Elementos Linguístico-
Etapa 6 Produção final.
Objetivos: Recontar Causos Ibaitienses, sabendo: caracterizar as perso- nagens, o espaço e o tempo nas histórias; organizar a sequência crono- lógica dos fatos na narrativa; preservar o propósito comunicativo que se persegue ao longo da produção (manter o suspense; provocar deter- minados sentimentos no leitor: tristeza, graça, dúvida, pena, felicidade; utilizar recursos que procuram dar veracidade aos fatos ou aconteci- mentos exagerados ou mentirosos etc.). Revisar o texto com a intenção de evitar repetições desnecessárias; questões ortográficas e sintáticas. Observar o registro da variante linguística. Utilizar sinais de pontuação com a intenção de garantir a coesão textual.
Ações: Propor aos alunos entrevistar pessoas da família ou comunidade para que contem Causos Ibaitienses; promover atividades de retextualiza- ção dos causos para a escrita; propor atividades de revisão e reescrita do texto escrito; organizar a produção de roda de causos e viola para a expo- sição, pelos alunos, dos trabalhos realizados durante a sequência didática.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste trabalho, nosso objetivo foi o de apresentar uma sinopse da sequên- cia didática elaborada para o ensino e aprendizagem da língua materna, tendo como eixo organizador o gênero textual Causo Ibaitiense, sequên- cia destinada aos 6º anos do ensino fundamental. Contudo, é importan- te salientar, a pretensão é a de que a sinopse seja também material de apoio para outros professores da mesma cidade e de muitas outras, com ricas histórias da cultura popular local ou regional. Nossa compreensão é a de que histórias locais populares podem ser uma grande aliada nas aulas de língua portuguesa, porque podem oportunizar um encontro do aluno com situações enunciativas reais que valorizem a realidade cultu- ral e social dos discentes.
Essas histórias podem proporcionar momentos privilegiados de intera- ção que favoreçam a formação de sujeitos críticos que saibam lidar com a leitura, escrita e oralidade nas práticas sociais de uso da linguagem. O que se justifica diante do fato de grande parte dos trabalhos desti- nados à sala de aula, pois investem no aprimoramento da leitura ou da produção textual dos alunos, por vezes, desprezando por completo os aspectos da oralidade.
Nossa premissa é a de que quando a criança entra na escola já domina a linguagem oral a qual se desenvolve nas suas interações com a famí- lia, amigos e comunidade, consequentemente ela domina primeiro o oral depois o escrito. Desse modo, “ao longo do ensino fundamental, o apren- diz pode fazer novas descobertas a respeito desse objeto que manipula constantemente e utilizá-lo em contextos que não lhe são ainda familia- res” (DOLZ, SCHNEUWLY, 2004, p.151).
184
Por fim, a título de exemplificação, apresentamos o endereço eletrônico de um dos causos que compôs nosso Caderno pedagógico, exemplar do gênero produzido na modalidade oral (vídeo integrante da coletânea de Silva (2016)) e o referido retextualizado para a escrita (ANEXO A): Vídeo do Causo “Corpo Seco”, disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=Mvib58xBQi8>
185
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M./ VOLOCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiros e quartos ciclos do ensino fundamental: Introdução aos parâmetros curriculares nacionais/Ministério da Educação. Brasília: MEC/SEF, 1998.
______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2013.
BRONCKART, J. O agir nos discursos: das concepções teóricas às
concepções dos trabalhadores. Tradução Anna Rachel Machado e Maria de Lourdes Meirelles Matencio. Campinas: Mercado de Letras, 2008. ______. Atividade de linguagem, textos e discursos. Por um
interacionismo sociodiscursivo. Trad. Anna Rachel Machado, Péricles Cunha. São Paulo: EDUC, 2012.
DOLZ, J.; NOVERRAZ, M.; SCHNEUWLY, B. Sequência Didática para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. São Paulo: Mercado das Letras, 2004.
DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: elementos para reflexões sobre uma experiência suíça
(Francófona). In: SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. São Paulo: Mercado das Letras, 2004.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2005.
______. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Os gêneros escolares: das práticas de
linguagem aos objetos de ensino. In: SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. São Paulo: Mercado das Letras, 2004.
STRIQUER, M. S. D. O método de análise de textos desenvolvido pelo Interacionismo Sociodiscursivo. Eutomia, Recife, v. 1, n. 1, p. 223-313, dez. 2014.
186
ANEXO A
Corpo Seco
Eu vô contá assim um fato que aconteceu em Ibaiti. Eu conheci essa pessoa aí nos anos sessenta, sessenta e cinco, era uma pessoa que era muito ruim – o Anísio. Ele era muito mau, batia muito na mãe dele, fazia a mãe dele de animal, muntava nela, fazia ela carregá ele por aí.
E esse Anísio era também uma pessoa muito sabida, ele pegava dinheiro dos otro e como o cara era danado, ele pegava o dinheiro dos outro, mais num pagava, a pessoa ia cobrá e ele num pagava. O dinheiro que esse Anísio pegava e não pagava, ele trocava por oro e levava lá no Pico. Naquele tempo não tinha nem asfalto, era tudo pedra, ninguém ia lá. Então ele enterrava lá no Pico, fazia um buraco e ponhava lá. Ninguém sabia, só ele sabia e a mãe dele, né.
Ele pegô um dinhero de um home conhecido como Nania que morava no bairro da Amorinha e num pagô. Então o Nania levô pro Fórum e o juiz deu a causa ganha pro Anísio. O Nania se revoltô né e deu um tiro na cara do Anísio porque já tava perdido memo. Ele falô: “Eu perco o dinhero mais na bala eu não perco”.
Depois a mãe do Anísio buscô um capanga pra buscá o dinhero que tava enterrado lá no Pico, trazê pra ela e pra tirá o corpo dele do cemitério e levá no Pico.
Quando o rapaz foi lá no cemitério pra tirá o corpo, não tinha carne nenhuma, tava só o corpo seco porque ele era muito ruim. O capanga levô o corpo seco lá pro Pico. O povo tudo da cidade ouviu o barulho dos osso “tec, tec, tec”. Quando o capataz chegô no Pico pra tirá o dinhero que tava enterrado, num tinha jeito, ele ia cavucá, vinha um negócio que num dexava, cavucava, cavucava e o negócio num dexava, tinha uma força ali que não dexava tirá o dinhero dali. Ainda hoje muita gente vai lá pra tirá o tesoro, mais ninguém consegue porque tem um mistério, tem que sabe derrotá o corpo seco pra podê tirá o dinhero. VBD.