramento.

Figura 31 - Campo de altura significativa de onda na baía da Ilha Grande no dia 08/04/2009

4.2 Variabilidade morfológica das praias no litoral oriental da Ilha Grande

Fonte: GODOI et al., 2011.

No documento Jaciele da Costa Abreu Gralato (páginas 55-61)