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Suzana Camillo Marques

PALAVRAS-CHAVE: museus digitais; museus afrodigitais; processos curatoriais.

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e a comunicação de seu acervo digital. Partindo dessas discussões, a pesquisa de caráter ainda embrionário, tem como tema as exposições virtuais e a curadoria digital dos Museus Afrodigitais, com o objetivo de analisar os diferentes processos curatoriais e suas potencialidades, presentes nas diferentes redes de Museus Afrodigitais brasileiros. Os resultados parciais3 mostram que todas as galerias possuem na página inicial, uma aba intitulada “exposições”, com exceção da galeria do Maranhão4, onde só é possível encontrar “exposições” dentro da aba “ensino”. A galeria da Bahia possui oito exposições, datadas entre 2016 e 2017. Sete “exposições” possuem apresentação em “prezi” e uma em “power point”. Três das exposições, além da apresentação em “prezi” possuem tex-tos curtex-tos e referências bibliográficas e uma delas possui arquivos em formato de textex-tos produzi-dos pelo autor da determinada exposição. A galeria da Bahia não utiliza o termo “curadoria” em suas “exposições”, que se apresentam, na verdade, como um “banco de dados” do conteúdo de pesquisas realizadas por um determinado autor. Na galeria do Rio de Janeiro, são apresentadas treze exposições, todas com títulos e textos, sendo onze delas com fotografias, uma somente com documentos textuais e uma com diversos tipos de documentos (entrevistas, reportagens, músicas, vídeos, etc.). Quatro delas apresentam o termo “curadoria”, na concepção de autoria da exposição. Na galeria do Rio de Janeiro, as exposições virtuais são, basicamente, pesquisas resumidas conten-do título, texto explicanconten-do sobre o trabalho e fotografias sobre o tema estudaconten-do (vida cotidiana, religião, festividades, cultura, culinária, etc.). A galeria de Pernambuco está, no momento, apenas com uma exposição (2017), em parceria com o Museu da Abolição – MAB e o Centro Cultural de São Paulo – CCSP de “Repatriação Digital do Acervo Confiscado de Terreiros” do Recife apreendidos na década de 1930 pela polícia. A exposição da galeria de Pernambuco possui um corpo profissio-nal maior e diversificado, devido ao fato de ter sido feita em parceria com instituições culturais (MAB e CCSP). No sítio eletrônico de Pernambuco também temos a presença do termo “metacura-doria”, com a qual pretende-se criar uma forma de curadoria mais participativa, procurando dialo-gar com espaços e representantes sociais. Partindo dessa breve análise, além de contextualizar e analisar a rede de Museus Afrodigitais, a pesquisa visa discutir sobre a questão da virtualidade na sociedade da informação e nos museus; abordar a questão da curadoria digital, assim como, as formas em que tais narrativas curatoriais são construídas e propor a elaboração de uma proposta de metodologia curatorial para a rede de Museus Afrodigitais. Cabe ressaltar, que foi a partir das décadas de 1970 e 1980, que os museus começaram a repensar criticamente, suas percepções teóricas e práticas, que eram voltadas para os objetos, apresentado através de um discurso mais complexo e técnico, que pressupunha um certo conhecimento para assimilá-lo. As críticas foram desencadeadas por vários movimentos sociais, que reivindicavam um lugar dentro dos museus, objetivando que fossem criadas novas instituições museais, para além das já existentes, que com-portassem outras histórias, saberes, culturas e grupos sociais. Tais reflexões em torno da criação de uma nova teoria que tivesse uma interação maior com as demandas da sociedade e não somente com o conjunto de objetos alocados dentro de uma instituição, estáticos e voltados para um de-terminado grupo social, criaram uma verdadeira renovação no campo museal. Nesse sentido, três documentos são de suma importância para essa nova concepção de museus: a Mesa-redonda de Santiago no Chile (1972); a Declaração de Quebec – Princípios de Base para uma Nova Museologia – (1984) e a Declaração de Caracas (1992). A Declaração de Santiago (1972) ressaltou a função educativa e social dos museus em relação as comunidades, principalmente as da América Latina, portanto declara “que o museu é uma instituição a serviço da sociedade, da qual é parte integran-te, e que traz consigo os elementos que lhe permitem participar da formação da consciência das comunidades que atende” (2012, p.116), além disso estimula a educação, a pesquisa e a coopera-ção entre a América Latina. Em 1984, a Declaracoopera-ção de Quebec cria o movimento da Nova Museo-logia em uma perspectiva global de “adotar e aceitar todas as formas de MuseoMuseo-logia ativa na tipo-logia dos museus”. Segundo Santos (2015) a Nova Museotipo-logia possibilitou um olhar para além do

3 A galeria do Mato Grosso não foi analisada, pois o link apresenta a seguinte mensagem até o momento: “não foi possível acessar o site”.

PROCESSOS CURATORIAIS NOS MUSEUS AFRODIGITAIS BRASILEIROS 139

objeto, um olhar que permeia também a relação do museu com seu interno, com a comunidade. Para complementar, a Declaração de Caracas (1992) também enfatiza o museu como instrumento de desenvolvimento social e debate sobre os museus na nova década e suas novas funções futu-ras. Sendo assim, discute a questão dos museus como espaços de comunicação e “que não pode existir um museu integral ou integrado na comunidade, se o discurso museológico não utiliza uma linguagem aberta, democrática e participativa” (1999, p.252), ou seja, os museus, devem atentar-se para os acontecimentos, também, do presente e do futuro, procurando dialogar com as comuni-dades vizinhas e, para isso, criar novas formas de linguagens expositivas, a fim de aumentar a inte-ração entre museus e público, como também estimulando a conservação do patrimônio, a parti-cipação e o incentivo às pesquisas. Em meio aos novos museus que foram surgindo, para além dos clássicos, na década de 1990, temos a adesão dos museus às novas tecnologias, resultando na in-formatização de seus acervos, no uso de mídias digitais em exposições e a criação de museus vir-tuais. Os museus virtuais criam um novo conceito de museu, não mais dependente de um espaço físico, onde são criadas novas formas de interação com o tempo, espaço, materialidade, imateriali-dade, informação e comunicação. É nesse sentido, que os projeto de Lívio Sansone de digitaliza-ção de acervos da diáspora africana direciona-se, ou seja, a uma nova concepdigitaliza-ção de museu, a um museu de luta, a um museu que busca, através das possibilidades que o mundo virtual podem resultar, criar meios de atingir a sociedade na luta contra o preconceito e o racismo. A partir desse breve esboço, a metodologia de pesquisa pretende realizar uma pesquisa bibliográfica (livros, re-vistas, artigos, etc.) que discuta, principalmente, a questão da sociedade da informação, os museus virtuais, as exposições museológicas, a comunicação em museus, a curadoria digital, os discursos de autoridades presentes nas formas de curadoria e a temática da diáspora africana em museus no Brasil. Também pretende-se analisar os artigos escritos pelos coordenadores de algumas redes di-gitais, notícias, entrevistas e os próprios sítios eletrônicos dos museus e suas respectivas redes so-ciais, entendendo-os como fontes importantes para a pesquisa. Sendo assim, o interesse pelo tema partiu da compreensão de que existem poucos estudos brasileiros na área da museologia sobre museus e suas relações com a virtualidade e que a discussão é atual e que, portanto, busca inserir a museologia dentro dos debates sobre as transformações ocorridas na sociedade e em sua relação com o ciberespaço. Para além desses apontamentos, é importante destacar que, com-preendendo os museus como espaço de poder e de luta, a rede de Museus Afrodigitais tem um caráter fortemente político, cultural e social que busca evidenciar a memória da diáspora africana, somando as discussões sobre a participação social, a democratização do acesso, a diversidade cultural, a erradicação do racismo e outras formas de preconceito, além do uso das novas tecnolo-gias nos museus.

REFERÊNCIAS

ICOM. Declaração de Caracas - 1992. Cadernos de Sociomuseologia, n. 15, p. 243-265, 1999. Disponível em: <http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur/article/viewFile/2013/1522>. Acesso em: setembro de 2018.

______. Declaração de Quebec - 1984. Cadernos de Sociomuseologia, n. 15, p. 243-265, 1999. Disponível em: <http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur/article/viewFile/2013/1522>. Acesso em: setembro de 2018.

MUSEU Afrodigital. Galeria Bahia (UFBA). Disponível em: <https://museuafrodigital.ufba.br/>. Acesso em: setembro de 2018.

MUSEU Afrodigital. Galeria Maranhão (UFMA). Disponível em: <http://www.museuafro.ufma.br/ site/>. Acesso em: setembro de 2018.

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MUSEU Afrodigital. Galeria Pernambuco (UFPE). Disponível em: <http://www.museuafrodigital.com. br/paginazero/>. Acesso em: setembro de 2018.

MUSEU Afrodigital. Galeria Rio de Janeiro (UERJ). Disponível em: <http://www.museuafrorio.uerj. br/>. Acesso em: setembro de 2018.

NASCIMENTO JUNIOR, José do; TRAMPE, Alan; SANTOS, Paula Assunção dos. (Org.). Mesa redonda sobre la importancia y el desarrollo de los museos en el mundo contemporáneo: Mesa Redonda de Santiago de Chile, 1972. Vol. 1. Brasília: Ibram/MinC; Programa Ibermuseos, 2012. Disponível em: <http://www.ibermuseus.org/wpcontent/uploads/2014/09/Publicacion_Mesa_Redonda_VOL _I.pdf>. Acesso em: Setembro de 2018.

SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Museu Afrodigital: desafios na representação do passado. Revista Z Cultural (UFRJ), v. 1, p. 30-40, 2015.

TEMA, PROBLEMA E QUESTÕES DE PESQUISA

O Hospital Frei Antônio (HFA), antigo Hospital dos Lázaros, está situado à Rua São Cristóvão, 870, no Bairro Imperial de São Cristóvão, no município do Rio de Janeiro/RJ. Em sua história, a instituição funcionou como leprosá-rio, quartel militar, hospital especializado, laboratóleprosá-rio, centro de pesquisas, sede de órgãos sanitários e lar geriátrico.

Entre 2014 e 2015, realizamos uma pesquisa exploratória no Arquivo Francisco Batista Marques Pinheiro (AFBMP), pertencente à Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária (ISSSC), almejando mapear a docu-mentação histórica e arquitetônica do hospital. A intenção era elaborar um trabalho de conclusão do Curso de Especialização em Preservação e Ges-tão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde (COC | FIOCRUZ), cuja temática de investigação era aquela entidade hospitalar.

Naquela pesquisa prévia, encontramos documentos avulsos relaciona-dos ao tombamento municipal do Hospital Frei Antônio, emitirelaciona-dos durante as décadas de 1970 e 1980. Ao analisá-los, algumas indagações surgiram: Como transcorreu o tombamento daquele hospital? Quais motivações exis-tiam para que se desejasse o seu tombamento? Como a Prefeitura da Cida-de do Rio Cida-de Janeiro (PCRJ) lidava com as políticas Cida-de preservação cultural naquela época?

O problema central da investigação se baseou no seguinte questiona-mento: de que forma o tombamento do Hospital Frei Antônio, ocorrido en-tre os anos de 1976 a 1985, poderia contribuir para os estudos das políticas de preservação cultural no Rio de Janeiro? Esse recorte temporal, remete-se ao ano do pedido de tombamento (1976) e ao da publicação do Decreto nº. 4.926/85, que legitimou o tombamento voluntário do leprosário (1985).

A principal motivação da solicitação de tombamento se relacionava com a perda de visibilidade e aos riscos à ambiência do hospital, ocasio-nados pela proximidade às instalações do Gasômetro de São Cristóvão e às obras implementadas em seu entorno. Entendeu-se, também, que a função assistencial da Irmandade da Candelária, no passado, foi uma das justificativas para o tombamento do hospital pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, a recuperação do passado caritativo, a preservação

Tarcísio Pereira Bastos PPG Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde COC/ FIOCRUZ Orientador: Renato da Gama-Rosa Costa

HISTÓRIA, ARQUITETURA & SAÚDE: O TOMBAMENTO DO

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